Como tratar assadura?

Olá! Como estão vocês? Espero que bem!

Depois de um longo inverno- literalmente – cá estou eu.

E, dessa vez, para falar sobre as assaduras.

1) O que causa a assadura?

Acho importante, antes de tudo, dizer que a assadura é chamada, no meio médico, de “dermatite de fraldas” ou “dermatite amoniacal”. E, apenas isto, já nos indica o que pode causá-la.

Ela é causada, portanto, por um processo inflamatório (dermatite) por um irritante primário, geralmente, pelo contato prolongado com as fezes/urina do bebê.

Portanto, o misto de:

  • Abafamento da pele
  • Contato prolongado com o xixi e o cocô*
  • Enzimas digestivas
  • Micro-organismos

É o que costuma gerar a assadura.

*Obs.: o xixi e o cocô tem um pH mais BÁSICO e não ácido, como as pessoas pensam… A ureia é degradada em amônia e pode causar a irritação (por isso também é conhecida como “dermatite amoniacal”). 😉

2) Como posso prevenir e/ou tratar a assadura?

Entendendo o que causa a assadura, também podemos preveni-la e até tratá-la.

Devemos, portanto :

  • Realizar trocas de fraldas frequentemente (em recém-nascidos em 1-2 horas, já em crianças maiores, esse intervalo pode ser um pouco maior, em 3-4 horas)
  • Durante um episódio de diarreia ou durante o uso de antibióticos, otimizar as trocas (geralmente as fezes ficam mais BÁSICAS) aumentando a chance de irritação
  • Realizar a limpeza, preferencialmente, com água morna e algodão (os lenços umedecidos podem conter álcool- mesmo aqueles que dizem que não contêm…- mais explicações a seguir)
  • Logo após a limpeza, secar a pele e/ou deixar a pele secar naturalmente, deixando-a descoberta e expondo-a ao sol
  • Aplicar uma FINA camada de pomada nas áreas de contato com a fralda

3) Existem tipos diferentes de assaduras?

A resposta é: S-I-M!

A dermatite de fraldas convencional comporta-se como uma dermatite de contato. Logo, a lesão ocorre justamente onde há contato com a fralda (lesão em “W”), preservando as áreas em que a fralda não toca. Observe a imagem abaixo:

Em compensação, como disse no começo do texto, pode haver dermatite também por micro-organismos.

Principalmente, após uma dermatite de fraldas convencional, pode haver colonização da pele por fungos, como a Candida sp.

Os fungos adoram áreas quentes, úmidas e abafadas. Sendo assim, a região de dobras, principalmente as dobrinhas dos bebês, são locais excelentes para a infecção. Veja:

Sendo assim, nesse e APENAS nesses casos uma pomada anti-fúngica deve ser usada e com indicação médica.

Lembrando que existem diversos tipos de dermatites (assaduras), sendo indispensável a avaliação médica.

NÃO se auto-medique e nem utilize uma pomada que uma amiga indicou porque “deu certo com o filho dela”…


DICAS DE OURO

Aqui gostaria de deixar algumas dicas.

Às vezes, saber o que você não deve fazer pode ter tanto ou até mais valor, em alguns casos…

Vamos lá!

1) Evite o uso de lenços umedecidos para a limpeza. Mesmo aqueles “sem álcool”.

Uma grande parte dos lenços umedecidos vêm com uma mensagem em destaque em suas embalagens: “SEM ÁLCOOL”.

O que gosto de destacar nas consultas é que alguns fabricantes são mais honestos e optam pela mensagem: “SEM ÁLCOOL ETÍLICO”.

Sim, correto!

A grande maioria dos lenços que dizem que não contém álcool, realmente não apresentam álcool etílico (álcool presentes em bebidas alcoólicas e em combustíveis), mas costumam ter outros tipos de álcool mascarados…

O PEG (polietilenoglicol) também é um álcool. Leia os rótulos

E todo álcool potencialmente desidrata e pode lesionar ainda mais a pele. Principalmente, se friccionado contra ela.

2) Limpeza com água e sabão NEM SEMPRE ajuda

Como as dermatites costumam estar relacionadas com o pH BÁSICO do xixi e do cocô (lembram-se???), o uso de sabonetes básicos pode piorar a lesão de pele.

Prefira sim a limpeza com água morna e algodão.

Utilize na limpeza sabonetes de pH ácido (PH<7,0).

3) Utilize a MENOR quantidade de pomada possível

Aplique uma fina camada de pomada. A ponto de ficar quase translúcida.

Independentemente do tipo de pomada: óxido de zinco e/ou petrolato, de óleo de fígado de bacalhau, aloe bar- badensis, dimeticona ou dexpantenol.

Como a assadura é provocada pelo abafamento da pele, quanto mais pomada, mais abafamento, mais lesão…

Evite retirar a pomada em todas as trocas, caso ela não esteja com fezes/ urina.

4) NÃO utilize pomada de Nistatina sem indicação médica e nem como “prevenção”

Você, por acaso, acha prudente tomar um copo de antibiótico todos os dias para prevenir infecção?

Espero que não!

A Nistatina é uma medicação anti-fúngica.

Infelizmente, vendida sem receita médica…

Muitos pais acabam utilizando a Nistatina sem indicação médica e até para “prevenção” da assadura.

Esta medida pode provocar resistência ao tratamento contra fungos, quando realmente necessário (dermatite fúngica).

Só utilize Nistatina ou qualquer outra pomada anti-fúngica com indicação médica.

5) Trocar a marca da fralda dificilmente irá tratar a assadura

É muito comum que os pais comecem a trocar as marcas de fralda para tratar assadura- muitas vezes sem sucesso.

Atualmente, as marcas de fralda têm um grande poder de absorção, inclusive as ecológicas. Portanto, realizando trocas frequentes e deixando o bebe sequinho deve ser o suficiente para o tratamento das assaduras.

A mudança de marca algumas vezes dá a falsa impressão de melhora devido a mudança do local de contato. Vou explicar!

Imagine que você foi à praia no final de ano e utilizou uma sunga ou biquíni mais cavado e, que você ficou com ele o dia todo, gerando uma assadura. Caso você mantenha utilizando a mesma roupa de baixo nos próximos dias, a tendência é que a lesão só piore.

Então, você tem a ideia de utilizar uma roupa de baixo maior, estilo boxer, e percebe que sente um alívio no local da assadura.

Paralelo feito, é mais ou menos isso que ocorre quando se muda a marca da fralda. Muda-se o local de contato e pode haver uma melhora temporária da lesão.

No entanto, caso o bebê continue úmido, seja utilizada uma grande quantidade de pomada e de lenços umedecidos, as lesões reaparecerão.

Sim, existem dermatites alérgicas (de contato) por componentes específicos da fralda, mas além de mais raras, elas provocam lesões diferentes das citadas até aqui.


Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES– Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

1) Sociedade Brasileira de Pediatria- Documento Científico- Departamento Científico de Dermatologia- Dermatite de Fraldas- Diagnósticos Diferenciais- Outubro 2016

Imagens:

1) Sociedade Brasileira de Pediatria- Documento Científico- Departamento Científico de Dermatologia- Dermatite de Fraldas- Diagnósticos Diferenciais- Outubro 2016

TUDO sobre a nova Hepatite

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Hoje falarei sobre a nova Hepatite, também chamada de Hepatite Aguda de Etiologia de Desconhecida ou Hepatite Misteriosa.

Vamos lá?

1) O que é Hepatite?

A Hepatite é uma doença inflamatória do fígado, de origem multifatorial e que pode gerar lesões neste órgão.

O fígado é um dos primeiros órgãos a metabolizar (filtrar) qualquer substância que entramos em contato e que absorvemos pelo sangue.

Portanto, como falei acima, vários fatores podem gerar lesões nele, como medicamentos, excesso de gordura (colesterol), agentes parasitários e infecciosos, como vírus e bactérias.

2) Quem causa a nova Hepatite?

Ainda não foi isolado um fator causal específico.

Em parte dos casos estudados, tem se tentado correlacionar a infecção pelo novo Coronavírus e/ou a coinfecção dele com o Adenovírus, um outro vírus comum que causa resfriado, com a nova Hepatite.

Mas ainda tudo é muito especulativo…

Até por isso, ela continua sendo chamada de “Hepatite Aguda de Etiologia Desconhecida”.

3) Por que as crianças podem ser mais susceptíveis?

Várias fatores estão sendo estudados, como por exemplo:

  • Algum cofator (ou a falta dele) que faça com que as crianças que adquiriram o Adenovírus comum estejam apresentando complicações mais sérias.
  • Um aumento da susceptibilidade devido ao isolamento social na Pandemia.
  • Uma complicação pela infecção pelo novo Coronavírus ou uma infecção associada com o Adenovírus comum
  • Uma complicação pela infecção pela variante Omicron ou uma nova mutação do Sars-Cov-2.
  • Uma toxina, droga ou exposição ambiental ainda não isolada.

4) Existem muitos casos notificados?

A OMS (Organização Mundial de Saúde) iniciou a primeira notificação de casos em 05 de Abril de 2022 na Escócia, totalizando 10 casos em crianças de 11 meses a 5 anos de idade, previamente saudáveis. Sete delas necessitaram de transplante de fígado e, todas, de internação.

Após isto, vários países da Europa também realizaram notificações de novos casos de Hepatites de causa desconhecida, como a Bélgica, Irlanda, França, Itália, Holanda, Espanha…

Na última atualização em 25 de abril, o número total de casos chegou a 145. Dos confirmados, 108 são residentes na Inglaterra, 17 na Escócia, 11 no País de Gales e 9 estão na Irlanda do Norte. Nenhuma criança morreu e nenhuma delas tinha tomado algum tipo de vacina contra covid-19.

5) E no Brasil?

No dia 28 de Abril de 2022, foi notificado o primeiro caso provável de Hepatite Aguda de Etiologia Desconhecida no estado do Rio de Janeiro.

Até o dia 05 de Maio, foram contabilizamos 7 casos prováveis nos estados do Rio de Janeiro e Paraná, os quais estão atualmente em investigação.

6) Quais são os sintomas da infecção?

Os sintomas mais comuns são:

Icterícia- amarelão (74%);
Vômitos (73%);
Acolia/hipocolia-cocô branco (58%);
Diarreia (49%);
Náusea (39,5%);
Letargia (55,6%);
Febre (29,6%)
Sintomas respiratórios (19,8%)

Em geral, os pais devem estar de olho e procurar auxílio médico se seus filhos apresentarem um quadro de diarreia e vômitos associado à icterícia (amarelão no corpo/ olhos).

7) O que é um caso provável?

Um quadro de Hepatite Aguda (com elevação das enzimas do fígado acima de 500 UI/L), após excluídas outras causas de Hepatites, em crianças com menos de 17 anos, após o dia 20 de Abril de 2022.

8) Outras causas de Hepatites?

Sim! Como disse acima, existem diversas causas de Hepatites.

As mais comuns acontecem após infecção por vírus (Hepatites A, B, C, D e E).

Então, só se deve pensar na nova Hepatite, após exclusão de outras causas de Hepatites (infecções, uso de medicamentos…).

9) Existem vacinas contra a Hepatite?

Sim!

Geralmente as crianças recebem a vacina contra a Hepatite B ao nascer. E com 2, 4 e 6 meses recebem reforços contidos na vacina Pentavalente Ou Hexavalente.

Após um ano de idade, as crianças recebem a vacina contra a Hepatite A. O SUS realiza dose única com 15 meses. Em âmbito particular, são realizadas duas doses com intervalo de 6 meses, geralmente com 12 meses e 18 meses.

É possível complementar (e digo que é até recomendável) a vacina feita pelo SUS contra a Hepatite A, 6 meses após a criança ter sido imunizada.

Para adultos que não receberam nenhuma vacina contra as Hepatites, é possível realizar em clínicas particulares a Vacina contra a Hepatite A e B conjuntamente.

*** ATUALIZAÇÃO ***

Enquanto preparava o texto para a publicação, surgiram novas notícias.

No dia 31/05/22, o Brasil notificou o seu primeiro caso provável de Hepatite de Causa Desconhecida.

O fato aconteceu em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, em uma adolescente de 16 anos.

Atualmente, no Brasil, existem 95 casos suspeitos e, 26 descartados. A maioria localizado na região Sudeste.

No mundo, a OMS já contabiliza 650 casos, em 33 países e um total de 9 óbitos pela doença.

Bem, por hoje é só!

Como toda nova doença tudo ainda é muito especulativo. Mais pode e deve ser estudado sobre.

Havendo novidades, eu volto com mais informações.

Nos vemos na próxima.

Até!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Hepatite Aguda de Causa Desconhecida- Sociedade de Pediatria de São Paulo- Texto divulgado em 16/05/2022. Link: https://www.spsp.org.br/2022/05/16/hepatite-aguda-de-causa-desconhecida/

2) Viver Bem- Portal UOL- Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/agencia-estado/2022/06/01/brasil-tem-1-caso-provavel-de-hepatite-misteriosa-que-ataca-criancas.htm – acesso 01/05/22

Meu filho engoliu uma moeda! E agora?!?

Imagem: https://www.todayonline.com/brandstudio/emergency/choking

Olá! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Hoje, aproveitando o novo documento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), lançado neste mês, irei abordar o tema “Ingestão de Corpos Estranhos”.

O que fazer se seu filho engoliu um objeto? Quando você deve se preocupar?

Falarei disso tudo nas próximas linhas, mas deixo o convite para você ler antes sobre os Acidentes Domésticos e o que fazer se seu filho bater a cabeça (quando levar ao PS):

https://clinicagoncalves.com/2020/06/09/acidentes/

Antes de começarmos, gosto de frisar que os acidentes, estatisticamente falando, acontecem mais na férias, feriados, finais-de-semana, em dias quentes e são mais comuns nos meninos, do que nas meninas.

Então, redobrem os cuidados nestes períodos!

1) Quais são os objetos que costumam ser mais ingeridos?

Nesta ordem: moedas, baterias, objetos perfuro-cortantes e imãs.

Destaque para as baterias, pelo risco de vazamento e complicações graves e para os ímãs, principalmente, os de neodímio, que têm maior poder magnético ou quando ingeridos em mais de uma unidade (dois ou mais)

2) Qual a gravidade da ingestão de corpos estranhos?

É claro que isso irá depender de vários fatores, principalmente, de qual tipo de objeto foi ingerido e há quanto tempo.

No entanto, temos dados tranquilizadores:

Cerca de 70-80% dos corpos estranhos ingeridos por crianças são eliminados espontaneamente, sem nenhuma necessidade de intervenção ou complicação.

Aproximadamente 20% dos casos necessitarão de retirada por endoscopia.

E, apenas, 1% deles necessitarão de retirada por cirurgia.

“Cerca de 70-80% dos corpos estranhos ingeridos por crianças são eliminados espontaneamente, sem nenhuma necessidade de intervenção ou complicação.”

3) Quais exames devem ser feitos para investigação?

Depois de retirada a história do paciente e realizado o exame físico, geralmente a radiografia de cervical (pescoço), tórax e abdômen é suficiente para a realização do diagnóstico.

Fonte: Ingestão de Corpos Estranhos- Sociedade Brasileira de Pediatria

A Tomografia fica reservada para os casos em que o objeto é rádio transparente- ou seja, não aparece na radiografia- e quando há risco de complicações.

Já a Endoscopia pode ser realizada para o diagnóstico e tratamento, em casos específicos (abordados a seguir)

4) Se eu não vi meu filho engolindo um objeto, como posso desconfiar?

Inicialmente, devemos levar em conta a idade.

Crianças de até 3 anos de idade estão em plena fase oral, sendo comum levar objetos à boca para descobri-los. Ainda assim, todo cuidado com os menores de 5 anos.

Além disso, podemos desconfiar de um caso de ingestão de corpo estranho quando a criança apresenta dor ou dificuldade para engolir, salivação, recusa alimentar, vômitos, saliva com sangue ou vômitos com sangue, fezes com sangramento ou dor no pescoço, tórax ou abdômen repentinas.

5) E o que eu faço se meu filho tiver engolido um objeto? Quando devo ir ao Pronto-Socorro?

Se o seu filho não estiver com nenhuma queixa (assintomático), se o que ele ingeriu for arredondado, com um comprimento menor que 2,5 cm de diâmetro ou 6 cm de comprimento, se este objeto não elimina substâncias tóxicas (como baterias, por exemplo) e se ele não tiver nenhuma problema gastrointestinal prévio (não passou por cirurgias anteriormente)- É TOTALMENTE POSSÍVEL AGUARDAR EM CASA.

Esse objeto com certeza será eliminado naturalmente (irá sair com as fezes).

Em caso contrário, principalmente se seu filho estiver sintomático, ou se o objeto ingerido for perfuro-cortante ou se ele for uma bateria, dois ou mais ímãs ou um ímã e um objeto metálico; ou ainda, se este objeto for maior que 2,5 cmx 6 cm, VOCÊ DEVE LEVÁ-LO AO PS.

*** IMPORTANTE ***

Importante! Porém cuidado.

Em regiões MUITO afastadas de hospitais ou na impossibilidade de realização de Endoscopia, nos casos de ingestão de baterias, pode-se realizar a administração de Mel (sempre para maiores de 1 ano de idade) ou Sulcrafato para evitar possíveis complicações.

Mas SEMPRE após a avaliação médica e esta conduta, não deve atrasar a realização de endoscopia.

5) Prevenção

Acidentes são acidentes.

Acontecem algumas vezes, por descuido.

Por esse motivo, muita atenção com as crianças pequenas. Sempre supervisione o seu filho e tenha cuidado na escolha de brinquedos.

Hoje já existem brinquedos com travas, justamente para evitar a retirada de baterias.

Mais do que isso, as empresas já estão produzindo baterias e até cartuchos de videogames com sabor amargo para que, caso a criança chegue a levá-los à boca, seja desencorajada a engoli-los.

Fonte: Olhar Digital
As fitas de Nintendo Switch são cobertas de Benzoato de Denatônio, componente amargo e não tóxico que impede a ingestão pelas crianças.
As fitas de Nintendo Switch são cobertas de Benzoato de Denatônio, componente amargo e não tóxico que impede a ingestão pelas crianças.
Fonte: http://www.arkade.com.br

Vamos cuidar dos nossos pequenos!

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É so deixá-las abaixo.

Nos vemos no próximo mês.

Vejo vocês lá.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Ingestão de Corpos Estranhos- Departamento Científico de Gastroenterologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Abril de 2022

Qual é o tempo certo para clampear o cordão umbilical?

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Cá estou novamente para responder a mais essa pergunta.

Antes disso, gostaria de falar sobre a Consulta Pré-Natal com o Pediatra e/ou Neonatologista.

Muito recorrente em alguns centros, mas pouco conhecida ou falada aqui, no local em que trabalho e resido.

É incrível que muitas pessoas não sabem que existe ou deveria existir alguém para receber o seu bebê após o nascimento. E que, conhecê-lo antes do parto, poderia ser mágico.

Todas as suas dúvidas e anseios poderiam ser respondidos e discutidos, como por exemplo: “qual é o tempo certo para clampear o cordão umbilical do seu bebê”.

É importante pontuar que para entrarmos a fundo na questão, é imprescindível que dividamos os bebês em dois grupos: Prematuros (menores que 34 semanas) dos Prematuros tardios (maiores que 34 semanas) e Recém-nascidos Termo.

  • Prematuros (menores que 34 semanas)

“…o clampeamento tardio do cordão umbilical (com mais de 30 segundos)…demonstrou redução da mortalidade, redução das taxas de hemorragia intracraniana, melhor estabilização da pressão arterial e menor necessidade de transfusões…”

No caso dos prematuros nascidos em boas condições, com choro forte e bom tônus, o tempo mínimo de clampeamento deveria ser de 30 segundos até a 60 segundos (1 minuto).

Um estudo de revisão da Cochrane, que incluiu mais de 4.000 prematuros e que, comparou os recém-nascidos que tiveram o clampeamento tardio do cordão umbilical (com mais de 30 segundos) com aqueles que não tiveram essa oportunidade, demonstrou redução da mortalidade, redução das taxas de hemorragia intracraniana, melhor estabilização da pressão arterial e menor necessidade de transfusões durante a internação naqueles incluídos no primeiro grupo.

E a ordenha do cordão umbilical?

Não há estudos com boa metodologia, até o momento, comparando o clampeamento precoce com a ordenha do cordão (manobra para tentar deslocar mais sangue do cordão para o bebê) para se dizer qual seria a melhor alternativa neste cenário, entretanto já existem estudos demonstrando o aumento de hemorragia intracraniana em bebês prematuros extremos (com menos de 28 semanas) que foram submetidos a manobra de ordenha ao nascer.

  • Prematuros tardios (maiores que 34 semanas) e Recém-nascidos termo

“…se o bebê termo apresentou um clampeamento precoce (com menos de um minuto de vida), a reposição de ferro deveria começar já nos 3 primeiros meses de vida e que aquilo seria um fator de risco para anemia futuramente.”

Semelhante ao primeiro grupo, este aqui num cenário de nascimento em boas condições (choro forte e bom tônus), deveria-se realizar o clampeamento do cordão umbilical entre 1 a 3 minutos.

Apenas isso, pode afetar na hemoglobina do recém-nascido já nas primeiras horas de vida e garantir um nível de ferritina (estoque de ferro) adequado para os próximos 3-6 meses.

Neste ponto, gostaria também de realizar uma pausa…

A atualização do Consenso de Anemia Ferropriva em Pediatria, em Agosto de 2021, pela Sociedade de Pediatria (SBP) incluiu o tempo de clampeamento do cordão umbilical como fator de risco para anemia.

Nele é pontuado que, se o bebê termo apresentou um clampeamento precoce (com menos de um minuto de vida), a reposição de ferro deveria começar já nos 3 primeiros meses de vida e que aquilo seria um fator de risco para anemia futuramente.

Veja como, o simples ato de aguardar um minuto, pode afetar o seu bebê nos próximos meses e como discutir isso com o seu Pediatra pode ser benéfico.

No entanto, como nem tudo são flores, bebês com mais hemoglobina também tem mais risco de icterícia (amarelão) e devem ser acompanhados de perto durante os primeiros dias de vida.

No que tange a ordenha do cordão umbilical, neste grupo de bebês, as evidências são insuficientes para tal recomendação, independentemente das condições de nascimento.

Para os bebês que não choram ao nascer, a recomendação é que seja feito o estímulo tátil no dorso (costas do bebê) em até duas ocasiões e caso não haja resposta, que seja feito o clampeamento precoce para o início das manobras de reanimação e estabilização pelo Pediatra.

Tudo que está descrito aqui acima foi baseado em uma Diretriz realizada em conjunto pela SBP e pela FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e publicada em Março deste ano, deixo o link abaixo.

Mais do que conhecer as recomendações é imprescindível que você as discuta (no bom sentido) com a equipe que fará o seu parto antes dele acontecer.

Todos sairão ganhando com isso, mas, principalmente, o seu bebê!

Espero ter respondido a mais essa.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Nos vemos em breve.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1- Diretriz- Recomendações sobre o Clampeamento do Cordão Umbilical- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia)- 17 de Março de 2022. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23396c-Diretrizes-Recom_Clamp_CordUmb.pdf

2- CONSENSO SOBRE ANEMIA FERROPRIVA: ATUALIZAÇÃO: DESTAQUES 2021- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)- Departamento de Nutrologia e Hematologia- atualizado 26/08/21. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23172c-Diretrizes-Consenso_sobre_Anemia_Ferropriva.pdf

Tudo o que você precisa saber sobre o Coronavirus nas crianças

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Hoje eu vou falar sobre tudo o que você tem curiosidade de saber sobre o Coronavirus envolvendo as crianças.

Bora lá?

1. As crianças pegam COVID?

A resposta é SIM! As crianças têm a mesma chance de adquirir a doença assim como os adultos.

Inclusive, elas também transmitem-na da mesma forma.

O que acontece é que pelo fato das crianças muitas vezes não apresentarem sintomas e/ou apresentarem sintomas mais leves, o número real de afetados pode ser subestimado. Além de muitas vezes elas não serem testadas.

2. Quais são os sintomas da COVID-19 em crianças?

Nos últimos estudos, foi estimado um tempo médio de incubação de cerca de 5 dias após o contato com alguém doente.

Os principais sintomas são gripais como febre, tosse, congestão nasal, coriza, dor de garganta, mas também podem haver sintomas mais graves como cansaço, chiado (sibilos) e pneumonia.

IMPORTANTE: os sintomas gastrointestinais, como vômitos e diarreia, são mais comuns nas crianças do que nos adultos.

3. Quais são os testes disponíveis?

Existem muitos tipos, mas vou destacar aqui os 3 principais:

  • RT-PCR: É o exame padrão-ouro para o diagnóstico da COVID-19. Realizado com cotonete (swab) da naso e orofaringe (nariz e boca) ou a partir da saliva- o que reduz a sensibilidade do teste. Pode ser colhido do 3º ao 10º dia de sintomas e pode demorar dias para o resultado final.
  • Teste Rápido de Antígeno: Exame colhido de nasofaringe, apenas. Tem um sensibilidade menor que o RT-PCR. Pode ser colhido até o quinto dia de sintomas, embora seja melhor entre o 3º ou 4º dia. O resultado costuma sair em horas.
  • Sorologia: Também conhecido como IgM e IgG. É um exame de sangue destinado ao diagnóstico retroativo, ou seja, para saber se você já teve COVID e não propriamente para o diagnóstico. O melhor momento para fazê-lo seria a partir da segunda semana do contato, idealmente a partir de 10 dias.

A ótima notícia é que a Anvisa acaba de liberar o “autoteste”. Exame que poderá ser comprado em farmácias e ser feito em casa.

De sensibilidade menor, o exame não substitui os anteriores, mas servirá para desafogar a demanda por testes, os quais estão escassos…

Entretanto, ele ajudará na identificação, isolamento das pessoas doentes e, assim, prevenindo a transmissão da doença.

4. As crianças precisam fazer o teste?

Depende!

Se a criança teve contato com pessoas que testaram positivo para a COVID-19, principalmente, pessoas do convívio, como os pais e irmãos, há uma grande chance dela também ter adquirido a doença, sendo neste caso, dispensável a coleta do exame.

5. Se meu filho testar positivo, o que devo fazer?

A primeira medida é CALMA!

Sim, estamos vivenciando um período de aumento do número de casos de COVID em crianças.

Com mais crianças acometidas, mais casos graves são documentados, naturalmente. Mas não podemos nos esquecer, que apesar disso, uma parte considerável das crianças terão formas leves ou assintomáticas da doença.

NOTA IMPORTANTE: NÃO EXISTE TRATAMENTO ESPECÍFICO CONTRA A COVID-19 LIBERADO PARA AS CRIANÇAS.

Portanto, o tratamento é exclusivamente de SUPORTE. Com antitérmicos, hidratação e repouso. Bem como realizamos há anos para a maioria das infecções virais, como a Dengue.

O uso de antibióticos está destinado apenas para crianças que apresentem infecções bacterianas associadas, como otites ou pneumonias.

Não acredite em fórmulas mágicas para o tratamento da COVID.

Nem utilize o mesmo tratamento de outra criança que conhece para o seu filho. O caso dele, não necessariamente, será igual ao de outro.

6. As aulas estão voltando. Eu deixo me filho ir para a Escola?

Este é um tema bastante polêmico.

A Sociedade Brasileira de Pediatria é fortemente favorável ao retorno às aulas em virtude da imensa perda social que tivemos nestes últimos anos de isolamento.

Pesa-se, no entanto, que o Brasil por ser um país muito heterogêneo possui particularidades que devem ser consideradas quanto a uma recomendação universal e irrestrita.

As escolas devem estar preparadas para receber as crianças em um ambiente seguro, evitando aglomerações, respeitando o distanciamento social, realizando a limpeza de superfícies recorrentemente, disponibilizando álcool em gel, exigindo o uso de máscaras e orientando os pequenos.

Os pais devem conversar com seus filhos e orientá-los, incentivando o uso de máscaras e a higiene das mãos.

A qualquer suspeita de COVID ou contato com pessoa doente, a criança deve realizar isolamento social e não frequentar a escola até passado o período de isolamento ou até ser descartada a doença.

7. Quanto tempo uma pessoa deve seguir isolada?

As recomendações mudaram recentemente.

O Ministério da Saúde orienta que caso a pessoa que adquiriu a doença esteja assintomática há 24h, sem febre e sem uso de medicações e que teste negativa por RT-PCR ou Teste de Antígenos no 5º dia do quadro (sendo o dia 1 o primeiro dia dos sintomas), ela poderá sair do isolamento social. Respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo.

Caso ela fique assintomática no 7 dia da doenca, ela também poderá sair do isolamento SEM TESTAGEM. Caso permaneça sintomática, ela deve testar no 8º dia, se o resultado do teste for negativo ela poderá sair do isolamento respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo. Se o resultado for positivo, ela deverá completar 10 dias de isolamento social.

Por fim, se ela ficar assintomática apenas no 10º dia, ela também poderá sair do isolamento social respeitando as medidas do Quadro 2 abaixo, SEM TESTAGEM.

8. Quero vacinar meu filho. As vacinas são seguras? Quem pode tomar as vacinas e quais estão disponíveis?

Todas as vacinas testadas já estão indo para a Fase IV (quer entender mais sobre isso? Confira a postagem sobre as vacinas em: https://clinicagoncalves.com/2021/02/06/estou-amamentando-posso-tomar-a-vacina-contra-o-coronavirus-e-meu-filho/ ), também chamada de Farmacovigilância, momento em que milhões de doses são aplicadas na população e são estudados os seus possíveis eventos adversos.

Importante destacar, que é justamente nesta Fase que a minoria dos eventos adversos são apontados.

Apenas nos Estados Unidos, mais de 7 milhões de doses da Vacina Pfizer foram aplicadas em crianças e a imensa maioria dos eventos adversos foram classificados como leves, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar.

Um dos principais medos dos pais, a miocardite após a vacina, foi documentada em apenas OITO CASOS e, em todos eles, a evolução clinica foi favorável (não ocorreu óbito).

No entanto, gosto de destacar que a miocardite, normalmente, é causa da por vírus comuns de resfriado… A infecção pelo SARS-Cov-2, vírus que causa a COVID, traz cerca de 20 vezes mais chance de miocardite do que a vacina.

A infecção pelo SARS-Cov-2, vírus que causa a COVID, traz cerca de 20 vezes mais chance de miocardite

A vacina Coronavac, por sua vez, já foi testada em mais de 3 milhões de crianças de 6-11 anos no Chile e mais de 211 milhões de crianças de 3-17 anos na China. Os estudos mostram que houve apenas 0,01% de eventos adversos e que, na sua imensa maioria, eram leves.

No Brasil, dispomos atualmente as duas vacinas citadas anteriormente:

Pfizer-BioNTech: Para crianças de 5-11 anos. Dose 10 microgramas (1/3 da dose dos adultos). Frasco de cor laranja. Intervalo de 8 semanas entre as doses- em estudo para o encurtamento deste tempo. Para adolescentes acima de 12 anos, a dose será igual a dos adultos, assim como o frasco de cor roxa. Intervalo de, pelo menos, 21 dias entre as doses.

Coronavac-Sinovac: Para crianças de 6-17 anos. Doses de 3 microgramas e intervalo de 28 dias entre as doses, o mesmo utilizado na população adulta. Em estudo para a inclusão de crianças menores (acima de 3 anos).

Por fim, deixo aqui o meu apelo e a minha sugestão de que vacinem os seus filhos.

Como venho insistindo nos meus canais, vacinar é um ato de amor.

Um ato de amor com o seu filho e com o próximo.

Apesar de, como falei anteriormente, muitas crianças serem assintomáticas ou apresentarem quadros leves, a COVID pode causar complicações tardias gravíssimas, como a própria miocardite, a COVID longa e a doença inflamatória multissistêmica pediátrica.

Tivemos 2.500 mortes de crianças pela COVID e suas complicações que poderiam ter sido evitadas pela vacinação.

Ainda, como as crianças são o atual grupo vulnerável, em virtude da não vacinação e da alta transmissibilidade da variante Ômicron, são justamente elas que devemos priorizar.

Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação, transmissão e propagação do vírus! Mais cedo sairemos dessa!

Jamais se esqueçam: VACINAS SALVAM VIDAS!!!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

  1. SBP- Vacina Covid- https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/o-brasil-deve-temer-a-doenca-nunca-o-remedio-1/
  2. SBP- Volta às aulas- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/SBP-RECOMENDACOES-RETORNO-AULAS-final.pdf
  3. SBP- Orientações a Respeito da Infecção pelo SARS-CoV-2- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Covid-19-Pais-DC-Infecto-DS__Rosely_Alves_Sobral_-convertido.pdf
  4. SBP- Criança precisa fazer exames de COVID?- https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/crianca-precisa-fazer-exame-da-covid-19-especialistas-explicam-quando-e-necessario/
  5. SBP- COVID – 19: Protocolo de Diagnóstico e Tratamento em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22487d-NA_-_COVID-_Protoc_de_Diag_Trat_em_UTI_Pediatrica.pdf

O surto de mão-pé-boca

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Depois de algum tempo sem postar, aqui estamos.

E desta vez, vim falar sobre uma doença que está acometendo muitas crianças, nesse momento, em todo Brasil, a síndrome ou doença mão-pé-boca (MPB).

  • O que é a doença mão-pé-boca (MPB)?

Ela é uma doença viral, muito contagiosa, que costuma ter um período maior de circulação no Outono e no Verão, em países de clima temperado. Em países tropicais como o Brasil, ela pode circular o ano todo.

  • Quem causa a doença?

A MPB foi relatada pela primeira vez em 1957 na Nova Zelândia e no Canadá.

Ela é causada por um grupo de vírus chamados de Enterovírus, dentre eles, os mais comuns são o EV71 (principalmente na Ásia) e o Coxsackie A16.

Importante pontuar que, atualmente, já foram descritos mais de 100 tipos de Enterovírus. Então muitas vezes, não conseguimos saber ou isolar o agente causal, a não ser em estudos clínicos e que, o isolamento, não muda o curso ou tratamento da doença.

  • Aparentemente estamos vivemos um momento de “surto” de MPB no Brasil. Qual o motivo?

“Surto” de MPB é definido quando temos dois ou mais casos em um determinado local, como escola ou creche.

Ainda assim, é notório o aumento do número de casos de MPB nos últimos meses.

O possível motivo seria pelo amplo contato das crianças com a atual reabertura de escolas e creches, devido à Pandemia causada pelo Sars-Cov-2, após um longo período de isolamento social.

  • Quais os sintomas da doença?

A síndrome pode iniciar com sintomas inespecíficos como febre alta e persistente, dor de garganta e redução da ingestão de alimentos.

Após alguns dias, podem surgir lesões ao redor da boca e/ou dentro da cavidade oral (úlceras/aftas na língua, gengiva e garganta), mãos e pés, não respeitando palmas e solas de pés- MARCA CARACTERÍSTICA DA DOENÇA, mas não exclusiva.

Podem surgir também lesões na região de face, orelhas, cotovelos, tornozelos, genitais e glúteos.

As lesões são ovaladas, como grãos-de-arroz, no corpo e ter característica de úlceras dentro da cavidade oral.

Na forma disseminada, podem surgir lesões vesico-bolhosas, principalmente nas extremidades.

Lesão Disseminada

Crianças que possuam doenças dermatológicas prévias, como a dermatite atópica (alérgica), podem apresentar uma forma mais exuberante, principalmente nas regiões já acometidas.

Foi descoberto também, que a gravidade e o número das lesões têm relação íntima com a quantidade de vírus que a criança foi exposta.

Complicações apesar de acontecerem, são mais raras, como meningites, meningoencefalites e/ou miocardites.

De 3 a 8 semanas após a infecção, pode haver o descolamento das unhas, chamado de onicomadese, e também a descamação de mãos e pés.

  • Quais são as pessoas mais propensas a adquirir a doença?

A MPB costuma acometer crianças menores de 5 anos.

Embora possa acometer crianças mais velhas e adultos, raramente.

A manifestação em adultos tem íntima relação com a quantidade de vírus que ele entrou em contato.

  • Como ela é transmitida?

Ela é transmitida pessoa a pessoa, direta ou indiretamente, por contato por secreções respiratórias (gotículas) e até pelas fezes.

O período de incubação ocorre entre 3-6 dias.

Após o início dos sintomas, o período máximo de transmissão ocorre na primeira semana da infecção. No entanto, pode haver transmissão por até 1-3 semanas.

Nas fezes pode haver transmissão por até 4 semanas.

  • Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico, levando-se em conta a exposição a outra criança com a doença.

Existem exames como sorologias, culturas e PCR mas não são feitos habitualmente.

O hemograma e demais exames são inespecíficos para doença.

  • Qual o tratamento?

Como ela é transmitida por um vírus, não há um tratamento específico, apenas sintomático.

Em casos graves, em que haja complicações e necessidade de internação, é indicado o uso de Imunoglobulina humana, embora não haja consenso.

O único antiviral testado, o Pleconaril, ainda não teve seu uso liberado. Vem sendo alvo de estudos para casos complicados, como os de meningite assépticas.

  • Como pode ser feita a prevenção?

Após a confirmação de um caso, deve ser garantido o isolamento social por no mínimo sete dias- fase de maior transmissão.

Medidas de higiene devem ser intensificadas em berçários, especialmente após a troca de fraldas.

A desinfecção de superfícies, objetos e brinquedos deve ser realizada constantemente.

A China, em 2015, aprovou uma vacina contra o EV 71, para prevenção das formas graves de MPB.  Não há, no entanto, experiências do uso da vacina fora deste país.

Espero ter elucidado as dúvidas de vocês.

Receamos que a retomada das atividades, após o longo período de isolamento social, possa ser um gatilho para emergência de vários surtos de doenças infectocontagiosas.

Vamos proteger os pequenos!

Ps.: CUIDADO! O OUTONO ESTÁ CHEGANDO- https://clinicagoncalves.com/2018/02/15/416/

Até a próxima,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua



Fontes:

  1. Síndrome Mão-Pé-Boca- Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria- Departamento Científico de Dermatologia e Departamento Científico de Infectologia- Setembro 2019

Meu filho está atrasado? – Desenvolvimento do nascimento aos 5 anos

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Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

A consulta pediátrica engloba quatro tópicos importantes: a alimentação, as vacinas, o desenvolvimento pôndero-estatural (ganho de peso e altura) e o desenvolvimento neuropsicomotor.

Hoje falaremos sobre o desenvolvimento neuropsicomotor, ou em outras palavras, os marcos de desenvolvimento esperados nas crianças, do nascimento até os 5 anos de idade.

É importante citar, que esse desenvolvimento ocorre da cabeça aos pés e, do centro para as extremidades do corpo e é por isso que o bebê nasce hipotônico (molinho) e quase sem nenhum controle do corpo e, com o passar dos meses, vai ganhando mais tônus até que passa a segurar o pescoço, sentar, rolar, engatinhar e, por fim, a andar ao redor do primeiro ano de vida.



  • Do nascimento ao primeiro mês de vida

Ao nascimento, o bebê é bem hipotônico (molinho) e tem um padrão flexor, mantendo os braços e as pernas dobrados. As mãos costumam ficar constantemente fechadas.

Os reflexos primitivos estão presentes e ativos e vão desaparecendo nos próximos meses.

Dentre eles, vale citar:

  1. Reflexo de busca e pontos cardinais: ao estimular o lábio ou região próxima da boca com o dedo, o bebê inclina o rosto e leva o lábio até o ponto estimulado, simulando a procura ao seio materno. Desaparece nos primeiros meses de vida, sendo normal, até o quarto mês.

2. Reflexo de preensão palmar: ao colocar o dedo na palma da mão do bebê, ele fecha a mão e os dedos, agarrando-o de forma firme e sem soltar. Desaparece entre o quarto e o sexto mês de vida.

3. Reflexo de marcha: ao colocar o bebê de pé sobre um plano, ele troca pequenos passos de forma reflexa. Desaparece após o segundo mês de vida.

4. Reflexo tônico-cervical assimétrico ou do esgrimista: após deixar a cabeça do bebê neutra, virando-a para um dos lados fará com que ele estenda o braço para o lado que a cabeça está virada e flexione o outro, para a parte de trás da cabeça, assim como um esgrimista. Desaparece até o terceiro mês de vida.

5. Reflexo de Moro: após uma desaceleração, por exemplo, ao abaixar de forma rápida a cabeça do bebê, ou então, após um ruído, ele deve abrir os braços e depois flexioná-los ao centro do corpo. As mães costumam confundir esse reflexo como um susto ou até convulsão, mas é mais um dos reflexos naturais e esperados. Desaparece até o sexto mês de vida.

6. Reflexo de preensão plantar: ao apoiar um dos dedos na planta do pé do bebê, os dedos do pés se fecham e o pezinho realiza flexão. Desaparece até o nono mês de vida.

7. Reflexo cutâneo-plantar: após realizar o reflexo anterior, se um estímulo for realizado do calcanhar a ponta do pé do bebê (de baixo para cima) e na sua parte mais externa, os dedos devem se abrir  “em leque”. Desaparece até os 12 meses de vida, podendo persistir de forma incompleta até os 15 meses.  

A audição é boa e o bebê reage aos sons do ambiente, podendo emitir pequenos grunhidos ou sons guturais.

A visão ainda é muito rudimentar. A criança enxerga tudo muito embaçado, sem definição de cores ou formas. Reconhece claro e escuro e começa a seguir objetos ao final do primeiro mês de vida.

Não possui padrão de sono, podendo passar várias horas do dia dormindo e acordar apenas para mamar. Não consegue distinguir dia e noite.



  • Do segundo ao terceiro mês de vida

A partir do segundo mês de vida, o bebê começa a ficar mais desperto, passando mais horas por dia acordado.

Ele começa a seguir objetos com a visão, dando preferência ao rosto humano.

É justamente nesta fase, em que a visão começa a melhorar, que a criança começa a ter o sorriso social, emitindo um sorriso quando vê o rosto dos pais.

Além de emitir balbucios ( “gu”, “gugu”, “angu”) e ficar extremamente feliz e agitada, mexendo braços e pernas simetricamente, nesta troca de olhares e carinho.

O sustento do pescoço começa a ficar melhor ao final dessa fase e a criança começa a ter o controle das mãos, pegando objetos e levando-os à boca, sem ainda ter domínio completo sobre o movimento.  

O sono começa a ficar mais regular, devido à produção de melatonina, bem como a definição de noite e dia (ciclo circadiano).



  • Do quarto ao sexto mês de vida

Devido ao bom controle do pescoço e à melhora da visão, com o reconhecimento de cores iniciado a partir do terceiro mês de vida, ficar deitado deixa de ser interessante para o bebê.

A criança prefere ficar no colo e/ou sentada com apoio nas costas, iniciando assim o movimento de sentar. O controle da coluna lombar e do quadril no entanto, ainda não são bons, o que pode fazer com que a criança se sustente poucos minutos nesta posição, sem o apoio adequado, ou ainda, cair para frente e/ou para os lados.

Todos os sons e atividades na casa passam a chamar a atenção e a serem interessantes. A mamada, que antes era fácil, agora pode ser intercortada por um mínimo barulho no ambiente.

Vai se adquirindo cada vez mais o controle das mãos, somado à perda do Reflexo de Preensão Palmar.

A criança nessa fase, começa a levar as mãos e objetos à boca, a balbuciar e a gritar bastante, as glândulas salivares aumentam a sua produção, o que torna comum o excesso de saliva (“babação”).

Além disso, ela pode começar o movimento de rolar com a ajuda dos braços, embora haja pouco controle do quadril, resultando num semi-giro ou rotação em 180 graus. Algumas crianças já conseguem pegar os pés e levam-nos à boca.

De barriga para baixo, o controle do pescoço já é bom, sustentando a cabeça nessa posição. Os braços estendidos à frente, vão pouco a pouco perdendo o contato do cotovelo com o plano, ao final desta fase.



  • Do sexto ao nono mês de vida

O controle da coluna lombar, quadril e pernas vai se aprimorando, fazendo com que ao longo dessa fase, a criança comece a sentar, inicialmente, com o apoio das mãos à frente e, posteriormente, sem apoio algum.

Ainda, ao mínimo desequilíbrio para os lados, devido ao bom controle das mãos, a criança passa a se sustentar caso escorregue. O mesmo não costuma acontecer, caso ela se desequilibre para trás.

Os objetos passam a ser passados e transferidos de uma mão à outra, sem nenhum tipo de preferência (não é possível saber se ela será destra ou canhota, ainda) e acabam sempre indo à boca.

A audição começa a melhorar e inicia-se a distinção de sons graves, de agudos.

A visão desenvolvida e, de forma associada à audição, começa a fazer com que a criança reconheça e estranhe pessoas que não são de seu vínculo social.

O rolamento, ao final desta fase, já deve ocorrer naturalmente. A criança começa a se posicionar com os braços estendidos e pernas flexionadas (apoio de quatro membros) e transicionar desta posição para a sentada, facilmente. Algumas já engatinham ou se arrastam.

Da parte da fala, após a emissão de algumas sílabas (“ma”, “pa”,”ga”), inicia-se o processo de junção de sílabas, a lalação.



  • Do nono mês ao primeiro ano de vida

Nesta fase, grande parte das crianças já engatinham ou se arrastam. Após atingirem o seu objetivo, elas se apoiam e tentam ficar de pé com apoio.

Com a ajuda de alguém ou apoiadas, iniciam a marcha lateral (andam para os lados), para só depois se arriscarem e tentarem os primeiros passos para frente, momento em que as quedas são frequentes.

Iniciam o movimento de pinça, com o dedo polegar e o indicador, e começam a pegar pequenos objetos com os dedos.

Momento de redobrar a atenção com as quedas, com as quinas de móveis, com as gavetas e móveis baixos que contenham objetos cortantes, materiais de limpeza e produtos tóxicos; além do cuidados com as tomadas.

Nesta fase, também, continuam a se assustar com estranhos e apresentam um vínculo cada vez maior com os familiares e, em especial, com a mãe.

Após a lalação (“dada”, “mama”, “papa”), podem começar a implicar algum significado a essas primeiras palavras.

Já é possível a compreensão de alguns comandos e a reação a ordens. Além de fazer pequenos gestos com as mãos como: “tchau”, “vem”, “bater palmas” ou “mandar beijo”.



  • Do primeiro ano aos 18 meses de vida

Aqui destacam-se a fala e a marcha (andar).

A criança começa a falar uma ou duas palavras até atingir um repertório de 50 palavras, em média, ao final desta fase.

Ela costuma a repetir as palavras que ouve no seu dia-a-dia e deve falar nomes ou sons de animais, nome de familiares e alimentos. O uso de chupeta e telas (celulares, computadores, tablets e televisão) é extremamente prejudicial a esse processo de aprendizado.

No começo, costuma a andar com as pernas bem abertas, com a base alargada (como cowboy) para buscar equilíbrio. Como dito, as quedas são frequentes.

Posteriormente, já anda melhor e começa a se aventurar pela casa, subindo degraus arrastando-se ou com apoio, além de tentar escalar móveis. Monta uma torre com dois cubos.

Já consegue retirar peças de roupa, sem ajuda dos pais, além de levar o alimento à boca.

Vínculo grande com a mãe.



  • Dos 18 aos 24 meses de vida

Nesta fase, o vocabulário da criança se expande de 50 para cerca de 200 palavras.

Além de nomes de animais, algumas crianças começam a falar o nome de uma ou de duas cores e começam a contar e a saber alguns números, sem ordem.

Ocorre a junção de duas palavras como: “me dá” ou “qué aguá” (quero água).

A criança já deve andar bem e começa a correr, além começar a subir degraus de pé com apoio. Consegue montar uma torre com quatro a seis cubos.

Apesar do grande vínculo materno, ao final dessa fase a criança começa a criar uma certa independência.



  • Dois anos de vida

Além do aumento expressivo do vocabulário, inicia-se a formação de frases curtas.

A criança já adquire independência dos pais e começa a explorar outros ambientes sozinha. Sobe e desce escadas sem ajuda, mas com apoio. Faz torre com cerca de oito blocos. Conseguem contar de 1 a 10, com falhas.

Já passa a brincar com outras crianças e a dividir brinquedos com amigos.

Além de possuir a noção da totalidade corporal, ou seja, sentir-se no seu corpo e de nomear partes dele. O que pode resultar num comportamento “egóico”. Usando pronomes como “meu”, “minha” e “eu” e portanto, tudo é “MEU”.

Algumas crianças já começam a ter controle esfincteriano e começam a reclamar das fraldas sujas, querendo tirá-las. Além de reconhecer o xixi e o cocô. O desfralde costuma acontecer entre o segundo e o quarto ano de vida- falamos disso neste post: https://clinicagoncalves.com/2020/07/17/esta-na-hora/.

Inicia-se o reconhecimento de gênero e a habilidade de identificar meninos e meninas.

A lateralidade começa a se definir, mas só teremos a certeza que a criança será destra ou canhota em torno dos 6-7 anos de vida.

Começam a ter um controle manual melhor e a segurar de uma forma mais firme o lápis (posição pronada). Desenham rabiscos e, ao final dessa fase, desenhos em espiral (garatujas) e círculos, podendo atribuir significados aos desenhos.

Conseguem também sair do chão pulando com os dois pés juntos.



  • Três anos de vida

Neste momento, a criança já forma frases mais complexas e se comunica bem.

Consegue contar histórias, expressar suas preferências pessoais e cantar. Sabe seu nome e idade.

Forma pontes, casas e estruturas mais complexas com blocos, além de associar uma história à montagem, brincando de faz-de-conta.

Consegue a segurar o lápis com uma pinça de quatro dedos (preensão quadrípode).

Começa a desenhar círculos e formas geométricas e a atribuir significados a eles, puxando tracinhos para a formação de um corpo humano, que pode ser algum ente querido (mãe ou pai), ou animal. Pode também atribuir cores a eles, por exemplo: “o vermelho é a mamãe e o azul é o papai”.

Já sobe e desce escadas sozinha e sem apoio, além de conseguir pedalar um velocípede.

Início da noção de tempo (ontem, hoje e amanhã).



  • Quatro anos de vida

Fala bem e sabe usar o tempo no passado.

Começa a entender melhor conceitos e consegue explicar palavras, além de agrupar objetos semelhantes num mesmo grupo (animais, frutas…).

Conta histórias e demonstras preferências, sem distinguir fantasia de realidade.

Apresenta habilidade motora aperfeiçoada. Transição da pinça quadrípode (com quatros dedos) para a trípode (com três dedos, semelhante a de um adulto), ao segurar o lápis e melhora no traço e ao desenhar formas geométricas.

Consegue pular num pé só.

A gagueira pode ser normal até essa idade.



  • Cinco anos de vida

Nesta fase, a criança fala bem, forma frases complexas, expressa sentimentos, começa a diferenciar fantasia de realidade e a usar o tempo futuro.

Limite esperado para a troca de letras ao falar (por exemplo, trocar “R” por “L”).

A habilidade motora está bem desenvolvida. A criança consegue fazer traços mais coesos e formas geométricas bem definidas. Começa a demonstrar a mão de preferência, a qual será definida ao redor do sexto ou sétimo ano de vida.

Pula num pé só e consegue alternar os pés ao saltar. Além de saltar distâncias maiores.

Começa a formação de censura, ou seja, diferenciar o certo do errado.

Agrupa-se com crianças do mesmo sexo e apresenta momentos de simpatia e antipatia pelo sexo oposto.

Inicia a sua identidade de gênero.

A partir do sexto ano, começamos a avaliar as habilidades motoras, sociais e cognitivas com o acompanhamento escolar, principalmente.

Espero ter elucidado as dúvidas de vocês!

Lembrando que existem variações de criança a criança e que apesar de ter delimitado limites de tempo/idade, eles não são fixos.

Acompanhe o desenvolvimento do seu filho junto do seu pediatra.

Até a próxima,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua



Fontes:

 FA, Campos Jr. D. Tratado de PediatriaSociedade Brasileira de Pediatria – 4ª Ed – Editora Manole – 2017

 Bueno, J. M. Psicomotricidade: teoria e prática- da escola à aquática. 1ed. São Paulo: Cortez,2013.

Prado, Cristiane do / Vale, Luciana Assis PRADOCristiane Do; VALE, Luciana Assis. Fisioterapia neonatal e pediátrica. 1 ed. Barueri: Manole, 2012

Imagem 1: https://www.guiadebemestar.com.br/brinquedos-montessori/- Em 30/09/2021

Com que idade posso dar mel para o meu bebê?

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje falaremos e explicaremos com que idade você pode dar mel para o seu filho e quais os riscos de ofertá-lo precocemente.

Vamos lá?

  • Com que idade posso dar mel para o meu bebê?

O mel é contraindicado para todas crianças com menos de 1 ano de idade. E devemos evitá-lo, também, até o segundo ano de vida.

  • Porque não devemos dar mel para uma criança com menos de 1 ano de idade?

O mel pode conter esporos de uma bactéria, o Clostridium botulinum, o qual pode causar uma doença gravíssima chamada de Botulismo.

  • O que é Botulismo?

O Botulismo é uma doença infecciosa que você pode adquirir ao ingerir a toxina ou os esporos de uma bactéria encontrada na natureza.

Essa bactéria também pode causar infecções em ferimentos abertos.

No entanto, pensando na faixa pediátrica, o que mais nos preocupamos é com o Botulismo Intestinal, que pode causar sequelas gravíssimas às crianças.

  • O que o Botulismo pode causar?

O Botulismo pode causar constipação e irritabilidade, em quadros leves, até a paralisia motora descendente.

Portanto, em quadros iniciais, ele pode causar problemas visuais como visão dupla, estrabismo, turvação visual.

Posteriormente, pode causar problemas de deglutição e engasgos, choro fraco, hipoatividade, dificuldade respiratória, paralisia muscular e até a morte.

  • Apenas o mel pode transmitir o Botulismo? O própolis e a geleia real também podem causar a infecção?

Não. Todos os derivados do mel, além de conservas caseiras como palmitos, picles, salsichas, carnes de lata, queijos, pescados…

Esta bactéria se multiplica em meio anaeróbio (com baixa fração de oxigênio), então as conservas, principalmente as artesanais, são potenciais focos da doença.

A fervura por 10 minutos à temperatura de apenas 80 graus Celsius pode desnaturar as toxinas desta bactéria. Já os esporos podem resistir por mais de 15 minutos em temperatura superior a 120 graus Celsius.

  • Porque as crianças são mais propensas a adquirir o Botulismo Intestinal?

As crianças estão em plena formação da sua flora intestinal, que além de ajudar na digestão, têm papel ativo na defesa do organismo contra bactérias invasoras.

  • Já que eu não devo ofertar o mel para o meu bebê, posso usar Xarope de Milho?

NÃO!!!

Como disse no começo do texto não devemos ofertar mel antes de 1 ano de vida e evitá-lo até os dois anos.

Mas por quê?

Porque não devemos ofertar QUALQUER tipo de açúcar às crianças até os dois anos de vida, momento em que o paladar está em formação, podendo haver perversão de um paladar imaturo, além do risco aumentado para Obesidade no futuro- lembrem-se 33% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e/ou obesas e 80% delas serão adultos obesos.

Quer saber mais? Clique aqui: https://clinicagoncalves.com/2020/02/12/obesidade-infantil-a-epidemia-parte-1/

Além disso, em estudo realizado em 2008, esporos de Clostridium botulinum também foram encontrados no xarope de milho. (link abaixo)

  • O Clostridium botulinum, bactéria que causa o Botulismo, então é um ser nocivo para o Homem?

Não necessariamente.

A toxina da bactéria é usada para diversos tratamentos clínicos, como casos de paralisias motoras, disfunções de glândulas salivares, disfunções de musculatura pélvica e bexiga e até para tratamentos cosméticos.

O famoso Botox!

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVESDeixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

  1. Manual Integrado de Vigilância Epidemiológica- Botulismo- Brasília 2006- Ministério da Saúde. link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_integrado_vigilancia_epidemiologica_botulismo.pdf

2. Esporos de Clostridium botulinum em mel comercializado no Estado de São Paulo e em outros Estados brasileiros. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.2, p.396-399, mar-abr, 2008. Link: https://www.scielo.br/j/cr/a/33TTjcy46f7jXfMbbYDRFqB/?format=pdf&lang=pt

3. BOTULISMO – TRANSMISSÃO, SINTOMAS E TRATAMENTO. Página MD Saúde. Link : https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/botulismo/

Quem pode tomar a vacina?- Atualização Junho

Olá! Tudo bom com vocês?

Em Fevereiro deste ano, escrevi sobre as vacinas contra a COVID-19.

Antes de prosseguir, recomendo fortemente que você leia este texto:

Estou amamentando. Posso tomar a vacina contra o Coronavírus? E meu filho?

Hoje, vou trazer atualizações sobre a vacina de COVID para Gestantes, Lactantes, Puérperas e Crianças.

É importante pontuar que a COVID-19 é uma doença grave em gestantes.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em 10 de Junho de 2021, liberou um documento que demonstrou o aumento do número de casos em gestantes: 455 casos em 2020 e 814 em 2021, o que representa 10 mortes maternas por semana em 2020 e 38 mortes maternas por semana em 2021.

Além disso, pontuou que “em comparação entre os anos 2020 e 2021, a mortalidade materna semanal aumentou em 283% e a mortalidade da população geral aumentou em 105%, confirmando os achados do CDC de que gestantes constituem grupo de maior risco de intubação orotraqueal, de internação em Unidades de Terapia Intensiva e de óbito.”

Sendo assim, é imperativo a vacinação deste grupo de pacientes. Devemos ter apenas uma ressalva.

Sobre a suspensão da Vacina Fiocruz/Oxford/Astrazeneca

Após a notificação de UM caso de STT (Síndrome de Trombose com Trombocitopenia) em investigação em uma gestante que recebeu a vacina Fiocruz/Oxford/Astrazeneca no Estado do Rio de Janeiro, optou-se por, até elucidação total do mesmo, interromper temporariamente a vacinação com vacinas de vetor viral para gestantes e puérperas.

Importante pontuar que, até o momento, este havia sido o primeiro relato deste tipo de reação adversa em gestantes no mundo, com incidência estimada de 1 caso para 100,000 doses administradas.

O que fazer então???

Enfatizo que todas as vacinas contra a COVID estão na fase 3 de desenvolvimento (de 4 fases totais)- não entendeu? no link acima isso é explicado melhor- e que em nenhum estudo de nenhuma vacina foram incluídas gestantes nessa fase.

Por outro lado, a tecnologia usada para a fabricação da vacina Sinovac/Butantan é a mesma utilizada para a fabricação da vacina da Gripe (vírus inativado) e que vem sido administrada em gestantes há anos sem quaisquer efeitos adversos.

Já a vacina da Pfizer/BioNTech, apesar de implicar tecnologia inovadora (RNA mensageiro) não demonstrou nenhum efeito adverso quando aplicado em gestantes de risco, nos estudos publicados até o momento.

Além disso, nenhuma delas mostrou ser teratogênica (induzir mal formações) em estudos com animais.

Portanto, para gestantes e puérperas estão liberadas as vacinas Sinovac/Butantan(Coronavac®) e Pfizer/BioNTech (Comirnaty®), que utilizam outras tecnologias de produção distintas da vacina Fiocruz/Oxford/AstraZeneca e que não demonstraram até o momento qualquer tipo de reação adversa semelhante.

Mas e se eu for gestante ou puérpera e já tiver tomado a vacina Fiocruz/Oxford/AstraZeneca?

A recomendação atual é que novas doses NÃO sejam feitas.

Aguardar o fim da gestação e do puerpério para a aplicação de nova dose (reforço).

Observar de 4-28 dias após a aplicação da vacina e procurar atendimento médico, caso ocorra o surgimento de:

o Falta de ar
o Dor no peito
o Inchaço em perna
o Dor abdominal persistente
o Sintomas neurológicos, como dor de cabeça persistente e de forte
intensidade, visão borrada, dificuldade na fala ou sonolência.
o Pequenas manchas avermelhadas na pele além do local em que foi
aplicada a vacina

Para as demais vacinas, deve-se realizar o esquema habitual e intervalos de tempo habituais entre as doses de reforço.

Mas e para as mães que estão amamentando?

Para os demais grupos de mães, lactantes NÃO PUÉRPERAS (após 45 dias após o parto) a recomendação da vacinação seria semelhante a dos demais grupos, ou seja, com qualquer uma das três vacinas respeitando a recomendação municipal.

Para crianças (grupos de menores de 18 anos de idade), no Brasil, nenhuma vacina AINDA foi liberado pelo Programa Nacional de Imunizações.

A ANVISA liberou, nesta semana, a vacina da Pfizer para maiores de 12 anos.

O município de Betim, em Minas Gerais, é um dos primeiros a iniciar a vacinação no país, neste grupo etário, no entanto, ainda sem o aval do Ministério da Saúde.

Inclusive hoje, dia 17 de Junho de 2021, a Prefeitura de São Roque começará a nova etapa de vacinação!

Se liga:

“A Prefeitura de São Roque vacina contra a covid-19 nesta quinta-feira, 17 de junho, gestantes e puérperas e pessoas com comorbidades ou deficiência física que tenham entre 18 e 59 anos. Grávidas e mulheres que tenham dado à luz há menos de 45 dias serão imunizadas das 8h às 11h, no Centro de Saúde II, na Avenida John Kenedy. É necessário apresentar a carteira de acompanhamento da gestação, um documento com foto e o comprovante de residência no momento da imunização.

Já pessoas com comorbidades ou deficiência física devem se dirigir aos postos de saúde dos bairros ou à Vigilância em Saúde (ao lado da Praça da República), das 8h às 12h.”

Se não for de São Roque, procure as redes sociais de seu munícipio.

A MAIOR VACINA É A INFORMAÇÃO! VAMOS NOS VACINAR! CUIDADO COM AS FAKE-NEWS!!!

Tendo mais informações e novidades, eu retorno.

Dúvidas? É só deixá-las abaixo!

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)- em 10/06/2021 https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1274-vacinacao-contra-a-covid-19-em-gestantes-e-puerperas

2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Pediatria(SBP) e Associação Médica Brasileira (AMB) – Eventos Adversos em gestantes e puérperas e a vacinação contra a Covid-19- Link: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/ea-gestantes_final-sbim-spb-febrasgo-amb-210521.pdf

3. Vacinas Covid-19- Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Guia Prático de Atualização
Departamento Científico de Imunizações (27 de Janeiro de 2021).

Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908f-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

4. Prefeitura Municipal de São Roque-SP Link: https://www.saoroque.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/8411/prefeitura-vacina-gestantes-puerperas-pessoas-com-comorbidades-e-com-deficiencia-nesta-quinta-feira

Dia 19 de Maio- Dia de doação do leite humano

Olá!

O ato de doar e ajudar o próximo é o um dos mais belos que o ser humano pode realizar.

Estamos acostumados a ouvir sobre doação de sangue e de órgãos, mas muito pouco se sabe sobre doação de leite e agora, no dia 19 de Maio, comemoramos o “Dia de doação de leite humano”.

Não há data melhor para informar, conscientizar e orientar as mães sobre a doação de leite.

O leite materno contém vários macro e micronutrientes, elementos bioativos, anticorpos, células de defesa e bactérias necessárias para a formação e maturação do intestino do bebê (microbioma) e do seu sistema imune.

Indiscutivelmente, ele é a melhor opção para a nutrição da crianças, exclusivamente, até o sexto mês de vida e de forma complementar, ao menos até o segundo ano de vida.

No entanto, é notório o número crescente de mães que não podem amamentar ou que possuem baixa produção láctea, principalmente quando falamos de mães de prematuros que estão internados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Apesar da possibilidade de complementação com fórmula adequada para a idade, nesses casos, o leite materno é a melhor opção para esses bebês que possuem uma enorme emergência nutricional e imune.

Quando falamos de doação de leite, é importante deixar claro que NÃO estamos falando ou incentivando a amamentação cruzada, ou seja, o ato de uma mãe que possui grande quantidade de leite passar a amamentar o filho de outra mãe com baixa ou nula produção. Isso é perigosíssimo e CONTRA-INDICADO, pelo risco de transmissão de doenças.

Estamos falando da doação a partir dos Bancos de Leite Humano.

Hoje o Brasil dispõe de 223 Bancos de Leite Humano e de 220 Postos de Coleta, que não representam apenas unidades de captação de leite. São locais que fornecem ajuda, esclarecimento e incentivo para as mães continuarem amamentando, sendo elas doadoras ou não.

O leite doado passa por um processo de pasteurização, impedindo a possibilidade de transmissão de doenças, a qual a amamentação cruzada poderia resultar.

Entretanto, nesse processo, algumas das propriedades do leite são perdidas, como fatores que estimulam a imunidade e que diminuem a atividade bacteriana.

O mesmo não se pode dizer dos fatores imunomoduladores, que ao contrário, são curiosamente aumentados e que protegem os prematuros de doenças como a displasia broncopulmonar, retinopatia, sepse e enterocolite. Bem como, os componentes nutricionais, que são mantidos como no leite cru.

Em 2020, apesar da pandemia e da redução do número de doações, foram realizados mais de UM MILHÃO de atendimentos nos Bancos de Leite e foram doados cerca de 200.000 litros de leite humano, o que beneficiou exatos 180.763 neonatos.

PARABÉNS A TODAS MAMÃES ENVOLVIDAS!!!

Você é lactante e quer ajudar?

Deixo abaixo os locais aqui na nossa região que aceitam a Doação do Leite Humano:

  1. Banco de Leite Humano do Conjunto Hospitalar de Sorocaba

Avenida Comendador Pereira Inácio, 564 Lageado18031-000 SOROCABA , SP

Telefone: 15-3332-9405

Horario Funcionamento: DOM – SEGUNDA – TERÇA – QUARTA – QUINTA – SEXTA – SÁB

Manhã: de 07:00:00 às 11:00:00

Tarde: de 12:00:00 às 19:00:00

Coleta Domiciliar: Sim

Hora Marcada: Não

2. Hospital Santa Lucinda


Rua Cláudio Manoel da Costa, 57 – Jd. Vergueiro
Sorocaba – SP

Telefone: (15) 3212.9900

Se você não for dessa região e quer saber qual o banco de leite mais próximo, ligue para o Disque-Saúde: 136.

Vamos fazer essa corrente de bem e amor!

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Nota de Destaque: 19 de maio – Dia de doação de leite humano- “Aumentando a conscientização sobre a doação de leite humano”- Sociedade Brasileira de Pediatra- 14 de Maio de 2021