Meu filho está atrasado? – Desenvolvimento do nascimento aos 5 anos

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Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

A consulta pediátrica engloba quatro tópicos importantes: a alimentação, as vacinas, o desenvolvimento pôndero-estatural (ganho de peso e altura) e o desenvolvimento neuropsicomotor.

Hoje falaremos sobre o desenvolvimento neuropsicomotor, ou em outras palavras, os marcos de desenvolvimento esperados nas crianças, do nascimento até os 5 anos de idade.

É importante citar, que esse desenvolvimento ocorre da cabeça aos pés e, do centro para as extremidades do corpo e é por isso que o bebê nasce hipotônico (molinho) e quase sem nenhum controle do corpo e, com o passar dos meses, vai ganhando mais tônus até que passa a segurar o pescoço, sentar, rolar, engatinhar e, por fim, a andar ao redor do primeiro ano de vida.



  • Do nascimento ao primeiro mês de vida

Ao nascimento, o bebê é bem hipotônico (molinho) e tem um padrão flexor, mantendo os braços e as pernas dobrados. As mãos costumam ficar constantemente fechadas.

Os reflexos primitivos estão presentes e ativos e vão desaparecendo nos próximos meses.

Dentre eles, vale citar:

  1. Reflexo de busca e pontos cardinais: ao estimular o lábio ou região próxima da boca com o dedo, o bebê inclina o rosto e leva o lábio até o ponto estimulado, simulando a procura ao seio materno. Desaparece nos primeiros meses de vida, sendo normal, até o quarto mês.

2. Reflexo de preensão palmar: ao colocar o dedo na palma da mão do bebê, ele fecha a mão e os dedos, agarrando-o de forma firme e sem soltar. Desaparece entre o quarto e o sexto mês de vida.

3. Reflexo de marcha: ao colocar o bebê de pé sobre um plano, ele troca pequenos passos de forma reflexa. Desaparece após o segundo mês de vida.

4. Reflexo tônico-cervical assimétrico ou do esgrimista: após deixar a cabeça do bebê neutra, virando-a para um dos lados fará com que ele estenda o braço para o lado que a cabeça está virada e flexione o outro, para a parte de trás da cabeça, assim como um esgrimista. Desaparece até o terceiro mês de vida.

5. Reflexo de Moro: após uma desaceleração, por exemplo, ao abaixar de forma rápida a cabeça do bebê, ou então, após um ruído, ele deve abrir os braços e depois flexioná-los ao centro do corpo. As mães costumam confundir esse reflexo como um susto ou até convulsão, mas é mais um dos reflexos naturais e esperados. Desaparece até o sexto mês de vida.

6. Reflexo de preensão plantar: ao apoiar um dos dedos na planta do pé do bebê, os dedos do pés se fecham e o pezinho realiza flexão. Desaparece até o nono mês de vida.

7. Reflexo cutâneo-plantar: após realizar o reflexo anterior, se um estímulo for realizado do calcanhar a ponta do pé do bebê (de baixo para cima) e na sua parte mais externa, os dedos devem se abrir  “em leque”. Desaparece até os 12 meses de vida, podendo persistir de forma incompleta até os 15 meses.  

A audição é boa e o bebê reage aos sons do ambiente, podendo emitir pequenos grunhidos ou sons guturais.

A visão ainda é muito rudimentar. A criança enxerga tudo muito embaçado, sem definição de cores ou formas. Reconhece claro e escuro e começa a seguir objetos ao final do primeiro mês de vida.

Não possui padrão de sono, podendo passar várias horas do dia dormindo e acordar apenas para mamar. Não consegue distinguir dia e noite.



  • Do segundo ao terceiro mês de vida

A partir do segundo mês de vida, o bebê começa a ficar mais desperto, passando mais horas por dia acordado.

Ele começa a seguir objetos com a visão, dando preferência ao rosto humano.

É justamente nesta fase, em que a visão começa a melhorar, que a criança começa a ter o sorriso social, emitindo um sorriso quando vê o rosto dos pais.

Além de emitir balbucios ( “gu”, “gugu”, “angu”) e ficar extremamente feliz e agitada, mexendo braços e pernas simetricamente, nesta troca de olhares e carinho.

O sustento do pescoço começa a ficar melhor ao final dessa fase e a criança começa a ter o controle das mãos, pegando objetos e levando-os à boca, sem ainda ter domínio completo sobre o movimento.  

O sono começa a ficar mais regular, devido à produção de melatonina, bem como a definição de noite e dia (ciclo circadiano).



  • Do quarto ao sexto mês de vida

Devido ao bom controle do pescoço e à melhora da visão, com o reconhecimento de cores iniciado a partir do terceiro mês de vida, ficar deitado deixa de ser interessante para o bebê.

A criança prefere ficar no colo e/ou sentada com apoio nas costas, iniciando assim o movimento de sentar. O controle da coluna lombar e do quadril no entanto, ainda não são bons, o que pode fazer com que a criança se sustente poucos minutos nesta posição, sem o apoio adequado, ou ainda, cair para frente e/ou para os lados.

Todos os sons e atividades na casa passam a chamar a atenção e a serem interessantes. A mamada, que antes era fácil, agora pode ser intercortada por um mínimo barulho no ambiente.

Vai se adquirindo cada vez mais o controle das mãos, somado à perda do Reflexo de Preensão Palmar.

A criança nessa fase, começa a levar as mãos e objetos à boca, a balbuciar e a gritar bastante, as glândulas salivares aumentam a sua produção, o que torna comum o excesso de saliva (“babação”).

Além disso, ela pode começar o movimento de rolar com a ajuda dos braços, embora haja pouco controle do quadril, resultando num semi-giro ou rotação em 180 graus. Algumas crianças já conseguem pegar os pés e levam-nos à boca.

De barriga para baixo, o controle do pescoço já é bom, sustentando a cabeça nessa posição. Os braços estendidos à frente, vão pouco a pouco perdendo o contato do cotovelo com o plano, ao final desta fase.



  • Do sexto ao nono mês de vida

O controle da coluna lombar, quadril e pernas vai se aprimorando, fazendo com que ao longo dessa fase, a criança comece a sentar, inicialmente, com o apoio das mãos à frente e, posteriormente, sem apoio algum.

Ainda, ao mínimo desequilíbrio para os lados, devido ao bom controle das mãos, a criança passa a se sustentar caso escorregue. O mesmo não costuma acontecer, caso ela se desequilibre para trás.

Os objetos passam a ser passados e transferidos de uma mão à outra, sem nenhum tipo de preferência (não é possível saber se ela será destra ou canhota, ainda) e acabam sempre indo à boca.

A audição começa a melhorar e inicia-se a distinção de sons graves, de agudos.

A visão desenvolvida e, de forma associada à audição, começa a fazer com que a criança reconheça e estranhe pessoas que não são de seu vínculo social.

O rolamento, ao final desta fase, já deve ocorrer naturalmente. A criança começa a se posicionar com os braços estendidos e pernas flexionadas (apoio de quatro membros) e transicionar desta posição para a sentada, facilmente. Algumas já engatinham ou se arrastam.

Da parte da fala, após a emissão de algumas sílabas (“ma”, “pa”,”ga”), inicia-se o processo de junção de sílabas, a lalação.



  • Do nono mês ao primeiro ano de vida

Nesta fase, grande parte das crianças já engatinham ou se arrastam. Após atingirem o seu objetivo, elas se apoiam e tentam ficar de pé com apoio.

Com a ajuda de alguém ou apoiadas, iniciam a marcha lateral (andam para os lados), para só depois se arriscarem e tentarem os primeiros passos para frente, momento em que as quedas são frequentes.

Iniciam o movimento de pinça, com o dedo polegar e o indicador, e começam a pegar pequenos objetos com os dedos.

Momento de redobrar a atenção com as quedas, com as quinas de móveis, com as gavetas e móveis baixos que contenham objetos cortantes, materiais de limpeza e produtos tóxicos; além do cuidados com as tomadas.

Nesta fase, também, continuam a se assustar com estranhos e apresentam um vínculo cada vez maior com os familiares e, em especial, com a mãe.

Após a lalação (“dada”, “mama”, “papa”), podem começar a implicar algum significado a essas primeiras palavras.

Já é possível a compreensão de alguns comandos e a reação a ordens. Além de fazer pequenos gestos com as mãos como: “tchau”, “vem”, “bater palmas” ou “mandar beijo”.



  • Do primeiro ano aos 18 meses de vida

Aqui destacam-se a fala e a marcha (andar).

A criança começa a falar uma ou duas palavras até atingir um repertório de 50 palavras, em média, ao final desta fase.

Ela costuma a repetir as palavras que ouve no seu dia-a-dia e deve falar nomes ou sons de animais, nome de familiares e alimentos. O uso de chupeta e telas (celulares, computadores, tablets e televisão) é extremamente prejudicial a esse processo de aprendizado.

No começo, costuma a andar com as pernas bem abertas, com a base alargada (como cowboy) para buscar equilíbrio. Como dito, as quedas são frequentes.

Posteriormente, já anda melhor e começa a se aventurar pela casa, subindo degraus arrastando-se ou com apoio, além de tentar escalar móveis. Monta uma torre com dois cubos.

Já consegue retirar peças de roupa, sem ajuda dos pais, além de levar o alimento à boca.

Vínculo grande com a mãe.



  • Dos 18 aos 24 meses de vida

Nesta fase, o vocabulário da criança se expande de 50 para cerca de 200 palavras.

Além de nomes de animais, algumas crianças começam a falar o nome de uma ou de duas cores e começam a contar e a saber alguns números, sem ordem.

Ocorre a junção de duas palavras como: “me dá” ou “qué aguá” (quero água).

A criança já deve andar bem e começa a correr, além começar a subir degraus de pé com apoio. Consegue montar uma torre com quatro a seis cubos.

Apesar do grande vínculo materno, ao final dessa fase a criança começa a criar uma certa independência.



  • Dois anos de vida

Além do aumento expressivo do vocabulário, inicia-se a formação de frases curtas.

A criança já adquire independência dos pais e começa a explorar outros ambientes sozinha. Sobe e desce escadas sem ajuda, mas com apoio. Faz torre com cerca de oito blocos. Conseguem contar de 1 a 10, com falhas.

Já passa a brincar com outras crianças e a dividir brinquedos com amigos.

Além de possuir a noção da totalidade corporal, ou seja, sentir-se no seu corpo e de nomear partes dele. O que pode resultar num comportamento “egóico”. Usando pronomes como “meu”, “minha” e “eu” e portanto, tudo é “MEU”.

Algumas crianças já começam a ter controle esfincteriano e começam a reclamar das fraldas sujas, querendo tirá-las. Além de reconhecer o xixi e o cocô. O desfralde costuma acontecer entre o segundo e o quarto ano de vida- falamos disso neste post: https://clinicagoncalves.com/2020/07/17/esta-na-hora/.

Inicia-se o reconhecimento de gênero e a habilidade de identificar meninos e meninas.

A lateralidade começa a se definir, mas só teremos a certeza que a criança será destra ou canhota em torno dos 6-7 anos de vida.

Começam a ter um controle manual melhor e a segurar de uma forma mais firme o lápis (posição pronada). Desenham rabiscos e, ao final dessa fase, desenhos em espiral (garatujas) e círculos, podendo atribuir significados aos desenhos.

Conseguem também sair do chão pulando com os dois pés juntos.



  • Três anos de vida

Neste momento, a criança já forma frases mais complexas e se comunica bem.

Consegue contar histórias, expressar suas preferências pessoais e cantar. Sabe seu nome e idade.

Forma pontes, casas e estruturas mais complexas com blocos, além de associar uma história à montagem, brincando de faz-de-conta.

Consegue a segurar o lápis com uma pinça de quatro dedos (preensão quadrípode).

Começa a desenhar círculos e formas geométricas e a atribuir significados a eles, puxando tracinhos para a formação de um corpo humano, que pode ser algum ente querido (mãe ou pai), ou animal. Pode também atribuir cores a eles, por exemplo: “o vermelho é a mamãe e o azul é o papai”.

Já sobe e desce escadas sozinha e sem apoio, além de conseguir pedalar um velocípede.

Início da noção de tempo (ontem, hoje e amanhã).



  • Quatro anos de vida

Fala bem e sabe usar o tempo no passado.

Começa a entender melhor conceitos e consegue explicar palavras, além de agrupar objetos semelhantes num mesmo grupo (animais, frutas…).

Conta histórias e demonstras preferências, sem distinguir fantasia de realidade.

Apresenta habilidade motora aperfeiçoada. Transição da pinça quadrípode (com quatros dedos) para a trípode (com três dedos, semelhante a de um adulto), ao segurar o lápis e melhora no traço e ao desenhar formas geométricas.

Consegue pular num pé só.

A gagueira pode ser normal até essa idade.



  • Cinco anos de vida

Nesta fase, a criança fala bem, forma frases complexas, expressa sentimentos, começa a diferenciar fantasia de realidade e a usar o tempo futuro.

Limite esperado para a troca de letras ao falar (por exemplo, trocar “R” por “L”).

A habilidade motora está bem desenvolvida. A criança consegue fazer traços mais coesos e formas geométricas bem definidas. Começa a demonstrar a mão de preferência, a qual será definida ao redor do sexto ou sétimo ano de vida.

Pula num pé só e consegue alternar os pés ao saltar. Além de saltar distâncias maiores.

Começa a formação de censura, ou seja, diferenciar o certo do errado.

Agrupa-se com crianças do mesmo sexo e apresenta momentos de simpatia e antipatia pelo sexo oposto.

Inicia a sua identidade de gênero.

A partir do sexto ano, começamos a avaliar as habilidades motoras, sociais e cognitivas com o acompanhamento escolar, principalmente.

Espero ter elucidado as dúvidas de vocês!

Lembrando que existem variações de criança a criança e que apesar de ter delimitado limites de tempo/idade, eles não são fixos.

Acompanhe o desenvolvimento do seu filho junto do seu pediatra.

Até a próxima,

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua



Fontes:

 FA, Campos Jr. D. Tratado de PediatriaSociedade Brasileira de Pediatria – 4ª Ed – Editora Manole – 2017

 Bueno, J. M. Psicomotricidade: teoria e prática- da escola à aquática. 1ed. São Paulo: Cortez,2013.

Prado, Cristiane do / Vale, Luciana Assis PRADOCristiane Do; VALE, Luciana Assis. Fisioterapia neonatal e pediátrica. 1 ed. Barueri: Manole, 2012

Imagem 1: https://www.guiadebemestar.com.br/brinquedos-montessori/- Em 30/09/2021

Com que idade posso dar mel para o meu bebê?

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje falaremos e explicaremos com que idade você pode dar mel para o seu filho e quais os riscos de ofertá-lo precocemente.

Vamos lá?

  • Com que idade posso dar mel para o meu bebê?

O mel é contraindicado para todas crianças com menos de 1 ano de idade. E devemos evitá-lo, também, até o segundo ano de vida.

  • Porque não devemos dar mel para uma criança com menos de 1 ano de idade?

O mel pode conter esporos de uma bactéria, o Clostridium botulinum, o qual pode causar uma doença gravíssima chamada de Botulismo.

  • O que é Botulismo?

O Botulismo é uma doença infecciosa que você pode adquirir ao ingerir a toxina ou os esporos de uma bactéria encontrada na natureza.

Essa bactéria também pode causar infecções em ferimentos abertos.

No entanto, pensando na faixa pediátrica, o que mais nos preocupamos é com o Botulismo Intestinal, que pode causar sequelas gravíssimas às crianças.

  • O que o Botulismo pode causar?

O Botulismo pode causar constipação e irritabilidade, em quadros leves, até a paralisia motora descendente.

Portanto, em quadros iniciais, ele pode causar problemas visuais como visão dupla, estrabismo, turvação visual.

Posteriormente, pode causar problemas de deglutição e engasgos, choro fraco, hipoatividade, dificuldade respiratória, paralisia muscular e até a morte.

  • Apenas o mel pode transmitir o Botulismo? O própolis e a geleia real também podem causar a infecção?

Não. Todos os derivados do mel, além de conservas caseiras como palmitos, picles, salsichas, carnes de lata, queijos, pescados…

Esta bactéria se multiplica em meio anaeróbio (com baixa fração de oxigênio), então as conservas, principalmente as artesanais, são potenciais focos da doença.

A fervura por 10 minutos à temperatura de apenas 80 graus Celsius pode desnaturar as toxinas desta bactéria. Já os esporos podem resistir por mais de 15 minutos em temperatura superior a 120 graus Celsius.

  • Porque as crianças são mais propensas a adquirir o Botulismo Intestinal?

As crianças estão em plena formação da sua flora intestinal, que além de ajudar na digestão, têm papel ativo na defesa do organismo contra bactérias invasoras.

  • Já que eu não devo ofertar o mel para o meu bebê, posso usar Xarope de Milho?

NÃO!!!

Como disse no começo do texto não devemos ofertar mel antes de 1 ano de vida e evitá-lo até os dois anos.

Mas por quê?

Porque não devemos ofertar QUALQUER tipo de açúcar às crianças até os dois anos de vida, momento em que o paladar está em formação, podendo haver perversão de um paladar imaturo, além do risco aumentado para Obesidade no futuro- lembrem-se 33% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e/ou obesas e 80% delas serão adultos obesos.

Quer saber mais? Clique aqui: https://clinicagoncalves.com/2020/02/12/obesidade-infantil-a-epidemia-parte-1/

Além disso, em estudo realizado em 2008, esporos de Clostridium botulinum também foram encontrados no xarope de milho. (link abaixo)

  • O Clostridium botulinum, bactéria que causa o Botulismo, então é um ser nocivo para o Homem?

Não necessariamente.

A toxina da bactéria é usada para diversos tratamentos clínicos, como casos de paralisias motoras, disfunções de glândulas salivares, disfunções de musculatura pélvica e bexiga e até para tratamentos cosméticos.

O famoso Botox!

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVESDeixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

  1. Manual Integrado de Vigilância Epidemiológica- Botulismo- Brasília 2006- Ministério da Saúde. link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_integrado_vigilancia_epidemiologica_botulismo.pdf

2. Esporos de Clostridium botulinum em mel comercializado no Estado de São Paulo e em outros Estados brasileiros. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.2, p.396-399, mar-abr, 2008. Link: https://www.scielo.br/j/cr/a/33TTjcy46f7jXfMbbYDRFqB/?format=pdf&lang=pt

3. BOTULISMO – TRANSMISSÃO, SINTOMAS E TRATAMENTO. Página MD Saúde. Link : https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/botulismo/

Quem pode tomar a vacina?- Atualização Junho

Olá! Tudo bom com vocês?

Em Fevereiro deste ano, escrevi sobre as vacinas contra a COVID-19.

Antes de prosseguir, recomendo fortemente que você leia este texto:

Estou amamentando. Posso tomar a vacina contra o Coronavírus? E meu filho?

Hoje, vou trazer atualizações sobre a vacina de COVID para Gestantes, Lactantes, Puérperas e Crianças.

É importante pontuar que a COVID-19 é uma doença grave em gestantes.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em 10 de Junho de 2021, liberou um documento que demonstrou o aumento do número de casos em gestantes: 455 casos em 2020 e 814 em 2021, o que representa 10 mortes maternas por semana em 2020 e 38 mortes maternas por semana em 2021.

Além disso, pontuou que “em comparação entre os anos 2020 e 2021, a mortalidade materna semanal aumentou em 283% e a mortalidade da população geral aumentou em 105%, confirmando os achados do CDC de que gestantes constituem grupo de maior risco de intubação orotraqueal, de internação em Unidades de Terapia Intensiva e de óbito.”

Sendo assim, é imperativo a vacinação deste grupo de pacientes. Devemos ter apenas uma ressalva.

Sobre a suspensão da Vacina Fiocruz/Oxford/Astrazeneca

Após a notificação de UM caso de STT (Síndrome de Trombose com Trombocitopenia) em investigação em uma gestante que recebeu a vacina Fiocruz/Oxford/Astrazeneca no Estado do Rio de Janeiro, optou-se por, até elucidação total do mesmo, interromper temporariamente a vacinação com vacinas de vetor viral para gestantes e puérperas.

Importante pontuar que, até o momento, este havia sido o primeiro relato deste tipo de reação adversa em gestantes no mundo, com incidência estimada de 1 caso para 100,000 doses administradas.

O que fazer então???

Enfatizo que todas as vacinas contra a COVID estão na fase 3 de desenvolvimento (de 4 fases totais)- não entendeu? no link acima isso é explicado melhor- e que em nenhum estudo de nenhuma vacina foram incluídas gestantes nessa fase.

Por outro lado, a tecnologia usada para a fabricação da vacina Sinovac/Butantan é a mesma utilizada para a fabricação da vacina da Gripe (vírus inativado) e que vem sido administrada em gestantes há anos sem quaisquer efeitos adversos.

Já a vacina da Pfizer/BioNTech, apesar de implicar tecnologia inovadora (RNA mensageiro) não demonstrou nenhum efeito adverso quando aplicado em gestantes de risco, nos estudos publicados até o momento.

Além disso, nenhuma delas mostrou ser teratogênica (induzir mal formações) em estudos com animais.

Portanto, para gestantes e puérperas estão liberadas as vacinas Sinovac/Butantan(Coronavac®) e Pfizer/BioNTech (Comirnaty®), que utilizam outras tecnologias de produção distintas da vacina Fiocruz/Oxford/AstraZeneca e que não demonstraram até o momento qualquer tipo de reação adversa semelhante.

Mas e se eu for gestante ou puérpera e já tiver tomado a vacina Fiocruz/Oxford/AstraZeneca?

A recomendação atual é que novas doses NÃO sejam feitas.

Aguardar o fim da gestação e do puerpério para a aplicação de nova dose (reforço).

Observar de 4-28 dias após a aplicação da vacina e procurar atendimento médico, caso ocorra o surgimento de:

o Falta de ar
o Dor no peito
o Inchaço em perna
o Dor abdominal persistente
o Sintomas neurológicos, como dor de cabeça persistente e de forte
intensidade, visão borrada, dificuldade na fala ou sonolência.
o Pequenas manchas avermelhadas na pele além do local em que foi
aplicada a vacina

Para as demais vacinas, deve-se realizar o esquema habitual e intervalos de tempo habituais entre as doses de reforço.

Mas e para as mães que estão amamentando?

Para os demais grupos de mães, lactantes NÃO PUÉRPERAS (após 45 dias após o parto) a recomendação da vacinação seria semelhante a dos demais grupos, ou seja, com qualquer uma das três vacinas respeitando a recomendação municipal.

Para crianças (grupos de menores de 18 anos de idade), no Brasil, nenhuma vacina AINDA foi liberado pelo Programa Nacional de Imunizações.

A ANVISA liberou, nesta semana, a vacina da Pfizer para maiores de 12 anos.

O município de Betim, em Minas Gerais, é um dos primeiros a iniciar a vacinação no país, neste grupo etário, no entanto, ainda sem o aval do Ministério da Saúde.

Inclusive hoje, dia 17 de Junho de 2021, a Prefeitura de São Roque começará a nova etapa de vacinação!

Se liga:

“A Prefeitura de São Roque vacina contra a covid-19 nesta quinta-feira, 17 de junho, gestantes e puérperas e pessoas com comorbidades ou deficiência física que tenham entre 18 e 59 anos. Grávidas e mulheres que tenham dado à luz há menos de 45 dias serão imunizadas das 8h às 11h, no Centro de Saúde II, na Avenida John Kenedy. É necessário apresentar a carteira de acompanhamento da gestação, um documento com foto e o comprovante de residência no momento da imunização.

Já pessoas com comorbidades ou deficiência física devem se dirigir aos postos de saúde dos bairros ou à Vigilância em Saúde (ao lado da Praça da República), das 8h às 12h.”

Se não for de São Roque, procure as redes sociais de seu munícipio.

A MAIOR VACINA É A INFORMAÇÃO! VAMOS NOS VACINAR! CUIDADO COM AS FAKE-NEWS!!!

Tendo mais informações e novidades, eu retorno.

Dúvidas? É só deixá-las abaixo!

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)- em 10/06/2021 https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1274-vacinacao-contra-a-covid-19-em-gestantes-e-puerperas

2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Pediatria(SBP) e Associação Médica Brasileira (AMB) – Eventos Adversos em gestantes e puérperas e a vacinação contra a Covid-19- Link: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/ea-gestantes_final-sbim-spb-febrasgo-amb-210521.pdf

3. Vacinas Covid-19- Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Guia Prático de Atualização
Departamento Científico de Imunizações (27 de Janeiro de 2021).

Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908f-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

4. Prefeitura Municipal de São Roque-SP Link: https://www.saoroque.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/8411/prefeitura-vacina-gestantes-puerperas-pessoas-com-comorbidades-e-com-deficiencia-nesta-quinta-feira

Dia 19 de Maio- Dia de doação do leite humano

Olá!

O ato de doar e ajudar o próximo é o um dos mais belos que o ser humano pode realizar.

Estamos acostumados a ouvir sobre doação de sangue e de órgãos, mas muito pouco se sabe sobre doação de leite e agora, no dia 19 de Maio, comemoramos o “Dia de doação de leite humano”.

Não há data melhor para informar, conscientizar e orientar as mães sobre a doação de leite.

O leite materno contém vários macro e micronutrientes, elementos bioativos, anticorpos, células de defesa e bactérias necessárias para a formação e maturação do intestino do bebê (microbioma) e do seu sistema imune.

Indiscutivelmente, ele é a melhor opção para a nutrição da crianças, exclusivamente, até o sexto mês de vida e de forma complementar, ao menos até o segundo ano de vida.

No entanto, é notório o número crescente de mães que não podem amamentar ou que possuem baixa produção láctea, principalmente quando falamos de mães de prematuros que estão internados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Apesar da possibilidade de complementação com fórmula adequada para a idade, nesses casos, o leite materno é a melhor opção para esses bebês que possuem uma enorme emergência nutricional e imune.

Quando falamos de doação de leite, é importante deixar claro que NÃO estamos falando ou incentivando a amamentação cruzada, ou seja, o ato de uma mãe que possui grande quantidade de leite passar a amamentar o filho de outra mãe com baixa ou nula produção. Isso é perigosíssimo e CONTRA-INDICADO, pelo risco de transmissão de doenças.

Estamos falando da doação a partir dos Bancos de Leite Humano.

Hoje o Brasil dispõe de 223 Bancos de Leite Humano e de 220 Postos de Coleta, que não representam apenas unidades de captação de leite. São locais que fornecem ajuda, esclarecimento e incentivo para as mães continuarem amamentando, sendo elas doadoras ou não.

O leite doado passa por um processo de pasteurização, impedindo a possibilidade de transmissão de doenças, a qual a amamentação cruzada poderia resultar.

Entretanto, nesse processo, algumas das propriedades do leite são perdidas, como fatores que estimulam a imunidade e que diminuem a atividade bacteriana.

O mesmo não se pode dizer dos fatores imunomoduladores, que ao contrário, são curiosamente aumentados e que protegem os prematuros de doenças como a displasia broncopulmonar, retinopatia, sepse e enterocolite. Bem como, os componentes nutricionais, que são mantidos como no leite cru.

Em 2020, apesar da pandemia e da redução do número de doações, foram realizados mais de UM MILHÃO de atendimentos nos Bancos de Leite e foram doados cerca de 200.000 litros de leite humano, o que beneficiou exatos 180.763 neonatos.

PARABÉNS A TODAS MAMÃES ENVOLVIDAS!!!

Você é lactante e quer ajudar?

Deixo abaixo os locais aqui na nossa região que aceitam a Doação do Leite Humano:

  1. Banco de Leite Humano do Conjunto Hospitalar de Sorocaba

Avenida Comendador Pereira Inácio, 564 Lageado18031-000 SOROCABA , SP

Telefone: 15-3332-9405

Horario Funcionamento: DOM – SEGUNDA – TERÇA – QUARTA – QUINTA – SEXTA – SÁB

Manhã: de 07:00:00 às 11:00:00

Tarde: de 12:00:00 às 19:00:00

Coleta Domiciliar: Sim

Hora Marcada: Não

2. Hospital Santa Lucinda


Rua Cláudio Manoel da Costa, 57 – Jd. Vergueiro
Sorocaba – SP

Telefone: (15) 3212.9900

Se você não for dessa região e quer saber qual o banco de leite mais próximo, ligue para o Disque-Saúde: 136.

Vamos fazer essa corrente de bem e amor!

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Nota de Destaque: 19 de maio – Dia de doação de leite humano- “Aumentando a conscientização sobre a doação de leite humano”- Sociedade Brasileira de Pediatra- 14 de Maio de 2021

Como sei se meu filho passa por maus-tratos?

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim.

Em virtude de tantos casos de maus-tratos contra a criança sendo noticiados ultimamente na mídia, achei que fosse o momento ideal de falar sobre o assunto.

Nem sempre o abuso é físico ou sexual.

Os maus-tratos contra a criança também englobam o abuso psicológico, consistindo na submissão da criança ou adolescente, agressões verbais, desqualificação, culpabilização, cobranças excessivas e punições humilhantes; bem como a violência química, intoxicações e envenenamentos, bullying, a Síndrome de Munchausen, que consiste na simulação de sinais e sintomas na criança pelos pais ou cuidadores para ganho terciário e até na alienação parenteral, quando um dos cuidadores promove ou induz aversão ao outro cuidador, prejudicando o vínculo entre eles.

Números

As causas externas correspondem a uma grande parte das mortes no Brasil. Elas englobam os acidentes de trânsito, quedas, queimaduras, afogamentos, bem como as agressões (violência) e o suicídio ou tentativa de pratica-lo.

Entre os casos fatais, apresentaram o valor de 5,4% nos menores de 5 anos, quase 30% no grupo de 5 a 9 anos, mais de 42% na faixa de 10 a 14 e quase 75% nos adolescentes de 15 a 19 anos.

Uma das formas de reduzirmos a violência é denunciando:

NÃO SE CALE! DISQUE 100. Sua denúncia será registrada anonimamente.

Ou acione a Polícia Militar pelo 190.

NÃO SE CALE!!

Durante a Pandemia- anos 2020 e 2021- tivemos redução do número de denúncias, provavelmente por subnotificação.

Com o maior tempo de pais e filhos em casa, esperaríamos na verdade e infelizmente, um aumento do número de casos de violência contra a mulher e contra a criança…

NÃO SE CALE!!!

Está certo, mas como posso desconfiar que meu filho está sofrendo algum tipo de violência?

Muitas vezes, a criança não apresenta nenhuma alteração no exame físico.

Nenhuma marca ou hematoma, mas isso não significa que esteja tudo bem.

Sempre desconfie se o seu filho ou quem estava com ele, após o surgimento de uma lesão, contar uma história que a justifique que não pareça compatível ou que seja fantasiosa. Ou ainda mais, se ele ou essa pessoa mudar fatos e/ou pontos da história quando confrontado.

Outro fator para desconfiança seria a demora para procurar ajuda, numa história de trauma grave ou o medo expresso da criança e/ou adolescente em contar o mecanismo do trauma, principalmente, se ele estiver próximo do possível agressor.

Além disso, se a queda foi o mecanismo de trauma alegado, sempre tente saber a altura da queda, superfície de contato, se havia testemunhas no local… Uma queda de altura superior a 1,50 metro pode causar lesão grave, uma queda menor que isso, muito possivelmente não.

Traumas repetitivos também suscitam em suspeita. Principalmente se eles não condizerem com a fase evolutiva neurológica da criança, por exemplo, alegar que a criança rolou e caiu em se tratando de um recém-nascido ou a presença de vários hematomas em dorso numa história de queda do berço.

Ainda devemos observar o contexto social em que a criança está inserida.

Se existe história positiva de cuidadores com uso abusivo de álcool ou drogas, história pregressa de agressão a mulher, criança e/ou animais, história de doença mental ou depressão ou de abuso na infância. Tudo isso deve ser considerado.

O comportamento da criança também é muito importante.

Qualquer mudança abrupta como tristeza, depressão, choros inexplicados, apatia, auto-mutilação, falta de apetite, enurese noturna (xixi na cama) ou então agressividade, isolamento social também merecem atenção.

Uma criança que, por outro lado, apresente exposição e manipulação frequente de genitais, jogos eróticos e sexualização que não condizem com a idade, curiosidade sexual excessiva, introdução de objetos no ânus e/ou vagina pode indicar que ela esteja sofrendo abuso sexual.

Ainda, havendo lesão, existem alguns tipos que são mais características de abuso físico:

Vamos cuidar dos nossos pequenos.

NÃO SE CALE! DISQUE 100. Denuncie.

Dúvidas ou sugestões? É só deixar aí abaixo ou no campo “Dúvidas” do Site.

Nos vemos em breve.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

  1. MANUAL DE ATENDIMENTO ÀS CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA- 2ª edição-

SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO – SPSP e SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA – SBP- 2018.

2. Protocolo de Abordagem da Criança ou Adolescente Vítima de Violência Doméstica- Número 2- Setembro de 2018- Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente – SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA – SBP.

3. Imagem das lesões em https://repositorio.hff.minsaude.pt/bitstream/10400.10/1997/1/Quando%20mau%20trato%20e%20DD%20%281%29.pdf – acesso em 12/04/21

Os 10 Maiores Mitos em Pediatria

Hoje falaremos sobre “Os 10 Maiores Mitos em Pediatria”.

E desmistificaremos todos eles!!!

Bora lá?

  1. Bebê precisa tomar água.

Mentira!

Os bebês, até a introdução alimentar, devem receber leite materno preferencialmente ou fórmula láctea adequada para a idade EXCLUSIVAMENTE.

NÃO é adequado e nem necessário dar qualquer outro tipo de líquido como água, chás ou sucos.

A oferta de outros líquidos pode fazer o bebê mamar menos e é um fator de risco para infecções gastrointestinais e cólicas.

Acredite, o leite materno tem TUDO aquilo que seu bebê precisa, inclusive líquido.

E caso você não consiga amamentar exclusivamente, a fórmula também já tem a quantidade de líquido exata para seu bebê.

Então tire da cabeça a ideia de dar água para ele no começo da vida.

2. Chá de picão e banho de sol reduzem o amarelão (icterícia).

Mentira!

Não há nenhuma comprovação científica de que o chá de picão possa reduzir a icterícia dos bebês.

No entanto, também não há indícios de que o banho de imersão com a erva possa trazer qualquer malefício ao bebê.

Bem como, não há nenhuma recomendação formal ao banho de sol como forma de redução do amarelão.

Ainda, essa exposição solar direta e por longos períodos pode ser prejudicial ao bebê.

Guia de Fotoproteção da Criança e Adolescente- Sociedade Brasileira de Pediatria

3. Funchicórea é eficaz contra a cólica.

Quando o tema é a cólica do lactente, nenhuma medicação foi comprovadamente eficaz para combatê-la.

A Funchicórea foi retirada do mercado, há alguns anos, pois a Anvisa desconfiou sobre a variação da quantidade de um dos componentes da formulação, o ruibarbo.

Apesar de ser um fitoterápico, o excesso da medicação pode provocar efeitos adversos graves aos recém-nascidos, como sonolência e sedação.

Além disso, uma das formas de ofertá-la aos bebês é adicionando-a na chupeta, o que além de promover o desmame precoce, pode provocar pneumonias aspirativas devido ao pó inalado.

Se não bastasse, um dos motivos de deixar o bebê mais calmo é a presença de sacarina, ou em outras palavras, açúcar.

Bula da Funchicórea

Portanto, além da eficácia controversa, pode trazer efeitos indesejáveis ao bebê.

Contra-indico.

4. Nenê Dent ou similares melhoram a dor relacionada ao surgimento dos dentes nos bebês.

Alguns países já retiraram esses produtos de mercado.

O Brasil ainda não, mas a Sociedade de Pediatria Brasileira (SBP) contra-indica o seu uso.

O motivo?

Eles geralmente contém Lidocaína, que é um anestésico tópico. Em doses altas, ele já foi responsável pela morte e intoxicação de crianças em todo mundo.

E adivinha o que mais tem na composição?

Bula do Nenê Dent

Isso mesmo! Mais açúcar. O que já configuraria um fator de risco para cáries nos bebês.

Mais uma mentira! Não indico.

5. Introdução alimentar deve ser feita com frutas e sucos.

Apesar de ser prática ainda comum. A introdução alimentar não precisa ser feita exclusivamente com frutas.

Sabe o famoso suquinho de laranja lima que a vovó adora recomendar assim que seu pequeno começa a comer?

Então, caiu por terra!

A SBP não recomenda a introdução de sucos antes do primeiro ano de vida. E, sim, estou falando dos naturais mesmo.

Por quê?

Porque este fato está intimamente relacionado ao sobrepeso e à obesidade infantil.

Manual de Alimentação da Infância À Adolescência- Departamento de Nutrologia

6. A melhor posição para dormir é de lado, correto?

Errado!

A melhor posição para dormir é de BARRIGA PARA CIMA!

Esta posição pode prevenir a morte súbita em até 70%.

Os bebês, no início da vida, tem uma respiração exclusivamente nasal. Então temos que evitar que qualquer objeto cause obstrução do narizinho e a asfixia. Cobertores, bichinhos de pelúcia e outros objetos fofos para fora do berço!

Além disso, o bebê possui um reflexo de defesa próprio, caso regurgite e ele naturalmente inclinará a cabeça para um dos ombros.

A via aérea também fica anatomicamente mais protegida quando o bebê está de barriga para cima.

De barriga para baixo, o caminho natural do leite, caso regurgitado, seria para a traqueia (pulmões). Observe como de barriga para cima o bebê fica mais protegido.

7. Não devo dar ovos ou peixe no início da introdução alimentar.

Mentira.

Assim como a introdução alimentar precoce, antes do quarto mês de vida, pode acarretar alergias e obesidade/sobrepeso; retardar a introdução de alimentos como o peixe e o ovo, pode ser fator de risco para alergia alimentar futura.

Por exemplo, não introduzir o ovo até o nono mês de vida pode aumentar o risco de alergia em 1,5 vezes. E não introduzi-lo até o primeiro ano de vida aumento o risco de alergia em 3 vezes.

A criança deve aproveitar a Janela Imunológica e ser apresentada a TUDO o que for natural até os 9 meses, extendendo no máximo até o primeiro ano de vida.

Guia de Alimentação da Criança ao Adolescente- Departamento de Nutrologia

8. Se o bebê ficar alguns dias sem fazer cocô devo ficar preocupada e fazer uso de supositório o quanto antes.

Os recém-nascidos possuem um reflexo chamado “reflexo gastrocólico”. Assim que o alimento cai no estômago, o intestino começa a fazer movimentos peristálticos e, em pouco tempo, ele elimina gases e fezes.

Entretanto, por volta do primeiro mês de vida, o bebê pode passar mais dias sem fazer cocô e isso pode ser perfeitamente normal.

Muitos bebês podem chegar a ficar quase uma semana sem evacuar, fazerem muita força para fazer cocô, ficarem vermelhos e isso não chega a ser configurado como constipação ou intestino preso.

Isto, inclusive tem nome: “Disquesia”.

Site da Sociedade Brasileira de Pediatria

Não estimule com cotonete. Não faça uso de supositórios.

Se seu bebê estiver bem, realize apenas massagens na barriguinha e movimentos com as perninhas.

Este é um processo normal de aprendizagem de como ele deve fazer a força correta para fazer cocô. Deixe seu bebê aprender mais essa!

9. Meu filho tem fimose. Devo fazer massagens e estourá-la o quanto antes para que ele não tenha que fazer cirurgia no futuro.

Mentira. Mentira. Mentira. M-E-N-T-I-R-A!

Quase a totalidade dos meninos nascem com fimose. A chamada “fimose fisiológica”, ou seja, normal.

E cerca de 90% deles terão resolução total até os 3 anos de idade.

A recomendação de fazer massagens e “estourar” a fimose não é verdadeira. Deve-se fazer movimentos suaves durante o banho ou limpeza para retirar o excesso de secreção apenas.

Estas manobras mais bruscas podem causar traumas psicológicos e físicos, gerando tecido cicatricial secundário que só poderá ser resolvido com cirurgia.

Portanto não os faça. Tenha tranquilidade!

10. Apesar de colocar meu bebê de pé após a mamada, nem sempre ele arrota. Pior ainda, ele quase sempre regurgita ou vomita. Acho que ele tem refluxo. Vou começar a dar uma medicação que uma amiga minha dá para o filho dela que também tem refluxo.

Recomendamos que após a mamada, o bebê sempre seja colocado em posição vertical por 20 a 30 minutos, porque isso pode ajudar a evitar que ele regurgite.

Entretanto, NÃO ele não precisa arrotar após todas as mamadas. Nem todos bebês arrotam.

Por outro lado, mais de 70% dos bebês regurgitam. E, se o seu bebê está com bom ganho de peso, altura, evoluindo bem, sem mais nenhum sintoma de gravidade… Tenha tranquilidade!

O pico do refluxo fisiológico acontece com 4 meses. Após isso e, principalmente, quando ele estiver sentando e iniciando a introdução alimentar, o refluxo deve reduzir naturalmente.

Não se auto-medique.

Existem medicações específicas para a Doença do Refluxo Gastroesofágico, que nada tem a ver com o Refluxo Fisiológico (normal). Se você quiser saber mais, cheque nessa postagem : https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-1/

Além do que, mesmo para a Doença do Refluxo Gastroesofágico, grande parte das medicações caiu por terra. A Ranitidina (Label), que era comumente prescrita, saiu de mercado em 2020 pois havia um componente- a nitrosamina- que se ingerida por longo período de tempo estava relacionada ao surgimento de cânceres.

Todo cuidado com qualquer medicação dada ao seu bebê.

Sempre siga as recomendações do seu médico.

PERGUNTA BÔNUS

O SURGIMENTO DOS DENTES CAUSA FEBRE?

Essa resposta vou deixar com a publicação passada.

Confira aqui: https://clinicagoncalves.com/2021/02/27/febre-do-dente-verdade-ou-mito/

Bem, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixar aí abaixo ou no campo “Dúvidas” do Site.

Nos vemos em breve.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Manual de Alimentação da Sociedade de Pediatria (Água para o recém-nascido) -https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/publicacoes/14617a-pdmanualnutrologia-alimentacao.pdf

Chá de picão- ( http://bibliotecaatualiza.com.br/arquivotcc/EPN/EPN13/REIS-jaciara-MACHADO-janete-GOIS-maria-textuais.pdf )

Banho de sol para evitar icterícia- Guia de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Pediatria

( https://www2.isend.com.br/iSend/external/magazine?encrypt=856C7AD3F35DE85DA917FC6D79749975342476CDB528F629880FDD92D0E28577 )

Funchicórea- http://portal.crfsp.org.br/comunicacao-/4423-funchicorea.html

Nenê Dent- https://veja.abril.com.br/saude/gel-para-denticao-pode-fazer-mal-a-saude-do-bebe-diz-e-estudo/

https://paisefilhos.uol.com.br/bebe/estudo-mostra-que-gel-para-denticao-pode-fazer-mal-a-saude-do-bebe/

Posição para dormir- https://www.instagram.com/p/CLxsebOHsj0/

Introdução alimentar e janela imunológica- https://www.minhavida.com.br/familia/materias/37225-como-alimentar-os-bebes-com-base-na-janela-imunologica

Disquesia- https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-o-bebe/disquesia/

Massagens para Fimose- Manual de Uropediatria- Sociedades Brasileiras de Pediatria e Urologia- https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_Uropediatria-Final.pdf

Refluxo em bebês- https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-1/

https://clinicagoncalves.com/2017/12/07/mamae-tenho-refluxo-estou-doente-parte-2/

Febre do dente- Verdade ou Mito?

Olá, como estão vocês? Espero que bem.

Hoje responderemos a mais esta questão: “Febre do dente: Verdade ou Mito?”

Mas antes de falar sobre isso, se você tem dúvidas de como é o nascimento dos dentes dos bebês e quando ele deveria ocorrer, recomendo que veja esta publicação do site:

https://clinicagoncalves.com/2017/06/07/primeiro-post-do-blog/

Para responder a esta questão, usei como base um dos maiores estudos já feito sobre o assunto, uma Meta-análise, que é um conjunto de vários estudos, publicado na Revista Pediatrics em Março de 2016: “Sinais e sintomas da erupção primária dos dentes: uma meta-análise” (link no final deste artigo).

Nele, é pontuado que junto com o surgimento dos dentes os pais citam como sintomas:

  • Inflamação da gengiva
  • Vermelhidão
  • Redução do apetite
  • Aumento da salivação
  • Problemas com o sono
  • Diarreia
  • Vômitos
  • FEBRE

Bem, e no estudo eles foram medir a temperatura destas crianças que estavam em pleno período de erupção dos dentes e descobriram que:

Na imensa maioria dos estudos, a temperatura dos bebês, nos dias que antecediam o nascimento dos dentes, oscilava entre 36,3 a 36,9°C e, no dia exato da erupção dos dentes, entre 36,2 a 37°C.

Portanto, a resposta para a nossa pergunta é: NÃO!

O nascimento dos dentes NÃO provoca febre.

Ele pode provocar elevação da temperatura do corpo, mas não a febre propriamente dita.

Mas doutor, eu juro que quando os dentes do meu bebê estão para nascer, ele tem febre, saliva mais, tem diarreia, tosse e escorre o nariz. O que pode estar acontecendo então?

O estudo também explica isso, assim como a Sociedade de Pediatria (link abaixo).

Justamente, no período em que os dentes vão nascer, as crianças estão em plena fase oral.

Levando objetos à boca, descobrindo o mundo com a boca. E não devemos barrar este processo importantíssimo.

Além disso, esta fase costuma coincidir com a introdução alimentar e com a maior exposição dos bebês a outras crianças/início da creche.

E, é justamente por isso, que ocorre o aumento das infecções respiratórias e gastrointestinais, que cursam com febre, vômitos, diarreias, coriza e tosse.

Ainda, por volta dos 5 ou 6 meses, as glândulas salivares aumentam a sua produção e tornam as suas secreções mais volumosas e espessas, o que justifica aquela “babação” característica da fase.

Por fim, assim que surgirem os dentes, já se recomenda o acompanhamento com o Odontologista Pediátrico, para o início das orientações, cuidados com os dentinhos e até mesmo para a criança já se acostumar com o ambiente do consultório do dentista.

Por hoje é só!

Espero que tenha elucidado mais esta questão.

Nos vemos, em breve.

Até a próxima!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Artigo Pediatrics: https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/137/3/e20153501.full.pdf

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2016/03/17/febre-alta-em-bebes-nao-deve-ser-atribuida-ao-nascimento-dos-dentes.htm

FOUSP na mídia: Nascimento dos dentes do bebê causa febre?

Estou amamentando. Posso tomar a vacina contra o Coronavírus? E meu filho?

* ESTE TEXTO FOI ATUALIZADO EM 17/06/2021. CONFIRA EM: https://clinicagoncalves.com/2021/06/17/quem-pode-tomar-a-vacina-atualizacao-junho/ *

Olá! Tudo bem com vocês?

Hoje responderemos a pergunta de um milhão de dólares:

“Quem pode tomar a vacina contra o Coronavírus?”

Gestantes? Mulheres que estão amamentando? Crianças?

Mas antes de responder a essas perguntas, vamos entender um pouco mais sobre as vacinas?

  1. Quais vacinas temos disponíveis, no momento, no Brasil?

No momento, temos disponíveis duas principais vacinas: Coronavac– Butantã (China) e Oxford-Astrazeneca-Fiocruz (Reino Unido).

A ideia do Ministério da Saúde é de que, até o final de 2021, 354 milhões de doses tenham sido aplicadas da seguinte forma:

  • Vacina Oxford-Astrazeneca-Fiocruz: 214 milhões de doses. Cerca de metade delas será produzida parcialmente no Brasil e distribuída até o final de Julho. Enquanto que, a outra metade, será produzida TOTALMENTE no nosso país e, então, distribuída até o final do ano.
  • Vacina Coronavac-Butantã: 100 milhões de doses em parceria com o Instituto Butantã.
  • Vacina consórcio Covax-Facility: 42,5 milhões de doses em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

2. As vacinas são seguras?

Como demonstrado a seguir, ambas vacinas, Oxford e Coronavac, estão na Fase III de desenvolvimento.

E o que isso quer dizer?

Bem, que elas já estão em fase avançada da pesquisa clínica.

Ao todo, são quatro fases.

E, na atual fase, a vacina está sendo aplicada em milhares de pessoas para a confirmação de sua eficácia e segurança.

A última fase (quarta fase), conhecida como farmacovigilância, se dá após estudos de grande porte em médio ou longo prazo.

Mas o principal a dizer é que as vacinas sim, SÃO SEGURAS!

Nenhuma delas são vacinas de vírus vivos atenuados, ou seja, que contém o vírus com potencial de replicação (reprodução).

A Coronavac é uma vacina INATIVADA, ou seja, sem capacidade de replicação (reprodução dos vírus).

Já a vacina de Oxford, é uma vacina com vetor viral.

Vou explicar…

Ela contém uma proteína do novo Coronavírus (Sars-Cov-2) associada a um vetor viral (vírus) humano ou de Chimpanzé, o qual não causa a doença, mas que induzirá a produção de anticorpos.

Em outras palavras, comportando-se como uma vacina de vírus inativada.

3. Qual a eficácia das vacinas?

Coronavac: Eficácia para forma leves de doença foi de 77,96% e Eficácia Total, no Brasil, foi de 50,39%

Oxford: Eficácia total de 70,42% em estudo do Brasil, Reino Unido e África do Sul.

4. Quem pode tomar as vacinas? Gestantes? Lactantes (mulheres que estão amamentando)? Crianças?

Vamos então responder a pergunta para cada um dos grupos citados:

  • Gestantes

A segurança e eficácia neste grupo de pessoas NÃO FOI TESTADA (Categoria B).

No entanto, em estudos animais não se demonstrou risco aumentado para malformações.

Mulheres que foram vacinadas inadvertidamente nestas condições devem ser tranquilizadas e encaminhadas ao acompanhamento pré-natal convencional.

Deve haver notificação no sistema online de notificação do SUS, como erro de imunização. Eventos adversos com a mãe, feto ou recém-nascido até os 6 meses de idade deverá ser notificado.

A decisão final, riscos e benefícios deve ser tomada com a paciente e o seu médico.

  • Lactantes (mulheres que estão amamentando) ou Puérperas

Grupo prioritário, e como tal, DEVEM ser vacinadas normalmente com qualquer uma das vacinas.

Lembrando que as vacinas aqui disponíveis são ou se comportam como vacinas INATIVADAS, ou seja, não tem potencial de causar a doença e nem passá-la ao bebê ao amamentar.

Soma-se ainda, o fato de que mães infectadas pelo novo Coronavírus devem CONTINUAR amamentando com os devidos cuidados (lavagem de mãos e uso de máscaras), visto que até o momento não há comprovação de passagem do vírus pelo leite materno.

  • Crianças

NÃO DEVEM SER VACINADAS AINDA!

Os estudos já estão em andamento.

Na China, a Coronavac está sendo estudada desde Outubro de 2020 em crianças de 3 a 17 anos e está em Fase I/II.

Já no Reino Unido, a vacina de Oxford vem sendo testada em crianças de 5 a 12 anos.

Até os resultados finais, a recomendação atual é a de não vacinar as crianças.

Lembrando que apesar disso, a IMENSA maioria das crianças são assintomáticas e/ou pouco sintomáticas com a doença e a porcentagem de complicação neste grupo etário, que vai dos 0 a 19 anos, é de APENAS 1%!!!

Por hoje é só!

Se tivermos novidades das vacinas, voltaremos em breve com mais atualizações.

Até a próxima.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

PS.: * ESTE TEXTO FOI ATUALIZADO EM 17/06/2021. CONFIRA EM: https://clinicagoncalves.com/2021/06/17/quem-pode-tomar-a-vacina-atualizacao-junho/ *

Fontes:

Vacinas Covid-19- Atualização- Sociedade Brasileira de Pediatria- Guia Prático de Atualização
Departamento Científico de Imunizações (27 de Janeiro de 2021).

Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908f-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

O medo da febre

Olá!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou falar sobre um tema que deixa todos os pais de cabelo em pé: a febre nos pequenos.

  1. O que é febre?

A febre é uma reação do nosso corpo a uma agressão que pode ser física, química ou biológica.

Quando estamos com febre, o aumento da temperatura corpórea faz com a nossa resposta imune seja aumentada, acelerando as reações enzimáticas e, por fim, as nossas defesas.

Gosto de fazer um paralelo a um acelerador de um carro. Quanto mais a gente pisa no pedal do acelerador, mais o motor responde e mais velocidade o carro adquire.

No entanto, existe um ponto ótimo, que se ultrapassado, o carro não adquirirá mais velocidade e só trará mais desgaste ao motor, aumentando seu consumo e , veja só, a sua temperatura por conseguinte.

2. A partir de que valor eu posso considerar que meu filho está com febre?

Primeiro é importante pontuar que o corpo sofre alterações de temperatura ao longo do dia.

Na madrugada e pela manhã, a temperatura corpórea é menor, podendo variar cerca de até 1ºC em relação ao final da tarde.

A atividade física, o uso de muitas roupas e a pouca ventilação no ambiente também pode influenciar neste valores.

A temperatura axilar dita normal varia dos 36,5ºC até 37,2ºC.

Consideramos febre, portanto, a temperatura axilar maior que 37,8ºC ou a temperatura retal acima de 38ºC.

3. Posso considerar febre só medindo a temperatura com as mãos?

Dois estudos ( Bancoe Veltri e Eyzaguirre et al.) demonstraram que SIM, as mães quando mediam a temperatura de seus filhos com as mãos diagnosticavam a febre precisamente.

Entretanto, é importante aferir e documentar os picos febris dos pequenos, com o uso do termômetro, para ajudar na investigação de um possível quadro infeccioso pelo médico.

4. E os termômetros de infravermelho? Eles são confiáveis?

Como dito acima, cada parte do corpo possui um temperatura considerada “normal”.

A temperatura da boca e do tímpano são aproximadamente 0,5ºC mais elevadas do que a axilar. Esta por sua vez, é chega a ter 0,8 a 1,0ºC de diferença da temperatura retal.

Então todo cuidado é pouco com os novos dispositivos.

Na dúvida meça mais de uma vez, ou melhor ainda, recorra ao bom e velho termômetro axilar.

5. Acho que estou entendendo!!! Então, se meu filho apresentar temperatura acima de 37,8ºC, isto significa que ele está com febre e então eu devo medicá-lo o quanto antes?

A resposta é um categórico NÃO!

Vamos nos lembrar que a febre é um mecanismo do corpo para ajudar na nossa defesa.

Desta forma não existe um número mágico para o uso do anti-térmico.

Antes disso, você pode desagasalhá-lo, ofertar líquidos (leite materno, água, chás e sucos), levá-lo para um ambiente mais arejado, dar um banho morno nele e voltar a medir a temperatura após 30 minutos.

Muitas vezes, apenas isto já ajuda.

Além do que, se ele estiver com 37,8ºC e bem, ativo, brincando, não há motivo para preocupação.

Devemos medicar apenas se ele apresentar febre e algum desconforto associado.

6. Mas se ele ficar com febre alta, não corre o risco de convulsionar?

Neste ponto, existe um mantra que sempre repito: “convulsiona quem pode, não quem quer”.

Vou explicar!

A Convulsão Febril acontece em crianças com predisposição genética e dos 6 meses aos 5 anos de idade.

Geralmente existe uma história positiva de pais ou de irmãos com convulsão febril também.

E, mais importante do que a temperatura máxima atingida, é a velocidade de ascensão da temperatura.

Sendo assim, existem crianças com quase 40 graus de febre e que não convulsionam e aquelas que com 38ºC apresentam um episódio convulsivo devido à ascensão rápida da temperatura- não nos esqueçamos da predisposição genética.

7. Tá certo, doutor. Mas então após eu controlar a febre, devo ir direto para o Pronto-Socorro não é mesmo?

Depende!

Em crianças com mais de 3 meses é sempre razoável, aguardar por até 72 horas do primeiro pico febril para uma avaliação médica. Isso é claro, caso o quadro não seja acompanhado de alteração do estado geral, irritabilidade, sonolência, falta de apetite grave, cansaço..

É sempre importante pontuar que durante o episódio febril, a criança costuma ficar abatida, com a respiração mais rápida, com os batimentos do coração acelerados e que a melhora após o uso de anti-térmico é um bom sinal.

Como muitas vezes a febre está relacionada a um episódio infeccioso, é NORMAL a redução do apetite.

Muitas crianças aceitam apenas o leite materno ou comidas mais pastosas e em pouca quantidade; e está tudo bem. Vamos respeitar essa condição! Nós mesmos não nos alimentamos muito quando estamos doentes e isso não é diferente com a criança.

Entre 20-30% das consultas em pediatria nos Pronto-Socorros são por queixas relacionadas à febre. No entanto, se a criança não possui nenhum sinal de gravidade, é maior de 3 meses (com o calendário vacinal atualizado) e está apresentando febre há menos de 3 dias é possível aguardar em casa!

8. Mas por que você diz que se meu filho tem mais de 3 meses e só está com febre eu devo aguardar em casa e não ser avaliado por um médico prontamente?

Geralmente grande parte das doenças virais cursam com febre por 3 dias. Neste intervalo de tempo, os picos febris tendem a se afastar e a amenizar, o que indica que o corpo está dando conta da doença.

Além disso, antes de 3 dias, muitas vezes a criança não apresenta outros sintomas e no exame físico médico e até laboratorial não é possível identificar o motivo da febre.

Obviamente que existem exceções, doenças virais como o Exantema Súbito (Roséola), que cursam com febre alta e por mais tempo…

No entanto, insisto que se seu filho estiver bem, com febre e mais nenhum sinal de gravidade, que você aguarde cerca de 3 dias medicando-o em casa. Conduta que já era orientada por todo pediatra, mas que com a Pandemia atual se intensificou.

Por outro lado, se o seu filho for menor de 3 meses ou se apresentar algum sinal de gravidade leve-o prontamente para o seu pediatra.

Existem protocolos mundiais para a investigação da doença febril e, em crianças menores (menores de 3 meses) e/ou com sintomas de gravidade, o médico deverá ser mais incisivo na investigação nestes casos.

Já, as crianças maiores de 3 meses possuem uma imunidade maior e, inclusive, receberam vacinas contra grande parte das bactérias que podem causar doenças invasivas graves.

Por fim, vou parafrasear as orientações do Dr. Jayme Murahovschi, o Decálogo da criança febril:

  1. Se a criança está com febre e bem, há uma grande chance de se tratar de uma infecção viral (cerca de 90%). A cada nova infecção a criança cria imunidade (anticorpos) e é por isso que quanto mais velha a criança, menos episódios febris. O corpo vai se especializando com o tempo e se tornando cada vez mais eficaz no combate às infecções. Caso seu filho persista com febre, há uma chance de ser uma infecção bacterina não grave (otite, amigdalite) que se resolverá com o antibiótico adequado após 48-72h.

2. Utilize roupas leves, ambiente ventilado. Evite exposição solar exagerada e deixa a criança o “mais livre possível”.

3. Ofereça líquidos com frequência.

4. É normal a redução do apetite num episódio infeccioso. Seja mais tolerante se seu filho não quiser comer tanto. Tente ofertar aquilo que o agrada mais, evitando as guloseimas.

5. A febre é um mecanismo de defesa. Tenha tranquilidade.

6. Dessa forma pondere o uso do antitérmico. Não é necessário ficar medicando de horário, exceto se seu filho apresentar sintomas associados à febre. Se ele estiver bem e brincando, tente as medidas não farmacológicas.

7. É importante aferir a febre e os picos febris. Mas não é necessário fazer essa mensuração constantemente, logo após a tomada do antitérmico, por exemplo.

8. Opte por aquela medicação que a criança tolera melhor. Evite hipermedicar e associar vários antitérmicos ao mesmo tempo. O intervalo de ação deles é de 4-6h e dos anti-inflamatórios de até 8-12h, tendo início de ação cerca de 1h após a ingesta.

9. Banho e compressas são aceitáveis, quando isso for do agrado da criança e não trouxer transtornos para a família. Sempre mornos, nunca frios.

10. Observe os sinais de alerta: febre acima de 39,4 ºC com tremores de frio, abatimento acentuado ou forte indisposição (sonolência e irritabilidade, choro inconsolável ou choramingas, gemência) que não melhoram após o efeito da dose de antitérmico; aparecimento de sintomas diferentes; febre que ultrapassa três dias completos. A consulta médica nestes casos é insubstituível.

Bem, por hoje é só.

Nos vemos em breve. Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

Febre: Cuidado com a Febrefobia– Sociedade Brasileira de Pediatria- link: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia

A criança com febre no consultório– J. Pediatr. (Rio J.) vol.79  suppl.1 Porto Alegre May/June 2003- Link: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000700007

Você que não foi

O Dr. José Francisco Gonçalves Filho ou, apenas Dr. Francisco, nasceu em Rincão em 23 de Julho de 1955. Primogênito de uma família humilde com mais três irmãos, passou grande parte da infância e adolescência na cidade de Terra Roxa, interior de São Paulo.

Como todo menino naquela época, que morava no interior, se entretia com atividades rurais na fazenda de seu avô.

Tinha o sonho de se tornar médico e, quando completou a maioridade, prestou vestibular para as principais faculdades do Estado.

Como não havia internet naquele tempo e as notícias literalmente chegavam à cavalo, ficou sabendo por um conhecido, que havia passado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Sorocaba. Seu nome havia aparecido no jornal e ele nem tinha ido checar.

Um misto de alegria e tristeza o consumiu, visto que a sua família não teria condições de arcar com os custos de uma faculdade de medicina. No entanto, o seu pai, o Sr. José Francisco Gonçalves, foi o primeiro a incentivá-lo e sem pestanejar setenciou: “Filho, você VAI fazer a faculdade. Tudo se dá um jeito”.

Talvez foi dele e a partir daí que a alma arrojada, investidora e corajosa se aflorou e ele aceitou e decidiu ir para Sorocaba realizar seu sonho.

Vale dizer, que na época, já conhecia aquela que se tornaria a sua esposa e fiel companheira incondicional, a Sra. Vilma.

Foram momentos de dificuldade e ao mesmo tempo de muito aprendizado e alegrias.

Ele contava com muito orgulho e comicidade os perrengues literais que passava na sua famosa República Computação 7, a qual dividia quartos e dívidas com outros colegas que foram seus amigos por toda a vida. Já nessa época, tinha a postura de líder e organizava as contas da casa e até a miligramagem de cada bife consumido no almoço.

Mas a vida é cheia de altos e baixos para todos…

No quarto dos seis anos de faculdade, seu pai faleceu. E ele teve que assumir toda a responsabilidade de filho mais velho da família e da sua nova família em formação.

Ele poderia ter desistido de tudo. Mas não! Estudou, trabalhou ainda mais, dava plantões (naquela época isso era possível antes de finalizar a faculdade) e ministrava aulas num cursinho pré-vestibular, fato que o fez ganhar o apelido carinhoso de “Professor”, para conseguir ajudar a sua família e pagar as suas contas, como a faculdade mesmo, a qual foi quitada só posteriormente numa espécie de FIES da época.

E assim foi. Sem medo de trabalho e estudo, ele seguiu e fez seu reinado.

Trabalhou em vários Hospitais e cidades vizinhas. E o destino fê-lo criar raiz em São Roque, uma cidadezinha do interior, próxima de Sorocaba.

Começou a trabalhar na Santa Casa de São Roque. Abriu seu primeiro consultório. E cresceu, cresceu… Mudou algumas vezes de consultório, sempre com a ideia de expandir e melhorar. Ajudou e estava junto na fundação da Unimed São Roque.

NUNCA parou de estudar, o nosso Professor.

Imagine que quando se formou, não havia ainda muita tecnologia e conhecimento sobre diagnósticos por imagem. E lá foi ele, estudar e conseguir o Título de Especialista em Ultrassonografia. Mas não parou por aí, continuou aprendendo, fez cursos em outras estados e chegou a ir a outros países para aprender e comprar seus instrumentais de cirurgia por vídeo, sendo pioneiro na região.

Com outros colegas, constituiu a Clínica Médica Santa Isabel, uma policlínica que é vizinha à Santa Casa. E, ainda, fez sua morada na mesma rua. Não posso deixar de dizer, que também lá foi líder, e era ele que organizava as finanças de toda a clínica. Ele literalmente colocava a mão na massa e para toda e qualquer melhoria ou reforma, lá estava ele, ajudando inclusive na pintura das paredes.

Aficionado por trabalho, nunca deixava um paciente ou colega na mão. E se dispunha, o horário que fosse, a sair da sua casa ou consultório e ir ao Hospital ajudá-los.

Mas, como diz a Bíblia em Mateus 7:17 “toda árvore boa, produz bons frutos…”. E, não poderia ser diferente, a sua filha Dra. Francine, também médica Ginecologista e Obstetra, voltara à São Roque e iniciaria sua carreira ao lado do pai.

Inicialmente, uma sala foi alugada e ela começou seus atendimentos também na Clínica Médica Santa Isabel.

Mas o espírito empreendedor e visionário do Dr. Francisco era insaciável.

Sabendo que seu filho, Dr. Vinícius, médico Pediatra e Neonatologista, também estaria voltando em pouco tempo à sua cidade natal, resolveu fundar uma Clínica só para a família.

E, assim nasceu, em 5 de Outubro de 2017, a Clínica Gonçalves.

Como a vida é cheia de ciclos e os ciclos sem completam e se encontram, essa foi fundada justamente na mesma morada da família citada há pouco.

Bem, e o restante da história vocês já conhecem…

Doutor José Francisco Gonçalves Filho.

Você que não foi apenas médico, mas avô, pai e conselheiro de muitas pacientes e o responsável por gerações de muitas famílias;

Você que não foi apenas marido, mas fiel, conselheiro, amoroso e porto seguro;

Você que não foi apenas pai, mas guia, inspiração, motivador, exemplo;

Você que não foi apenas avô, Vô Quico, mas a luz dos olhos do nosso fiozinho de cobre, a pessoa que ele mais gostava e que tinha um elo inexplicável, de alma talvez;

Você que não foi…

Você que não foi e que nunca irá.

Que sempre vive e viverá em nossos corações.

Vamos tentar fazer ao menos um quinquagésimo de tudo que fez e manteremos os seus sonhos e planos aqui presentes.

Você que não foi,

Até breve!

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua