Dia 19 de Maio- Dia de doação do leite humano

Olá!

O ato de doar e ajudar o próximo é o um dos mais belos que o ser humano pode realizar.

Estamos acostumados a ouvir sobre doação de sangue e de órgãos, mas muito pouco se sabe sobre doação de leite e agora, no dia 19 de Maio, comemoramos o “Dia de doação de leite humano”.

Não há data melhor para informar, conscientizar e orientar as mães sobre a doação de leite.

O leite materno contém vários macro e micronutrientes, elementos bioativos, anticorpos, células de defesa e bactérias necessárias para a formação e maturação do intestino do bebê (microbioma) e do seu sistema imune.

Indiscutivelmente, ele é a melhor opção para a nutrição da crianças, exclusivamente, até o sexto mês de vida e de forma complementar, ao menos até o segundo ano de vida.

No entanto, é notório o número crescente de mães que não podem amamentar ou que possuem baixa produção láctea, principalmente quando falamos de mães de prematuros que estão internados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Apesar da possibilidade de complementação com fórmula adequada para a idade, nesses casos, o leite materno é a melhor opção para esses bebês que possuem uma enorme emergência nutricional e imune.

Quando falamos de doação de leite, é importante deixar claro que NÃO estamos falando ou incentivando a amamentação cruzada, ou seja, o ato de uma mãe que possui grande quantidade de leite passar a amamentar o filho de outra mãe com baixa ou nula produção. Isso é perigosíssimo e CONTRA-INDICADO, pelo risco de transmissão de doenças.

Estamos falando da doação a partir dos Bancos de Leite Humano.

Hoje o Brasil dispõe de 223 Bancos de Leite Humano e de 220 Postos de Coleta, que não representam apenas unidades de captação de leite. São locais que fornecem ajuda, esclarecimento e incentivo para as mães continuarem amamentando, sendo elas doadoras ou não.

O leite doado passa por um processo de pasteurização, impedindo a possibilidade de transmissão de doenças, a qual a amamentação cruzada poderia resultar.

Entretanto, nesse processo, algumas das propriedades do leite são perdidas, como fatores que estimulam a imunidade e que diminuem a atividade bacteriana.

O mesmo não se pode dizer dos fatores imunomoduladores, que ao contrário, são curiosamente aumentados e que protegem os prematuros de doenças como a displasia broncopulmonar, retinopatia, sepse e enterocolite. Bem como, os componentes nutricionais, que são mantidos como no leite cru.

Em 2020, apesar da pandemia e da redução do número de doações, foram realizados mais de UM MILHÃO de atendimentos nos Bancos de Leite e foram doados cerca de 200.000 litros de leite humano, o que beneficiou exatos 180.763 neonatos.

PARABÉNS A TODAS MAMÃES ENVOLVIDAS!!!

Você é lactante e quer ajudar?

Deixo abaixo os locais aqui na nossa região que aceitam a Doação do Leite Humano:

  1. Banco de Leite Humano do Conjunto Hospitalar de Sorocaba

Avenida Comendador Pereira Inácio, 564 Lageado18031-000 SOROCABA , SP

Telefone: 15-3332-9405

Horario Funcionamento: DOM – SEGUNDA – TERÇA – QUARTA – QUINTA – SEXTA – SÁB

Manhã: de 07:00:00 às 11:00:00

Tarde: de 12:00:00 às 19:00:00

Coleta Domiciliar: Sim

Hora Marcada: Não

2. Hospital Santa Lucinda


Rua Cláudio Manoel da Costa, 57 – Jd. Vergueiro
Sorocaba – SP

Telefone: (15) 3212.9900

Se você não for dessa região e quer saber qual o banco de leite mais próximo, ligue para o Disque-Saúde: 136.

Vamos fazer essa corrente de bem e amor!

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Nota de Destaque: 19 de maio – Dia de doação de leite humano- “Aumentando a conscientização sobre a doação de leite humano”- Sociedade Brasileira de Pediatra- 14 de Maio de 2021

Os 10 Maiores Mitos em Pediatria

Hoje falaremos sobre “Os 10 Maiores Mitos em Pediatria”.

E desmistificaremos todos eles!!!

Bora lá?

  1. Bebê precisa tomar água.

Mentira!

Os bebês, até a introdução alimentar, devem receber leite materno preferencialmente ou fórmula láctea adequada para a idade EXCLUSIVAMENTE.

NÃO é adequado e nem necessário dar qualquer outro tipo de líquido como água, chás ou sucos.

A oferta de outros líquidos pode fazer o bebê mamar menos e é um fator de risco para infecções gastrointestinais e cólicas.

Acredite, o leite materno tem TUDO aquilo que seu bebê precisa, inclusive líquido.

E caso você não consiga amamentar exclusivamente, a fórmula também já tem a quantidade de líquido exata para seu bebê.

Então tire da cabeça a ideia de dar água para ele no começo da vida.

2. Chá de picão e banho de sol reduzem o amarelão (icterícia).

Mentira!

Não há nenhuma comprovação científica de que o chá de picão possa reduzir a icterícia dos bebês.

No entanto, também não há indícios de que o banho de imersão com a erva possa trazer qualquer malefício ao bebê.

Bem como, não há nenhuma recomendação formal ao banho de sol como forma de redução do amarelão.

Ainda, essa exposição solar direta e por longos períodos pode ser prejudicial ao bebê.

Guia de Fotoproteção da Criança e Adolescente- Sociedade Brasileira de Pediatria

3. Funchicórea é eficaz contra a cólica.

Quando o tema é a cólica do lactente, nenhuma medicação foi comprovadamente eficaz para combatê-la.

A Funchicórea foi retirada do mercado, há alguns anos, pois a Anvisa desconfiou sobre a variação da quantidade de um dos componentes da formulação, o ruibarbo.

Apesar de ser um fitoterápico, o excesso da medicação pode provocar efeitos adversos graves aos recém-nascidos, como sonolência e sedação.

Além disso, uma das formas de ofertá-la aos bebês é adicionando-a na chupeta, o que além de promover o desmame precoce, pode provocar pneumonias aspirativas devido ao pó inalado.

Se não bastasse, um dos motivos de deixar o bebê mais calmo é a presença de sacarina, ou em outras palavras, açúcar.

Bula da Funchicórea

Portanto, além da eficácia controversa, pode trazer efeitos indesejáveis ao bebê.

Contra-indico.

4. Nenê Dent ou similares melhoram a dor relacionada ao surgimento dos dentes nos bebês.

Alguns países já retiraram esses produtos de mercado.

O Brasil ainda não, mas a Sociedade de Pediatria Brasileira (SBP) contra-indica o seu uso.

O motivo?

Eles geralmente contém Lidocaína, que é um anestésico tópico. Em doses altas, ele já foi responsável pela morte e intoxicação de crianças em todo mundo.

E adivinha o que mais tem na composição?

Bula do Nenê Dent

Isso mesmo! Mais açúcar. O que já configuraria um fator de risco para cáries nos bebês.

Mais uma mentira! Não indico.

5. Introdução alimentar deve ser feita com frutas e sucos.

Apesar de ser prática ainda comum. A introdução alimentar não precisa ser feita exclusivamente com frutas.

Sabe o famoso suquinho de laranja lima que a vovó adora recomendar assim que seu pequeno começa a comer?

Então, caiu por terra!

A SBP não recomenda a introdução de sucos antes do primeiro ano de vida. E, sim, estou falando dos naturais mesmo.

Por quê?

Porque este fato está intimamente relacionado ao sobrepeso e à obesidade infantil.

Manual de Alimentação da Infância À Adolescência- Departamento de Nutrologia

6. A melhor posição para dormir é de lado, correto?

Errado!

A melhor posição para dormir é de BARRIGA PARA CIMA!

Esta posição pode prevenir a morte súbita em até 70%.

Os bebês, no início da vida, tem uma respiração exclusivamente nasal. Então temos que evitar que qualquer objeto cause obstrução do narizinho e a asfixia. Cobertores, bichinhos de pelúcia e outros objetos fofos para fora do berço!

Além disso, o bebê possui um reflexo de defesa próprio, caso regurgite e ele naturalmente inclinará a cabeça para um dos ombros.

A via aérea também fica anatomicamente mais protegida quando o bebê está de barriga para cima.

De barriga para baixo, o caminho natural do leite, caso regurgitado, seria para a traqueia (pulmões). Observe como de barriga para cima o bebê fica mais protegido.

7. Não devo dar ovos ou peixe no início da introdução alimentar.

Mentira.

Assim como a introdução alimentar precoce, antes do quarto mês de vida, pode acarretar alergias e obesidade/sobrepeso; retardar a introdução de alimentos como o peixe e o ovo, pode ser fator de risco para alergia alimentar futura.

Por exemplo, não introduzir o ovo até o nono mês de vida pode aumentar o risco de alergia em 1,5 vezes. E não introduzi-lo até o primeiro ano de vida aumento o risco de alergia em 3 vezes.

A criança deve aproveitar a Janela Imunológica e ser apresentada a TUDO o que for natural até os 9 meses, extendendo no máximo até o primeiro ano de vida.

Guia de Alimentação da Criança ao Adolescente- Departamento de Nutrologia

8. Se o bebê ficar alguns dias sem fazer cocô devo ficar preocupada e fazer uso de supositório o quanto antes.

Os recém-nascidos possuem um reflexo chamado “reflexo gastrocólico”. Assim que o alimento cai no estômago, o intestino começa a fazer movimentos peristálticos e, em pouco tempo, ele elimina gases e fezes.

Entretanto, por volta do primeiro mês de vida, o bebê pode passar mais dias sem fazer cocô e isso pode ser perfeitamente normal.

Muitos bebês podem chegar a ficar quase uma semana sem evacuar, fazerem muita força para fazer cocô, ficarem vermelhos e isso não chega a ser configurado como constipação ou intestino preso.

Isto, inclusive tem nome: “Disquesia”.

Site da Sociedade Brasileira de Pediatria

Não estimule com cotonete. Não faça uso de supositórios.

Se seu bebê estiver bem, realize apenas massagens na barriguinha e movimentos com as perninhas.

Este é um processo normal de aprendizagem de como ele deve fazer a força correta para fazer cocô. Deixe seu bebê aprender mais essa!

9. Meu filho tem fimose. Devo fazer massagens e estourá-la o quanto antes para que ele não tenha que fazer cirurgia no futuro.

Mentira. Mentira. Mentira. M-E-N-T-I-R-A!

Quase a totalidade dos meninos nascem com fimose. A chamada “fimose fisiológica”, ou seja, normal.

E cerca de 90% deles terão resolução total até os 3 anos de idade.

A recomendação de fazer massagens e “estourar” a fimose não é verdadeira. Deve-se fazer movimentos suaves durante o banho ou limpeza para retirar o excesso de secreção apenas.

Estas manobras mais bruscas podem causar traumas psicológicos e físicos, gerando tecido cicatricial secundário que só poderá ser resolvido com cirurgia.

Portanto não os faça. Tenha tranquilidade!

10. Apesar de colocar meu bebê de pé após a mamada, nem sempre ele arrota. Pior ainda, ele quase sempre regurgita ou vomita. Acho que ele tem refluxo. Vou começar a dar uma medicação que uma amiga minha dá para o filho dela que também tem refluxo.

Recomendamos que após a mamada, o bebê sempre seja colocado em posição vertical por 20 a 30 minutos, porque isso pode ajudar a evitar que ele regurgite.

Entretanto, NÃO ele não precisa arrotar após todas as mamadas. Nem todos bebês arrotam.

Por outro lado, mais de 70% dos bebês regurgitam. E, se o seu bebê está com bom ganho de peso, altura, evoluindo bem, sem mais nenhum sintoma de gravidade… Tenha tranquilidade!

O pico do refluxo fisiológico acontece com 4 meses. Após isso e, principalmente, quando ele estiver sentando e iniciando a introdução alimentar, o refluxo deve reduzir naturalmente.

Não se auto-medique.

Existem medicações específicas para a Doença do Refluxo Gastroesofágico, que nada tem a ver com o Refluxo Fisiológico (normal). Se você quiser saber mais, cheque nessa postagem : https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-1/

Além do que, mesmo para a Doença do Refluxo Gastroesofágico, grande parte das medicações caiu por terra. A Ranitidina (Label), que era comumente prescrita, saiu de mercado em 2020 pois havia um componente- a nitrosamina- que se ingerida por longo período de tempo estava relacionada ao surgimento de cânceres.

Todo cuidado com qualquer medicação dada ao seu bebê.

Sempre siga as recomendações do seu médico.

PERGUNTA BÔNUS

O SURGIMENTO DOS DENTES CAUSA FEBRE?

Essa resposta vou deixar com a publicação passada.

Confira aqui: https://clinicagoncalves.com/2021/02/27/febre-do-dente-verdade-ou-mito/

Bem, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixar aí abaixo ou no campo “Dúvidas” do Site.

Nos vemos em breve.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Manual de Alimentação da Sociedade de Pediatria (Água para o recém-nascido) -https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/publicacoes/14617a-pdmanualnutrologia-alimentacao.pdf

Chá de picão- ( http://bibliotecaatualiza.com.br/arquivotcc/EPN/EPN13/REIS-jaciara-MACHADO-janete-GOIS-maria-textuais.pdf )

Banho de sol para evitar icterícia- Guia de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Pediatria

( https://www2.isend.com.br/iSend/external/magazine?encrypt=856C7AD3F35DE85DA917FC6D79749975342476CDB528F629880FDD92D0E28577 )

Funchicórea- http://portal.crfsp.org.br/comunicacao-/4423-funchicorea.html

Nenê Dent- https://veja.abril.com.br/saude/gel-para-denticao-pode-fazer-mal-a-saude-do-bebe-diz-e-estudo/

https://paisefilhos.uol.com.br/bebe/estudo-mostra-que-gel-para-denticao-pode-fazer-mal-a-saude-do-bebe/

Posição para dormir- https://www.instagram.com/p/CLxsebOHsj0/

Introdução alimentar e janela imunológica- https://www.minhavida.com.br/familia/materias/37225-como-alimentar-os-bebes-com-base-na-janela-imunologica

Disquesia- https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-o-bebe/disquesia/

Massagens para Fimose- Manual de Uropediatria- Sociedades Brasileiras de Pediatria e Urologia- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_Uropediatria-Final.pdf

Refluxo em bebês- https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-1/

https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-2/

Febre do dente- Verdade ou Mito?

Olá, como estão vocês? Espero que bem.

Hoje responderemos a mais esta questão: “Febre do dente: Verdade ou Mito?”

Mas antes de falar sobre isso, se você tem dúvidas de como é o nascimento dos dentes dos bebês e quando ele deveria ocorrer, recomendo que veja esta publicação do site:

https://clinicagoncalves.com/2017/06/07/primeiro-post-do-blog/

Para responder a esta questão, usei como base um dos maiores estudos já feito sobre o assunto, uma Meta-análise, que é um conjunto de vários estudos, publicado na Revista Pediatrics em Março de 2016: “Sinais e sintomas da erupção primária dos dentes: uma meta-análise” (link no final deste artigo).

Nele, é pontuado que junto com o surgimento dos dentes os pais citam como sintomas:

  • Inflamação da gengiva
  • Vermelhidão
  • Redução do apetite
  • Aumento da salivação
  • Problemas com o sono
  • Diarreia
  • Vômitos
  • FEBRE

Bem, e no estudo eles foram medir a temperatura destas crianças que estavam em pleno período de erupção dos dentes e descobriram que:

Na imensa maioria dos estudos, a temperatura dos bebês, nos dias que antecediam o nascimento dos dentes, oscilava entre 36,3 a 36,9°C e, no dia exato da erupção dos dentes, entre 36,2 a 37°C.

Portanto, a resposta para a nossa pergunta é: NÃO!

O nascimento dos dentes NÃO provoca febre.

Ele pode provocar elevação da temperatura do corpo, mas não a febre propriamente dita.

Mas doutor, eu juro que quando os dentes do meu bebê estão para nascer, ele tem febre, saliva mais, tem diarreia, tosse e escorre o nariz. O que pode estar acontecendo então?

O estudo também explica isso, assim como a Sociedade de Pediatria (link abaixo).

Justamente, no período em que os dentes vão nascer, as crianças estão em plena fase oral.

Levando objetos à boca, descobrindo o mundo com a boca. E não devemos barrar este processo importantíssimo.

Além disso, esta fase costuma coincidir com a introdução alimentar e com a maior exposição dos bebês a outras crianças/início da creche.

E, é justamente por isso, que ocorre o aumento das infecções respiratórias e gastrointestinais, que cursam com febre, vômitos, diarreias, coriza e tosse.

Ainda, por volta dos 5 ou 6 meses, as glândulas salivares aumentam a sua produção e tornam as suas secreções mais volumosas e espessas, o que justifica aquela “babação” característica da fase.

Por fim, assim que surgirem os dentes, já se recomenda o acompanhamento com o Odontologista Pediátrico, para o início das orientações, cuidados com os dentinhos e até mesmo para a criança já se acostumar com o ambiente do consultório do dentista.

Por hoje é só!

Espero que tenha elucidado mais esta questão.

Nos vemos, em breve.

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Artigo Pediatrics: https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/137/3/e20153501.full.pdf

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2016/03/17/febre-alta-em-bebes-nao-deve-ser-atribuida-ao-nascimento-dos-dentes.htm

FOUSP na mídia: Nascimento dos dentes do bebê causa febre?

Novembro Roxo

novembro da prematuridade

Olá!

Depois de algum tempo eu retorno. E não poderia deixar de falar sobre o Novembro Roxo, o mês da prematuridade.

Em Março falei um pouco sobre o tema e a importância do Neonatologista, na recepção em sala de parto do prematuro, no cuidado durante a internação e no acompanhamento pós-natal.

Se quiser saber um pouquinho mais, deixo aqui o link do Março Lilás: https://clinicagoncalves.com/2019/03/14/marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/.

Hoje , no entanto, gostaria de destacar a oportunidade e o imenso prazer que tive em ministrar a aula sobre a Neuropreservação e Seus Cuidados, na Semana da Prematuridade do Hospital Unimed São Roque.

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Nesta aula, pude destacar que os cuidados com o recém-nascido prematuro já se iniciam no pré-natal, na boa assistência à saúde da mulher, sobretudo; e do papel preponderante na assistência peri e pós-natal realizada pelo Neonatologista.

No entanto, mais do que isso, hoje gostaria de destacar “os meus prematuros”- neste mês a comemoração é deles.

E quando digo “os meus prematuros”, me refiro àqueles que o destino me presenteou.

Alguns deles pude cuidar desde o início, na Unidade de Terapia Intensiva. Outros conheci na maternidade ou apenas no consultório.  Mas agradeço imensamente à confiança dos papais e me alegro em ver a boa evolução de todos. Gostaria de dividir alguns casos com vocês:

 

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Parabéns a todos vocês!!!

Agradeço pelo privilégio de poder acompanhá-los, desde o chorinho à primeira palavra.

Muito obrigado.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Março Lilás-Atenção ao cuidado do bebê prematuro

Design sem nome

 

Chegou o Março Lilás! Mês de atenção ao cuidado do bebê prematuro!

Atualmente no Brasil, nascem cerca de 3 milhões de crianças por ano, sendo que ao redor de 11% delas são prematuras.

Em São Paulo, nascem por volta de 600 mil crianças anualmente e a proporção de prematuros é idêntica.

Inclusive já temos um dia próprio e específico só para o prematuro que é o dia 17 de Novembro, Dia Mundial do Prematuro e o Novembro Roxo, mês da prematuridade.

 

novembro da prematuridade

 

Além disso, em 2009 foi aprovado o Projeto de lei nº 146, que instituiu o Dia da Atenção ao Cuidado do Bebê Prematuro, comemorado todo o dia 14 de março, no âmbito do Estado de São Paulo.

Mas por que toda essa preocupação???

Além do aumento do número de prematuros em todo o país- crianças que nascem com menos de 37 semanas de idade gestacional-  é necessário um cuidado especial com esta população.

O bebê prematuro necessita de uma equipe treinada e bem capacitada para a sua recepção na sala de parto, após o nascimento, estabilização e encaminhamento à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para a redução da mortalidade e das morbidades inerentes à sua condição.

Quem é o Neonatologista? O que ele faz?

O Neonatologista é o médico formado em Pediatria e que fez a sua especialização em Neonatologia, área da pediatria que visa ao cuidado das crianças prematuras.

É o Neonatologista o profissional mais capacitado para realizar os primeiros cuidados do bebê logo após o nascimento na sala de parto, na UTI e o seu seguimento após a alta hospitalar.

O bebê prematuro possui uma série de particularidades que devem ser supervisionadas:  o crescimento, o desenvolvimento psico-motor, a sua vacinação específica, o desenvolvimento visual, o controle de seu metabolismo ósseo e da anemia… dentre muitas outras características.

Ainda, estas são crianças com fator de risco aumentado para a obesidade, dislipidemia, hipertensão, diabetes e síndrome metabólica.

É preciso do cuidado rigoroso e pormenorizado para que se tornem adultos saudáveis.

 

Qual objetivo da campanha?

No período da campanha, deve-se intensificar a capacitação das equipes multiprofissionais, constituídas por neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoterapeutas, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, na prestação dos cuidados especializados que o bebê prematuro e sua família necessitam, não só durante a internação, mas também durante o acompanhamento após a alta hospitalar.

Temos que alertar não só os profissionais que cuidam deste bebês, mas também toda a sociedade sobe a importância e a necessidade deste cuidado específico feito pelo Neonatologista.

Feliz 14 de Março! Parabéns a todos bebês prematuros e aos papais e mamães que cuidam deles!

 

Dr. Vinicius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Fonte : Sociedade de Pediatria de São Paulo. http://www.spsp.org.br/2019/02/28/campanha-marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/- acesso em 14/03/19

 

 

 

 

 

Dicas de Sono

bicho-papÃo (1)

Olá!

Hoje falarei sobre o Sono das crianças. Abordarei as possíveis causas de anormalidades e darei dicas sobre a Higiene do Sono. Vamos lá?

Mas o que viria ser a Higiene do Sono? Ela nada mais é do que uma associação de fatores comportamentais, ambientais, sociais, culturais, dentre outros que podem afetar o início ou a duração do sono.

Mas como posso realizar uma boa Higiene do Sono para meu filho? Veja algumas dicas na tabela abaixo:

higiene

No entanto, a Higiene de Sono não é fixa e igual a todas crianças, visto que possuímos hábitos e padrões diferentes em cada família/cultura.

O importante é tentar criar uma rotina de sono desde pequeno. O bebê, devido a sua imaturidade neurológica e social, necessita da segurança e da ajuda dos pais para conseguir, desde os primeiros dias de vida, dormir sozinho.

Somente após os dois meses de idade é que o bebê passa a criar uma rotina de sono, apresentando um ciclo de sono/vigília mais ordenado, necessitando cada vez menos dos cochilos durante o período diurno- característica esta que se estende até os cinco anos de idade, em média.

1.Ritual do Sono

Desde pequenas, as crianças devem ser estimuladas a perceber que está chegando o momento de dormir- o chamado ritual do sono.

Próximo ao momento de dormir, evite sons altos, ruídos bruscos, abaixe a intensidade da luz e evite alimentos ou medicações estimulantes. Quando a criança já for maior, peça a ela que guarde os seus brinquedos, coloque os pijamas, escove os dentes e que vá para a cama- uma música calma ou historinha antes de dormir, com a criança já na cama, também ajuda bastante.

A hora de dormir pode significar o momento de separação dos pais, o que pode causar angústia e medo. Mas devemos encorajar as crianças a ficarem sozinhas e que caso aconteça qualquer coisa durante o sono, digam a elas que estarão próximos para ajudá-las.

Este ritual do sono não deve se estender mais do que 30 minutos. As crianças gostam de barganhar bastante, portanto, sejam firmes e imponham limites para uma nova historinha antes de dormir, por exemplo.

Outra coisa muito comum são os despertares noturnos. Caso a criança acorde, ela deve estar apta a voltar a dormir sozinha. Caso necessite da ajuda dos pais, evite acender a luz, fale baixo e , se possível, não retire a criança do berço ou da cama.

O hábito de dormir com a criança no colo, embalando, na cama dos pais ou na frente da televisão ou tablet/celular cria uma dependência na criança e deve ser desencorajado.

Quando ocorre um despertar noturno e a criança se vê em outro lugar que não aquele o qual ela adormeceu cria-se o medo e a apreensão, além do fato dela estar sozinha. Por este motivo, ao perceber sinais de sono, como o bocejar ou coçar os olhos, a criança deve ser levada ao berço ou à cama e assim, dormir em seu próprio ambiente.

Os pais podem e devem ficar próximos até o adormecer, mas devem deixar claro que não dormirão próximos da criança- isto vale a partir dos 4 meses de idade, antes disso, a criança deve dormir no quarto dos pais.

Mesmo que seja difícil, inclusive para os pais, é de extrema importância a existência destes limites. O fato de ceder, que seja por uma única vez, mesmo que por manha pode reforçar o comportamento na criança.

Caso a criança crie o hábito de dormir no colo ou cama dos pais, diante de televisão, tablet/celular, ao ocorrer um despertar noturno, ela necessitará dos mesmos artifícios para voltar a dormir e isto prejudicará a rotina da casa e a própria rotina do sono.

Evite filmes de terror ou histórias assustadoras antes de dormir. Caso a criança acorde e não consiga voltar a dormir, vá até o quarto e tente acalmá-la sem tirá-la da cama ou berço, mostrando-se sempre de forma acolhedora. Viagens, doenças, preocupações- como o nascimento de um irmãozinho, medo do escuro ou do “bicho-papão” podem fazer com que a criança acorde e não consiga voltar a dormir. Tente conversar com ela sobre assuntos agradáveis, como o que ela fez no dia ou sobre alguma atividade futura que ela irá fazer, retirando assim os pensamentos ruins da cabeça.

Em casos mais graves, como separação dos pais, óbitos de familiares ou conhecidos, ou em ambientes em que há muitas brigas e discussões (que não devem ocorrer na frente da criança) um profissional, como o psicólogo ou psiquiatra, pode ser de grande valia.

2. Rotina do Sono

É imprescindível que se crie uma rotina para o sono, incluindo os finais de semana e feriados.

Como dito acima, viagens ou doenças/internação hospitalar podem desestruturar uma rotina já criada e que, assim que possível, deve ser restaurada.

O sono regular libera melatonina, hormônio indispensável para o ciclo circadiano, ou seja, para o corpo entender que é dia e que precisará de mobilizar toda a sua energia naquele período até a noite. Crianças que não tem uma rotina de sono adequada apresentam sonolência durante o dia e baixo aproveitamento escolar, além de dificuldade de concentração e memória.

Além disso, é durante o sono que é liberado o hormônio de crescimento também.

Os bebês em especial, necessitam de vários cochilos diurnos e eles devem ser encorajados. Não devemos limitar esses períodos de descanso.  Já, crianças maiores e até mesmo adolescentes, podem realizar cochilos no período vespertino, no entanto, estes não devem ultrapassar mais do que 30 minutos.

3. Alimentação

A criança deve estar bem alimentada e também ter uma rotina de alimentação. Não deve ter fome e nem estar superalimentada.

O jantar deve ser mais cedo, podendo haver uma ceia próxima do horário de dormir, evitando assim uma alimentação copiosa próximo dele.

Evite também o café, chá preto ou mate, chocolate, refrigerantes, pois estes alimentos contém cafeína.

Dê preferência a um lanche leve, acompanhado de leite, pão e queijo branco.

Os bebês podem dormir durante a amamentação ou acordar durante a noite para mamar. Este é um hábito comum nos primeiros meses de vida, mas que deve ser desencorajado conforme a criança cresce.

Não é incomum escutarmos que o bebê acorda durante a noite e os pais, ao ofertar a mamadeira ou o seio materno, percebem que ele adormece em poucos minutos… Será que o motivo que fez o bebê acordar foi realmente fome ou será que criamos essa rotina de sono?

4. Hábitos

Dormir com uma pequena luz acesa ou com um objeto transicional como um ursinho, “naninha” ou paninho não configura um problema.

Este tipo de objeto ajuda na separação dos pais no horário de dormir, mas não deve se  tornar indispensável ao sono com o tempo.

Dormir com os pais na cama, ocasionalmente, pode ser prazeroso, mas não deve se tornar um hábito. O bebê , como dito, deve dormir em berço próprio e de barriga para cima, pois esta posição evita a morte súbita do lactente:

col24dormir-de-barriga-para-cima-e-mais-seguro

5. Atividade Física

Evite realizar atividade física até três horas antes do horário de dormir, pois isto pode prejudicar o sono.

Evite que a criança brinque de correr ou pular antes do sono. Como já citado, prepare o ambiente de dormir, reduzindo a atividade física, os ruídos e a luz.

Espero que com essas dicas a hora do sono se torne mais prazerosa aos pequenos e a vocês!

Por hoje é só.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo ou na página de Facebook da Clínica Gonçalves.

Até a próxima.

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves-  Pediatra e Neonatologista

Baseado em: Higiene do Sono- Sociedade Brasileira de Pediatria- Setembro de 2017.

 

 

 

É Cólica?

Olá! O assunto da semana de hoje será a “Cólica do Lactente”, distúrbio que deixa mães e bebês de cabelo em pé.

 

Vamos entender um pouco mais sobre ele?

 

COLICA

 

1) O que é “Cólica do Lactente”?

Costumo frisar sempre para os pais que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO que costuma afetar bebês a partir dos 15 dias de vida até os 3 meses de idade.

 

2) Porque ele acontece?

O motivo é multifatorial, mas costumo destacar 3  grandes causas: os gases e a dificuldade em digerir o leite, a microbiota intestinal em formação e a dismotilidade intestinal. Esse tripé de causas será a base do tratamento das cólicas.

 

3) Como sei que o meu bebê tem “Cólica do Lactente”? Como faço o diagnóstico?

O diagnóstico é CLÍNICO. Devemos antes excluir outros motivos de choro:

colic

Ou seja, será que o bebê não está com fome, com gases, irritado, com sono, com a fralda cheia, com os dentes em erupção, solto física ou emocionalmente? Antes de dizer que é cólica, devemos excluir isso tudo.

Veja o vídeo a seguir, que mostra um “truque” para tentar acalmar seu bebê, se o caso  dele não for de cólica:

 

Excluídas outras causas de choro, a “Cólica do Lactente” é provável e deve seguir a famosa regra dos 3:

  • 3 horas de choro diários
  • Por , pelo menos, 3 vezes na semana
  • Durante 3 semanas

 

4) Tá certo, meu bebê tem a famigerada “Cólica do Lactente” . Como eu consigo tratá-la?

Insisto em dizer  que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO, visto que, nenhum tratamento é 100% eficaz e que a única coisa que parece findá-lo é justamente o tempo- ou seja, o passar dos 3 meses.

Ainda, que cada criança responde de um jeito diferente e parece “preferir” um tratamento ao outro.

Além do que, costumo dizer que as próprias mães e os pais vão começar a entender melhor o seu bebê após 3 a 4 semanas de vida; diferenciando cada choro para cada exigência dele.

Como havia citado quando falei das causas, o tratamento baseia-se naquele tripé :

 

  • Dismotilidade

Parece que até o quarto mês de vida, o bebê; em especial o prematuro, possui um certo grau de dismotilidade intestinal.

O que isso quer dizer? Parece que ele não sabe conduzir bem seus gases e fezes num único sentido; sendo assim, eles ficam indo e voltando, de lá para cá, o que pode gerar tanto a cólica quanto um certo grau de refluxo gastroesofágico.

Sendo assim, uma coisa fácil e barata que pode ajudar nas cólicas são as massagens e o aquecimento da barriga do bebê.

E não, você não precisa ser massoterapeuta ou  especialista em Shantala!!! Segue um vídeo e um link ensinando técnicas básicas de massagens:

 

https://www.johnsonsbaby.com.br/massagem-no-bebe/guia-de-massagem-recem-nascido

O aquecimento pode ser feito com compressas mornas, bolsas de água quente (existem algumas no mercado com cheirinho de ervas e que acalmam o bebê), banho morno ou ofurô.

 

  • Gases e dificuldade em digerir o leite

O leite não é um alimento de fácil digestão, definitivamente. As fórmulas, ainda mais que o leite materno.

Além disso, o bebê parece apresentar um certo grau de intolerância ao leite, como se as enzimas necessárias para sua digestão ainda não estivessem totalmente formadas ou  efetivas.

Desta forma, pode ocorrer a digestão incompleta/ fermentação do leite, gerando a formação de gases e desconforto.

Já existem formulações com enzimas que ajudam na digestão do leite e medicamentos para ajudar na eliminação dos gases, além das massagens explicadas acima.

 

  • Microbiota Intestinal

O bebê nasce com o intestino sem nenhuma Flora ou Microbiota intestinal e ele começa a ser colonizado a partir do momento que nasce.

A nossa Flora ajuda na digestão do alimento e é indispensável para o bebê.

Sendo assim, muitos bebês apresentam cólica por não conseguirem digerir o leite completamente, parecido com o que foi explicado acima.

Já temos também medicações que ajudam na formação desta Microbiota e que podem ajudar a combater a cólica, reduzindo o tempo do choro – em especial, as crianças que recebem seio materno exclusivo.

 

5) E os chás e a Funcho-chicoria? Minha Vó usava e dizia que era muito bom!

Pois é, nem tudo que usávamos e fazíamos antes, nós usamos e fazemos hoje- que bom!!!

Como preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a criança deve receber exclusivamente Leite Materno ou Fórmula Láctea específica até os 6 meses de vida.

Os chás podem fazer com que a criança diminua a quantidade de leite ingerido e assim, perca peso. Além do que, não devemos dar açúcares ou adoçantes para crianças, nesta idade.

A Funcho-chicoria (extrato de erva-doce e chicoria) foi retirada do mercado em 2012 pela ANVISA. E apesar de ser um medicamento fitoterápico, não existem doses seguras recomendadas em bula (nem pelo fabricante).

Ela vem em pó e muitos pais dissolvem-na no leite ou na água (o que pode resultar no mesmo problema do chá) e ofertam para as crianças.

Outros, molham a chupeta no pó e ofertam para os bebês, o que pode acarretar em microaspirações, pneumonias aspirativas e problemas respiratórios futuros.

Infelizmente, a empresa que produz a funcho-chicoria conseguiu vencer a liminar que retirou a medicação das prateleiras e hoje vemos ela sendo vendida, sem bula e sem nada, em todas as farmácias…

Eu formalmente CONTRA-INDICO o seu uso.

Por outro lado, temos outros extratos de plantas , que também contém a funcho-chicoria, que são aprovados pela FDA (órgão americano que fiscaliza alimentos e medicações) e que são vendidos pela internet. Contém a inconveniência do preço e da necessidade de importação.

 

6) E a alimentação da mãe, pode causar e/ou piorar a cólica?

A resposta é…. SIM!

De certa forma, parte daquilo que a mãe ingere pode passar ao leite materno e, assim, para o bebê.

Já temos alguns vilões conhecidos, que são basicamente os mesmos alimentos que causam o refluxo gastroesofágico no adulto: café, chá preto, refrigerantes, energéticos, embutidos e alimentos processados, frituras, molho de tomate, pimenta ou molhos condimentados, chocolate…

Dica básica? É só a mãe comer o mais naturalmente possível e sempre que for sair da dieta, não exagerar nas besteiras.

Ainda assim ,segue uma lista abaixo dos alimentos associados à colica:

 

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7) O que fazer então?

Por fim, como sempre digo, toda doença que possui inúmeros tratamentos é porque nenhum deles é realmente efetivo.

Na minha vivência, observo que cada caso é um caso.

Que cada bebê responde de uma forma aos diversos tratamentos e medicações.

O que vale sempre a pena é os pais tentarem entender se aquele desconforto do bebê é realmente cólica. Se sim, qual parte do tripé deve ser o causador do desconforto? Gases, dismotilidade ou microbiota? E só então tentar tratá-lo.

Meu único e último alento é que a cólica VAI PASSAR! E o seu pediatra sempre estará ao lado para tentar ajudá-los nesta fase.

Hoje vou ficando por aqui.

Uma ótima semana a todos e até a próxima.

 

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

 

Usar ou não usar a chupeta? Eis a questão!!!

Usar ou não usar a chupeta

 

A questão está lançada!

Devemos ou não dar chupeta para os bebês???

Eu vou mostrar os prós e contras referentes ao seu uso e, no final, VOCÊ DECIDE!

 

ARGUMENTOS CONTRA:

1)Sucção: a sucção não-nutritiva por longos períodos (sugar sem receber alimento) faz com que o bebê tenha uma alteração na sua percepção de saciedade, além de provocar a fadiga da musculatura da boca/mandíbula. Isto influencia negativamente, encurtando a duração da mamada e aumentando os períodos entre as mamadas.  (Crianças que usam chupeta mamam com menos frequência, determinando menor produção de leite materno e, consequentemente, necessidade de suplementação com fórmula).

2) “Confusão de bicos”: o bebê que usa chupeta, principalmente antes de 3-4 semanas de vida, tem mais dificuldade para realizar a pega/sucção do seio materno e acaba preferindo o bico artificial.

3) Mastigação: o recém-nascido, desde antes do nascimento, exercita a mastigação deglutindo o líquido amniótico. E ele continua a aprender a usar toda a sua musculatura após o nascimento, sugando o seio materno. Aqueles que usam chupeta tendem a apresentar a mastigação utilizando apenas um lado da boca, causando problemas nas articulações e na deglutição, devido ao posicionamento errado da língua.

4) Respiração: crianças que mamam o seio materno exclusivamente apresentam a respiração APENAS pelo nariz, o que é desejável nesta fase. Já aquelas que usam chupeta, apresentam a respiração bucal ou mista, o que altera o desenvolvimento craniofacial da criança.

5) Fala e linguagem: o uso de chupeta altera a articulação dos sons e da fala, limitando o balbucio e a emissão de palavras.

6) Dentição: crianças que usam chupeta têm chance aumentada de apresentar alterações dentárias, como a mordida cruzada.

7) Otite média: crianças com menos de 18 meses que usam chupeta têm uma chance maior de 33% de apresentar um episódio de otite do que aquelas que não usam.

8) Infecções: o uso de chupeta está associado com maior incidência de diarreia e de mortalidade infantil, com o aumento da probabilidade de hospitalização e de eventos de respiração ruidosa, asma, dor de ouvido, vômitos, febre, diarreia, cólicas, aftas e candidíase oral (sapinho). Além disso, algumas chupetas possuem n-nitrosamina (substância que dá mais elasticidade à borracha) que ao entrar em contato com a saliva pode ser nociva à saúde do bebê.

9) Inteligência: acredita que até nisso a danada da chupeta pode influenciar? As crianças que usam chupeta solicitam menos a atenção dos pais e, por isso, são também menos estimuladas. Um estudo mostrou que na vida adulta, estas crianças tem um desempenho intelectual 16% menor.

10) Vícios: crianças que usaram chupeta tendem a ser mais ansiosas e a apresentar um comportamento mais compulsivo na vida adulta, seja para comida, seja para cigarro ou drogas.

 

ARGUMENTOS A FAVOR:

1)Sucção não-nutritiva: a chupeta pode ser usada para treinamento da sucção de bebês que fizeram uso da sonda oral, enquanto internados, para a alimentação. Apesar de ser apenas uma das opções para este treinamento.

2) Manejo da dor: a sucção para o bebê é um mecanismo de redução da dor já comprovado cientificamente. A chupeta pode ser usada como um auxiliar no manejo da dor do recém-nascido. No entanto, vale lembrar que a amamentação provê contato pele a pele, calor, balanço, cheiro, voz materna e, possivelmente, opiáceos endógenos (substâncias que reduzem a dor) presentes no leite materno, os quais são superiores à chupeta.

3) Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL): atribuída às mortes de crianças que não podem ser explicadas após a completa investigação do caso. Tem muita relação ao fato da criança DORMIR DE BRUÇOS- POR ISSO LEMBREM-SE: A CRIANÇA DEVE DORMIR EM BERÇO PRÓPRIO, DE BARRIGA PARA CIMA E SEM MUITOS CACARECOS, COMO ALMOFADAS E BICHOS-DE-PELÚCIA!!!,  estar superaquecida e ser submetida ao tabagismo passivo. Segundo estudos, o uso de chupeta DURANTE O SONO, ATÉ UM ANO DE IDADE E APÓS O ESTABELECIMENTO DO ALEITAMENTO MATERNO reduziu o número dos casos de SMSL. Lembrando que o aleitamento materno é também um dos principais fatores de proteção contra ela.

 

barriga

 

Entre os benefícios citados do uso de chupeta está seu efeito tranquilizante sobre o comportamento agitado do bebê, especialmente em crianças irritadas e com cólicas, tranquilizando e diminuindo os episódios de choro da criança. (A tradução literal de chupeta do inglês “pacifier” é pacificador, calmante).

Entretanto, é importante enfatizar que existem outras estratégias para acalmar bebês e manejar o seu choro, como organizar globalmente o bebê, aconchegá-lo, cantar, praticar contato pele-a-pele, banhá-lo, usar o ofurô…

Mais do que isso, os pais precisam entender que os padrões de choro dos bebês são diferentes e podem significar coisas distintas.

Ao dar a chupeta, você inibe sim o choro, mas também inibe a conexão com o seu filho, quebra um vínculo em formação e reduz a sua estimulação.

Os prós e contras referentes ao uso da chupeta estão apresentados acima.

Cabe agora você escolher!!!

Escolha sabiamente e até a próxima semana.

(PS.: venhamos e convenhamos que foi uma lavada de 10 3 à la Alemanha).

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves-Pediatra e Neonatologista

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria- Uso de Chupetas em Crianças amamentadas: prós e contras- Agosto de 2017.

 

Blog

Fada do dente

No meu primeiro post, gostaria de falar um pouco sobre os dentes dos pequenos. E isto me remeteu a um fato que aconteceu há pouco.

Estava em um casamento, no último final-de-semana, e encontrei a mãe de um amigo que me fez a seguinte pergunta: “A minha neta já tem um ano e meio e ainda não apareceu nenhum dente na boquinha dela, isso é normal?!?”

Antes de tentar responder a essa pergunta, vale aqui citar a média da idade do aparecimento dos dentes decíduos ou, como são popularmente conhecidos, dos “dentes de leite”:

dentes (2)

Portanto, existe uma média padrão para o surgimento dos dentes das crianças. Devemos assim chegar aos 36 meses de idade com 20 dentes na cavidade oral – 10 em cima e 10 em baixo.

MAS CALMA!!! Isso não quer dizer que todas as crianças devam seguir a essa regra rigorosamente.

Estudos investigaram uma possível relação entre o surgimento dos dentes de leite e outros fatores como sexo, peso ao nascimento e peso para a idade, comprimento ao nascimento e altura para a idade, tipo de aleitamento (materno ou artificial) e renda familiar.

O que foi descoberto é que SIM!!! Existe uma correlação entre estes fatores, principalmente ao que se refere à altura da criança x à idade do surgimento dos dentes. E com este estudo foi confeccionada uma tabela que relacionou peso x altura com a média dos dentes que a criança deveria apresentar:

tabela

Voltando ao caso que estava contando…

Descobri, ao perguntar à avó, que o peso da sua neta era de 8 Kg e a estatura de 70 cm, logo, ela deveria ter, na verdade, cerca de dois dentinhos (como demonstrado na tabela) e não dez, como o esperado para a idade.

A idade é sim um marco importante para se levar em conta quando se quer saber se erupção dentária da criança está “normal”, mas ela não deve ser considerada  isoladamente.

Por fim, há vários motivos para um atraso no surgimento ou na queda dos dentes como cistos, tumores, alterações ósseas, fibrose gengival, síndromes genéticas…

O mais adequado é sempre procurar um especialista na área quando algo foge do “normal”, como um Odontologista Pediátrico e ele, juntamente com o seu Pediatra, poderá orientá-lo sobre o melhor caminho a seguir.

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões dos próximos temas, nos enviem clicando em “Dúvidas” no site ou pelo Facebook: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Nos vemos na próxima semana com um novo tema.

Até logo,

Dr. Vinícius Gonçalves- Médico Pediatra e Neonatologista