TUDO sobre a nova Hepatite

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Hoje falarei sobre a nova Hepatite, também chamada de Hepatite Aguda de Etiologia de Desconhecida ou Hepatite Misteriosa.

Vamos lá?

1) O que é Hepatite?

A Hepatite é uma doença inflamatória do fígado, de origem multifatorial e que pode gerar lesões neste órgão.

O fígado é um dos primeiros órgãos a metabolizar (filtrar) qualquer substância que entramos em contato e que absorvemos pelo sangue.

Portanto, como falei acima, vários fatores podem gerar lesões nele, como medicamentos, excesso de gordura (colesterol), agentes parasitários e infecciosos, como vírus e bactérias.

2) Quem causa a nova Hepatite?

Ainda não foi isolado um fator causal específico.

Em parte dos casos estudados, tem se tentado correlacionar a infecção pelo novo Coronavírus e/ou a coinfecção dele com o Adenovírus, um outro vírus comum que causa resfriado, com a nova Hepatite.

Mas ainda tudo é muito especulativo…

Até por isso, ela continua sendo chamada de “Hepatite Aguda de Etiologia Desconhecida”.

3) Por que as crianças podem ser mais susceptíveis?

Várias fatores estão sendo estudados, como por exemplo:

  • Algum cofator (ou a falta dele) que faça com que as crianças que adquiriram o Adenovírus comum estejam apresentando complicações mais sérias.
  • Um aumento da susceptibilidade devido ao isolamento social na Pandemia.
  • Uma complicação pela infecção pelo novo Coronavírus ou uma infecção associada com o Adenovírus comum
  • Uma complicação pela infecção pela variante Omicron ou uma nova mutação do Sars-Cov-2.
  • Uma toxina, droga ou exposição ambiental ainda não isolada.

4) Existem muitos casos notificados?

A OMS (Organização Mundial de Saúde) iniciou a primeira notificação de casos em 05 de Abril de 2022 na Escócia, totalizando 10 casos em crianças de 11 meses a 5 anos de idade, previamente saudáveis. Sete delas necessitaram de transplante de fígado e, todas, de internação.

Após isto, vários países da Europa também realizaram notificações de novos casos de Hepatites de causa desconhecida, como a Bélgica, Irlanda, França, Itália, Holanda, Espanha…

Na última atualização em 25 de abril, o número total de casos chegou a 145. Dos confirmados, 108 são residentes na Inglaterra, 17 na Escócia, 11 no País de Gales e 9 estão na Irlanda do Norte. Nenhuma criança morreu e nenhuma delas tinha tomado algum tipo de vacina contra covid-19.

5) E no Brasil?

No dia 28 de Abril de 2022, foi notificado o primeiro caso provável de Hepatite Aguda de Etiologia Desconhecida no estado do Rio de Janeiro.

Até o dia 05 de Maio, foram contabilizamos 7 casos prováveis nos estados do Rio de Janeiro e Paraná, os quais estão atualmente em investigação.

6) Quais são os sintomas da infecção?

Os sintomas mais comuns são:

Icterícia- amarelão (74%);
Vômitos (73%);
Acolia/hipocolia-cocô branco (58%);
Diarreia (49%);
Náusea (39,5%);
Letargia (55,6%);
Febre (29,6%)
Sintomas respiratórios (19,8%)

Em geral, os pais devem estar de olho e procurar auxílio médico se seus filhos apresentarem um quadro de diarreia e vômitos associado à icterícia (amarelão no corpo/ olhos).

7) O que é um caso provável?

Um quadro de Hepatite Aguda (com elevação das enzimas do fígado acima de 500 UI/L), após excluídas outras causas de Hepatites, em crianças com menos de 17 anos, após o dia 20 de Abril de 2022.

8) Outras causas de Hepatites?

Sim! Como disse acima, existem diversas causas de Hepatites.

As mais comuns acontecem após infecção por vírus (Hepatites A, B, C, D e E).

Então, só se deve pensar na nova Hepatite, após exclusão de outras causas de Hepatites (infecções, uso de medicamentos…).

9) Existem vacinas contra a Hepatite?

Sim!

Geralmente as crianças recebem a vacina contra a Hepatite B ao nascer. E com 2, 4 e 6 meses recebem reforços contidos na vacina Pentavalente Ou Hexavalente.

Após um ano de idade, as crianças recebem a vacina contra a Hepatite A. O SUS realiza dose única com 15 meses. Em âmbito particular, são realizadas duas doses com intervalo de 6 meses, geralmente com 12 meses e 18 meses.

É possível complementar (e digo que é até recomendável) a vacina feita pelo SUS contra a Hepatite A, 6 meses após a criança ter sido imunizada.

Para adultos que não receberam nenhuma vacina contra as Hepatites, é possível realizar em clínicas particulares a Vacina contra a Hepatite A e B conjuntamente.

*** ATUALIZAÇÃO ***

Enquanto preparava o texto para a publicação, surgiram novas notícias.

No dia 31/05/22, o Brasil notificou o seu primeiro caso provável de Hepatite de Causa Desconhecida.

O fato aconteceu em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, em uma adolescente de 16 anos.

Atualmente, no Brasil, existem 95 casos suspeitos e, 26 descartados. A maioria localizado na região Sudeste.

No mundo, a OMS já contabiliza 650 casos, em 33 países e um total de 9 óbitos pela doença.

Bem, por hoje é só!

Como toda nova doença tudo ainda é muito especulativo. Mais pode e deve ser estudado sobre.

Havendo novidades, eu volto com mais informações.

Nos vemos na próxima.

Até!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Hepatite Aguda de Causa Desconhecida- Sociedade de Pediatria de São Paulo- Texto divulgado em 16/05/2022. Link: https://www.spsp.org.br/2022/05/16/hepatite-aguda-de-causa-desconhecida/

2) Viver Bem- Portal UOL- Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/agencia-estado/2022/06/01/brasil-tem-1-caso-provavel-de-hepatite-misteriosa-que-ataca-criancas.htm – acesso 01/05/22

Meu filho engoliu uma moeda! E agora?!?

Imagem: https://www.todayonline.com/brandstudio/emergency/choking

Olá! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Hoje, aproveitando o novo documento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), lançado neste mês, irei abordar o tema “Ingestão de Corpos Estranhos”.

O que fazer se seu filho engoliu um objeto? Quando você deve se preocupar?

Falarei disso tudo nas próximas linhas, mas deixo o convite para você ler antes sobre os Acidentes Domésticos e o que fazer se seu filho bater a cabeça (quando levar ao PS):

https://clinicagoncalves.com/2020/06/09/acidentes/

Antes de começarmos, gosto de frisar que os acidentes, estatisticamente falando, acontecem mais na férias, feriados, finais-de-semana, em dias quentes e são mais comuns nos meninos, do que nas meninas.

Então, redobrem os cuidados nestes períodos!

1) Quais são os objetos que costumam ser mais ingeridos?

Nesta ordem: moedas, baterias, objetos perfuro-cortantes e imãs.

Destaque para as baterias, pelo risco de vazamento e complicações graves e para os ímãs, principalmente, os de neodímio, que têm maior poder magnético ou quando ingeridos em mais de uma unidade (dois ou mais)

2) Qual a gravidade da ingestão de corpos estranhos?

É claro que isso irá depender de vários fatores, principalmente, de qual tipo de objeto foi ingerido e há quanto tempo.

No entanto, temos dados tranquilizadores:

Cerca de 70-80% dos corpos estranhos ingeridos por crianças são eliminados espontaneamente, sem nenhuma necessidade de intervenção ou complicação.

Aproximadamente 20% dos casos necessitarão de retirada por endoscopia.

E, apenas, 1% deles necessitarão de retirada por cirurgia.

“Cerca de 70-80% dos corpos estranhos ingeridos por crianças são eliminados espontaneamente, sem nenhuma necessidade de intervenção ou complicação.”

3) Quais exames devem ser feitos para investigação?

Depois de retirada a história do paciente e realizado o exame físico, geralmente a radiografia de cervical (pescoço), tórax e abdômen é suficiente para a realização do diagnóstico.

Fonte: Ingestão de Corpos Estranhos- Sociedade Brasileira de Pediatria

A Tomografia fica reservada para os casos em que o objeto é rádio transparente- ou seja, não aparece na radiografia- e quando há risco de complicações.

Já a Endoscopia pode ser realizada para o diagnóstico e tratamento, em casos específicos (abordados a seguir)

4) Se eu não vi meu filho engolindo um objeto, como posso desconfiar?

Inicialmente, devemos levar em conta a idade.

Crianças de até 3 anos de idade estão em plena fase oral, sendo comum levar objetos à boca para descobri-los. Ainda assim, todo cuidado com os menores de 5 anos.

Além disso, podemos desconfiar de um caso de ingestão de corpo estranho quando a criança apresenta dor ou dificuldade para engolir, salivação, recusa alimentar, vômitos, saliva com sangue ou vômitos com sangue, fezes com sangramento ou dor no pescoço, tórax ou abdômen repentinas.

5) E o que eu faço se meu filho tiver engolido um objeto? Quando devo ir ao Pronto-Socorro?

Se o seu filho não estiver com nenhuma queixa (assintomático), se o que ele ingeriu for arredondado, com um comprimento menor que 2,5 cm de diâmetro ou 6 cm de comprimento, se este objeto não elimina substâncias tóxicas (como baterias, por exemplo) e se ele não tiver nenhuma problema gastrointestinal prévio (não passou por cirurgias anteriormente)- É TOTALMENTE POSSÍVEL AGUARDAR EM CASA.

Esse objeto com certeza será eliminado naturalmente (irá sair com as fezes).

Em caso contrário, principalmente se seu filho estiver sintomático, ou se o objeto ingerido for perfuro-cortante ou se ele for uma bateria, dois ou mais ímãs ou um ímã e um objeto metálico; ou ainda, se este objeto for maior que 2,5 cmx 6 cm, VOCÊ DEVE LEVÁ-LO AO PS.

*** IMPORTANTE ***

Importante! Porém cuidado.

Em regiões MUITO afastadas de hospitais ou na impossibilidade de realização de Endoscopia, nos casos de ingestão de baterias, pode-se realizar a administração de Mel (sempre para maiores de 1 ano de idade) ou Sulcrafato para evitar possíveis complicações.

Mas SEMPRE após a avaliação médica e esta conduta, não deve atrasar a realização de endoscopia.

5) Prevenção

Acidentes são acidentes.

Acontecem algumas vezes, por descuido.

Por esse motivo, muita atenção com as crianças pequenas. Sempre supervisione o seu filho e tenha cuidado na escolha de brinquedos.

Hoje já existem brinquedos com travas, justamente para evitar a retirada de baterias.

Mais do que isso, as empresas já estão produzindo baterias e até cartuchos de videogames com sabor amargo para que, caso a criança chegue a levá-los à boca, seja desencorajada a engoli-los.

Fonte: Olhar Digital
As fitas de Nintendo Switch são cobertas de Benzoato de Denatônio, componente amargo e não tóxico que impede a ingestão pelas crianças.
As fitas de Nintendo Switch são cobertas de Benzoato de Denatônio, componente amargo e não tóxico que impede a ingestão pelas crianças.
Fonte: http://www.arkade.com.br

Vamos cuidar dos nossos pequenos!

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É so deixá-las abaixo.

Nos vemos no próximo mês.

Vejo vocês lá.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Ingestão de Corpos Estranhos- Departamento Científico de Gastroenterologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Abril de 2022

Qual é o tempo certo para clampear o cordão umbilical?

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Cá estou novamente para responder a mais essa pergunta.

Antes disso, gostaria de falar sobre a Consulta Pré-Natal com o Pediatra e/ou Neonatologista.

Muito recorrente em alguns centros, mas pouco conhecida ou falada aqui, no local em que trabalho e resido.

É incrível que muitas pessoas não sabem que existe ou deveria existir alguém para receber o seu bebê após o nascimento. E que, conhecê-lo antes do parto, poderia ser mágico.

Todas as suas dúvidas e anseios poderiam ser respondidos e discutidos, como por exemplo: “qual é o tempo certo para clampear o cordão umbilical do seu bebê”.

É importante pontuar que para entrarmos a fundo na questão, é imprescindível que dividamos os bebês em dois grupos: Prematuros (menores que 34 semanas) dos Prematuros tardios (maiores que 34 semanas) e Recém-nascidos Termo.

  • Prematuros (menores que 34 semanas)

“…o clampeamento tardio do cordão umbilical (com mais de 30 segundos)…demonstrou redução da mortalidade, redução das taxas de hemorragia intracraniana, melhor estabilização da pressão arterial e menor necessidade de transfusões…”

No caso dos prematuros nascidos em boas condições, com choro forte e bom tônus, o tempo mínimo de clampeamento deveria ser de 30 segundos até a 60 segundos (1 minuto).

Um estudo de revisão da Cochrane, que incluiu mais de 4.000 prematuros e que, comparou os recém-nascidos que tiveram o clampeamento tardio do cordão umbilical (com mais de 30 segundos) com aqueles que não tiveram essa oportunidade, demonstrou redução da mortalidade, redução das taxas de hemorragia intracraniana, melhor estabilização da pressão arterial e menor necessidade de transfusões durante a internação naqueles incluídos no primeiro grupo.

E a ordenha do cordão umbilical?

Não há estudos com boa metodologia, até o momento, comparando o clampeamento precoce com a ordenha do cordão (manobra para tentar deslocar mais sangue do cordão para o bebê) para se dizer qual seria a melhor alternativa neste cenário, entretanto já existem estudos demonstrando o aumento de hemorragia intracraniana em bebês prematuros extremos (com menos de 28 semanas) que foram submetidos a manobra de ordenha ao nascer.

  • Prematuros tardios (maiores que 34 semanas) e Recém-nascidos termo

“…se o bebê termo apresentou um clampeamento precoce (com menos de um minuto de vida), a reposição de ferro deveria começar já nos 3 primeiros meses de vida e que aquilo seria um fator de risco para anemia futuramente.”

Semelhante ao primeiro grupo, este aqui num cenário de nascimento em boas condições (choro forte e bom tônus), deveria-se realizar o clampeamento do cordão umbilical entre 1 a 3 minutos.

Apenas isso, pode afetar na hemoglobina do recém-nascido já nas primeiras horas de vida e garantir um nível de ferritina (estoque de ferro) adequado para os próximos 3-6 meses.

Neste ponto, gostaria também de realizar uma pausa…

A atualização do Consenso de Anemia Ferropriva em Pediatria, em Agosto de 2021, pela Sociedade de Pediatria (SBP) incluiu o tempo de clampeamento do cordão umbilical como fator de risco para anemia.

Nele é pontuado que, se o bebê termo apresentou um clampeamento precoce (com menos de um minuto de vida), a reposição de ferro deveria começar já nos 3 primeiros meses de vida e que aquilo seria um fator de risco para anemia futuramente.

Veja como, o simples ato de aguardar um minuto, pode afetar o seu bebê nos próximos meses e como discutir isso com o seu Pediatra pode ser benéfico.

No entanto, como nem tudo são flores, bebês com mais hemoglobina também tem mais risco de icterícia (amarelão) e devem ser acompanhados de perto durante os primeiros dias de vida.

No que tange a ordenha do cordão umbilical, neste grupo de bebês, as evidências são insuficientes para tal recomendação, independentemente das condições de nascimento.

Para os bebês que não choram ao nascer, a recomendação é que seja feito o estímulo tátil no dorso (costas do bebê) em até duas ocasiões e caso não haja resposta, que seja feito o clampeamento precoce para o início das manobras de reanimação e estabilização pelo Pediatra.

Tudo que está descrito aqui acima foi baseado em uma Diretriz realizada em conjunto pela SBP e pela FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e publicada em Março deste ano, deixo o link abaixo.

Mais do que conhecer as recomendações é imprescindível que você as discuta (no bom sentido) com a equipe que fará o seu parto antes dele acontecer.

Todos sairão ganhando com isso, mas, principalmente, o seu bebê!

Espero ter respondido a mais essa.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Nos vemos em breve.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1- Diretriz- Recomendações sobre o Clampeamento do Cordão Umbilical- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia)- 17 de Março de 2022. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23396c-Diretrizes-Recom_Clamp_CordUmb.pdf

2- CONSENSO SOBRE ANEMIA FERROPRIVA: ATUALIZAÇÃO: DESTAQUES 2021- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)- Departamento de Nutrologia e Hematologia- atualizado 26/08/21. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23172c-Diretrizes-Consenso_sobre_Anemia_Ferropriva.pdf

Tudo o que você precisa saber sobre o Coronavirus nas crianças

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Hoje eu vou falar sobre tudo o que você tem curiosidade de saber sobre o Coronavirus envolvendo as crianças.

Bora lá?

1. As crianças pegam COVID?

A resposta é SIM! As crianças têm a mesma chance de adquirir a doença assim como os adultos.

Inclusive, elas também transmitem-na da mesma forma.

O que acontece é que pelo fato das crianças muitas vezes não apresentarem sintomas e/ou apresentarem sintomas mais leves, o número real de afetados pode ser subestimado. Além de muitas vezes elas não serem testadas.

2. Quais são os sintomas da COVID-19 em crianças?

Nos últimos estudos, foi estimado um tempo médio de incubação de cerca de 5 dias após o contato com alguém doente.

Os principais sintomas são gripais como febre, tosse, congestão nasal, coriza, dor de garganta, mas também podem haver sintomas mais graves como cansaço, chiado (sibilos) e pneumonia.

IMPORTANTE: os sintomas gastrointestinais, como vômitos e diarreia, são mais comuns nas crianças do que nos adultos.

3. Quais são os testes disponíveis?

Existem muitos tipos, mas vou destacar aqui os 3 principais:

  • RT-PCR: É o exame padrão-ouro para o diagnóstico da COVID-19. Realizado com cotonete (swab) da naso e orofaringe (nariz e boca) ou a partir da saliva- o que reduz a sensibilidade do teste. Pode ser colhido do 3º ao 10º dia de sintomas e pode demorar dias para o resultado final.
  • Teste Rápido de Antígeno: Exame colhido de nasofaringe, apenas. Tem um sensibilidade menor que o RT-PCR. Pode ser colhido até o quinto dia de sintomas, embora seja melhor entre o 3º ou 4º dia. O resultado costuma sair em horas.
  • Sorologia: Também conhecido como IgM e IgG. É um exame de sangue destinado ao diagnóstico retroativo, ou seja, para saber se você já teve COVID e não propriamente para o diagnóstico. O melhor momento para fazê-lo seria a partir da segunda semana do contato, idealmente a partir de 10 dias.

A ótima notícia é que a Anvisa acaba de liberar o “autoteste”. Exame que poderá ser comprado em farmácias e ser feito em casa.

De sensibilidade menor, o exame não substitui os anteriores, mas servirá para desafogar a demanda por testes, os quais estão escassos…

Entretanto, ele ajudará na identificação, isolamento das pessoas doentes e, assim, prevenindo a transmissão da doença.

4. As crianças precisam fazer o teste?

Depende!

Se a criança teve contato com pessoas que testaram positivo para a COVID-19, principalmente, pessoas do convívio, como os pais e irmãos, há uma grande chance dela também ter adquirido a doença, sendo neste caso, dispensável a coleta do exame.

5. Se meu filho testar positivo, o que devo fazer?

A primeira medida é CALMA!

Sim, estamos vivenciando um período de aumento do número de casos de COVID em crianças.

Com mais crianças acometidas, mais casos graves são documentados, naturalmente. Mas não podemos nos esquecer, que apesar disso, uma parte considerável das crianças terão formas leves ou assintomáticas da doença.

NOTA IMPORTANTE: NÃO EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO CONTRA A COVID-19 LIBERADO PARA AS CRIANÇAS.

Portanto, o tratamento é exclusivamente de SUPORTE. Com antitérmicos, hidratação e repouso. Bem como realizamos há anos para a maioria das infecções virais, como a Dengue.

O uso de antibióticos está destinado apenas para crianças que apresentem infecções bacterianas associadas, como otites ou pneumonias.

Não acredite em fórmulas mágicas para o tratamento da COVID.

Nem utilize o mesmo tratamento de outra criança que conhece para o seu filho. O caso dele, não necessariamente, será igual ao de outro.

6. As aulas estão voltando. Eu deixo me filho ir para a Escola?

Este é um tema bastante polêmico.

A Sociedade Brasileira de Pediatria é fortemente favorável ao retorno às aulas em virtude da imensa perda social que tivemos nestes últimos anos de isolamento.

Pesa-se, no entanto, que o Brasil por ser um país muito heterogêneo possui particularidades que devem ser consideradas quanto a uma recomendação universal e irrestrita.

As escolas devem estar preparadas para receber as crianças em um ambiente seguro, evitando aglomerações, respeitando o distanciamento social, realizando a limpeza de superfícies recorrentemente, disponibilizando álcool em gel, exigindo o uso de máscaras e orientando os pequenos.

Os pais devem conversar com seus filhos e orientá-los, incentivando o uso de máscaras e a higiene das mãos.

A qualquer suspeita de COVID ou contato com pessoa doente, a criança deve realizar isolamento social e não frequentar a escola até passado o período de isolamento ou até ser descartada a doença.

7. Quanto tempo uma pessoa deve seguir isolada?

As recomendações mudaram recentemente.

O Ministério da Saúde orienta que caso a pessoa que adquiriu a doença esteja assintomática há 24h, sem febre e sem uso de medicações e que teste negativa por RT-PCR ou Teste de Antígenos no 5º dia do quadro (sendo o dia 1 o primeiro dia dos sintomas), ela poderá sair do isolamento social. Respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo.

Caso ela fique assintomática no 7 dia da doenca, ela também poderá sair do isolamento SEM TESTAGEM. Caso permaneça sintomática, ela deve testar no 8º dia, se o resultado do teste for negativo ela poderá sair do isolamento respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo. Se o resultado for positivo, ela deverá completar 10 dias de isolamento social.

Por fim, se ela ficar assintomática apenas no 10º dia, ela também poderá sair do isolamento social respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo, SEM TESTAGEM.

8. Quero vacinar meu filho. As vacinas são seguras? Quem pode tomar as vacinas e quais estão disponíveis?

Todas as vacinas testadas já estão indo para a Fase IV (quer entender mais sobre isso? Confira a postagem sobre as vacinas em: https://clinicagoncalves.com/2021/02/06/estou-amamentando-posso-tomar-a-vacina-contra-o-coronavirus-e-meu-filho/ ), também chamada de Farmacovigilância, momento em que milhões de doses são aplicadas na população e são estudados os seus possíveis eventos adversos.

Importante destacar, que é justamente nesta Fase que a minoria dos eventos adversos são apontados.

Apenas nos Estados Unidos, mais de 7 milhões de doses da Vacina Pfizer foram aplicadas em crianças e a imensa maioria dos eventos adversos foram classificados como leves, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar.

Um dos principais medos dos pais, a miocardite após a vacina, foi documentada em apenas OITO CASOS e, em todos eles, a evolução clinica foi favorável (não ocorreu óbito).

No entanto, gosto de destacar que a miocardite, normalmente, é causa da por vírus comuns de resfriado… A infecção pelo SARS-Cov-2, vírus que causa a COVID, traz cerca de 20 vezes mais chance de miocardite do que a vacina.

A infecção pelo SARS-Cov-2, vírus que causa a COVID, traz cerca de 20 vezes mais chance de miocardite

A vacina Coronavac, por sua vez, já foi testada em mais de 3 milhões de crianças de 6-11 anos no Chile e mais de 211 milhões de crianças de 3-17 anos na China. Os estudos mostram que houve apenas 0,01% de eventos adversos e que, na sua imensa maioria, eram leves.

No Brasil, dispomos atualmente as duas vacinas citadas anteriormente:

Pfizer-BioNTech: Para crianças de 5-11 anos. Dose 10 microgramas (1/3 da dose dos adultos). Frasco de cor laranja. Intervalo de 8 semanas entre as doses- em estudo para o encurtamento deste tempo. Para adolescentes acima de 12 anos, a dose será igual a dos adultos, assim como o frasco de cor roxa. Intervalo de, pelo menos, 21 dias entre as doses.

Coronavac-Sinovac: Para crianças de 6-17 anos. Doses de 3 microgramas e intervalo de 28 dias entre as doses, o mesmo utilizado na população adulta. Em estudo para a inclusão de crianças menores (acima de 3 anos).

Por fim, deixo aqui o meu apelo e a minha sugestão de que vacinem os seus filhos.

Como venho insistindo nos meus canais, vacinar é um ato de amor.

Um ato de amor com o seu filho e com o próximo.

Apesar de, como falei anteriormente, muitas crianças serem assintomáticas ou apresentarem quadros leves, a COVID pode causar complicações tardias gravíssimas, como a própria miocardite, a COVID longa e a doença inflamatória multissistêmica pediátrica.

Tivemos 2.500 mortes de crianças pela COVID e suas complicações que poderiam ter sido evitadas pela vacinação.

Ainda, como as crianças são o atual grupo vulnerável, em virtude da não vacinação e da alta transmissibilidade da variante Ômicron, são justamente elas que devemos priorizar.

Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação, transmissão e propagação do vírus! Mais cedo sairemos dessa!

Jamais se esqueçam: VACINAS SALVAM VIDAS!!!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

  1. SBP- Vacina Covid- https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/o-brasil-deve-temer-a-doenca-nunca-o-remedio-1/
  2. SBP- Volta às aulas- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/SBP-RECOMENDACOES-RETORNO-AULAS-final.pdf
  3. SBP- Orientações a Respeito da Infecção pelo SARS-CoV-2- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Covid-19-Pais-DC-Infecto-DS__Rosely_Alves_Sobral_-convertido.pdf
  4. SBP- Criança precisa fazer exames de COVID?- https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/crianca-precisa-fazer-exame-da-covid-19-especialistas-explicam-quando-e-necessario/
  5. SBP- COVID – 19: Protocolo de Diagnóstico e Tratamento em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22487d-NA_-_COVID-_Protoc_de_Diag_Trat_em_UTI_Pediatrica.pdf

O medo da febre

Olá!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou falar sobre um tema que deixa todos os pais de cabelo em pé: a febre nos pequenos.

  1. O que é febre?

A febre é uma reação do nosso corpo a uma agressão que pode ser física, química ou biológica.

Quando estamos com febre, o aumento da temperatura corpórea faz com a nossa resposta imune seja aumentada, acelerando as reações enzimáticas e, por fim, as nossas defesas.

Gosto de fazer um paralelo a um acelerador de um carro. Quanto mais a gente pisa no pedal do acelerador, mais o motor responde e mais velocidade o carro adquire.

No entanto, existe um ponto ótimo, que se ultrapassado, o carro não adquirirá mais velocidade e só trará mais desgaste ao motor, aumentando seu consumo e , veja só, a sua temperatura por conseguinte.

2. A partir de que valor eu posso considerar que meu filho está com febre?

Primeiro é importante pontuar que o corpo sofre alterações de temperatura ao longo do dia.

Na madrugada e pela manhã, a temperatura corpórea é menor, podendo variar cerca de até 1ºC em relação ao final da tarde.

A atividade física, o uso de muitas roupas e a pouca ventilação no ambiente também pode influenciar neste valores.

A temperatura axilar dita normal varia dos 36,5ºC até 37,2ºC.

Consideramos febre, portanto, a temperatura axilar maior que 37,8ºC ou a temperatura retal acima de 38ºC.

3. Posso considerar febre só medindo a temperatura com as mãos?

Dois estudos ( Bancoe Veltri e Eyzaguirre et al.) demonstraram que SIM, as mães quando mediam a temperatura de seus filhos com as mãos diagnosticavam a febre precisamente.

Entretanto, é importante aferir e documentar os picos febris dos pequenos, com o uso do termômetro, para ajudar na investigação de um possível quadro infeccioso pelo médico.

4. E os termômetros de infravermelho? Eles são confiáveis?

Como dito acima, cada parte do corpo possui um temperatura considerada “normal”.

A temperatura da boca e do tímpano são aproximadamente 0,5ºC mais elevadas do que a axilar. Esta por sua vez, é chega a ter 0,8 a 1,0ºC de diferença da temperatura retal.

Então todo cuidado é pouco com os novos dispositivos.

Na dúvida meça mais de uma vez, ou melhor ainda, recorra ao bom e velho termômetro axilar.

5. Acho que estou entendendo!!! Então, se meu filho apresentar temperatura acima de 37,8ºC, isto significa que ele está com febre e então eu devo medicá-lo o quanto antes?

A resposta é um categórico NÃO!

Vamos nos lembrar que a febre é um mecanismo do corpo para ajudar na nossa defesa.

Desta forma não existe um número mágico para o uso do anti-térmico.

Antes disso, você pode desagasalhá-lo, ofertar líquidos (leite materno, água, chás e sucos), levá-lo para um ambiente mais arejado, dar um banho morno nele e voltar a medir a temperatura após 30 minutos.

Muitas vezes, apenas isto já ajuda.

Além do que, se ele estiver com 37,8ºC e bem, ativo, brincando, não há motivo para preocupação.

Devemos medicar apenas se ele apresentar febre e algum desconforto associado.

6. Mas se ele ficar com febre alta, não corre o risco de convulsionar?

Neste ponto, existe um mantra que sempre repito: “convulsiona quem pode, não quem quer”.

Vou explicar!

A Convulsão Febril acontece em crianças com predisposição genética e dos 6 meses aos 5 anos de idade.

Geralmente existe uma história positiva de pais ou de irmãos com convulsão febril também.

E, mais importante do que a temperatura máxima atingida, é a velocidade de ascensão da temperatura.

Sendo assim, existem crianças com quase 40 graus de febre e que não convulsionam e aquelas que com 38ºC apresentam um episódio convulsivo devido à ascensão rápida da temperatura- não nos esqueçamos da predisposição genética.

7. Tá certo, doutor. Mas então após eu controlar a febre, devo ir direto para o Pronto-Socorro não é mesmo?

Depende!

Em crianças com mais de 3 meses é sempre razoável, aguardar por até 72 horas do primeiro pico febril para uma avaliação médica. Isso é claro, caso o quadro não seja acompanhado de alteração do estado geral, irritabilidade, sonolência, falta de apetite grave, cansaço..

É sempre importante pontuar que durante o episódio febril, a criança costuma ficar abatida, com a respiração mais rápida, com os batimentos do coração acelerados e que a melhora após o uso de anti-térmico é um bom sinal.

Como muitas vezes a febre está relacionada a um episódio infeccioso, é NORMAL a redução do apetite.

Muitas crianças aceitam apenas o leite materno ou comidas mais pastosas e em pouca quantidade; e está tudo bem. Vamos respeitar essa condição! Nós mesmos não nos alimentamos muito quando estamos doentes e isso não é diferente com a criança.

Entre 20-30% das consultas em pediatria nos Pronto-Socorros são por queixas relacionadas à febre. No entanto, se a criança não possui nenhum sinal de gravidade, é maior de 3 meses (com o calendário vacinal atualizado) e está apresentando febre há menos de 3 dias é possível aguardar em casa!

8. Mas por que você diz que se meu filho tem mais de 3 meses e só está com febre eu devo aguardar em casa e não ser avaliado por um médico prontamente?

Geralmente grande parte das doenças virais cursam com febre por 3 dias. Neste intervalo de tempo, os picos febris tendem a se afastar e a amenizar, o que indica que o corpo está dando conta da doença.

Além disso, antes de 3 dias, muitas vezes a criança não apresenta outros sintomas e no exame físico médico e até laboratorial não é possível identificar o motivo da febre.

Obviamente que existem exceções, doenças virais como o Exantema Súbito (Roséola), que cursam com febre alta e por mais tempo…

No entanto, insisto que se seu filho estiver bem, com febre e mais nenhum sinal de gravidade, que você aguarde cerca de 3 dias medicando-o em casa. Conduta que já era orientada por todo pediatra, mas que com a Pandemia atual se intensificou.

Por outro lado, se o seu filho for menor de 3 meses ou se apresentar algum sinal de gravidade leve-o prontamente para o seu pediatra.

Existem protocolos mundiais para a investigação da doença febril e, em crianças menores (menores de 3 meses) e/ou com sintomas de gravidade, o médico deverá ser mais incisivo na investigação nestes casos.

Já, as crianças maiores de 3 meses possuem uma imunidade maior e, inclusive, receberam vacinas contra grande parte das bactérias que podem causar doenças invasivas graves.

Por fim, vou parafrasear as orientações do Dr. Jayme Murahovschi, o Decálogo da criança febril:

  1. Se a criança está com febre e bem, há uma grande chance de se tratar de uma infecção viral (cerca de 90%). A cada nova infecção a criança cria imunidade (anticorpos) e é por isso que quanto mais velha a criança, menos episódios febris. O corpo vai se especializando com o tempo e se tornando cada vez mais eficaz no combate às infecções. Caso seu filho persista com febre, há uma chance de ser uma infecção bacterina não grave (otite, amigdalite) que se resolverá com o antibiótico adequado após 48-72h.

2. Utilize roupas leves, ambiente ventilado. Evite exposição solar exagerada e deixa a criança o “mais livre possível”.

3. Ofereça líquidos com frequência.

4. É normal a redução do apetite num episódio infeccioso. Seja mais tolerante se seu filho não quiser comer tanto. Tente ofertar aquilo que o agrada mais, evitando as guloseimas.

5. A febre é um mecanismo de defesa. Tenha tranquilidade.

6. Dessa forma pondere o uso do antitérmico. Não é necessário ficar medicando de horário, exceto se seu filho apresentar sintomas associados à febre. Se ele estiver bem e brincando, tente as medidas não farmacológicas.

7. É importante aferir a febre e os picos febris. Mas não é necessário fazer essa mensuração constantemente, logo após a tomada do antitérmico, por exemplo.

8. Opte por aquela medicação que a criança tolera melhor. Evite hipermedicar e associar vários antitérmicos ao mesmo tempo. O intervalo de ação deles é de 4-6h e dos anti-inflamatórios de até 8-12h, tendo início de ação cerca de 1h após a ingesta.

9. Banho e compressas são aceitáveis, quando isso for do agrado da criança e não trouxer transtornos para a família. Sempre mornos, nunca frios.

10. Observe os sinais de alerta: febre acima de 39,4 ºC com tremores de frio, abatimento acentuado ou forte indisposição (sonolência e irritabilidade, choro inconsolável ou choramingas, gemência) que não melhoram após o efeito da dose de antitérmico; aparecimento de sintomas diferentes; febre que ultrapassa três dias completos. A consulta médica nestes casos é insubstituível.

Bem, por hoje é só.

Nos vemos em breve. Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Febre: Cuidado com a Febrefobia– Sociedade Brasileira de Pediatria- link: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia

A criança com febre no consultório– J. Pediatr. (Rio J.) vol.79  suppl.1 Porto Alegre May/June 2003- Link: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000700007

Está na hora?

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje irei falar sobre como realizar o processo de desfralde do seu filho.

Quando a criança está pronta? Quando começar? Como que é o passo-a-passo? O que fazer caso tudo dê errado? Penico ou vaso sanitário???

Falaremos de tudo isso, já! Vamos lá?

  1. Quando devo começar o desfralde?

Bem, antes de falar sobre isso, é importante pontuar que a idade média de desfralde aumentou nos últimos anos em todo mundo. Atualmente, ela está entre 2 anos e 3 anos e 3 meses. Isso se deve , sobretudo, ao fato de que os pais têm cada vez menos tempo para passar com os filhos, em virtude do trabalho.

No Brasil, a média é de 2 anos e 3 meses. Sendo que o processo todo pode durar entre 6 meses e 1 ano. As meninas, geralmente, desfraldam antes dos meninos.

É importante pontuar que crianças mais constipadas (ressecadas) ou aquelas que iniciam o treinamento precoce, antes dos dois anos, ou de forma tardia, após os três anos de idade, podem apresentar mais dificuldade para o processo.

2. Quando sei que o meu filho está pronto para o desfralde? Qual a idade ideal?

Grande parte das crianças, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado, estarão aptas a saírem das fraldas entre os 2 e 3 anos de idade.

No entanto, A IDADE NÃO DEVE SER LEVADA EXCLUSIVAMENTE EM CONSIDERAÇÃO PARA SE PENSAR NO DESFRALDE.

Já ouviram falar em “sinais de prontidão”?

Os “sinais de prontidão” são indícios que seu filho vai lhe fornecendo para demonstrar que ele está apto ao desfralde.

Cito alguns deles a seguir:

  • Imitar os pais ou atividades que eles façam
  • Demonstrar interesse em pessoas que estejam utilizando o banheiro
  • Conseguir puxar ou tirar peças de roupas
  • Ter o desejo de tirar ou se incomodar com a fralda molhada/suja
  • Estar falando e/ou formando frases simples
  • Usar palavras que se refiram ao processo como “xixi”, “pipi”, “cocô”…
  • Usar palavras, expressões faciais ou gestos que indiquem que a criança esteja urinando ou evacuando
  • Dizer que está “fazendo xixi” no momento exato que está urinando- identificando corretamente o que está acontecendo
  • Ficar seco por mais de duas horas no dia
  • Conseguir se concentrar em atividades (brincadeiras) por mais de 5 minutos
  • Obedecer a comando simples
  • Conseguir ficar no penico ou vaso sanitário por mais de 3-5 minutos

3. Vamos começar então (Abordagem Orientada)?

A abordagem orientada pelos pais deve ser iniciada somente após a percepção dos sinais de prontidão.

Aqui sempre reforço o cuidado nesse processo para evitar o uso de expressões pejorativas, de nojo, insatisfação ou reforço negativo.

Uma repreensão por falha pode atrapalhar todo o processo de desfralde e , literalmente, traumatizar a criança.

Como, em todo o processo de aprendizado, ele deve ser acompanhado de reforços positivos, elogios repetidos.

Evite, ou na verdade, não utilize doces ou presentes para compensar um acerto.

Os pais precisarão de tempo e compreensão nesta etapa, que deve ser evitada num momento de estresse ou transição na rotina da criança, como o nascimento de um irmãozinho, falecimento de ente querido, mudança de rotina ou início de escola/creche.

Inclusive, se o desfralde for iniciado na casa, ele deve ser apoiado e continuado na escola/creche.

4. Penico ou vaso sanitário?

Foto 1

Quem nunca viu ou não tem uma foto dessa quando criança?

Linda não é mesmo?!?

Mas está TUDO ERRADO!!!

Então seria melhor usar um penico?

Foto 2

Na realidade, tanto faz. Os pais é que devem fazer a escolha.

No entanto, ambas as Fotos 1 e 2 mostram escolhas inadequadas.

Independente de ser o vaso sanitário ou o penico, a criança deve ter um apoio para os pés. Isto estabiliza a pelve e faz com que a criança consiga aumentar e direcionar a força no abdome para conseguir fazer suas necessidades.

Penico

Foto 3

O penico deve ser escolhido e comprado junto com a criança, justamente para despertar o seu interesse.

Os pais podem e devem deixá-lo no ambiente como parte de seus brinquedos, para que ela possa inicialmente se familiarizar e usá-lo de forma lúdica (usando-o com roupa, imitando o ato de urinar ou evacuar).

NUNCA force a criança a ficar no penico!

Deixe que ela sinta interesse.

Inicialmente tire a fralda logo após as suas necessidades no penico ou deposite as fezes lá dentro para demonstrar que este é o local correto.

Após, crie rotinas.

Coloque a criança para sentar no penico logo após acordar, depois das refeições ou antes de dormir, por um curto intervalo de tempo, e elogie caso a criança faça xixi ou cocô no penico.

Após uma semana de “acertos”, o desfralde pode ser realizado no período da manhã.

É importante salientar que escapes certamente ocorrerão e que eles são absolutamente normais!!! Novamente, sempre faça elogios e não dê reforços negativos.

O penico dá mais autonomia para a criança (livre acesso). Além do que, algumas crianças podem se sentir mais confortáveis nele do que no vaso sanitário devido à altura e à presença de água no fundo.

Vaso sanitário

As mesmas orientações para o penico, servem para o vaso sanitário.

SEMPRE deve ser usado um assento redutor.

A criança deve ter um apoio para os pés.

Fotos 4 e 5- Cuidado com a falta de apoio para os pés!

Uma escadinha ou banquinho pode ajudar.

Caso a criança não se adapte inicialmente ao vaso sanitário, tente começar com o penico e depois faça a transição.

Concluindo, o desfralde é um processo que demanda paciência, tempo, carinho e atenção dos pais.

Mas é mais uma etapa do desenvolvimento, emancipação e no crescimento das crianças que vale muito a pena ser desfrutado conjuntamente.

Espero ter elucidado as dúvidas de vocês!

Até a próxima,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

Treinamento esfincteriano- Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Urologia- Setembro de 2019

Imagens:

Acesso em 17/07/2020- Fonte: Internet

Foto 1- https://www.1zoom.me/pt/wallpaper/559889/z3654.8/

Foto 2- https://www.google.com/imgres?mgurl=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FLs_1I43qsLs%2Fmaxresdefault.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DLs_1I43qsLs&tbnid=_OHy9S20YItCKM&vet=12ahUKEwjhtIDbqdTqAhWEBbkGHWbUD10QMygAegUIARDQAQ..i&docid=OWCO2BWOFSu2HM&w=1280&h=720&q=penico%20crian%C3%A7a&ved=2ahUKEwjhtIDbqdTqAhWEBbkGHWbUD10QMygAegUIARDQAQ

Foto 3- https://br.freepik.com/fotos-premium/a-crianca-esta-sentada-no-penico-ensinar-as-criancas-um-penico-conceito-de-cuidados-com-o-bebe_8334374.htm

Foto 4-https://www.pediubebe.com/Assento-Redutor-Para-Vaso-Sanitario-Com-Escada-Buba-Baby-Rosa

Foto 5-https://www.mundodastribos.com/como-ensinar-a-crianca-a-usar-o-vaso-sanitario.html

Precisamos falar disso…

Reserve apenas 7 minutos de seu tempo e assista a esse vídeo:

Olá!

Agora sim. Tudo bem com vocês?

Em Novembro do ano passado, participei do “IV Congresso de Pediatria e 20ª Jornada de Pediatria Unimed Ribeirão Preto”.

Em meio a tantas aulas e temas, uma me chamou a atenção: “O mundo está mudando e o pediatra tem que estar preparado”.

Imaginei que seria uma aula sobre internet, uso de celulares, mídias sociais, bullying… mas não! Era uma aula sobre o Distúrbio de Identidade de Gênero e, no final, fui presenteado com este vídeo que linkei acima.

Estamos no mês do orgulho LGBTQ+ e acredito que não haveria momento melhor para falar sobre o assunto.

LGBTQ+

O pediatra muitas vezes é o primeiro a conversar sobre a sexualidade e sobre as variações do gênero com a criança e o adolescente e, portanto, deve estar preparado para tal.

As crianças entre 6 e 9 meses são capazes de distinguir vozes masculinas e femininas.

Próximo de um ano de idade, associam as vozes com objetos tidos como típicos de cada gênero.

Aos dois anos, elas têm habilidade de se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao gênero.

A identidade de gênero tem início entre 2 e 3 anos de idade. E já aos 6 ou 7 anos, as crianças tem consciência de que seu gênero permanecerá o mesmo.

Neste ponto, é importante definir o que é Identidade de Gênero: “experiência emocional, psíquica e social de uma pessoa enquanto feminina, masculina, ou andrógena definida pela cultura de origem.” Também: “refere-se à auto-identificação de um indivíduo como mulher, homem ou a alguma categoria diferente do masculino e feminino.”

Sendo assim, as pessoas cujas identidades de gênero não correspondem ao sexo biológico são nomeadas com transgêneros ou transexuais.

A disforia de gênero, por sua vez, corresponde ao desconforto ou sofrimento causados pela incongruência entre o gênero atribuído ao nascimento e o gênero experimentado pelo indivíduo.

E como a disforia de gênero pode se expressar?

As crianças podem expressar a certeza de serem do sexo oposto ou não estar feliz com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e brincadeiras culturalmente ligados ao outro sexo.

Nos adolescentes, a inconformidade com o sexo biológico, é evidenciada com as mudanças corporais da puberdade e pode desencadear problemas psicossociais.

É importante pontuar, que quando observa-se a disforia de gênero em crianças entre os 2 e os 6 anos de idade, quase 85% delas voltarão a ficar satisfeitas com o seu sexo biológico, já na adolescência, isto é menos comum.

O quadro pode estar associado a algumas manifestações como ansiedade, depressão, tentativa de suicídio, automutilação e isolamento social.

Desta forma, estas crianças e adolescentes devem ter um acompanhamento multidisciplinar contando com pediatra, endocrinologista, psicólogo, psiquiatra, assistente social, cirurgiões e enfermeiros…

E , mais do que qualquer acompanhamento, elas precisam de apoio, carinho e amor!

Mais amor, por favor

PS.: Aqui está o Ryland, atualmente

Bem, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até breve,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

Disforia de Gênero- Guia Prático de Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Junho de 2017

Meu filho bateu a cabeça. Devo ir ao PS?!?

Olá, papais!

Hoje falaremos sobre os acidentes domésticos e como preveni-los.

Sabemos que os acidentes são a principal causa de óbito, atualmente, entre crianças de 1 a 14 anos de idade, chegando a cifra assustadora de 13 óbitos/dia e de 20.000 óbitos/ano. Além disso, a grande maioria deles ocorrem dentro da própria residência da criança ou no seu entorno e que, acreditem, 90% (NOVENTA POR CENTO) poderiam ser prevenidos.

Somado a isso, vemos um aumento na taxa de acidentes – um incremento de aproximadamente 25%- durante o período de quarentena que vivemos.

Diante deste contexto, vamos então ao nosso tradicional quadro de “Perguntas e Respostas”:

1) Por que as crianças sofrem tantos acidentes?

As crianças são naturalmente curiosas, aventureiras e estão descobrindo o mundo com as suas experiências e brincadeiras diárias. No entanto, vale lembrar que elas são também inexperientes, que muitas vezes ficam “em seu mundo” enquanto brincam, que são sujeitas às distrações e que não possuem o mesmo campo visual de um adulto, necessitando de supervisão constante.

2) Quem são as crianças mais propensas aos acidentes domésticos?

As crianças em idade pré-escolar, de dois a seis anos de idade, são as mais propensas a sofrer acidentes.

Além disso, existem outras características associadas: baixa idade, sexo masculino, baixo nível socioeconômico familiar e mal estado de conservação da residência (instalações elétricas e de gás precárias, lajes e terraços sem proteção…).

3) Quando os acidentes ocorrem mais?

Eles acontecem mais nas férias, feriados e finais de semana, principalmente no final de tarde e início da noite, na época de calor (verão).

Por isso, o cuidado nesse período de quarentena com as crianças.

4) Existe relação entre os acidentes com a faixa etária da criança?

Sim!

No primeiro ano de vida:

  1. Asfixias
  2. Quedas
  3. Queimaduras
  4. Aspiração de Corpo Estranhos

A partir de 2 anos de idade:

  1. Quedas
  2. Asfixias
  3. Queimaduras
  4. Afogamentos

Em maiores de 5 anos:

  1. Quedas
  2. Traumas com fraturas ósseas
  3. Choques elétricos

5) Onde mais acontecem os acidentes dentro de casa?

Eles acontecem nesta ordem de prevalência: cozinha, banheiro, corredor, escada, quarto e sala.

6) Certo! Mas o que fazer para prevenir os acidentes?

Após todas essas recomendações, vamos à pergunta principal:

“Quando devo levar meu filho ao Pronto- Socorro após uma queda?”

Devemos ter um cuidado especial com as crianças menores de 2 anos, principalmente, as menores de 3 meses. No entanto, são justamente elas que apresentarão o maior número de traumatismos cranianos devido ao tamanho maior e desproporcional de suas cabeças em relação ao corpo, além de estarem começando a melhorar a sua coordenação motora e aprendendo a andar. Vale destacar, que a grande maioria dos traumas são leves e não necessitarão de avaliação médica.

Então quando se preocupar e levar a criança ao PS?

  • Menores de 3 meses
  • Quedas maiores de 1 metro em menores de 2 anos ou maior que 1,5 metro em crianças maiores de 2 anos
  • Galos na região de trás da cabeça
  • Perda de consciência por mais de 1 minuto
  • Vômitos de repetição -mais de 5 vezes seguidamente
  • Movimentos convulsivos
  • Sangramento de nariz ou ouvidos
  • Sinais de fratura do crânio

E o porquê dessa preocupação? Por que devo observar esses sinais? 

Porque todos esses sinais podem significar que pode estar acontecendo um sangramento (hematoma) dentro da cabeça da criança e, desta forma e nessas ocasiões, ela deve ser avaliada por um médico que deve solicitar a realização de Tomografia de Crânio.

Quer dizer que o médico deve solicitar sempre uma Tomografia de Crânio quando a criança sofre uma queda? E o Raio X?

A Radiografia de Crânio (raio X) não é capaz de avaliar um sangramento (hematoma) intracraniano. Desta forma, ele não é o melhor exame para este tipo de avaliação- exceto se houver suspeita de fratura.

No entanto, devemos lembrar que a grande parte das crianças sofrem quedas leves e de baixa intensidade e que a exposição à radiação recorrente pode ser deletéria à criança.

Sendo assim, a Tomografia pode ser útil em alguns casos mas deve ser evitado exagero em crianças cujo exame neurológico é normal.

Então o que eu faço quando meu filho cair? Posso deixar ele dormir?

Se ele sofreu uma queda leve, de uma altura baixa, não perdeu a consciência por mais de 1 minuto, não apresentou movimentos convulsivos (abalos de braços, pernas, mastigação, desvio do olhar) e nem apresentou vômitos de repetição, você pode sim só observar a criança em casa, num período de 4-6 horas.

É importante frisar que grande parte das crianças choram após uma queda e que, algumas delas, apresentam um episódio de vômito após. Muitas delas se esgotam e querem dormir e você pode e DEVE deixá-la dormir. Apenas observando se alguns dos sinais citados anteriormente aparecem.

Sendo assim, grande parte das vezes você pode e deve ficar em casa e observar seu filho e só ir ao Pronto-Socorro se houver piora do quadro.

Por hoje é isto.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

https://pebmed.com.br/tce-na-emergencia-pediatrica-o-que-fazer/- Acesso em 08/06/2020

https://www.spsp.org.br/2012/07/23/traumatismo_craniano/- Acesso em 08/06/2020

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/acidentes-domesticos/- Acesso em 08/06/2020

Imagens:

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/prevencao-de-acidentes/- Acesso em 08/06/2020

http://www.pediatricabh.com.br/preven–o-de-acidentes.html- Acesso em 11/06/2020

A vacinação e a Pandemia do Coronavírus

Devo levar meu filho para a vacinação_

Olá!

Uma das perguntas mais frequentes que recebo na atual Pandemia do Coronavírus é :

“Devo levar meu filho para tomar vacina?”.

E pesando riscos e benefícios a resposta é SIM!

Neste mês, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) conjuntamente com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançaram um documento ratificando a importância da vacinação nos tempos de Pandemia.

Dentre as várias recomendações, destaco:

  1. Manter pelos Municípios e Estados o calendário vacinal proposto pelo Programa Nacional de Imunizações. Embora em algumas localidades ocorrera a paralisação da atividades de Postos de Saúde e UBSs, a recomendação atual é manter o atendimento da população normalmente.
  2. Evitar aglomerações. Cuidado especial com Idosos.
  3. Desenvolver locais especiais para a vacinação, como clubes, escolas e Igrejas.
  4. Horários especiais para a vacinação de crianças e adolescentes.
  5. Clínicas privadas de imunização devem organizar seus serviços a fim de manter
    o distanciamento social exigido nesse momento.
  6. Não há evidências sobre a interação da COVID19 e a resposta imune às vacinas.
    Para reduzir a disseminação da doença, qualquer pessoa com sintomas
    respiratórios ou febre, deverá ser orientada a não comparecer aos centros de
    vacinação.
  7. Casos suspeitos ou confirmados de COVID19 poderão ser vacinados após a
    resolução dos sintomas e passado o período de 14 dias do isolamento.

 

De forma prática, recomendo que, na medida do possível, não posterguemos a realização das vacinas.

Tente entrar em contato com o Posto de Saúde próximo da sua casa e descubra se foi criado um horário especial para a vacinação das crianças ou para saber em qual horário ele se encontra mais vazio.

Ou então, compareça à Unidade de Saúde acompanhado de algum familiar e solicite que ele fique na fila, mantendo o distanciamento, uso de máscaras e medidas de proteção (lavagem de mãos e álcool em gel), até que seu filho possa ser atendido, enquanto você aguarda a sua vez com ele em outro local próximo e menos cheio.

 

Falando em uso de máscaras… Você sabe se o seu filho pode e/ou deve usá-las?

Deixo aqui o link (https://www.instagram.com/p/B_K4xhnnwbP/) para a Página do Instagram da Fisioterapeuta Amanda Guadix (@fisio.amandaguadix), explicando sobre o uso de máscaras em crianças.

 

Retomando…

Os mesmos cuidados no Posto, devem ser tomados nas Clínicas de Vacinação Privadas. Evite aglomerações!

Além disso, não poderia deixar de citar que estamos em pleno Abril Azul– Confiança nas Vacinas. Uma Campanha da Sociedade de Pediatria de São Paulo para conscientização de pais e responsáveis sobre a importâncias das vacinas.

E temos MUITO o que comemorar. Nas Américas, fomos o primeiro continente a erradicar a varíola, bem como, já erradicamos a poliomielite, o sarampo, rubéola, tétano maternoneonatal e a síndrome da rubéola congênita.

Já controlamos a difteria, coqueluche, doenças causadas pelo Hemófilos Tipo B e diarreias por rotavírus, graças à vacinação.

No entanto, é fundamental que tenhamos uma ampla cobertura vacinal!

Vacinar é um gesto de amor, não só para com seu filho mas para com o próximo. Existe um termo, no meio médico, conhecido como “efeito rebanho”. Indiretamente ao vacinar uma pessoa você acaba protegendo outras pessoas próximas, mesmo que não vacinadas, por reduzir a circulação de uma doença naquele local.

Infelizmente, temos presenciado uma onda de pessoas que são contrárias à vacinação, seja por convicção própria, fake-news, boatos sobre possíveis efeitos adversos…

E isto tem proporcionado o recrudescimento de doenças que já havíamos controlado no país. É só vocês se lembrarem do surto de Sarampo em 2018- doença totalmente erradicada  até 2016.

Observem só a queda da taxa de vacinação do Sarampo nos anos de 2014-2017 (Vacina Tríplice Viral- Sarampo, Caxumba e Rubéola):

queda de vacina

Lembrando também que a Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem a OBRIGATORIEDADE da vacinação em nosso país, sendo um dever da família assegurar a vacinação de rotina das crianças.

Para finalizar, após tanto desencontro de informações, não poderia deixar de reafirmar a data do nosso dia-D para a vacina de gripe.

gripe

É DIA 09 DE MAIO! Todas as crianças maiores de 6 meses e menores de 6 anos devem receber a vacina da gripe.

Lembrando que, naquelas que receberão a vacina pela primeira vez, serão realizadas duas doses com um intervalo de um mês entre elas.

Por hoje é isto.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

 

Fontes:

  1. Imagens e texto: Pediatra atualize-se- Boletim da Sociedade de Pediatria de São Paulo- Mar/Abr 2020
  2. CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA E A PANDEMIA PELO CORONAVÍRUS- SBP e SBIm- 2020- Acesso em 20/04/2020 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/nt-sbpsbim-calendariodacrianca-pandemiacovid-200324.pdf
  3. Instagram: @fisio.amandaguadix
  4. Instagram @minsaude

Coronavírus- O quê preciso saber?

Olá!

Inauguramos hoje nosso canal no Youtube!

Uma nova mídia para que tenhamos contato diretamente com vocês.

Nesta publicação, falamos sobre o Coronavírus nas crianças  e nas gestantes.

Confira o vídeo na íntegra, ou então, a nossa aula sobre a infecção e depois nosso bate-papo:

Parte 1:

 

Parte 2 (Bate-papo):

 

Participação especial: Fisioterapeuta Motora e Respiratória Pediátrica Amanda Guadix

@fisio.amandaguadix

Dr. Vinícius Gonçalves- Pediatra e Neonatologista