Blog

Blog

Fada do dente

No meu primeiro post, gostaria de falar um pouco sobre os dentes dos pequenos. E isto me remeteu a um fato que aconteceu há pouco.

Estava em um casamento, no último final-de-semana, e encontrei a mãe de um amigo que me fez a seguinte pergunta: “A minha neta já tem um ano e meio e ainda não apareceu nenhum dente na boquinha dela, isso é normal?!?”

Antes de tentar responder a essa pergunta, vale aqui citar a média da idade do aparecimento dos dentes decíduos ou, como são popularmente conhecidos, dos “dentes de leite”:

dentes (2)

Portanto, existe uma média padrão para o surgimento dos dentes das crianças. Devemos assim chegar aos 36 meses de idade com 20 dentes na cavidade oral – 10 em cima e 10 em baixo.

MAS CALMA!!! Isso não quer dizer que todas as crianças devam seguir a essa regra rigorosamente.

Estudos investigaram uma possível relação entre o surgimento dos dentes de leite e outros fatores como sexo, peso ao nascimento e peso para a idade, comprimento ao nascimento e altura para a idade, tipo de aleitamento (materno ou artificial) e renda familiar.

O que foi descoberto é que SIM!!! Existe uma correlação entre estes fatores, principalmente ao que se refere à altura da criança x à idade do surgimento dos dentes. E com este estudo foi confeccionada uma tabela que relacionou peso x altura com a média dos dentes que a criança deveria apresentar:

tabela

Voltando ao caso que estava contando…

Descobri, ao perguntar à avó, que o peso da sua neta era de 8 Kg e a estatura de 70 cm, logo, ela deveria ter, na verdade, cerca de dois dentinhos (como demonstrado na tabela) e não dez, como o esperado para a idade.

A idade é sim um marco importante para se levar em conta quando se quer saber se erupção dentária da criança está “normal”, mas ela não deve ser considerada  isoladamente.

Por fim, há vários motivos para um atraso no surgimento ou na queda dos dentes como cistos, tumores, alterações ósseas, fibrose gengival, síndromes genéticas…

O mais adequado é sempre procurar um especialista na área quando algo foge do “normal”, como um Odontologista Pediátrico e ele, juntamente com o seu Pediatra, poderá orientá-lo sobre o melhor caminho a seguir.

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões dos próximos temas, nos enviem clicando em “Dúvidas” no site ou pelo Facebook: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Nos vemos na próxima semana com um novo tema.

Até logo,

Dr. Vinícius Gonçalves- Médico Pediatra e Neonatologista

 

 

 

 

Novembro Roxo

novembro da prematuridade

Olá!

Depois de algum tempo eu retorno. E não poderia deixar de falar sobre o Novembro Roxo, o mês da prematuridade.

Em Março falei um pouco sobre o tema e a importância do Neonatologista, na recepção em sala de parto do prematuro, no cuidado durante a internação e no acompanhamento pós-natal.

Se quiser saber um pouquinho mais, deixo aqui o link do Março Lilás: https://clinicagoncalves.com/2019/03/14/marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/.

Hoje , no entanto, gostaria de destacar a oportunidade e o imenso prazer que tive em ministrar a aula sobre a Neuropreservação e Seus Cuidados, na Semana da Prematuridade do Hospital Unimed São Roque.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nesta aula, pude destacar que os cuidados com o recém-nascido prematuro já se iniciam no pré-natal, na boa assistência à saúde da mulher, sobretudo; e do papel preponderante na assistência peri e pós-natal realizada pelo Neonatologista.

No entanto, mais do que isso, hoje gostaria de destacar “os meus prematuros”- neste mês a comemoração é deles.

E quando digo “os meus prematuros”, me refiro àqueles que o destino me presenteou.

Alguns deles pude cuidar desde o início, na Unidade de Terapia Intensiva. Outros conheci na maternidade ou apenas no consultório.  Mas agradeço imensamente à confiança dos papais e me alegro em ver a boa evolução de todos. Gostaria de dividir alguns casos com vocês:

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Parabéns a todos vocês!!!

Agradeço pelo privilégio de poder acompanhá-los, desde o chorinho à primeira palavra.

Muito obrigado.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia 2019

2af69c72-ac0d-46a3-8cc2-a90a460f2549

Entre os dias 13 e 19 de Novembro de 2019, o Doutor José Francisco e a Doutora Francine estiveram presentes no 58º Congresso Brasileiro de Ginecologia realizado em Porto Alegre-RS. Neste, o tema central foi a saúde da mulher, da prevenção primária até o avanço das terapias.

É sempre importante que seu médico esteja atualizado e alinhado às novidades médicas em sua área.

Parabéns aos nossos médicos pela sua dedicação!

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Outubro Rosa

Design sem nome

 

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente na mulher adulta, representando 25% dos tumores malignos que afetam o sexo feminino. Em nosso meio é esperado diagnosticar um a dois novos casos da doença ao mês.

O padrão ouro para o seu rastreamento e prevenção é a realização da mamografia, a qual deve ser feita anualmente após os 40 anos de idade. A prevalência da doença é maior entre 45 a 55 anos e a sua incidência aumenta com o envelhecimento.

Após os 55 anos e em mamas bastante substituídas, com pouco tecido fibroglandular, o exame pode ser realizado a cada dois anos.

Isso se deve ao fato de que, nesses casos, caso seja diagnosticado um tumor, geralmente ele apresenta um crescimento muito lento- para se ter uma ideia, do início da doença ao diagnóstico de um tumor do tamanho de uma ervilha, o tempo transcorrido é de cerca de 5 anos. Além disso, toda vez que a doença é diagnosticada em sua fase inicial, ela não costuma estar disseminada para o restante do corpo e, assim, a cirurgia necessária para a retirada do tumor é a de menor porte (quandrantectomia), bem como a remoção de toda a mama não é necessária.

Entretanto, no caso de tumores maiores que um centímetro é comum a presença de células tumorais disseminadas para fora do território mamário. O tratamento deve ser complementado com quimioterapia e/ou radioterapia, além da cirurgia.

Embora a mamografia seja o padrão ouro para rastreamento da doença, até 15% dos tumores deixam de ser diagnosticados por este método, sendo necessário empregar outros exames para complementação diagnóstica.

O diagnóstico definitivo é feito através de exame de biópsia (anatomopatológico), que pode ser guiada pela ultrassonografia da mama, ou pela mamotomia em caso de lesões muito pequenas.

Toda doença costumar ser precedida por sinais ou sintomas. Os mais prevalentes na doença mamária são:

  • alteração da textura da pele, como o aparecimento de vermelhidão ou processo inflamatório. A pele pode apresentar textura parecida com a casca de laranja
  • alteração na estática mamária, ocasionando retração do mamilo
  • abaulamento ou aumento de volume da mama

 

A descarga mamária espontânea é outro sinal que pode estar presente (secreção saindo do mamilo), sendo que a de aspecto de água de rocha ou sanguinolenta é a que geralmente está associada à neoplasia; as de cor esverdeada, amareladas ou leitosas estão associadas à patologia benigna da mama.

O aparecimento de nódulo ou caroço na mama é outro sinal que pode estar associado à neoplasia, sendo que geralmente são indolores e fixos, crescem em profundidade, podendo levar ao aparecimento de gânglios (ínguas) na região axilar, para-esternal ou cervical.

Na fase inicial, a neoplasia não causa dor mamária, sendo que este sintoma geralmente está associado a desordens hormonais ou alimentares, as quais levam à retenção hídrica, principalmente no período pré-menstrual, aumentando o volume da mama e causando dor.

A prevenção primária da doença se dá com a gestação em idade oportuna e o aleitamento materno que induzem o amadurecimento mamário e diminuem a incidência da doença, assim como praticar atividade física regular e manter o peso adequado.

Os fatores que podem aumentar a incidência da doença são: história familiar de câncer de mama, menarca precoce e menopausa tardia, nuliparidade, obesidade, sedentarismo, alcoolismo, tabagismo, exposição à radiação ionizante desnecessária (R-X, tomografia, etc.).

Vamos comemorar o Outubro Rosa com sabedoria!

Vá ao seu Ginecologista e não deixe de levar aquelas pessoas que você ama também.

 

Dr. José Francisco Gonçalves Filho– Ginecologista e Obstetra. Fundador da Clínica Gonçalves.

 

 

Menopausa

menopausa

A Terapia Hormonal é o mais efetivo tratamento para os sintomas vasomotores; para a síndrome gênito-urinária, responsável por dor nas relações sexuais e sintomas urinários; assim como para a prevenção de fraturas secundárias à osteoporose que pode se instalar após a menopausa, com a perda acentuada de massa óssea devido à queda hormonal.

Os riscos da Terapia Hormonal depende do tipo, dose, duração, via de administração, sendo que a mesma deve ser iniciada dentro da chamada janela de oportunidade, nas pacientes que não apresentem contraindicação para seu uso. Sendo que o tratamento deve ser individualizado, visando obter os máximos benefícios com os mínimos riscos, para tanto é necessário reavaliações periódicas.

Os sintomas vasomotores estão associados à diminuição da qualidade do sono, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda da memória e redução da qualidade de vida.

A síndrome gênito-urinária apresenta-se com ressecamento vaginal, diminuição da lubrificação, dor ao coito, diminuição da libido, perda do interesse sexual, adelgaçamento da mucosa vaginal, perda de colágeno, podendo associar-se a quadro de urgência urinária (aumento da frequência do número de micção) e até mesmo  à  incontinência urinária, com quadro de dor à micção e quadros de infecções urinárias de repetição.

A osteoporose pode se instalar após a menopausa, pois a diminuição hormonal acelera a perda de massa óssea, e quando esta atinge a cifra de 30% ou mais, a osteoporose se instala e os riscos de fraturas ósseas de coluna e fêmur aumentam. A fratura espontânea de coluna faz com que ocorra uma diminuição da estatura, aumento da curvatura da coluna, acentuada lordose e cifose, deixando o abdômen protuso.

 

A sarcopenia é uma condição que pode se instalar em uma fase mais avançada da vida, caracteriza-se pela perda progressiva e generalizada da massa e força muscular esquelética. Os seus sintomas são: sensação de peso ou rigidez nos membros, mudança na forma de andar com redução da velocidade dos passos, incapacidade de subir escadas, pentear cabelos…

Após a menopausa, com a redução hormonal, ocorre uma redistribuição da gordura corporal. Ocorre um aumento da deposição de gordura abdominal, fazendo com que a mulher perca cintura e adquira a configuração masculina. Assim sendo, ocorre a perda da silhueta feminina de forma de pera e a aquisição da configuração em forma de maçã. Este fator é responsável pelo aumento do risco de doenças cardiovasculares e de diabetes.

 

gordura

 

Com o progredir da idade os riscos de doenças degenerativas (demência senil, Alzheimer), de doenças cardiovasculares (hipertensão, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca) e da incidência de câncer (mama, útero, ovário, intestino, pulmão) são maiores.

A Terapia Hormonal não é a pílula magica da longevidade. Uma mudança do estilo de vida precisa ser implementado, com alimentação adequada, controle do ganho de peso, realização de atividade física regular, para manter a musculatura e os ossos em perfeito equilíbrio,  diminuindo assim a perda de massa óssea.

A Terapia Hormonal pode e deve ser empregada em pacientes que apresentem sintomatologia de menopausa e que não tenham contra-indicações para o seu uso.  Nestes casos, uma terapia alternativa pode ser instituída, embora haja remissão dos sintomas em uma menor proporção.

Dr. José Francisco Gonçalves Filho– Ginecologista e Obstetra. Fundador da Clínica Gonçalves.

Dor de garganta, de novo? NÃO!

no

Olá, hoje falaremos sobre “Dor de Garganta”.

Antes de iniciarmos, vale a pena gastar algumas linhas falando um pouco sobre as Rinofaringites Virais ou sobre o Resfriado Comum.

O Resfriado Comum, como o nome já diz, é MUITO COMUM! Ainda mais nesta época do ano- do outono ao inverno.

Estudos demonstram que crianças pequenas podem ter em média de 6-8 episódios de Resfriados Comuns ao ano e, PASMEM, cerca de 10-15% delas podem chegar a ter até 12 resfriados/ano.

Lembrando que em média, os sintomas do Resfriado, como coriza, tosse, dor de garganta, obstrução nasal, espirros…- duram cerca de 7-10 dias,  algumas vezes estendendo-se até a 14 dias, é possível que durante quase todos os meses do ano e por cerca de metade dos dias de cada mês, seu filho esteja Resfriado, e que isso seja ABSOLUTAMENTE NORMAL.

Vale destacar que, o fato da criança frequentar creche ou ter um irmão mais velho que frequenta e, o contato com o tabagismo passivo,  favorece para que a criança tenha mais episódios de rinofaringites virais por ano.

Por outro lado, a partir do terceiro ano de vida é comum a melhora na incidência dos Resfriados. Para se ter ideia, um adulto tem em média cerca de 3 Resfriados ao ano.

———————————————————- P-A-U-S-A—————————————————————

 

UFA! Depois deste textão, vocês devem estar se perguntando: ” Tá legal, Doutor. Mas porque você está falando tanto de resfriados, já que você ia falar sobre “Dor de Garganta”???

Justamente, por isso!!! Porque A MAIORIA dos episódios de “dor de garganta” são VIRAIS!!!  Cerca de 75% dos casos.

Me intriga e entristece escutar dos pais, quando vêm ao consultório, que seus filhos, principalmente aqueles menores de 3 anos, já trataram VÁRIOS episódios de “dor de garganta” com antibiótico ou então a famosa frase: “ele só melhora do resfriado depois de tomar uma Benzetacil…”

Então a partir daqui vou fazer nosso famoso jogo dinâmico de perguntas e respostas tentando elucidar um pouco sobre a “dor de garganta”.

 

1) Quem causa a “dor de garganta” e por que você disse que é pouco provável que uma criança com menos de 3 anos tenha a doença?

A “dor de garganta” (amigdalite) que as pessoas costumam dizer é conhecida como Faringite Estreptocóccica, no meio médico. Ou seja, esse nome já indica o seu principal agente causador: o Estreptococo, que é uma bactéria.

Crianças menores de 3 anos, não costumam ter infecção por esse agente, pois não costumam ter receptor, nem carregá-lo em suas faringes (região entre a boca e garganta).

Geralmente, ela acomete crianças e adolescentes entre 5-15 anos de idade.

 

2) Como é possível fazer o diagnóstico, saber então se ela é viral ou bacteriana?

Destaco que a história clínica e os sintomas são primordiais.

FARINGITE VIRAL

Crianças- principalmente as menores de 3 anos de idade- que estejam apresentando febre (geralmente baixa e nos primeiros dias da doença), coriza, congestão nasal, tosse, espirros e “dor de garganta”, possivelmente estão com Faringite viral.

Os agentes possíveis são vários, como os que causam o Resfriado Comum: rinovírus, coronavírus, parainfluenza, vírus sincicial respiratório…

No exame, a garganta costuma estar avermelhada e inchada. Podem existir linfonodos (“ínguas”) palpáveis em todo pescoço.

A criança pode ter diminuição do apetite, abatimento e  estar com muita saliva ou babando muito.

 

viral

 

 

FARINGITE BACTERIANA (AMIGDALITE)

Esta possui uma história típica: febre ALTA, dor de cabeça, barriga e no corpo, mal-estar, vômitos, náuseas e “dor de garganta”.

Veja, que não costumam haver sintomas de Resfriado associados a ela como: coriza, tosse, espirros, obstrução, nasal…

Como já dito, ela costuma acometer crianças mais velhas e adolescentes, entre 5-15 anos de idade.

Ao exame, é comum notar a amígdala vermelha, inchada, com pus- algumas vezes não presente nos primeiros dias da doença- pintinhas no céu da boca e aumento dos gânglios (“ínguas”) no pescoço.

 

amigdalite

 

viral bacte

 

Além disso, alguns estabelecimentos possuem o teste rápido, o qual pode apontar se a infecção é bacteriana ou não.

Os exames de cultura, colhendo amostras da secreção da garganta, geralmente são dispensáveis, já que demoram alguns dias para identificação do agente causador e podem dar resultados falseados.

Os exames de sangue também dificilmente conseguem distinguir se a infecção é viral ou bacteriana.

O médico deve, portanto, associar a histórica clínica, a idade e o exame físico do paciente para diagnosticar corretamente o agente causador da doença.

 

3) Qual o tratamento?

Se estivermos diante de um infecção VIRAL, o tratamento é de suporte com o uso de analgésicos e anti-térmicos, hidratação e, em criança maiores, é possível a aplicação de soluções tópicas (“sprays”) com anestésicos locais para amenizar a dor.

No entanto, se o caso for de infecção BACTERIANA, aí sim o tratamento deve ser feito com antibióticos, geralmente as penicilinas.

A famosa Benzetacil- já em desuso devido à dor local na aplicação e a sua indisponibilidade no mercado- e a Amoxicilina. Em pacientes ALÉRGICOS o uso de outras classes de antibióticos é possível.

O Estreptoco NÃO tem resistência à Amoxicilina e este antibiótico ainda é o de escolha para as amigdalites.

Não se incomode se o tratamento de todo caso de amigdalite do seu filho for feito com a Amoxicilina, porque está realmente correto!!!

 

 

—————————————————–P-A-U-S-A——————————————————-

 

 

VÁ AGORA TOMAR UM CAFÉ, ÁGUA E VOLTE DAQUI 5 MINUTOS OU ATÉ EM OUTRO DIA.

Eu sei que o texto está grande!  Mas esta é uma parte crucial.

4) Qual o tempo de tratamento da Faringite Bacteriana (amigdalite)?

O tempo de tratamento deve ser feito por DEZ DIAS!!!

Mesmo que não seja iniciado o uso de antibiótico ou que se faça o seu uso de forma irregular, normalmente a criança apresenta melhora da “dor de garganta”.

No entanto, cerca de 3% das crianças podem ter complicações futuras gravíssimas de um tratamento feito de forma errada.

Apenas o uso pelo tempo correto pode ERRADICAR o Estreptococo da garganta da criança e evitar uma das principais complicações de uma faringite bacteriana não-tratada ou tratada de forma irregular, que é a FEBRE REUMÁTICA.

 

5) E o que é FEBRE REUMÁTICA???

A febre reumática é uma doença auto-imune, que tem como uma das suas complicações principais, a cardite reumática- doença do coração.

Ainda não se sabe exatamente porque apenas algumas pessoas desenvolvem essa complicação, mas sabe-se que elas já nascem com uma predisposição genética para a doença.

No entanto, ela costuma ocorrer após uma infecção de garganta ou de pele causada pelo Estreptococo, as quais não foram corretamente tratadas.

Sendo imperativo, portanto, que ao se diagnosticar a Faringite Bacteriana (amigdalite), os pais façam o tratamento correto, respeitando o antibiótico e tempos prescritos pelo médico, para que sejam evitadas tais complicações.

Então, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões?

É só deixá-las abaixo ou no página do Facebook da Clinica Gonçalves:  https://www.facebook.com/clinicagoncalvessr/

Nos vemos em breve. Até lá!

 

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

Créditos:

Imagens Retiradas da Internet

Vídeo- Canal Dr. Paulo Mendes Jr – Otorrino em Curitiba (acesso em 10/07/2019)

Vídeos explicando um pouco mais sobre o assunto:

 

 

 

Diarreia? Vamos vencê-la!

diarreia_ e agora_

 

Olá, hoje falaremos sobre as doenças diarreicas.

O que é, como diagnosticá-las e tratá-las. Vamos nessa?

Mas antes…

Um pouco de história…

Segundo à Organização Mundial da Saúde (OMS) ocorreu uma redução drástica na mortalidade infantil causada por diarreia, nos últimos anos.

Para exemplificar, na década de 80, a diarreia ocupava o segundo lugar como causa de mortalidade infantil, sendo responsável por quase 25% dos óbitos.

Entretanto, já em 2005, ela passou para a quarta posição e foi responsável por menos de 5% das mortes, apenas.

 

1) Como sei que meu filho tem diarreia?

A diarreia é definida como o aumento do número de evacuações (mais de três episódios em 24 horas) e/ou alteração da consistência das fezes.

 

2) Até quanto tempo é “normal” meu filho ter diarreia?

A diarreia aquosa aguda costuma ter até 14 dias de duração, embora normalmente não ultrapasse sete dias.

Diferentemente da disenteria, ela não cursa com evacuações com sangue ou muco (pus) e nem persiste por mais de 14 dias, como na diarreia persistente.

 

3) O que causa a diarreia e como posso adquiri-la?

Já ouviu falar na famigerada virose?

Pois bem, a GRANDE MAIORIA dos episódios diarreicos são causados por vírus, como o Rotavírus, o Norovírus,  o Adenovírus, dentre outros.

Nos casos de diarreia com sangue, devemos pensar em infecções bacterianas causadas pela Shigella, Salmonella, vírus da Cólera ou E. coli.

Ainda podem haver episódios diarreicos causados por parasitas ou fungos.

A infecção é transmitida pela secreção das vias aéreas, gotículas, objetos, água e alimentos contaminados, além da via fecal-oral. A lavagem de mãos e higiene é o melhor método de combatê-la.

 

4) Tá certo, mas o governo não dá a vacina contra o Rotavírus. Porque meu filho está com diarreia?

A vacinação contra o Rotavírus no Brasil iniciou-se em 2006, pelo Programa Nacional de Imunizações.

Após esse período, além de uma grande redução nos casos de diarreia grave e, por conseguinte, da mortalidade infantil;  vimos um redução nas hospitalizações por desidratação e outras complicações dessas infecções.

No entanto, como citado, o Rotavírus não é o único agente causador possível.

Além do que, vale lembrar, que a vacina em âmbito particular é pentavalente, enquanto que a pública é monovalente.

 

5) Como é possível fazer o diagnóstico? É necessário colher exames?

O diagnóstico é clínico!

Toda criança com o aumento do número de evacuações e/ou com alteração do padrão das fezes (mais líquidas ou pastosas), sem episódio de sangramento, deve estar com um quadro diarreico agudo e , muito provavelmente, de origem VIRAL.

Desta forma, a coleta de exames faz-se desnecessária, principalmente, nos casos de desidratação leve.

A técnica de PCR para identificação do agente causador só é realizada em caráter de estudo e não é necessária, na totalidade dos casos.

 

6) Além da mudança das fezes, o que mais meu filho pode sentir? Ele pode ter febre?

A resposta é SIM.

Além de febre, a criança pode apresentar náuseas, vômitos, dor no abdome, distensão abdominal, aumento dos gases , redução do apetite e até manchinhas no corpo.

No entanto, deve-se atentar para os sinais de desidratação.

 

7) Quando devo levar meu filho ao Pronto-Socorro?

Os pais devem observar os sinais de desidratação: olhos encovados e sem lágrimas, moleira mais rebaixada, boca sem saliva, diminuição do xixi e hipoatividade.

Observe a tabela abaixo:

planos

Caso o seu filho apresente um sinal de desidratação mais grave (coluna B ou C), você deve levá-lo ao Pronto-Socorro para reidratação.

 

8) Tá certo! Meu filho não possui nenhum sinal de gravidade, mas está apresentando muitos episódios de diarreia. O que posso fazer em casa?

Reitero, que grande parte das diarreias são causadas por vírus. Portanto, o próprio organismo é que precisa “dar conta” da infecção e o uso de antibióticos fica restrito aos casos de disenteria.

Ainda assim, podemos e devemos hidratar a criança com o Soro de Reidratação Oral.

Lembram-se desta colher?

soro

Então, NÃO RECOMENDAMOS mais que seja feito o soro caseiro. Devido aos vários erros de preparação/diluição, hoje temos soluções prontas ou em forma de pó para diluir.

 

A quantidade a ser dada a cada episódio diarreico está descrita na tabela abaixo:

qunatidade

O leite materno deve ser mantido e encorajado.

Todos os líquidos podem e devem ser dados, como água, chá (não adoçado), sucos naturais e água de coco.

No entanto, os refrigerantes e sucos industrializados devem ser evitados. O excesso de açúcar pode piorar a diarreia.

O excesso de alimentos com fibras/bagaço, condimento e gordura também pode piorar o quadro.

Estimule a alimentação mais leve e natural possível.

 

9) E não há mais nada??? O que mais posso fazer?

  • Zinco:  A OMS recomenda a reposição de Zinco, micronutriente envolvido em várias reações enzimáticas do corpo e no crescimento celular, já no início do quadro diarreico podendo ser mantido até a melhora do quadro, cerca de 10-14 dias. Existem “soros” com acréscimo de Zinco e medicações que podem aumentar a oferta dele para a criança e que, assim, reduzem o tempo da diarreia e a chance de recorrência nos próximos três meses da infecção atual.
  • Probióticos: Eles ajudam na restauração da “flora intestinal” e podem reduzir a duração dos episódios diarreicos. Podendo ser ofertados na primeira semana de tratamento.
  • Antieméticos: A OMS não recomendo o uso de antieméticos, medicações para o tratamento dos vômitos, devido à possibilidade de sedação e redução da ingesta de líquidos, o que pode piorar a desidratação. No entanto, a diretriz íbero-latinoamericana e a ESPHGAN acreditam que o uso da ondansetrona pode reduzir o número de vômitos e a chance de internação hospitalar, já que é um antiemético que não produz sedação.
  • Racecadotrila: Medicação muito utilizada em adultos para redução dos episódios diarreicos. Nas crianças, apesar de liberado, seu uso deve ser restrito. Devemos lembrar que apesar de incômoda, a diarreia é um mecanismo de defesa do corpo e que ela deve ser tolerada o máximo possível.

 

10) Tentei tudo isso e meu filho continua tendo muitos episódios diarreicos e não consegue tomar o Soro. O que eu faço?

Caso a criança apresente muitos episódios de diarreia e/ou vômito, não consiga tomar o soro de reidratação oral e apresente sinais de desidratação, você deve procurar o Pronto-Socorro.

sinais de perigo

 

Por fim, apesar de ocorrem muitos episódios de diarreia no verão, é agora no outono/inverno que ocorre a circulação do Rotavírus e de outros vírus responsáveis por este tipo de infecções. Portanto, devemos redobrar os cuidados nesta época do ano.

Espero que tenha ajudado vocês com estas dicas!

Dúvidas ou sugestões? É só deixar abaixo.

Até mais!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Referências:

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)- Diarreia Aguda- Diagnóstico de Tratamento- Março de 2017.

12 de Abril- Dia do Obstetra

12 de abril Dia do Obstetra (3)

 

12 de abril: Dia Do Obstetra

Obstetra é uma palavra que vem do latim obstetrix, do verbo obstare, que significa “ficar ao lado de”. Por isso, o obstetra é o médico que fica do lado para acompanhar e ajudar.

O médico obstetra é um profissional que aconselha e acompanha a mulher antes da gravidez, durante a gestação, durante o parto e também no pós-parto. Assim, o obstetra acompanha a saúde da mãe e do bebê durante todo o processo, ajudando a prevenir e tratar eventuais problemas de saúde para qualquer um dos dois, intervindo quando necessário para preservar a integridade de ambos.

A atuação do obstetra começa bem antes do parto, portanto, toda mulher que deseja engravidar deve procurá-lo o mais cedo possível para que se possa identificar e sanar prováveis riscos à gravidez e à gestante.

Assim que é descoberta a gravidez, iniciam-se as consultas de pré-natal que são, na grande maioria das vezes, consultas preventivas e educativas. Falar e ouvir são as mais importantes funções do obstetra. Durante toda a gravidez são realizados exames laboratoriais e ultrassonografias que visam identificar e tratar doenças que podem trazer prejuízos à saúde da mãe ou da criança. A assistência do pré-natal bem estruturada pode promover a redução dos partos prematuros, de crianças com baixo peso ao nascer, de complicações de hipertensão arterial na gestação, bem como da transmissão vertical de patologias como o HIV, sífilis e as hepatites.

Além disso, é importante perguntar sobre os incômodos comuns da gravidez, como azia, queimação, excesso de saliva, fraqueza, dor abdominal, cólica, corrimento vaginal, hemorroidas, dificuldade para respirar, sangramento das gengivas, dor nas costas, varizes, cãimbras e trabalho durante a gravidez, esclarecendo todas as dúvidas da gestante e oferecendo as soluções necessárias.

A gravidez representa um dos momentos de maior ansiedade e de grandes mudanças na vida da mulher e, um diálogo claro, procurando eliminar suas dúvidas e seus anseios partoé muito importante para o acompanhamento de pré-natal. Procure sempre que possível indicações, principalmente entre os familiares e considere a empatia como um fator importante. Seu obstetra vai ser seu cúmplice, seu amigo, participando de um grande momento da sua vida e da formação da sua família.

Dra. Francine Zacarias Gonçalves- Ginecologista e Obstetra

Março Amarelo

MArço Amarelo

No mês de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e junto a isso é também o Mês de Conscientização da Endometriose. Aproveitando essas datas, chamamos a atenção para os cuidados com a saúde da mulher.

Calcula-se que, em todo o mundo, 176 milhões de mulheres sofram com a endometriose. É como se quase a população inteira do nosso país fosse formada por mulheres com o problema. Apesar de serem muitas as afetadas, conseguir um diagnóstico ainda é um desafio comum à maior parte delas. Um estudo feito nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália calculou em 9,28 anos o tempo que se leva desde o surgimento da doença até o diagnóstico.

Metade desse período (4,67 anos) costuma ser o tempo que a própria paciente leva até buscar ajuda médica. A outra metade geralmente é gasta de médico em médico, de exame em exame, até ser realizado o diagnóstico correto.

1)  O que é endometriose ?

endoPedaços do revestimento do útero (endométrio) migram para fora dele e ficam incrustados em outros tecidos abdominais. Exemplificando melhor: o sangue que deveria ser expelido pela vagina, migra para outras regiões do corpo.

Todo mês, quando o estrogênio e outros hormônios induzem um espessamento do revestimento uterino, essas células externas também se expandem. O revestimento uterino descama normalmente. Entretanto, as células deslocadas não têm um local para liberar o sangue acumulado e, com isso, são gerados cistos, cicatrizes ou aderências.

2) Quais os sintomas da endometriose?

A endometriose pode ser assintomática.

Quando os sintomas aparecem, merecem destaque:

dismenorréia — cólica menstrual que, com a evolução da doença, aumenta de intensidade e pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais;

sangramento menstrual muito intenso, frequentemente com grandes coágulos;

dispareunia — dor durante as relações sexuais;

dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação;

infertilidade.

3) Qual o tratamento da endometriose?

Por se manifestar de diversas maneiras, cada quadro de endometriose deve ser estudado de forma individual para definir a melhor linha de tratamento. A suspeita diagnóstica é, em um primeiro momento, clínica, baseada nos sintomas e no exame físico, que podem encontrar alterações muito sugestivas da doença. Porém, em muitos casos é necessário realizar exames complementares, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética, ambos muito eficazes para identificação e localização das lesões da endometriose.

Na Clínica Gonçalves, oferecemos exames que podem auxiliar no diagnóstico da doença, como as ultrassonografias: pélvica, transvaginal e transvaginal com preparo intestinal.

O tratamento é sempre individualizado, de acordo com as queixas e objetivos de cada mulher, incluindo muitas vezes analgésicos e anti-inflamatórios para a dor, além do uso de hormônios para controlar sintomas e lesões. Alguns casos podem necessitar de intervenção cirúrgica, principalmente quando os medicamentos não atingem controle sintomático suficiente ou na presença de massas pélvicas ou de infertilidade.

Isso mostra a importância de se educar tanto as pacientes quanto os profissionais de saúde sobre os sintomas e os métodos de diagnóstico da endometriose, uma doença que, além de muita dor, pode levar à infertilidade. Se todos estiverem atentos aos sinais dados pela doença, é possível descobri-la muito mais rapidamente, tornando o tratamento muito mais efetivo. Por essa razão, foi criado o mês de conscientização sobre a endometriose.

 

Dra. Francine Z. Gonçalves- Ginecologista e Obstetra

Março Lilás-Atenção ao cuidado do bebê prematuro

Design sem nome

 

Chegou o Março Lilás! Mês de atenção ao cuidado do bebê prematuro!

Atualmente no Brasil, nascem cerca de 3 milhões de crianças por ano, sendo que ao redor de 11% delas são prematuras.

Em São Paulo, nascem por volta de 600 mil crianças anualmente e a proporção de prematuros é idêntica.

Inclusive já temos um dia próprio e específico só para o prematuro que é o dia 17 de Novembro, Dia Mundial do Prematuro e o Novembro Roxo, mês da prematuridade.

 

novembro da prematuridade

 

Além disso, em 2009 foi aprovado o Projeto de lei nº 146, que instituiu o Dia da Atenção ao Cuidado do Bebê Prematuro, comemorado todo o dia 14 de março, no âmbito do Estado de São Paulo.

Mas por que toda essa preocupação???

Além do aumento do número de prematuros em todo o país- crianças que nascem com menos de 37 semanas de idade gestacional-  é necessário um cuidado especial com esta população.

O bebê prematuro necessita de uma equipe treinada e bem capacitada para a sua recepção na sala de parto, após o nascimento, estabilização e encaminhamento à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para a redução da mortalidade e das morbidades inerentes à sua condição.

Quem é o Neonatologista? O que ele faz?

O Neonatologista é o médico formado em Pediatria e que fez a sua especialização em Neonatologia, área da pediatria que visa ao cuidado das crianças prematuras.

É o Neonatologista o profissional mais capacitado para realizar os primeiros cuidados do bebê logo após o nascimento na sala de parto, na UTI e o seu seguimento após a alta hospitalar.

O bebê prematuro possui uma série de particularidades que devem ser supervisionadas:  o crescimento, o desenvolvimento psico-motor, a sua vacinação específica, o desenvolvimento visual, o controle de seu metabolismo ósseo e da anemia… dentre muitas outras características.

Ainda, estas são crianças com fator de risco aumentado para a obesidade, dislipidemia, hipertensão, diabetes e síndrome metabólica.

É preciso do cuidado rigoroso e pormenorizado para que se tornem adultos saudáveis.

 

Qual objetivo da campanha?

No período da campanha, deve-se intensificar a capacitação das equipes multiprofissionais, constituídas por neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoterapeutas, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, na prestação dos cuidados especializados que o bebê prematuro e sua família necessitam, não só durante a internação, mas também durante o acompanhamento após a alta hospitalar.

Temos que alertar não só os profissionais que cuidam deste bebês, mas também toda a sociedade sobe a importância e a necessidade deste cuidado específico feito pelo Neonatologista.

Feliz 14 de Março! Parabéns a todos bebês prematuros e aos papais e mamães que cuidam deles!

 

Dr. Vinicius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Fonte : Sociedade de Pediatria de São Paulo. http://www.spsp.org.br/2019/02/28/campanha-marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/- acesso em 14/03/19

 

 

 

 

 

Meningite ACWY?!?

Dive Into the Ocean

Olá! Hoje falaremos sobre um tema que tem preocupado muitos pais nos últimos dias, a meningite.

1) Mas enfim, o que é Meningite?

A meningite é uma doença infecciosa que acomete a meninge, que é a membrana que reveste todo o sistema nervoso- o cérebro e a medula espinhal.

384-meningite-e-a-inflamacao-das-meninges

 

2) Quem causa a Meningite?

A meningite pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e outros parasitas. Os vírus são os principais agentes causadores de meningite, no entanto devido à elevada mortalidade e morbidade, as infecções bacterianas ganham grande destaque, além da possibilidade de prevenção com as vacinas.

As principais bactérias que causam a meningite são o Meningococo, o Pneumococo e o Hemófilos do Tipo B, principalmente em crianças maiores de 3 meses de idades.

O Meningococo possui 12 sorogrupos (subtipos), mas destacamos os: C, B, W-135, Y e A.

3) Quem são os grupos de risco para a doença?

Em crianças, os menores de 5 anos, em especial os menores de 1 ano de idade, e adolescentes entre 15 e 24 anos.

Além de idosos, gestantes e pessoas com doenças que reduzam a imunidade, como transplantados, pessoas que fazem uso crônico de corticoides, diabéticos graves e indivíduos com AIDS.

4) Como posso pegar a meningite?

A transmissão da meningite é de pessoa a pessoa, por via respiratória, através de gotículas e secreções do nariz e garganta, ao tossir, falar ou espirrar havendo necessidade de contato íntimo e PROLONGADO.

Cerca de 50% da população pode ser portador deste patógeno em algum momento da vida. A infecção se inicia pela colonização da nasofaringe e a partir deste evento se dissemina pela corrente sanguínea. Os fatores que fazem com que ocorra a invasão da corrente sanguínea e consequentemente a doença clinica incluem algumas inter-relações como predisposição genética, estado clinico do hospedeiro, condições ambientais e virulência da bactéria.

5) Quais os sintomas da meningite?

O quadro clínico apresenta um espectro variado, dependendo da idade e duração da doença.

O diagnóstico nos bebês é baseado na suspeita clínica diante de um quadro inespecífico, como febre e irritabilidade. Manifestações como hipotermia, letargia ou hipoatividade, recusa alimentar, vômitos, diarreia, dificuldade respiratória, fontanela abaulada, convulsões e alterações do nível de consciência fazem parte do diagnóstico clínico.

Em crianças maiores ocorre febre, prostração, anorexia, fotofobia, cefaleia, vômitos, convulsões, alterações do nível de consciência. Sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca e dor lombar, podem estar presentes.

O quadro mais insidioso de febre por alguns dias, sintomas respiratórios ou gastrointestinais inespecíficos, letargia e irritabilidade é menos comum.

6) O governo não dá vacina contra a meningite, por isso estão acontecendo estas infecções atualmente, é verdade?

MENTIRA!

Em 1999, foi iniciada a vacina contra o Hemófilos do Tipo B, o que praticamente erradicou a meningite por este agente no Brasil. Atualmente, a vacina é dada aos 2, 4 e 6 meses de idade, estando incluída na Vacina Pentavalente pública e particular, além da Hexavalente particular.

No ano de 2010 iniciou-se a vacinação contra o Pneumococo e o Meningococo do Tipo C, no Brasil. O que reduziu drasticamente o número de casos da doença no país.

7) Então por que ainda temos casos de meningite no Brasil?

A partir da introdução da vacina contra o Meningo C no calendário público , no ano de 2010, observamos uma grande redução dos casos de meningite bacteriana por este agente, isto por outro lado, fez com ocorresse uma seleção e um aumento do número de casos de infecção pelo Meningococo do Tipo B.

Hoje temos o Meningo B como principal agente causador das meningites bacterianas, seguido pelo Meningo C, W-135 e Y.

meningo]

 

8) Certo! Não entendo nada dessa sopa de letrinhas ACWXYZKJ… Quais vacinas posso fazer para meu filho, no âmbito particular?

 

  • Hemófilos do Tipo B (Hib)

O governo dá 3 doses de vacina contra o hemófilos: com 2,4 e 6 meses de idade, estando inclusa na vacina Pentavalente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam um reforço para todas as crianças com 15 meses de idade, não fornecido pelo calendário público.

A vacina Pentavalente (particular) e Hexavalente (particular) também conferem proteção contra o Hemófilos do tipo B.

 

  • Pneumococo

Pelo calendário público é fornecida a Vacina Pneumo 10 (PNM 10) , a qual fornece proteção contra 10 tipos de pneumococo que podem provocar pneumonia, otites, sinusites e meningite .

Em 2016, foi retirada a dose de 6 meses; portanto atualmente as crianças recebem duas doses da vacina com 2 e 4 meses e um reforço, após 1 ano de idade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam 3 doses da vacina (com 2, 4 e 6 meses) e um reforço após um ano, preferivelmente com a vacina 13 valente – disponível apenas em clínicas privadas.

Aquelas crianças que completaram o esquema todo de vacinação com a vacina 10- valente (pública), podem receber um reforço posteriormente com a vacina 13 valente , até os cinco anos de idade.

Existe uma vacina 23-valente, que pode ser dada em crianças maiores de 2 anos de idade, mas com indicações precisas.

 

  • Meningococo

 

Meningococo C

Vacina fornecida pelo governo aos 3 e 5 meses de idade com um reforço após 1 ano de vida.

Há um ano a vacinação de adolescentes entre 11 a 14 anos também foi iniciada pelo programa nacional de imunizações.

 

Meningococo B

A vacina contra o Meningococo B- hoje o principal agente que causa a meningite no Brasil- só está disponível em caráter privado.

A vacina conhecida como Bexsero, está liberada a partir dos 2 meses de idade. O número de doses depende da idade do início do esquema vacinal.

Em fevereiro deste ano, está chegando uma nova vacina contra o Meningo B- a Trumenba. Ela será indicada para pessoas entre 10 e 25 anos de idade.

 

Meningococo ACWY

Existem quatro tipos de vacina ACWY disponíveis no Brasil, sendo as mais conhecidas a Menveo e a Nimenrix.

Cada uma tem um esquema de aplicação, dependendo da idade do início do esquema vacinal- conforme o quadro abaixo.

acwy

Se optado pela realização desta vacina, a criança não necessitará da vacina Meningo C fornecida pelo posto de saúde.

 

9) Doutor, eu já dei a vacina do Posto de Saúde, a Meningo C, para o meu filho e quero dar a ACWY. Ele pode tomar? Tenho que dar o esquema todo novamente?

A resposta da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Não existem dados de estudos sobre intercambialidade entre as diferentes vacinas meningocócicas conjugadas ACWY nas doses realizadas na primovacinação. Entretanto, se houver necessidade de intercambiá-las, quando não se conhece o produto utilizado na dose anterior ou não se dispõe do mesmo, deve-se adotar o esquema com maior número de doses. Crianças e adolescentes vacinados com a vacina MenC podem se beneficiar com o uso da MenACWY, com o objetivo de ampliar a proteção, respeitando-se um intervalo mínimo de um mês da última MenC

Sendo assim, o mais adequado seria vacinar a criança novamente, respeitando o número de doses fornecidas pelo fabricante, como se a criança não tivesse recebido nenhuma vacina antes.

 

Espero que tenha solucionado as dúvidas de vocês.

Caso ainda restem questões não abordadas e/ou mais dúvidas é só deixá-las aqui abaixo.

Nos vemos no próximo mês, até lá!

 

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

Fontes:

Epidemiologia da Infecção Meningocócica- Prof. Dr Eitan Naaman Berezin- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningites- Sociedade Brasileira de Infectologia- Acesso em 08/03/19- https://www.infectologia.org.br/pg/962/meningites

Vacinas Meningocócicas Conjugadas no Brasil em 2018: Intercambialidade e diferentes esquemas de doses. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES- Departamento Científico de Imunizações- Nota Técnica

Calendário Vacinal de 2018- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningite Bacteriana Aguda – Revista de Pediatria SOPERJ – v. 13, no 2, p72-76 dez 2012

Secretaria da Saúde o Estado de São Paulo- Dados epidemiológicos- acesso em 08/03/2019– http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/meningites/dados/doenca_meningococica.pdf