Estou amamentando. Posso tomar a vacina contra o Coronavírus? E meu filho?

* ESTE TEXTO FOI ATUALIZADO EM 17/06/2021. CONFIRA EM: https://clinicagoncalves.com/2021/06/17/quem-pode-tomar-a-vacina-atualizacao-junho/ *

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje responderemos a pergunta de um milhão de dólares:

“Quem pode tomar a vacina contra o Coronavírus?”

Gestantes? Mulheres que estão amamentando? Crianças?

Mas antes de responder a essas perguntas, vamos entender um pouco mais sobre as vacinas?

  1. Quais vacinas temos disponíveis, no momento, no Brasil?

No momento, temos disponíveis duas principais vacinas: Coronavac– Butantã (China) e Oxford-Astrazeneca-Fiocruz (Reino Unido).

A ideia do Ministério da Saúde é de que, até o final de 2021, 354 milhões de doses tenham sido aplicadas da seguinte forma:

  • Vacina Oxford-Astrazeneca-Fiocruz: 214 milhões de doses. Cerca de metade delas será produzida parcialmente no Brasil e distribuída até o final de Julho. Enquanto que, a outra metade, será produzida TOTALMENTE no nosso país e, então, distribuída até o final do ano.
  • Vacina Coronavac-Butantã: 100 milhões de doses em parceria com o Instituto Butantã.
  • Vacina consórcio Covax-Facility: 42,5 milhões de doses em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

2. As vacinas são seguras?

Como demonstrado a seguir, ambas vacinas, Oxford e Coronavac, estão na Fase III de desenvolvimento.

E o que isso quer dizer?

Bem, que elas já estão em fase avançada da pesquisa clínica.

Ao todo, são quatro fases.

E, na atual fase, a vacina está sendo aplicada em milhares de pessoas para a confirmação de sua eficácia e segurança.

A última fase (quarta fase), conhecida como farmacovigilância, se dá após estudos de grande porte em médio ou longo prazo.

Mas o principal a dizer é que as vacinas sim, SÃO SEGURAS!

Nenhuma delas são vacinas de vírus vivos atenuados, ou seja, que contém o vírus com potencial de replicação (reprodução).

A Coronavac é uma vacina INATIVADA, ou seja, sem capacidade de replicação (reprodução dos vírus).

Já a vacina de Oxford, é uma vacina com vetor viral.

Vou explicar…

Ela contém uma proteína do novo Coronavírus (Sars-Cov-2) associada a um vetor viral (vírus) humano ou de Chimpanzé, o qual não causa a doença, mas que induzirá a produção de anticorpos.

Em outras palavras, comportando-se como uma vacina de vírus inativada.

3. Qual a eficácia das vacinas?

Coronavac: Eficácia para forma leves de doença foi de 77,96% e Eficácia Total, no Brasil, foi de 50,39%

Oxford: Eficácia total de 70,42% em estudo do Brasil, Reino Unido e África do Sul.

4. Quem pode tomar as vacinas? Gestantes? Lactantes (mulheres que estão amamentando)? Crianças?

Vamos então responder a pergunta para cada um dos grupos citados:

  • Gestantes

A segurança e eficácia neste grupo de pessoas NÃO FOI TESTADA (Categoria B).

No entanto, em estudos animais não se demonstrou risco aumentado para malformações.

Mulheres que foram vacinadas inadvertidamente nestas condições devem ser tranquilizadas e encaminhadas ao acompanhamento pré-natal convencional.

Deve haver notificação no sistema online de notificação do SUS, como erro de imunização. Eventos adversos com a mãe, feto ou recém-nascido até os 6 meses de idade deverá ser notificado.

A decisão final, riscos e benefícios deve ser tomada com a paciente e o seu médico.

  • Lactantes (mulheres que estão amamentando) ou Puérperas

Grupo prioritário, e como tal, DEVEM ser vacinadas normalmente com qualquer uma das vacinas.

Lembrando que as vacinas aqui disponíveis são ou se comportam como vacinas INATIVADAS, ou seja, não tem potencial de causar a doença e nem passá-la ao bebê ao amamentar.

Soma-se ainda, o fato de que mães infectadas pelo novo Coronavírus devem CONTINUAR amamentando com os devidos cuidados (lavagem de mãos e uso de máscaras), visto que até o momento não há comprovação de passagem do vírus pelo leite materno.

  • Crianças

NÃO DEVEM SER VACINADAS AINDA!

Os estudos já estão em andamento.

Na China, a Coronavac está sendo estudada desde Outubro de 2020 em crianças de 3 a 17 anos e está em Fase I/II.

Já no Reino Unido, a vacina de Oxford vem sendo testada em crianças de 5 a 12 anos.

Até os resultados finais, a recomendação atual é a de não vacinar as crianças.

Lembrando que apesar disso, a IMENSA maioria das crianças são assintomáticas e/ou pouco sintomáticas com a doença e a porcentagem de complicação neste grupo etário, que vai dos 0 a 19 anos, é de APENAS 1%!!!

Por hoje é só!

Se tivermos novidades das vacinas, voltaremos em breve com mais atualizações.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

PS.: * ESTE TEXTO FOI ATUALIZADO EM 17/06/2021. CONFIRA EM: https://clinicagoncalves.com/2021/06/17/quem-pode-tomar-a-vacina-atualizacao-junho/ *

Fontes:

Vacinas Covid-19- Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Guia Prático de Atualização
Departamento Científico de Imunizações (27 de Janeiro de 2021).

Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908f-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

A vacinação e a Pandemia do Coronavírus

Devo levar meu filho para a vacinação_

Olá!

Uma das perguntas mais frequentes que recebo na atual Pandemia do Coronavírus é :

“Devo levar meu filho para tomar vacina?”.

E pesando riscos e benefícios a resposta é SIM!

Neste mês, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) conjuntamente com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançaram um documento ratificando a importância da vacinação nos tempos de Pandemia.

Dentre as várias recomendações, destaco:

  1. Manter pelos Municípios e Estados o calendário vacinal proposto pelo Programa Nacional de Imunizações. Embora em algumas localidades ocorrera a paralisação da atividades de Postos de Saúde e UBSs, a recomendação atual é manter o atendimento da população normalmente.
  2. Evitar aglomerações. Cuidado especial com Idosos.
  3. Desenvolver locais especiais para a vacinação, como clubes, escolas e Igrejas.
  4. Horários especiais para a vacinação de crianças e adolescentes.
  5. Clínicas privadas de imunização devem organizar seus serviços a fim de manter
    o distanciamento social exigido nesse momento.
  6. Não há evidências sobre a interação da COVID19 e a resposta imune às vacinas.
    Para reduzir a disseminação da doença, qualquer pessoa com sintomas
    respiratórios ou febre, deverá ser orientada a não comparecer aos centros de
    vacinação.
  7. Casos suspeitos ou confirmados de COVID19 poderão ser vacinados após a
    resolução dos sintomas e passado o período de 14 dias do isolamento.

 

De forma prática, recomendo que, na medida do possível, não posterguemos a realização das vacinas.

Tente entrar em contato com o Posto de Saúde próximo da sua casa e descubra se foi criado um horário especial para a vacinação das crianças ou para saber em qual horário ele se encontra mais vazio.

Ou então, compareça à Unidade de Saúde acompanhado de algum familiar e solicite que ele fique na fila, mantendo o distanciamento, uso de máscaras e medidas de proteção (lavagem de mãos e álcool em gel), até que seu filho possa ser atendido, enquanto você aguarda a sua vez com ele em outro local próximo e menos cheio.

 

Falando em uso de máscaras… Você sabe se o seu filho pode e/ou deve usá-las?

Deixo aqui o link (https://www.instagram.com/p/B_K4xhnnwbP/) para a Página do Instagram da Fisioterapeuta Amanda Guadix (@fisio.amandaguadix), explicando sobre o uso de máscaras em crianças.

 

Retomando…

Os mesmos cuidados no Posto, devem ser tomados nas Clínicas de Vacinação Privadas. Evite aglomerações!

Além disso, não poderia deixar de citar que estamos em pleno Abril Azul– Confiança nas Vacinas. Uma Campanha da Sociedade de Pediatria de São Paulo para conscientização de pais e responsáveis sobre a importâncias das vacinas.

E temos MUITO o que comemorar. Nas Américas, fomos o primeiro continente a erradicar a varíola, bem como, já erradicamos a poliomielite, o sarampo, rubéola, tétano maternoneonatal e a síndrome da rubéola congênita.

Já controlamos a difteria, coqueluche, doenças causadas pelo Hemófilos Tipo B e diarreias por rotavírus, graças à vacinação.

No entanto, é fundamental que tenhamos uma ampla cobertura vacinal!

Vacinar é um gesto de amor, não só para com seu filho mas para com o próximo. Existe um termo, no meio médico, conhecido como “efeito rebanho”. Indiretamente ao vacinar uma pessoa você acaba protegendo outras pessoas próximas, mesmo que não vacinadas, por reduzir a circulação de uma doença naquele local.

Infelizmente, temos presenciado uma onda de pessoas que são contrárias à vacinação, seja por convicção própria, fake-news, boatos sobre possíveis efeitos adversos…

E isto tem proporcionado o recrudescimento de doenças que já havíamos controlado no país. É só vocês se lembrarem do surto de Sarampo em 2018- doença totalmente erradicada  até 2016.

Observem só a queda da taxa de vacinação do Sarampo nos anos de 2014-2017 (Vacina Tríplice Viral- Sarampo, Caxumba e Rubéola):

queda de vacina

Lembrando também que a Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem a OBRIGATORIEDADE da vacinação em nosso país, sendo um dever da família assegurar a vacinação de rotina das crianças.

Para finalizar, após tanto desencontro de informações, não poderia deixar de reafirmar a data do nosso dia-D para a vacina de gripe.

gripe

É DIA 09 DE MAIO! Todas as crianças maiores de 6 meses e menores de 6 anos devem receber a vacina da gripe.

Lembrando que, naquelas que receberão a vacina pela primeira vez, serão realizadas duas doses com um intervalo de um mês entre elas.

Por hoje é isto.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

 

Fontes:

  1. Imagens e texto: Pediatra atualize-se- Boletim da Sociedade de Pediatria de São Paulo- Mar/Abr 2020
  2. CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA E A PANDEMIA PELO CORONAVÍRUS- SBP e SBIm- 2020- Acesso em 20/04/2020 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/nt-sbpsbim-calendariodacrianca-pandemiacovid-200324.pdf
  3. Instagram: @fisio.amandaguadix
  4. Instagram @minsaude

Meningite ACWY?!?

Dive Into the Ocean

Olá! Hoje falaremos sobre um tema que tem preocupado muitos pais nos últimos dias, a meningite.

1) Mas enfim, o que é Meningite?

A meningite é uma doença infecciosa que acomete a meninge, que é a membrana que reveste todo o sistema nervoso- o cérebro e a medula espinhal.

384-meningite-e-a-inflamacao-das-meninges

 

2) Quem causa a Meningite?

A meningite pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e outros parasitas. Os vírus são os principais agentes causadores de meningite, no entanto devido à elevada mortalidade e morbidade, as infecções bacterianas ganham grande destaque, além da possibilidade de prevenção com as vacinas.

As principais bactérias que causam a meningite são o Meningococo, o Pneumococo e o Hemófilos do Tipo B, principalmente em crianças maiores de 3 meses de idades.

O Meningococo possui 12 sorogrupos (subtipos), mas destacamos os: C, B, W-135, Y e A.

3) Quem são os grupos de risco para a doença?

Em crianças, os menores de 5 anos, em especial os menores de 1 ano de idade, e adolescentes entre 15 e 24 anos.

Além de idosos, gestantes e pessoas com doenças que reduzam a imunidade, como transplantados, pessoas que fazem uso crônico de corticoides, diabéticos graves e indivíduos com AIDS.

4) Como posso pegar a meningite?

A transmissão da meningite é de pessoa a pessoa, por via respiratória, através de gotículas e secreções do nariz e garganta, ao tossir, falar ou espirrar havendo necessidade de contato íntimo e PROLONGADO.

Cerca de 50% da população pode ser portador deste patógeno em algum momento da vida. A infecção se inicia pela colonização da nasofaringe e a partir deste evento se dissemina pela corrente sanguínea. Os fatores que fazem com que ocorra a invasão da corrente sanguínea e consequentemente a doença clinica incluem algumas inter-relações como predisposição genética, estado clinico do hospedeiro, condições ambientais e virulência da bactéria.

5) Quais os sintomas da meningite?

O quadro clínico apresenta um espectro variado, dependendo da idade e duração da doença.

O diagnóstico nos bebês é baseado na suspeita clínica diante de um quadro inespecífico, como febre e irritabilidade. Manifestações como hipotermia, letargia ou hipoatividade, recusa alimentar, vômitos, diarreia, dificuldade respiratória, fontanela abaulada, convulsões e alterações do nível de consciência fazem parte do diagnóstico clínico.

Em crianças maiores ocorre febre, prostração, anorexia, fotofobia, cefaleia, vômitos, convulsões, alterações do nível de consciência. Sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca e dor lombar, podem estar presentes.

O quadro mais insidioso de febre por alguns dias, sintomas respiratórios ou gastrointestinais inespecíficos, letargia e irritabilidade é menos comum.

6) O governo não dá vacina contra a meningite, por isso estão acontecendo estas infecções atualmente, é verdade?

MENTIRA!

Em 1999, foi iniciada a vacina contra o Hemófilos do Tipo B, o que praticamente erradicou a meningite por este agente no Brasil. Atualmente, a vacina é dada aos 2, 4 e 6 meses de idade, estando incluída na Vacina Pentavalente pública e particular, além da Hexavalente particular.

No ano de 2010 iniciou-se a vacinação contra o Pneumococo e o Meningococo do Tipo C, no Brasil. O que reduziu drasticamente o número de casos da doença no país.

7) Então por que ainda temos casos de meningite no Brasil?

A partir da introdução da vacina contra o Meningo C no calendário público , no ano de 2010, observamos uma grande redução dos casos de meningite bacteriana por este agente, isto por outro lado, fez com ocorresse uma seleção e um aumento do número de casos de infecção pelo Meningococo do Tipo B.

Hoje temos o Meningo B como principal agente causador das meningites bacterianas, seguido pelo Meningo C, W-135 e Y.

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8) Certo! Não entendo nada dessa sopa de letrinhas ACWXYZKJ… Quais vacinas posso fazer para meu filho, no âmbito particular?

 

  • Hemófilos do Tipo B (Hib)

O governo dá 3 doses de vacina contra o hemófilos: com 2,4 e 6 meses de idade, estando inclusa na vacina Pentavalente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam um reforço para todas as crianças com 15 meses de idade, não fornecido pelo calendário público.

A vacina Pentavalente (particular) e Hexavalente (particular) também conferem proteção contra o Hemófilos do tipo B.

 

  • Pneumococo

Pelo calendário público é fornecida a Vacina Pneumo 10 (PNM 10) , a qual fornece proteção contra 10 tipos de pneumococo que podem provocar pneumonia, otites, sinusites e meningite .

Em 2016, foi retirada a dose de 6 meses; portanto atualmente as crianças recebem duas doses da vacina com 2 e 4 meses e um reforço, após 1 ano de idade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam 3 doses da vacina (com 2, 4 e 6 meses) e um reforço após um ano, preferivelmente com a vacina 13 valente – disponível apenas em clínicas privadas.

Aquelas crianças que completaram o esquema todo de vacinação com a vacina 10- valente (pública), podem receber um reforço posteriormente com a vacina 13 valente , até os cinco anos de idade.

Existe uma vacina 23-valente, que pode ser dada em crianças maiores de 2 anos de idade, mas com indicações precisas.

 

  • Meningococo

 

Meningococo C

Vacina fornecida pelo governo aos 3 e 5 meses de idade com um reforço após 1 ano de vida.

Há um ano a vacinação de adolescentes entre 11 a 14 anos também foi iniciada pelo programa nacional de imunizações.

 

Meningococo B

A vacina contra o Meningococo B- hoje o principal agente que causa a meningite no Brasil- só está disponível em caráter privado.

A vacina conhecida como Bexsero, está liberada a partir dos 2 meses de idade. O número de doses depende da idade do início do esquema vacinal.

Em fevereiro deste ano, está chegando uma nova vacina contra o Meningo B- a Trumenba. Ela será indicada para pessoas entre 10 e 25 anos de idade.

 

Meningococo ACWY

Existem quatro tipos de vacina ACWY disponíveis no Brasil, sendo as mais conhecidas a Menveo e a Nimenrix.

Cada uma tem um esquema de aplicação, dependendo da idade do início do esquema vacinal- conforme o quadro abaixo.

acwy

Se optado pela realização desta vacina, a criança não necessitará da vacina Meningo C fornecida pelo posto de saúde.

 

9) Doutor, eu já dei a vacina do Posto de Saúde, a Meningo C, para o meu filho e quero dar a ACWY. Ele pode tomar? Tenho que dar o esquema todo novamente?

A resposta da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Não existem dados de estudos sobre intercambialidade entre as diferentes vacinas meningocócicas conjugadas ACWY nas doses realizadas na primovacinação. Entretanto, se houver necessidade de intercambiá-las, quando não se conhece o produto utilizado na dose anterior ou não se dispõe do mesmo, deve-se adotar o esquema com maior número de doses. Crianças e adolescentes vacinados com a vacina MenC podem se beneficiar com o uso da MenACWY, com o objetivo de ampliar a proteção, respeitando-se um intervalo mínimo de um mês da última MenC

Sendo assim, o mais adequado seria vacinar a criança novamente, respeitando o número de doses fornecidas pelo fabricante, como se a criança não tivesse recebido nenhuma vacina antes.

 

Espero que tenha solucionado as dúvidas de vocês.

Caso ainda restem questões não abordadas e/ou mais dúvidas é só deixá-las aqui abaixo.

Nos vemos no próximo mês, até lá!

 

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

Fontes:

Epidemiologia da Infecção Meningocócica- Prof. Dr Eitan Naaman Berezin- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningites- Sociedade Brasileira de Infectologia- Acesso em 08/03/19- https://www.infectologia.org.br/pg/962/meningites

Vacinas Meningocócicas Conjugadas no Brasil em 2018: Intercambialidade e diferentes esquemas de doses. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES- Departamento Científico de Imunizações- Nota Técnica

Calendário Vacinal de 2018- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningite Bacteriana Aguda – Revista de Pediatria SOPERJ – v. 13, no 2, p72-76 dez 2012

Secretaria da Saúde o Estado de São Paulo- Dados epidemiológicos- acesso em 08/03/2019– http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/meningites/dados/doenca_meningococica.pdf

O Sarampo voltou???

Olá!!!

Hoje falaremos sobre o Sarampo. Você já ouviu falar dele?

 

SARAMPO

Sim, o Sarampo era bem comum há alguns anos -muito provavelmente você ou alguém que você conheça já o adquiriu- e estava extinto desde 2016 do Brasil e de todas as Américas.

No entanto, só nos primeiros meses deste ano ocorreram 1864 casos no Mundo, sendo que 1427 originaram-se na Venezuela.

O Brasil desde fevereiro de 2018 enfrenta um surto com mais de três mil casos suspeitos e 527 casos confirmados, sendo que 517 correram nos estados do Amazonas e de Roraima- regiões vizinhas à Venezuela- e apenas um caso ocorreu em São Paulo.

Por conta disso, vamos tentar esclarecer algumas dúvidas referentes à doença.

1) Como posso adquirir o Sarampo?

O Sarampo é uma doença viral, a qual é transmitida pelo contato com as secreções das vias aéreas de uma pessoa contaminada, principalmente, dois dias antes e dois dias após o surgimento do “vermelhão” característico da doença, que explicaremos abaixo.

2) Quais são os sintomas da doença?

O Sarampo, por ser uma doença viral, costuma abrir o quadro com sintomas gripais como febre, tosse, coriza e conjuntivite.

Sarampo-Conjutevite-Dr-Joseph-El-Mann

Após cerca de cinco dias, podem aparecer lesões pelo corpo- um “vermelhão” que se inicia da cabeça e que vai até os pés e não poupa as palmas das mãos e/ou a planta dos pés.

 

Alguns dias depois do aparecimento do vermelhão é que ocorre a redução ou fim da febre- exceto se houver infecção bacteriana secundária.

O “vermelhão” some após uma semana, em média, com a descoloração e a descamação da pele.

Podem surgir também, manchas brancas na mucosa da boca, conhecidas como sinal de Koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas.

3) Quais as possíveis complicações? 

Como toda doença viral, as principais complicações são bacterianas.

Após o quadro podem ocorrer otites, pneumonias, laringites e diarreia.

No entanto, a encefalite é o quadro mais preocupante, que embora raro, pode ser letal.

4) Quais os grupos de risco para as complicações?

Em geral, as pessoas com baixa imunidade. Dentre elas: as crianças menores de cinco anos, adultos com mais de 20 anos, gestantes e pacientes com condições de imunossupressão, como por exemplo, portadores de leucemia e pacientes que vivem com HIV/AIDS.

5) Existe tratamento para a doença?

Como toda a doença viral, não há tratamento específico para ela. A pessoa deve fazer repouso e receber hidratação adequada e anti-térmicos, se houver febre.

O uso da Vitamina A por via oral, por dois dias consecutivos, tem demonstrado melhora nas taxas de morbimortalidade e seu uso tem sido preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

6) Quem deve receber a vacina ?

O Ministério da Saúde recomenda para crianças o esquema vacinal com uma dose (tríplice viral-Sarampo, Caxumba e Rubéola) aos 12 meses e outra dose (tetra viral- Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varicela[Catapora]) aos 15 meses de idade.

Para adolescentes e adultos até 49 anos:

• Até os 29 anos – duas doses, podendo ser doses da vacina tríplice ou da tetra viral

• Dos 30 aos 49 anos – dose única, podendo ser da vacina tríplice ou tetra viral.

Aqueles indivíduos que já receberam duas doses da vacina tríplice ou da vacina tetra viral, durante a vida, não precisam mais receber novas doses da vacina.

 

7) Quem não deve receber a vacina?

  • Casos suspeitos de sarampo
  • Gestantes – devem esperar para serem vacinadas após o parto. Caso esteja planejando engravidar, assegure-se que você está protegida. Um exame de sangue pode dizer se você já está imune à doença. Se não estiver, deve ser vacinada um mês, antes da gravidez. Espere pelo menos quatro semanas antes de engravidar.
  • Menores de 6 meses de idade
  • Imunocomprometidos

 

8) E quem não se lembra ou não tem registro de ter recebido a vacina?

Na dúvida, quando não houver o registro das doses aplicadas previamente, deve-se considerar o indivíduo como não vacinado e ele deve receber o esquema para a idade. Eventuais doses adicionais não trazem maior risco.

9) Mas a vacina não está disponível há muitos anos? Porque houve este surto então?

No Brasil, desde 1982 o Instituto FioCruz fabrica a vacina. E desde 1984 existem campanhas de vacinação contra o Sarampo.

No entanto, a meta de vacinação do Ministério da Saúde é de no mínimo 95% e só em 2017 a meta alcançada foi de 84,9% e de 71,5%, para a primeira e segunda dose da vacina, respectivamente.

Demonstrando, portanto, uma queda considerável na adesão à vacinação.

10) Ouvi falar que haverá uma Campanha de Sarampo? Quando será? 

A vacinação contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença.

Neste ano, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo será realizada entre 6 e 31 de agosto, sendo o dia 18 de agosto o dia de mobilização nacional – o ‘Dia D’.

SARAMPO

11)  E para quem vai viajar para áreas com o Surto de Sarampo , qual a recomendação?

Recomenda-se uma dose precoce de vacina tríplice viral para crianças de seis a 12 meses de idade que viajem internacionalmente para áreas de risco ou nas localidades onde estejam ocorrendo surtos.

A dose administrada, nesta faixa etária, não será considerada válida para o calendário de
vacinação, devendo ser agendada a administração de dose da vacina tríplice viral para os 12 meses e da tetra-viral para os 15 meses de vida.

 

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só escrever aqui embaixo ou na página do Facebook da Clínica Gonçalves: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Até Breve,

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

Fontes:

Atualização sobre Sarampo- Sociedade Brasileira de Pediatria ( Julho/2018)

Ministério da Saude- Site: http://portalms.saude.gov.br/component/tags/tag/sarampo

Imagens:

Site Central Diseases Control (CDC)

Site Ministério da Saúde

Site http://www.elmann.com/sarampo-sintomas-tratamento-prevencao/

 

 

 

 

Apenas TUDO o que você precisa saber sobre a Febre Amarela

FEBRE AMARELA

Olá!!!

Hoje faremos um bate-bola rápido com as maiores dúvidas sobre a Febre Amarela, no esquema de perguntas e respostas.

Prontos?!? Vamos lá, então!

a) Como posso contrair a doença?

A doença é causada por um vírus e transmitida pela picada de um mosquito silvestre (o Haemagogus ou o Sabethes). O mosquito transmite a doença após picar um macaco infectado, que é o hospedeiro PRINCIPAL. O homem é um hospedeiro acidental.

b) E o mosquito da Dengue, o Aedes aegipty, onde entra nessa história?

O Aedes é o vetor da doença no Ciclo Urbano, transmitindo a doença entre humanos. A última vez que isso aconteceu no Brasil foi em 1942.

c) Então, se eu não moro em áreas rurais, de matas ou em zonas de risco eu não preciso me preocupar?

Exato! Apenas moradores ou pessoas que irão visitar essas áreas que devem receber a vacina. Para saber se você mora em uma zona de risco acesse: http://www.saude.gov.br/febreamarela.

d) E o macaco? Transmite a doença?

Não! Nem o macaco, nem uma pessoa contaminada podem transmitir a doença diretamente.

e) Se eu pegar a doença o que eu vou sentir?

Como toda infecção por vírus, a famigerada virose! Os sintomas inicias são inespecíficos como febre, dor no corpo, dor muscular, dor de cabeça e vômitos, os quais duram cerca de três dias e cessam. Após 24h, pode ocorrer febre alta, icterícia (pele amarelada), sangramentos, lesão no fígado e até morte.

f) Muitas pessoas morrem após contrair a doença?

Cerca de 15% das pessoas que contraem a doença desenvolvem a forma grave. Destas, 20 a 50% morrem.

g) Existe tratamento?

Não! Como a maioria das doenças virais, não há um tratamento específico. Apenas tratamento de suporte para as possíveis complicações.

h) O que mudou sobre a vacinação?

Atualmente, o governo está usando a dose fracionada da vacina, com um quinto da dose habitual. A sua segurança e proteção são iguais (cerca de 99% de eficácia), mas a pessoa que recebeu a dose fracionada deve ser revacinada em oito anos.

Caso tenha recebido uma dose da vacina habitual (não fracionada), esta vale para toda a vida.

i) E se eu for viajar para algum país do exterior que exige a vacinação?

Você deve tomar a vacina, pelo menos, 10 dias antes da viagem. A Anvisa não concede o Certificado Internacional para quem tomou a dose fracionada.

A dose fracionada vem discriminada na Carteira de Vacinação.

j) As mulheres têm que ter algum cuidado especial?

As mulheres em idade fértil e que desejam engravidar podem tomar a vacina, mas devem evitar a gravidez até 30 dias após a vacina.

k) E quanto as mulheres que amamentam? Quais os cuidados?

Se a criança tiver menos de 6 meses de idade, o ideal é parar a amamentação por 10 dias. Mesmo que a criança tenha tomado a vacina.

l) E as crianças??? Quem pode receber a vacina?

Geralmente, as crianças com mais de 9 meses podem receber uma dose da vacina PADRÃO! (as crianças NÃO devem receber a dose fracionada).

Aquelas com mais de 6 meses, que moram em áreas de risco, podem receber uma dose da vacina, no entanto, devem ser revacinadas posteriormente.

m) Existe algum cuidado especial com a administração desta vacina associada a outras?

As crianças que vão receber a tríplice viral SCR (sarampo,caxumba e rubéola) ou a tetra viral (SCR+ varicela) devem aguardar 30 dias, caso tenham sido vacinadas contra a febre amarela.

n) Quais cuidados devo ter se não puder vacinar meu filho?

Crianças que não se enquadram nas recomendações do Ministério da Saúde para receber a vacina ou que, por sua indisponibilidade, não foram vacinadas devem evitar visitas nas áreas de risco e se precaver das picadas dos insetos- abordamos este tema há alguns meses.

Saiba mais aqui:

http://www.clinicagoncalves.com/2017/11/23/nao-deixe-ele-tirar-o-sono-do-seu-filho/

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só escrever aqui embaixo ou na página do Facebook da Clínica Gonçalves: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Até Breve,

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista