Blog

Febre do dente- Verdade ou Mito?

Olá, como estão vocês? Espero que bem.

Hoje responderemos a mais esta questão: “Febre do dente: Verdade ou Mito?”

Mas antes de falar sobre isso, se você tem dúvidas de como é o nascimento dos dentes dos bebês e quando ele deveria ocorrer, recomendo que veja esta publicação do site:

https://clinicagoncalves.com/2017/06/07/primeiro-post-do-blog/

Para responder a esta questão, usei como base um dos maiores estudos já feito sobre o assunto, uma Meta-análise, que é um conjunto de vários estudos, publicado na Revista Pediatrics em Março de 2016: “Sinais e sintomas da erupção primária dos dentes: uma meta-análise” (link no final deste artigo).

Nele, é pontuado que junto com o surgimento dos dentes os pais citam como sintomas:

  • Inflamação da gengiva
  • Vermelhidão
  • Redução do apetite
  • Aumento da salivação
  • Problemas com o sono
  • Diarreia
  • Vômitos
  • FEBRE

Bem, e no estudo eles foram medir a temperatura destas crianças que estavam em pleno período de erupção dos dentes e descobriram que:

Na imensa maioria dos estudos, a temperatura dos bebês, nos dias que antecediam o nascimento dos dentes, oscilava entre 36,3 a 36,9°C e, no dia exato da erupção dos dentes, entre 36,2 a 37°C.

Portanto, a resposta para a nossa pergunta é: NÃO!

O nascimento dos dentes NÃO provoca febre.

Ele pode provocar elevação da temperatura do corpo, mas não a febre propriamente dita.

Mas doutor, eu juro que quando os dentes do meu bebê estão para nascer, ele tem febre, saliva mais, tem diarreia, tosse e escorre o nariz. O que pode estar acontecendo então?

O estudo também explica isso, assim como a Sociedade de Pediatria (link abaixo).

Justamente, no período em que os dentes vão nascer, as crianças estão em plena fase oral.

Levando objetos à boca, descobrindo o mundo com a boca. E não devemos barrar este processo importantíssimo.

Além disso, esta fase costuma coincidir com a introdução alimentar e com a maior exposição dos bebês a outras crianças/início da creche.

E, é justamente por isso, que ocorre o aumento das infecções respiratórias e gastrointestinais, que cursam com febre, vômitos, diarreias, coriza e tosse.

Ainda, por volta dos 5 ou 6 meses, as glândulas salivares aumentam a sua produção e tornam as suas secreções mais volumosas e espessas, o que justifica aquela “babação” característica da fase.

Por fim, assim que surgirem os dentes, já se recomenda o acompanhamento com o Odontologista Pediátrico, para o início das orientações, cuidados com os dentinhos e até mesmo para a criança já se acostumar com o ambiente do consultório do dentista.

Por hoje é só!

Espero que tenha elucidado mais esta questão.

Nos vemos, em breve.

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Artigo Pediatrics: https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/137/3/e20153501.full.pdf

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2016/03/17/febre-alta-em-bebes-nao-deve-ser-atribuida-ao-nascimento-dos-dentes.htm

FOUSP na mídia: Nascimento dos dentes do bebê causa febre?

Estou amamentando. Posso tomar a vacina contra o Coronavírus? E meu filho?

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje responderemos a pergunta de um milhão de dólares:

“Quem pode tomar a vacina contra o Coronavírus?”

Gestantes? Mulheres que estão amamentando? Crianças?

Mas antes de responder a essas perguntas, vamos entender um pouco mais sobre as vacinas?

  1. Quais vacinas temos disponíveis, no momento, no Brasil?

No momento, temos disponíveis duas principais vacinas: Coronavac– Butantã (China) e Oxford-Astrazeneca-Fiocruz (Reino Unido).

A ideia do Ministério da Saúde é de que, até o final de 2021, 354 milhões de doses tenham sido aplicadas da seguinte forma:

  • Vacina Oxford-Astrazeneca-Fiocruz: 214 milhões de doses. Cerca de metade delas será produzida parcialmente no Brasil e distribuída até o final de Julho. Enquanto que, a outra metade, será produzida TOTALMENTE no nosso país e, então, distribuída até o final do ano.
  • Vacina Coronavac-Butantã: 100 milhões de doses em parceria com o Instituto Butantã.
  • Vacina consórcio Covax-Facility: 42,5 milhões de doses em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

2. As vacinas são seguras?

Como demonstrado a seguir, ambas vacinas, Oxford e Coronavac, estão na Fase III de desenvolvimento.

E o que isso quer dizer?

Bem, que elas já estão em fase avançada da pesquisa clínica.

Ao todo, são quatro fases.

E, na atual fase, a vacina está sendo aplicada em milhares de pessoas para a confirmação de sua eficácia e segurança.

A última fase (quarta fase), conhecida como farmacovigilância, se dá após estudos de grande porte em médio ou longo prazo.

Mas o principal a dizer é que as vacinas sim, SÃO SEGURAS!

Nenhuma delas são vacinas de vírus vivos atenuados, ou seja, que contém o vírus com potencial de replicação (reprodução).

A Coronavac é uma vacina INATIVADA, ou seja, sem capacidade de replicação (reprodução dos vírus).

Já a vacina de Oxford, é uma vacina com vetor viral.

Vou explicar…

Ela contém uma proteína do novo Coronavírus (Sars-Cov-2) associada a um vetor viral (vírus) humano ou de Chimpanzé, o qual não causa a doença, mas que induzirá a produção de anticorpos.

Em outras palavras, comportando-se como uma vacina de vírus inativada.

3. Qual a eficácia das vacinas?

Coronavac: Eficácia para forma leves de doença foi de 77,96% e Eficácia Total, no Brasil, foi de 50,39%

Oxford: Eficácia total de 70,42% em estudo do Brasil, Reino Unido e África do Sul.

4. Quem pode tomar as vacinas? Gestantes? Lactantes (mulheres que estão amamentando)? Crianças?

Vamos então responder a pergunta para cada um dos grupos citados:

  • Gestantes

A segurança e eficácia neste grupo de pessoas NÃO FOI TESTADA (Categoria B).

No entanto, em estudos animais não se demonstrou risco aumentado para malformações.

Mulheres que foram vacinadas inadvertidamente nestas condições devem ser tranquilizadas e encaminhadas ao acompanhamento pré-natal convencional.

Deve haver notificação no sistema online de notificação do SUS, como erro de imunização. Eventos adversos com a mãe, feto ou recém-nascido até os 6 meses de idade deverá ser notificado.

A decisão final, riscos e benefícios deve ser tomada com a paciente e o seu médico.

  • Lactantes (mulheres que estão amamentando) ou Puérperas

Grupo prioritário, e como tal, DEVEM ser vacinadas normalmente com qualquer uma das vacinas.

Lembrando que as vacinas aqui disponíveis são ou se comportam como vacinas INATIVADAS, ou seja, não tem potencial de causar a doença e nem passá-la ao bebê ao amamentar.

Soma-se ainda, o fato de que mães infectadas pelo novo Coronavírus devem CONTINUAR amamentando com os devidos cuidados (lavagem de mãos e uso de máscaras), visto que até o momento não há comprovação de passagem do vírus pelo leite materno.

  • Crianças

NÃO DEVEM SER VACINADAS AINDA!

Os estudos já estão em andamento.

Na China, a Coronavac está sendo estudada desde Outubro de 2020 em crianças de 3 a 17 anos e está em Fase I/II.

Já no Reino Unido, a vacina de Oxford vem sendo testada em crianças de 5 a 12 anos.

Até os resultados finais, a recomendação atual é a de não vacinar as crianças.

Lembrando que apesar disso, a IMENSA maioria das crianças são assintomáticas e/ou pouco sintomáticas com a doença e a porcentagem de complicação neste grupo etário, que vai dos 0 a 19 anos, é de APENAS 1%!!!

Por hoje é só!

Se tivermos novidades das vacinas, voltaremos em breve com mais atualizações.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Vacinas Covid-19- Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Guia Prático de Atualização
Departamento Científico de Imunizações (27 de Janeiro de 2021).

Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908f-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

O medo da febre

Olá!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou falar sobre um tema que deixa todos os pais de cabelo em pé: a febre nos pequenos.

  1. O que é febre?

A febre é uma reação do nosso corpo a uma agressão que pode ser física, química ou biológica.

Quando estamos com febre, o aumento da temperatura corpórea faz com a nossa resposta imune seja aumentada, acelerando as reações enzimáticas e, por fim, as nossas defesas.

Gosto de fazer um paralelo a um acelerador de um carro. Quanto mais a gente pisa no pedal do acelerador, mais o motor responde e mais velocidade o carro adquire.

No entanto, existe um ponto ótimo, que se ultrapassado, o carro não adquirirá mais velocidade e só trará mais desgaste ao motor, aumentando seu consumo e , veja só, a sua temperatura por conseguinte.

2. A partir de que valor eu posso considerar que meu filho está com febre?

Primeiro é importante pontuar que o corpo sofre alterações de temperatura ao longo do dia.

Na madrugada e pela manhã, a temperatura corpórea é menor, podendo variar cerca de até 1ºC em relação ao final da tarde.

A atividade física, o uso de muitas roupas e a pouca ventilação no ambiente também pode influenciar neste valores.

A temperatura axilar dita normal varia dos 36,5ºC até 37,2ºC.

Consideramos febre, portanto, a temperatura axilar maior que 37,8ºC ou a temperatura retal acima de 38ºC.

3. Posso considerar febre só medindo a temperatura com as mãos?

Dois estudos ( Bancoe Veltri e Eyzaguirre et al.) demonstraram que SIM, as mães quando mediam a temperatura de seus filhos com as mãos diagnosticavam a febre precisamente.

Entretanto, é importante aferir e documentar os picos febris dos pequenos, com o uso do termômetro, para ajudar na investigação de um possível quadro infeccioso pelo médico.

4. E os termômetros de infravermelho? Eles são confiáveis?

Como dito acima, cada parte do corpo possui um temperatura considerada “normal”.

A temperatura da boca e do tímpano são aproximadamente 0,5ºC mais elevadas do que a axilar. Esta por sua vez, é chega a ter 0,8 a 1,0ºC de diferença da temperatura retal.

Então todo cuidado é pouco com os novos dispositivos.

Na dúvida meça mais de uma vez, ou melhor ainda, recorra ao bom e velho termômetro axilar.

5. Acho que estou entendendo!!! Então, se meu filho apresentar temperatura acima de 37,8ºC, isto significa que ele está com febre e então eu devo medicá-lo o quanto antes?

A resposta é um categórico NÃO!

Vamos nos lembrar que a febre é um mecanismo do corpo para ajudar na nossa defesa.

Desta forma não existe um número mágico para o uso do anti-térmico.

Antes disso, você pode desagasalhá-lo, ofertar líquidos (leite materno, água, chás e sucos), levá-lo para um ambiente mais arejado, dar um banho morno nele e voltar a medir a temperatura após 30 minutos.

Muitas vezes, apenas isto já ajuda.

Além do que, se ele estiver com 37,8ºC e bem, ativo, brincando, não há motivo para preocupação.

Devemos medicar apenas se ele apresentar febre e algum desconforto associado.

6. Mas se ele ficar com febre alta, não corre o risco de convulsionar?

Neste ponto, existe um mantra que sempre repito: “convulsiona quem pode, não quem quer”.

Vou explicar!

A Convulsão Febril acontece em crianças com predisposição genética e dos 6 meses aos 5 anos de idade.

Geralmente existe uma história positiva de pais ou de irmãos com convulsão febril também.

E, mais importante do que a temperatura máxima atingida, é a velocidade de ascensão da temperatura.

Sendo assim, existem crianças com quase 40 graus de febre e que não convulsionam e aquelas que com 38ºC apresentam um episódio convulsivo devido à ascensão rápida da temperatura- não nos esqueçamos da predisposição genética.

7. Tá certo, doutor. Mas então após eu controlar a febre, devo ir direto para o Pronto-Socorro não é mesmo?

Depende!

Em crianças com mais de 3 meses é sempre razoável, aguardar por até 72 horas do primeiro pico febril para uma avaliação médica. Isso é claro, caso o quadro não seja acompanhado de alteração do estado geral, irritabilidade, sonolência, falta de apetite grave, cansaço..

É sempre importante pontuar que durante o episódio febril, a criança costuma ficar abatida, com a respiração mais rápida, com os batimentos do coração acelerados e que a melhora após o uso de anti-térmico é um bom sinal.

Como muitas vezes a febre está relacionada a um episódio infeccioso, é NORMAL a redução do apetite.

Muitas crianças aceitam apenas o leite materno ou comidas mais pastosas e em pouca quantidade; e está tudo bem. Vamos respeitar essa condição! Nós mesmos não nos alimentamos muito quando estamos doentes e isso não é diferente com a criança.

Entre 20-30% das consultas em pediatria nos Pronto-Socorros são por queixas relacionadas à febre. No entanto, se a criança não possui nenhum sinal de gravidade, é maior de 3 meses (com o calendário vacinal atualizado) e está apresentando febre há menos de 3 dias é possível aguardar em casa!

8. Mas por que você diz que se meu filho tem mais de 3 meses e só está com febre eu devo aguardar em casa e não ser avaliado por um médico prontamente?

Geralmente grande parte das doenças virais cursam com febre por 3 dias. Neste intervalo de tempo, os picos febris tendem a se afastar e a amenizar, o que indica que o corpo está dando conta da doença.

Além disso, antes de 3 dias, muitas vezes a criança não apresenta outros sintomas e no exame físico médico e até laboratorial não é possível identificar o motivo da febre.

Obviamente que existem exceções, doenças virais como o Exantema Súbito (Roséola), que cursam com febre alta e por mais tempo…

No entanto, insisto que se seu filho estiver bem, com febre e mais nenhum sinal de gravidade, que você aguarde cerca de 3 dias medicando-o em casa. Conduta que já era orientada por todo pediatra, mas que com a Pandemia atual se intensificou.

Por outro lado, se o seu filho for menor de 3 meses ou se apresentar algum sinal de gravidade leve-o prontamente para o seu pediatra.

Existem protocolos mundiais para a investigação da doença febril e, em crianças menores (menores de 3 meses) e/ou com sintomas de gravidade, o médico deverá ser mais incisivo na investigação nestes casos.

Já, as crianças maiores de 3 meses possuem uma imunidade maior e, inclusive, receberam vacinas contra grande parte das bactérias que podem causar doenças invasivas graves.

Por fim, vou parafrasear as orientações do Dr. Jayme Murahovschi, o Decálogo da criança febril:

  1. Se a criança está com febre e bem, há uma grande chance de se tratar de uma infecção viral (cerca de 90%). A cada nova infecção a criança cria imunidade (anticorpos) e é por isso que quanto mais velha a criança, menos episódios febris. O corpo vai se especializando com o tempo e se tornando cada vez mais eficaz no combate às infecções. Caso seu filho persista com febre, há uma chance de ser uma infecção bacterina não grave (otite, amigdalite) que se resolverá com o antibiótico adequado após 48-72h.

2. Utilize roupas leves, ambiente ventilado. Evite exposição solar exagerada e deixa a criança o “mais livre possível”.

3. Ofereça líquidos com frequência.

4. É normal a redução do apetite num episódio infeccioso. Seja mais tolerante se seu filho não quiser comer tanto. Tente ofertar aquilo que o agrada mais, evitando as guloseimas.

5. A febre é um mecanismo de defesa. Tenha tranquilidade.

6. Dessa forma pondere o uso do antitérmico. Não é necessário ficar medicando de horário, exceto se seu filho apresentar sintomas associados à febre. Se ele estiver bem e brincando, tente as medidas não farmacológicas.

7. É importante aferir a febre e os picos febris. Mas não é necessário fazer essa mensuração constantemente, logo após a tomada do antitérmico, por exemplo.

8. Opte por aquela medicação que a criança tolera melhor. Evite hipermedicar e associar vários antitérmicos ao mesmo tempo. O intervalo de ação deles é de 4-6h e dos anti-inflamatórios de até 8-12h, tendo início de ação cerca de 1h após a ingesta.

9. Banho e compressas são aceitáveis, quando isso for do agrado da criança e não trouxer transtornos para a família. Sempre mornos, nunca frios.

10. Observe os sinais de alerta: febre acima de 39,4 ºC com tremores de frio, abatimento acentuado ou forte indisposição (sonolência e irritabilidade, choro inconsolável ou choramingas, gemência) que não melhoram após o efeito da dose de antitérmico; aparecimento de sintomas diferentes; febre que ultrapassa três dias completos. A consulta médica nestes casos é insubstituível.

Bem, por hoje é só.

Nos vemos em breve. Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Febre: Cuidado com a Febrefobia– Sociedade Brasileira de Pediatria- link: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia

A criança com febre no consultório– J. Pediatr. (Rio J.) vol.79  suppl.1 Porto Alegre May/June 2003- Link: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000700007

Você que não foi

O Dr. José Francisco Gonçalves Filho ou, apenas Dr. Francisco, nasceu em Rincão em 23 de Julho de 1955. Primogênito de uma família humilde com mais três irmãos, passou grande parte da infância e adolescência na cidade de Terra Roxa, interior de São Paulo.

Como todo menino naquela época, que morava no interior, se entretia com atividades rurais na fazenda de seu avô.

Tinha o sonho de se tornar médico e, quando completou a maioridade, prestou vestibular para as principais faculdades do Estado.

Como não havia internet naquele tempo e as notícias literalmente chegavam à cavalo, ficou sabendo por um conhecido, que havia passado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Sorocaba. Seu nome havia aparecido no jornal e ele nem tinha ido checar.

Um misto de alegria e tristeza o consumiu, visto que a sua família não teria condições de arcar com os custos de uma faculdade de medicina. No entanto, o seu pai, o Sr. José Francisco Gonçalves, foi o primeiro a incentivá-lo e sem pestanejar setenciou: “Filho, você VAI fazer a faculdade. Tudo se dá um jeito”.

Talvez foi dele e a partir daí que a alma arrojada, investidora e corajosa se aflorou e ele aceitou e decidiu ir para Sorocaba realizar seu sonho.

Vale dizer, que na época, já conhecia aquela que se tornaria a sua esposa e fiel companheira incondicional, a Sra. Vilma.

Foram momentos de dificuldade e ao mesmo tempo de muito aprendizado e alegrias.

Ele contava com muito orgulho e comicidade os perrengues literais que passava na sua famosa República Computação 7, a qual dividia quartos e dívidas com outros colegas que foram seus amigos por toda a vida. Já nessa época, tinha a postura de líder e organizava as contas da casa e até a miligramagem de cada bife consumido no almoço.

Mas a vida é cheia de altos e baixos para todos…

No quarto dos seis anos de faculdade, seu pai faleceu. E ele teve que assumir toda a responsabilidade de filho mais velho da família e da sua nova família em formação.

Ele poderia ter desistido de tudo. Mas não! Estudou, trabalhou ainda mais, dava plantões (naquela época isso era possível antes de finalizar a faculdade) e ministrava aulas num cursinho pré-vestibular, fato que o fez ganhar o apelido carinhoso de “Professor”, para conseguir ajudar a sua família e pagar as suas contas, como a faculdade mesmo, a qual foi quitada só posteriormente numa espécie de FIES da época.

E assim foi. Sem medo de trabalho e estudo, ele seguiu e fez seu reinado.

Trabalhou em vários Hospitais e cidades vizinhas. E o destino fê-lo criar raiz em São Roque, uma cidadezinha do interior, próxima de Sorocaba.

Começou a trabalhar na Santa Casa de São Roque. Abriu seu primeiro consultório. E cresceu, cresceu… Mudou algumas vezes de consultório, sempre com a ideia de expandir e melhorar. Ajudou e estava junto na fundação da Unimed São Roque.

NUNCA parou de estudar, o nosso Professor.

Imagine que quando se formou, não havia ainda muita tecnologia e conhecimento sobre diagnósticos por imagem. E lá foi ele, estudar e conseguir o Título de Especialista em Ultrassonografia. Mas não parou por aí, continuou aprendendo, fez cursos em outras estados e chegou a ir a outros países para aprender e comprar seus instrumentais de cirurgia por vídeo, sendo pioneiro na região.

Com outros colegas, constituiu a Clínica Médica Santa Isabel, uma policlínica que é vizinha à Santa Casa. E, ainda, fez sua morada na mesma rua. Não posso deixar de dizer, que também lá foi líder, e era ele que organizava as finanças de toda a clínica. Ele literalmente colocava a mão na massa e para toda e qualquer melhoria ou reforma, lá estava ele, ajudando inclusive na pintura das paredes.

Aficionado por trabalho, nunca deixava um paciente ou colega na mão. E se dispunha, o horário que fosse, a sair da sua casa ou consultório e ir ao Hospital ajudá-los.

Mas, como diz a Bíblia em Mateus 7:17 “toda árvore boa, produz bons frutos…”. E, não poderia ser diferente, a sua filha Dra. Francine, também médica Ginecologista e Obstetra, voltara à São Roque e iniciaria sua carreira ao lado do pai.

Inicialmente, uma sala foi alugada e ela começou seus atendimentos também na Clínica Médica Santa Isabel.

Mas o espírito empreendedor e visionário do Dr. Francisco era insaciável.

Sabendo que seu filho, Dr. Vinícius, médico Pediatra e Neonatologista, também estaria voltando em pouco tempo à sua cidade natal, resolveu fundar uma Clínica só para a família.

E, assim nasceu, em 5 de Outubro de 2017, a Clínica Gonçalves.

Como a vida é cheia de ciclos e os ciclos sem completam e se encontram, essa foi fundada justamente na mesma morada da família citada há pouco.

Bem, e o restante da história vocês já conhecem…

Doutor José Francisco Gonçalves Filho.

Você que não foi apenas médico, mas avô, pai e conselheiro de muitas pacientes e o responsável por gerações de muitas famílias;

Você que não foi apenas marido, mas fiel, conselheiro, amoroso e porto seguro;

Você que não foi apenas pai, mas guia, inspiração, motivador, exemplo;

Você que não foi apenas avô, Vô Quico, mas a luz dos olhos do nosso fiozinho de cobre, a pessoa que ele mais gostava e que tinha um elo inexplicável, de alma talvez;

Você que não foi…

Você que não foi e que nunca irá.

Que sempre vive e viverá em nossos corações.

Vamos tentar fazer ao menos um quinquagésimo de tudo que fez e manteremos os seus sonhos e planos aqui presentes.

Você que não foi,

Até breve!

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Está na hora?

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje irei falar sobre como realizar o processo de desfralde do seu filho.

Quando a criança está pronta? Quando começar? Como que é o passo-a-passo? O que fazer caso tudo dê errado? Penico ou vaso sanitário???

Falaremos de tudo isso, já! Vamos lá?

  1. Quando devo começar o desfralde?

Bem, antes de falar sobre isso, é importante pontuar que a idade média de desfralde aumentou nos últimos anos em todo mundo. Atualmente, ela está entre 2 anos e 3 anos e 3 meses. Isso se deve , sobretudo, ao fato de que os pais têm cada vez menos tempo para passar com os filhos, em virtude do trabalho.

No Brasil, a média é de 2 anos e 3 meses. Sendo que o processo todo pode durar entre 6 meses e 1 ano. As meninas, geralmente, desfraldam antes dos meninos.

É importante pontuar que crianças mais constipadas (ressecadas) ou aquelas que iniciam o treinamento precoce, antes dos dois anos, ou de forma tardia, após os três anos de idade, podem apresentar mais dificuldade para o processo.

2. Quando sei que o meu filho está pronto para o desfralde? Qual a idade ideal?

Grande parte das crianças, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado, estarão aptas a saírem das fraldas entre os 2 e 3 anos de idade.

No entanto, A IDADE NÃO DEVE SER LEVADA EXCLUSIVAMENTE EM CONSIDERAÇÃO PARA SE PENSAR NO DESFRALDE.

Já ouviram falar em “sinais de prontidão”?

Os “sinais de prontidão” são indícios que seu filho vai lhe fornecendo para demonstrar que ele está apto ao desfralde.

Cito alguns deles a seguir:

  • Imitar os pais ou atividades que eles façam
  • Demonstrar interesse em pessoas que estejam utilizando o banheiro
  • Conseguir puxar ou tirar peças de roupas
  • Ter o desejo de tirar ou se incomodar com a fralda molhada/suja
  • Estar falando e/ou formando frases simples
  • Usar palavras que se refiram ao processo como “xixi”, “pipi”, “cocô”…
  • Usar palavras, expressões faciais ou gestos que indiquem que a criança esteja urinando ou evacuando
  • Dizer que está “fazendo xixi” no momento exato que está urinando- identificando corretamente o que está acontecendo
  • Ficar seco por mais de duas horas no dia
  • Conseguir se concentrar em atividades (brincadeiras) por mais de 5 minutos
  • Obedecer a comando simples
  • Conseguir ficar no penico ou vaso sanitário por mais de 3-5 minutos

3. Vamos começar então (Abordagem Orientada)?

A abordagem orientada pelos pais deve ser iniciada somente após a percepção dos sinais de prontidão.

Aqui sempre reforço o cuidado nesse processo para evitar o uso de expressões pejorativas, de nojo, insatisfação ou reforço negativo.

Uma repreensão por falha pode atrapalhar todo o processo de desfralde e , literalmente, traumatizar a criança.

Como, em todo o processo de aprendizado, ele deve ser acompanhado de reforços positivos, elogios repetidos.

Evite, ou na verdade, não utilize doces ou presentes para compensar um acerto.

Os pais precisarão de tempo e compreensão nesta etapa, que deve ser evitada num momento de estresse ou transição na rotina da criança, como o nascimento de um irmãozinho, falecimento de ente querido, mudança de rotina ou início de escola/creche.

Inclusive, se o desfralde for iniciado na casa, ele deve ser apoiado e continuado na escola/creche.

4. Penico ou vaso sanitário?

Foto 1

Quem nunca viu ou não tem uma foto dessa quando criança?

Linda não é mesmo?!?

Mas está TUDO ERRADO!!!

Então seria melhor usar um penico?

Foto 2

Na realidade, tanto faz. Os pais é que devem fazer a escolha.

No entanto, ambas as Fotos 1 e 2 mostram escolhas inadequadas.

Independente de ser o vaso sanitário ou o penico, a criança deve ter um apoio para os pés. Isto estabiliza a pelve e faz com que a criança consiga aumentar e direcionar a força no abdome para conseguir fazer suas necessidades.

Penico

Foto 3

O penico deve ser escolhido e comprado junto com a criança, justamente para despertar o seu interesse.

Os pais podem e devem deixá-lo no ambiente como parte de seus brinquedos, para que ela possa inicialmente se familiarizar e usá-lo de forma lúdica (usando-o com roupa, imitando o ato de urinar ou evacuar).

NUNCA force a criança a ficar no penico!

Deixe que ela sinta interesse.

Inicialmente tire a fralda logo após as suas necessidades no penico ou deposite as fezes lá dentro para demonstrar que este é o local correto.

Após, crie rotinas.

Coloque a criança para sentar no penico logo após acordar, depois das refeições ou antes de dormir, por um curto intervalo de tempo, e elogie caso a criança faça xixi ou cocô no penico.

Após uma semana de “acertos”, o desfralde pode ser realizado no período da manhã.

É importante salientar que escapes certamente ocorrerão e que eles são absolutamente normais!!! Novamente, sempre faça elogios e não dê reforços negativos.

O penico dá mais autonomia para a criança (livre acesso). Além do que, algumas crianças podem se sentir mais confortáveis nele do que no vaso sanitário devido à altura e à presença de água no fundo.

Vaso sanitário

As mesmas orientações para o penico, servem para o vaso sanitário.

SEMPRE deve ser usado um assento redutor.

A criança deve ter um apoio para os pés.

Fotos 4 e 5- Cuidado com a falta de apoio para os pés!

Uma escadinha ou banquinho pode ajudar.

Caso a criança não se adapte inicialmente ao vaso sanitário, tente começar com o penico e depois faça a transição.

Concluindo, o desfralde é um processo que demanda paciência, tempo, carinho e atenção dos pais.

Mas é mais uma etapa do desenvolvimento, emancipação e no crescimento das crianças que vale muito a pena ser desfrutado conjuntamente.

Espero ter elucidado as dúvidas de vocês!

Até a próxima,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

Treinamento esfincteriano- Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Urologia- Setembro de 2019

Imagens:

Acesso em 17/07/2020- Fonte: Internet

Foto 1- https://www.1zoom.me/pt/wallpaper/559889/z3654.8/

Foto 2- https://www.google.com/imgres?mgurl=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FLs_1I43qsLs%2Fmaxresdefault.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DLs_1I43qsLs&tbnid=_OHy9S20YItCKM&vet=12ahUKEwjhtIDbqdTqAhWEBbkGHWbUD10QMygAegUIARDQAQ..i&docid=OWCO2BWOFSu2HM&w=1280&h=720&q=penico%20crian%C3%A7a&ved=2ahUKEwjhtIDbqdTqAhWEBbkGHWbUD10QMygAegUIARDQAQ

Foto 3- https://br.freepik.com/fotos-premium/a-crianca-esta-sentada-no-penico-ensinar-as-criancas-um-penico-conceito-de-cuidados-com-o-bebe_8334374.htm

Foto 4-https://www.pediubebe.com/Assento-Redutor-Para-Vaso-Sanitario-Com-Escada-Buba-Baby-Rosa

Foto 5-https://www.mundodastribos.com/como-ensinar-a-crianca-a-usar-o-vaso-sanitario.html

Precisamos falar disso…

Reserve apenas 7 minutos de seu tempo e assista a esse vídeo:

Olá!

Agora sim. Tudo bem com vocês?

Em Novembro do ano passado, participei do “IV Congresso de Pediatria e 20ª Jornada de Pediatria Unimed Ribeirão Preto”.

Em meio a tantas aulas e temas, uma me chamou a atenção: “O mundo está mudando e o pediatra tem que estar preparado”.

Imaginei que seria uma aula sobre internet, uso de celulares, mídias sociais, bullying… mas não! Era uma aula sobre o Distúrbio de Identidade de Gênero e, no final, fui presenteado com este vídeo que linkei acima.

Estamos no mês do orgulho LGBTQ+ e acredito que não haveria momento melhor para falar sobre o assunto.

LGBTQ+

O pediatra muitas vezes é o primeiro a conversar sobre a sexualidade e sobre as variações do gênero com a criança e o adolescente e, portanto, deve estar preparado para tal.

As crianças entre 6 e 9 meses são capazes de distinguir vozes masculinas e femininas.

Próximo de um ano de idade, associam as vozes com objetos tidos como típicos de cada gênero.

Aos dois anos, elas têm habilidade de se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao gênero.

A identidade de gênero tem início entre 2 e 3 anos de idade. E já aos 6 ou 7 anos, as crianças tem consciência de que seu gênero permanecerá o mesmo.

Neste ponto, é importante definir o que é Identidade de Gênero: “experiência emocional, psíquica e social de uma pessoa enquanto feminina, masculina, ou andrógena definida pela cultura de origem.” Também: “refere-se à auto-identificação de um indivíduo como mulher, homem ou a alguma categoria diferente do masculino e feminino.”

Sendo assim, as pessoas cujas identidades de gênero não correspondem ao sexo biológico são nomeadas com transgêneros ou transexuais.

A disforia de gênero, por sua vez, corresponde ao desconforto ou sofrimento causados pela incongruência entre o gênero atribuído ao nascimento e o gênero experimentado pelo indivíduo.

E como a disforia de gênero pode se expressar?

As crianças podem expressar a certeza de serem do sexo oposto ou não estar feliz com suas características sexuais, preferindo roupas, brinquedos, jogos e brincadeiras culturalmente ligados ao outro sexo.

Nos adolescentes, a inconformidade com o sexo biológico, é evidenciada com as mudanças corporais da puberdade e pode desencadear problemas psicossociais.

É importante pontuar, que quando observa-se a disforia de gênero em crianças entre os 2 e os 6 anos de idade, quase 85% delas voltarão a ficar satisfeitas com o seu sexo biológico, já na adolescência, isto é menos comum.

O quadro pode estar associado a algumas manifestações como ansiedade, depressão, tentativa de suicídio, automutilação e isolamento social.

Desta forma, estas crianças e adolescentes devem ter um acompanhamento multidisciplinar contando com pediatra, endocrinologista, psicólogo, psiquiatra, assistente social, cirurgiões e enfermeiros…

E , mais do que qualquer acompanhamento, elas precisam de apoio, carinho e amor!

Mais amor, por favor

PS.: Aqui está o Ryland, atualmente

Bem, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até breve,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

Disforia de Gênero- Guia Prático de Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Junho de 2017

Meu filho bateu a cabeça. Devo ir ao PS?!?

Olá, papais!

Hoje falaremos sobre os acidentes domésticos e como preveni-los.

Sabemos que os acidentes são a principal causa de óbito, atualmente, entre crianças de 1 a 14 anos de idade, chegando a cifra assustadora de 13 óbitos/dia e de 20.000 óbitos/ano. Além disso, a grande maioria deles ocorrem dentro da própria residência da criança ou no seu entorno e que, acreditem, 90% (NOVENTA POR CENTO) poderiam ser prevenidos.

Somado a isso, vemos um aumento na taxa de acidentes – um incremento de aproximadamente 25%- durante o período de quarentena que vivemos.

Diante deste contexto, vamos então ao nosso tradicional quadro de “Perguntas e Respostas”:

1) Por que as crianças sofrem tantos acidentes?

As crianças são naturalmente curiosas, aventureiras e estão descobrindo o mundo com as suas experiências e brincadeiras diárias. No entanto, vale lembrar que elas são também inexperientes, que muitas vezes ficam “em seu mundo” enquanto brincam, que são sujeitas às distrações e que não possuem o mesmo campo visual de um adulto, necessitando de supervisão constante.

2) Quem são as crianças mais propensas aos acidentes domésticos?

As crianças em idade pré-escolar, de dois a seis anos de idade, são as mais propensas a sofrer acidentes.

Além disso, existem outras características associadas: baixa idade, sexo masculino, baixo nível socioeconômico familiar e mal estado de conservação da residência (instalações elétricas e de gás precárias, lajes e terraços sem proteção…).

3) Quando os acidentes ocorrem mais?

Eles acontecem mais nas férias, feriados e finais de semana, principalmente no final de tarde e início da noite, na época de calor (verão).

Por isso, o cuidado nesse período de quarentena com as crianças.

4) Existe relação entre os acidentes com a faixa etária da criança?

Sim!

No primeiro ano de vida:

  1. Asfixias
  2. Quedas
  3. Queimaduras
  4. Aspiração de Corpo Estranhos

A partir de 2 anos de idade:

  1. Quedas
  2. Asfixias
  3. Queimaduras
  4. Afogamentos

Em maiores de 5 anos:

  1. Quedas
  2. Traumas com fraturas ósseas
  3. Choques elétricos

5) Onde mais acontecem os acidentes dentro de casa?

Eles acontecem nesta ordem de prevalência: cozinha, banheiro, corredor, escada, quarto e sala.

6) Certo! Mas o que fazer para prevenir os acidentes?

Após todas essas recomendações, vamos à pergunta principal:

“Quando devo levar meu filho ao Pronto- Socorro após uma queda?”

Devemos ter um cuidado especial com as crianças menores de 2 anos, principalmente, as menores de 3 meses. No entanto, são justamente elas que apresentarão o maior número de traumatismos cranianos devido ao tamanho maior e desproporcional de suas cabeças em relação ao corpo, além de estarem começando a melhorar a sua coordenação motora e aprendendo a andar. Vale destacar, que a grande maioria dos traumas são leves e não necessitarão de avaliação médica.

Então quando se preocupar e levar a criança ao PS?

  • Menores de 3 meses
  • Quedas maiores de 1 metro em menores de 2 anos ou maior que 1,5 metro em crianças maiores de 2 anos
  • Galos na região de trás da cabeça
  • Perda de consciência por mais de 1 minuto
  • Vômitos de repetição -mais de 5 vezes seguidamente
  • Movimentos convulsivos
  • Sangramento de nariz ou ouvidos
  • Sinais de fratura do crânio

E o porquê dessa preocupação? Por que devo observar esses sinais? 

Porque todos esses sinais podem significar que pode estar acontecendo um sangramento (hematoma) dentro da cabeça da criança e, desta forma e nessas ocasiões, ela deve ser avaliada por um médico que deve solicitar a realização de Tomografia de Crânio.

Quer dizer que o médico deve solicitar sempre uma Tomografia de Crânio quando a criança sofre uma queda? E o Raio X?

A Radiografia de Crânio (raio X) não é capaz de avaliar um sangramento (hematoma) intracraniano. Desta forma, ele não é o melhor exame para este tipo de avaliação- exceto se houver suspeita de fratura.

No entanto, devemos lembrar que a grande parte das crianças sofrem quedas leves e de baixa intensidade e que a exposição à radiação recorrente pode ser deletéria à criança.

Sendo assim, a Tomografia pode ser útil em alguns casos mas deve ser evitado exagero em crianças cujo exame neurológico é normal.

Então o que eu faço quando meu filho cair? Posso deixar ele dormir?

Se ele sofreu uma queda leve, de uma altura baixa, não perdeu a consciência por mais de 1 minuto, não apresentou movimentos convulsivos (abalos de braços, pernas, mastigação, desvio do olhar) e nem apresentou vômitos de repetição, você pode sim só observar a criança em casa, num período de 4-6 horas.

É importante frisar que grande parte das crianças choram após uma queda e que, algumas delas, apresentam um episódio de vômito após. Muitas delas se esgotam e querem dormir e você pode e DEVE deixá-la dormir. Apenas observando se alguns dos sinais citados anteriormente aparecem.

Sendo assim, grande parte das vezes você pode e deve ficar em casa e observar seu filho e só ir ao Pronto-Socorro se houver piora do quadro.

Por hoje é isto.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

https://pebmed.com.br/tce-na-emergencia-pediatrica-o-que-fazer/- Acesso em 08/06/2020

https://www.spsp.org.br/2012/07/23/traumatismo_craniano/- Acesso em 08/06/2020

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/acidentes-domesticos/- Acesso em 08/06/2020

Imagens:

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/prevencao-de-acidentes/- Acesso em 08/06/2020

http://www.pediatricabh.com.br/preven–o-de-acidentes.html- Acesso em 11/06/2020

A vacinação e a Pandemia do Coronavírus

Devo levar meu filho para a vacinação_

Olá!

Uma das perguntas mais frequentes que recebo na atual Pandemia do Coronavírus é :

“Devo levar meu filho para tomar vacina?”.

E pesando riscos e benefícios a resposta é SIM!

Neste mês, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) conjuntamente com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançaram um documento ratificando a importância da vacinação nos tempos de Pandemia.

Dentre as várias recomendações, destaco:

  1. Manter pelos Municípios e Estados o calendário vacinal proposto pelo Programa Nacional de Imunizações. Embora em algumas localidades ocorrera a paralisação da atividades de Postos de Saúde e UBSs, a recomendação atual é manter o atendimento da população normalmente.
  2. Evitar aglomerações. Cuidado especial com Idosos.
  3. Desenvolver locais especiais para a vacinação, como clubes, escolas e Igrejas.
  4. Horários especiais para a vacinação de crianças e adolescentes.
  5. Clínicas privadas de imunização devem organizar seus serviços a fim de manter
    o distanciamento social exigido nesse momento.
  6. Não há evidências sobre a interação da COVID19 e a resposta imune às vacinas.
    Para reduzir a disseminação da doença, qualquer pessoa com sintomas
    respiratórios ou febre, deverá ser orientada a não comparecer aos centros de
    vacinação.
  7. Casos suspeitos ou confirmados de COVID19 poderão ser vacinados após a
    resolução dos sintomas e passado o período de 14 dias do isolamento.

 

De forma prática, recomendo que, na medida do possível, não posterguemos a realização das vacinas.

Tente entrar em contato com o Posto de Saúde próximo da sua casa e descubra se foi criado um horário especial para a vacinação das crianças ou para saber em qual horário ele se encontra mais vazio.

Ou então, compareça à Unidade de Saúde acompanhado de algum familiar e solicite que ele fique na fila, mantendo o distanciamento, uso de máscaras e medidas de proteção (lavagem de mãos e álcool em gel), até que seu filho possa ser atendido, enquanto você aguarda a sua vez com ele em outro local próximo e menos cheio.

 

Falando em uso de máscaras… Você sabe se o seu filho pode e/ou deve usá-las?

Deixo aqui o link (https://www.instagram.com/p/B_K4xhnnwbP/) para a Página do Instagram da Fisioterapeuta Amanda Guadix (@fisio.amandaguadix), explicando sobre o uso de máscaras em crianças.

 

Retomando…

Os mesmos cuidados no Posto, devem ser tomados nas Clínicas de Vacinação Privadas. Evite aglomerações!

Além disso, não poderia deixar de citar que estamos em pleno Abril Azul– Confiança nas Vacinas. Uma Campanha da Sociedade de Pediatria de São Paulo para conscientização de pais e responsáveis sobre a importâncias das vacinas.

E temos MUITO o que comemorar. Nas Américas, fomos o primeiro continente a erradicar a varíola, bem como, já erradicamos a poliomielite, o sarampo, rubéola, tétano maternoneonatal e a síndrome da rubéola congênita.

Já controlamos a difteria, coqueluche, doenças causadas pelo Hemófilos Tipo B e diarreias por rotavírus, graças à vacinação.

No entanto, é fundamental que tenhamos uma ampla cobertura vacinal!

Vacinar é um gesto de amor, não só para com seu filho mas para com o próximo. Existe um termo, no meio médico, conhecido como “efeito rebanho”. Indiretamente ao vacinar uma pessoa você acaba protegendo outras pessoas próximas, mesmo que não vacinadas, por reduzir a circulação de uma doença naquele local.

Infelizmente, temos presenciado uma onda de pessoas que são contrárias à vacinação, seja por convicção própria, fake-news, boatos sobre possíveis efeitos adversos…

E isto tem proporcionado o recrudescimento de doenças que já havíamos controlado no país. É só vocês se lembrarem do surto de Sarampo em 2018- doença totalmente erradicada  até 2016.

Observem só a queda da taxa de vacinação do Sarampo nos anos de 2014-2017 (Vacina Tríplice Viral- Sarampo, Caxumba e Rubéola):

queda de vacina

Lembrando também que a Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem a OBRIGATORIEDADE da vacinação em nosso país, sendo um dever da família assegurar a vacinação de rotina das crianças.

Para finalizar, após tanto desencontro de informações, não poderia deixar de reafirmar a data do nosso dia-D para a vacina de gripe.

gripe

É DIA 09 DE MAIO! Todas as crianças maiores de 6 meses e menores de 6 anos devem receber a vacina da gripe.

Lembrando que, naquelas que receberão a vacina pela primeira vez, serão realizadas duas doses com um intervalo de um mês entre elas.

Por hoje é isto.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

 

Fontes:

  1. Imagens e texto: Pediatra atualize-se- Boletim da Sociedade de Pediatria de São Paulo- Mar/Abr 2020
  2. CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA E A PANDEMIA PELO CORONAVÍRUS- SBP e SBIm- 2020- Acesso em 20/04/2020 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/nt-sbpsbim-calendariodacrianca-pandemiacovid-200324.pdf
  3. Instagram: @fisio.amandaguadix
  4. Instagram @minsaude

Coronavírus- O quê preciso saber?

Olá!

Inauguramos hoje nosso canal no Youtube!

Uma nova mídia para que tenhamos contato diretamente com vocês.

Nesta publicação, falamos sobre o Coronavírus nas crianças  e nas gestantes.

Confira o vídeo na íntegra, ou então, a nossa aula sobre a infecção e depois nosso bate-papo:

Parte 1:

 

Parte 2 (Bate-papo):

 

Participação especial: Fisioterapeuta Motora e Respiratória Pediátrica Amanda Guadix

@fisio.amandaguadix

Dr. Vinícius Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Coronavírus- Uma realidade em nosso Estado

Coronvírus

 

No estado de São Paulo a transmissão comunitária do Coronavírus já é uma realidade.

Citaremos aqui o que você deve saber para se proteger da contaminação e disseminação da pandemia vigente.

Como ocorre a disseminação do vírus:

  • Através da dispersão de gotículas expelidas pela tosse ou espirro
  • O vírus pode sobreviver até nove dias em meios que propiciem a sua sobrevivência
  • As mãos em contato com meios contaminados é a forma de contaminação
  • Lave as mãos com água e sabão para evitar a disseminação do vírus, ou na impossibilidade desinfecte as mãos com álcool gel
  • Aspersão do vírus de forma direta através das gotículas emanadas da tosse ou espirro, ou contaminação pelas mãos contaminadas em contato com mucosas (olho, boca) é a forma de contaminação. Lave as mãos ou use álcool gel
  • Evite aglomerações ou exposição em meios onde o vírus pode estar presente
  • Se estiver com quadro gripal (tosse, coriza, dores no corpo) não se preocupe se a febre não for persistente e inferior a 38C, use analgésico, antitérmicos, permaneça em repouso em casa, evite contaminar outras pessoas, use máscara para evitar a disseminação do vírus não importa se (influenza ou corona vírus)
  • Em caso de febre persistente acima de 38C, tosse produtiva com quadro de secreção muco purulenta, ou quadro de dificuldade respiratória é quando você deve procurar o serviço de emergência hospitalar
  • Ao tossir ou espirrar, evite levar as mãos à boca. Utilize o antebraço ou cotovelo para evitar a dispersão do vírus. A disseminação do vírus ocorre pelo toque de superfícies contaminadas e/ou pelas mãos após o toque em mucosas como olhas, boca e nariz, sem desinfecção adequada após com água e sabão ou álcool em gel

Imagem3

 

  • Não procure os serviços de emergências do Hospital com quadro gripal banal. Cerca de 80% dos casos de infecção por Corona vírus evolui com um quadro de gripe simples, não sendo necessária a identificação do agente etiológico. Evite disseminação da infecção, PERMANEÇA EM CASA!

 

covid clinica

Dr. José Francisco Gonçalves Filho– Ginecologista e Obstetra. Fundador da Clínica Gonçalves.