Blog

Dicas de Sono

bicho-papÃo (1)

Olá!

Hoje falarei sobre o Sono das crianças. Abordarei as possíveis causas de anormalidades e darei dicas sobre a Higiene do Sono. Vamos lá?

Mas o que viria ser a Higiene do Sono? Ela nada mais é do que uma associação de fatores comportamentais, ambientais, sociais, culturais, dentre outros que podem afetar o início ou a duração do sono.

Mas como posso realizar uma boa Higiene do Sono para meu filho? Veja algumas dicas na tabela abaixo:

higiene

No entanto, a Higiene de Sono não é fixa e igual a todas crianças, visto que possuímos hábitos e padrões diferentes em cada família/cultura.

O importante é tentar criar uma rotina de sono desde pequeno. O bebê, devido a sua imaturidade neurológica e social, necessita da segurança e da ajuda dos pais para conseguir, desde os primeiros dias de vida, dormir sozinho.

Somente após os dois meses de idade é que o bebê passa a criar uma rotina de sono, apresentando um ciclo de sono/vigília mais ordenado, necessitando cada vez menos dos cochilos durante o período diurno- característica esta que se estende até os cinco anos de idade, em média.

1.Ritual do Sono

Desde pequenas, as crianças devem ser estimuladas a perceber que está chegando o momento de dormir- o chamado ritual do sono.

Próximo ao momento de dormir, evite sons altos, ruídos bruscos, abaixe a intensidade da luz e evite alimentos ou medicações estimulantes. Quando a criança já for maior, peça a ela que guarde os seus brinquedos, coloque os pijamas, escove os dentes e que vá para a cama- uma música calma ou historinha antes de dormir, com a criança já na cama, também ajuda bastante.

A hora de dormir pode significar o momento de separação dos pais, o que pode causar angústia e medo. Mas devemos encorajar as crianças a ficarem sozinhas e que caso aconteça qualquer coisa durante o sono, digam a elas que estarão próximos para ajudá-las.

Este ritual do sono não deve se estender mais do que 30 minutos. As crianças gostam de barganhar bastante, portanto, sejam firmes e imponham limites para uma nova historinha antes de dormir, por exemplo.

Outra coisa muito comum são os despertares noturnos. Caso a criança acorde, ela deve estar apta a voltar a dormir sozinha. Caso necessite da ajuda dos pais, evite acender a luz, fale baixo e , se possível, não retire a criança do berço ou da cama.

O hábito de dormir com a criança no colo, embalando, na cama dos pais ou na frente da televisão ou tablet/celular cria uma dependência na criança e deve ser desencorajado.

Quando ocorre um despertar noturno e a criança se vê em outro lugar que não aquele o qual ela adormeceu cria-se o medo e a apreensão, além do fato dela estar sozinha. Por este motivo, ao perceber sinais de sono, como o bocejar ou coçar os olhos, a criança deve ser levada ao berço ou à cama e assim, dormir em seu próprio ambiente.

Os pais podem e devem ficar próximos até o adormecer, mas devem deixar claro que não dormirão próximos da criança- isto vale a partir dos 4 meses de idade, antes disso, a criança deve dormir no quarto dos pais.

Mesmo que seja difícil, inclusive para os pais, é de extrema importância a existência destes limites. O fato de ceder, que seja por uma única vez, mesmo que por manha pode reforçar o comportamento na criança.

Caso a criança crie o hábito de dormir no colo ou cama dos pais, diante de televisão, tablet/celular, ao ocorrer um despertar noturno, ela necessitará dos mesmos artifícios para voltar a dormir e isto prejudicará a rotina da casa e a própria rotina do sono.

Evite filmes de terror ou histórias assustadoras antes de dormir. Caso a criança acorde e não consiga voltar a dormir, vá até o quarto e tente acalmá-la sem tirá-la da cama ou berço, mostrando-se sempre de forma acolhedora. Viagens, doenças, preocupações- como o nascimento de um irmãozinho, medo do escuro ou do “bicho-papão” podem fazer com que a criança acorde e não consiga voltar a dormir. Tente conversar com ela sobre assuntos agradáveis, como o que ela fez no dia ou sobre alguma atividade futura que ela irá fazer, retirando assim os pensamentos ruins da cabeça.

Em casos mais graves, como separação dos pais, óbitos de familiares ou conhecidos, ou em ambientes em que há muitas brigas e discussões (que não devem ocorrer na frente da criança) um profissional, como o psicólogo ou psiquiatra, pode ser de grande valia.

2. Rotina do Sono

É imprescindível que se crie uma rotina para o sono, incluindo os finais de semana e feriados.

Como dito acima, viagens ou doenças/internação hospitalar podem desestruturar uma rotina já criada e que, assim que possível, deve ser restaurada.

O sono regular libera melatonina, hormônio indispensável para o ciclo circadiano, ou seja, para o corpo entender que é dia e que precisará de mobilizar toda a sua energia naquele período até a noite. Crianças que não tem uma rotina de sono adequada apresentam sonolência durante o dia e baixo aproveitamento escolar, além de dificuldade de concentração e memória.

Além disso, é durante o sono que é liberado o hormônio de crescimento também.

Os bebês em especial, necessitam de vários cochilos diurnos e eles devem ser encorajados. Não devemos limitar esses períodos de descanso.  Já, crianças maiores e até mesmo adolescentes, podem realizar cochilos no período vespertino, no entanto, estes não devem ultrapassar mais do que 30 minutos.

3. Alimentação

A criança deve estar bem alimentada e também ter uma rotina de alimentação. Não deve ter fome e nem estar superalimentada.

O jantar deve ser mais cedo, podendo haver uma ceia próxima do horário de dormir, evitando assim uma alimentação copiosa próximo dele.

Evite também o café, chá preto ou mate, chocolate, refrigerantes, pois estes alimentos contém cafeína.

Dê preferência a um lanche leve, acompanhado de leite, pão e queijo branco.

Os bebês podem dormir durante a amamentação ou acordar durante a noite para mamar. Este é um hábito comum nos primeiros meses de vida, mas que deve ser desencorajado conforme a criança cresce.

Não é incomum escutarmos que o bebê acorda durante a noite e os pais, ao ofertar a mamadeira ou o seio materno, percebem que ele adormece em poucos minutos… Será que o motivo que fez o bebê acordar foi realmente fome ou será que criamos essa rotina de sono?

4. Hábitos

Dormir com uma pequena luz acesa ou com um objeto transicional como um ursinho, “naninha” ou paninho não configura um problema.

Este tipo de objeto ajuda na separação dos pais no horário de dormir, mas não deve se  tornar indispensável ao sono com o tempo.

Dormir com os pais na cama, ocasionalmente, pode ser prazeroso, mas não deve se tornar um hábito. O bebê , como dito, deve dormir em berço próprio e de barriga para cima, pois esta posição evita a morte súbita do lactente:

col24dormir-de-barriga-para-cima-e-mais-seguro

5. Atividade Física

Evite realizar atividade física até três horas antes do horário de dormir, pois isto pode prejudicar o sono.

Evite que a criança brinque de correr ou pular antes do sono. Como já citado, prepare o ambiente de dormir, reduzindo a atividade física, os ruídos e a luz.

Espero que com essas dicas a hora do sono se torne mais prazerosa aos pequenos e a vocês!

Por hoje é só.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo ou na página de Facebook da Clínica Gonçalves.

Até a próxima.

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves-  Pediatra e Neonatologista

Baseado em: Higiene do Sono- Sociedade Brasileira de Pediatria- Setembro de 2017.

 

 

 

O Sarampo voltou???

Olá!!!

Hoje falaremos sobre o Sarampo. Você já ouviu falar dele?

 

SARAMPO

Sim, o Sarampo era bem comum há alguns anos -muito provavelmente você ou alguém que você conheça já o adquiriu- e estava extinto desde 2016 do Brasil e de todas as Américas.

No entanto, só nos primeiros meses deste ano ocorreram 1864 casos no Mundo, sendo que 1427 originaram-se na Venezuela.

O Brasil desde fevereiro de 2018 enfrenta um surto com mais de três mil casos suspeitos e 527 casos confirmados, sendo que 517 correram nos estados do Amazonas e de Roraima- regiões vizinhas à Venezuela- e apenas um caso ocorreu em São Paulo.

Por conta disso, vamos tentar esclarecer algumas dúvidas referentes à doença.

1) Como posso adquirir o Sarampo?

O Sarampo é uma doença viral, a qual é transmitida pelo contato com as secreções das vias aéreas de uma pessoa contaminada, principalmente, dois dias antes e dois dias após o surgimento do “vermelhão” característico da doença, que explicaremos abaixo.

2) Quais são os sintomas da doença?

O Sarampo, por ser uma doença viral, costuma abrir o quadro com sintomas gripais como febre, tosse, coriza e conjuntivite.

Sarampo-Conjutevite-Dr-Joseph-El-Mann

Após cerca de cinco dias, podem aparecer lesões pelo corpo- um “vermelhão” que se inicia da cabeça e que vai até os pés e não poupa as palmas das mãos e/ou a planta dos pés.

 

Alguns dias depois do aparecimento do vermelhão é que ocorre a redução ou fim da febre- exceto se houver infecção bacteriana secundária.

O “vermelhão” some após uma semana, em média, com a descoloração e a descamação da pele.

Podem surgir também, manchas brancas na mucosa da boca, conhecidas como sinal de Koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas.

3) Quais as possíveis complicações? 

Como toda doença viral, as principais complicações são bacterianas.

Após o quadro podem ocorrer otites, pneumonias, laringites e diarreia.

No entanto, a encefalite é o quadro mais preocupante, que embora raro, pode ser letal.

4) Quais os grupos de risco para as complicações?

Em geral, as pessoas com baixa imunidade. Dentre elas: as crianças menores de cinco anos, adultos com mais de 20 anos, gestantes e pacientes com condições de imunossupressão, como por exemplo, portadores de leucemia e pacientes que vivem com HIV/AIDS.

5) Existe tratamento para a doença?

Como toda a doença viral, não há tratamento específico para ela. A pessoa deve fazer repouso e receber hidratação adequada e anti-térmicos, se houver febre.

O uso da Vitamina A por via oral, por dois dias consecutivos, tem demonstrado melhora nas taxas de morbimortalidade e seu uso tem sido preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

6) Quem deve receber a vacina ?

O Ministério da Saúde recomenda para crianças o esquema vacinal com uma dose (tríplice viral-Sarampo, Caxumba e Rubéola) aos 12 meses e outra dose (tetra viral- Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varicela[Catapora]) aos 15 meses de idade.

Para adolescentes e adultos até 49 anos:

• Até os 29 anos – duas doses, podendo ser doses da vacina tríplice ou da tetra viral

• Dos 30 aos 49 anos – dose única, podendo ser da vacina tríplice ou tetra viral.

Aqueles indivíduos que já receberam duas doses da vacina tríplice ou da vacina tetra viral, durante a vida, não precisam mais receber novas doses da vacina.

 

7) Quem não deve receber a vacina?

  • Casos suspeitos de sarampo
  • Gestantes – devem esperar para serem vacinadas após o parto. Caso esteja planejando engravidar, assegure-se que você está protegida. Um exame de sangue pode dizer se você já está imune à doença. Se não estiver, deve ser vacinada um mês, antes da gravidez. Espere pelo menos quatro semanas antes de engravidar.
  • Menores de 6 meses de idade
  • Imunocomprometidos

 

8) E quem não se lembra ou não tem registro de ter recebido a vacina?

Na dúvida, quando não houver o registro das doses aplicadas previamente, deve-se considerar o indivíduo como não vacinado e ele deve receber o esquema para a idade. Eventuais doses adicionais não trazem maior risco.

9) Mas a vacina não está disponível há muitos anos? Porque houve este surto então?

No Brasil, desde 1982 o Instituto FioCruz fabrica a vacina. E desde 1984 existem campanhas de vacinação contra o Sarampo.

No entanto, a meta de vacinação do Ministério da Saúde é de no mínimo 95% e só em 2017 a meta alcançada foi de 84,9% e de 71,5%, para a primeira e segunda dose da vacina, respectivamente.

Demonstrando, portanto, uma queda considerável na adesão à vacinação.

10) Ouvi falar que haverá uma Campanha de Sarampo? Quando será? 

A vacinação contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença.

Neste ano, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo será realizada entre 6 e 31 de agosto, sendo o dia 18 de agosto o dia de mobilização nacional – o ‘Dia D’.

SARAMPO

11)  E para quem vai viajar para áreas com o Surto de Sarampo , qual a recomendação?

Recomenda-se uma dose precoce de vacina tríplice viral para crianças de seis a 12 meses de idade que viajem internacionalmente para áreas de risco ou nas localidades onde estejam ocorrendo surtos.

A dose administrada, nesta faixa etária, não será considerada válida para o calendário de
vacinação, devendo ser agendada a administração de dose da vacina tríplice viral para os 12 meses e da tetra-viral para os 15 meses de vida.

 

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só escrever aqui embaixo ou na página do Facebook da Clínica Gonçalves: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Até Breve,

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

Fontes:

Atualização sobre Sarampo- Sociedade Brasileira de Pediatria ( Julho/2018)

Ministério da Saude- Site: http://portalms.saude.gov.br/component/tags/tag/sarampo

Imagens:

Site Central Diseases Control (CDC)

Site Ministério da Saúde

Site http://www.elmann.com/sarampo-sintomas-tratamento-prevencao/

 

 

 

 

Sou a pior mãe do MUNDO?!?

Sou a pior mãe do mundo!

Olá!

Me desculpem os pais, mas hoje a mensagem é para as mamães!

Por acaso, você já ouviu de algum amigo, amiga, tio, tia, irmão, irmã, mãe ou sogra algo do tipo: “Nossa, mas você não consegue amamentar?!?”; ou “Na minha época, eu tinha leite para dar e vender. Amamentava e dava até para a vizinha dar para o filho dela!”; ou “Parece que seu leite é fraco, não sustenta…”; ou “Nossa, como seu bebê chora.Você não sabe o que ele tem????”; ou “Dá ele aqui!”- e tomam seu bebê do colo e vão inventar mil e uma artimanhas, de chá à benzedeira, pra fazer ele parar de chorar…

Pois bem, não se incomodem. Tudo isso é feito com a melhor das intenções.

E não!!! Você NÃO é a pior mãe do MUNDO!!!!

Como sempre costumo dizer na visita na Maternidade ou na primeira consulta, o governo dispõe de belos cartazes…

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Que incentivam as mães a amamentarem seus filhos!

Mas, não, DEFINITIVAMENTE, não é e não será fácil…

E além de todas as dificuldades intrínsecas e naturais, vocês têm que ouvir TODOS os conselhos do mundo.

 

Mas CALMA!!!

 

Pensando nisso e nesse universo, a Netflix lançou uma série chamada “Turma do Peito” (The Let Down)- produzida pela ABC da Austrália, a qual mostra a protagonista Audrey, mãe de primeira viagem de uma menina de dois meses, passando por todas desventuras que a maternidade e o puerpério podem produzir e buscando apoio num grupo de suporte de pais.

 

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

A primeira temporada possui sete episódios e trabalha diversos temas que são pouco abordados em relação à maternidade, principalmente os que abrangem o quanto a sociedade pode negligenciar um tratamento respeitoso com as mulheres.

Além disso, a série mostra como a vida da nova mãe se altera após o nascimento do filho, como é abandonar a antiga vida e lidar com os novos desafios e realidades, além dos julgamentos e conselhos dos outros.

Ela mescla bem, momentos de humor e drama, dando um clima leve e de curiosidade para quem assiste.

Ótimo não só para as mães, mas para os pais, filhos, avós, avôs, sogras…

Fica aqui a dica para o feriado.

Espero que curtam!

 

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves-  Pediatra e Neonatologista

*P.s.: A segunda temporada já está em produção!

Todos Contra a GRIPE!!!

TODOS CONTRA A GRIPE!!!

Olá!!!

No dia 23 de abril começou a Campanha Nacional de Vacinação contra o Influenza, uma ação do Ministério da Saúde para reduzir o impacto da doença. O dia 12 de maio foi o “DIA D” quando ocorreu a mobilização nacional contra a gripe, estavam abertos 65 mil postos de vacinação, sendo 37 mil de rotina e 28 mil volantes, com envolvimento de 240 mil pessoas.

Vamos aqui, naquele nosso bate-bola, tentar responder grande parte das dúvidas sobre a doença e sobre a vacinação.

 

1. O que é gripe?

A Influenza é também conhecida como Gripe, é uma infecção do sistema respiratório cuja principal complicação são as pneumonias, responsáveis por um grande número de internações hospitalares no país.

2. Quais são os sintomas?

Inicia-se em geral com febre alta- que costuma durar 3 dias, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza e tosse seca. Os sintomas respiratórios, como tosse, tornam-se mais evidentes com a progressão da doença e mantêm-se em geral de três a cinco dias após o desaparecimento da febre, podendo ser confundida com o resfriado.

3. Quer dizer que gripe e resfriado não são a mesma coisa?

Não! O resfriado também é uma doença respiratória, mas é causado por vírus diferentes. Os vírus mais comuns associados ao resfriado são os rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (VSR), que geralmente acometem as crianças.

Os sintomas do resfriado, apesar de parecidos com os da gripe, são mais brandos e duram menos tempo. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo e dor de garganta leve. A ocorrência de febre é menos comum e, quando presente, é em temperaturas baixas.

4. O que causa a gripe então?

É o vírus Influenza. Existem 3 tipos de vírus influenza: A, B e C. O vírus influenza C causa, apenas, infecções respiratórias brandas, e não está relacionado com epidemias.

Os vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias. Dentre os subtipos de vírus influenza A, os subtipos A(H1N1) e A(H3N2) circulam atualmente em humanos.

5. Como posso pegar a gripe?

Ela pode ser transmitida de forma direta por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao espirrar, ao tossir ou ao falar, ou por meio indireto pelas mãos, que após contato com superfícies recentemente contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, podem carrear o vírus diretamente para a boca, nariz e olhos.

6. Como posso me tratar caso pegue gripe?

Pessoas com gripe devem beber bastante água e descansar. A maioria das pessoas se recuperará dentro de uma semana. Os medicamentos antivirais para a gripe podem reduzir complicações e óbitos graves.

Estes são especialmente importantes para grupos de alto risco. Idealmente, essas drogas precisam ser administradas precocemente (dentro de 48 horas após o início dos sintomas).

7.Por quanto tempo posso transmitir a doença, caso pegue?

Indivíduos adultos infectados podem transmitir o vírus entre 24 e 48 horas antes do início de sintomas, porém em quantidades mais baixas do que durante o período sintomático.

Nesse período, o pico da excreção viral ocorre principalmente entre as primeiras 24 até 72 horas do início da doença, e declina até aos níveis não detectáveis por volta do 5º dia, após o início dos sintomas.

As crianças,  quando comparadas aos adultos, também excretam vírus mais precocemente, com maior carga viral e por períodos longos.

8. Como se prevenir da Influenza?

Para redução do risco de adquirir ou transmitir doenças respiratórias, especialmente as de grande infectividade, como vírus Influenza, orienta-se que sejam adotadas medidas gerais de prevenção, chamadas de “etiqueta respiratória”, tais como:

  • Frequente lavagem e higienização das mãos, principalmente antes de consumir algum alimento
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas
  • Manter os ambientes bem ventilados
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe

9.Qual a vacina ofertada no SUS?

A vacina influenza ofertada no SUS é trivalente e protege contra os tipos de vírus influenza A (H1N1)pdm09, A (H3N2) e influenza B Yamagata, que são os vírus de maior importância epidemiológica, de acordo com a própria OMS.

10. E a vacina das clínicas privadas? O que tem de diferente?

Ela costuma ser uma vacina tetravalente, ou seja, além de proteger contra os três tipos de vírus citados acima possui proteção contra um outro tipo do vírus influenza B, o Victoria.

11. Qual o público alvo da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza?

  • Crianças de 6 meses a 5 anos
  • Pessoas com mais de 60 anos
  • Gestantes
  • Mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias
  • Profissionais da saúde
  • Professores da rede pública e particular
  • População indígena
  • Portadores de doenças crônicas, como diabetes, asma e artrite reumatoide
  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer que fazem quimioterapia e radioterapia
  • Portadores de trissomias, como as síndrome de Down e de Klinefelter
  • Pessoas privadas de liberdade
  • Adolescentes internados em instituições socioeducativas, como a Fundação Casa

 

12. Por que a campanha de vacinação é realizada anualmente e, geralmente, nos meses de abril e maio?

A circulação do vírus influenza ocorre durante todo o ano, mas é mais frequente no outono e no inverno, quando as temperaturas caem, principalmente no Sul e Sudeste do Brasil.

A vacina é capaz de promover imunidade durante o período de maior circulação dos vírus influenza reduzindo o agravamento da doença. No geral, a detecção de anticorpos protetores se dá entre 2 a 3 semanas após a vacinação e, em média, confere proteção de 6 a 12 meses, sendo que o pico máximo de anticorpos ocorre após 4 a 6 semanas da vacinação.

Por esse motivo, a vacinação é anual e busca proteger a população alvo da campanha contra as cepas que mais circularam no hemisfério sul, no ano anterior.

 

Por hoje é só!

Ficamos aqui com mais um tema.

Caso hajam dúvidas ou sugestões, é só deixar no tópico abaixo.

Até a próxima!!!

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Fonte: Site Ministério da Sáude-2018 (http://portalms.saude.gov.br)

 

 

Ultrassom para quê?

 

ultrassom

 

A ultrassonografia passou a ser parte integrante da propedêutica pré-natal, sendo um exame de extrema importância no arsenal propedêutico da gestação.

A ultrassonografia bidimensional é empregada na avaliação morfológica fetal, na datação da gestação, no seguimento para acompanhamento do desenvolvimento ponderal fetal, na avaliação da restrição de crescimento do fetal, na avaliação da vitalidade fetal com a utilização da Doppler velocimetria.

O exame deve ser realizado em datas específicas da gestação, para obtenção dos melhores parâmetros para avaliação da gestação; assim o morfológico de primeiro trimestre deve ser realizado entre 11 e 13 6/7 semanas, para avaliação da translucência nucal, ducto venoso, osso nasal,  para rastreamento das cromossomopatias e cardiopatias no primeiro trimestre, assim como malformações estruturais demonstráveis neste período da gestação.

12

O exame morfológico de segundo trimestre deve ser realizado entre 20 e 24 semanas, para avaliações de malformações estruturais que aparecem em idade mais avançada da gestação tais como malformações do sistema nervoso central, aparelho digestivo, urinário, cardiovascular, esquelético…

 

Já a Doppler velocimetria é empregada nas gestações com desvio de crescimento fetal, nas gestações com patologias materna que interferem no desenvolvimento fetal tais como diabetes, hipertensão, doenças reumáticas, infecciosas, etc. Avalia a circulação materna com a insonação das artérias uterinas e fetal com avaliação da artéria umbilical e cerebral média.

54

 

E o ultrassom 3D e 4D?

A ultrassonografia 3D e 4D observa  o bebê em imagens tridimensionais. A diferença é que na imagem 3D temos uma avaliação estática da imagem tridimensional e no exame 4D as imagens são dinâmicas em tempo real, podendo ser observado a movimentação fetal como a movimentação de membros, do abrir e fechar da boca, das caretas e mimicas realizadas pelo feto.

O exame tridimensional tem melhor resolução quando realizado entre 25 e 32 semanas de gestação, pois necessita de uma boa quantidade de líquido amniótico para que possamos obter melhores imagens, assim como da posição fetal, do panículo adiposo materno, da movimentação fetal.

Assim recomendamos que a mãe se alimente 30 minutos antes do exame para que o bebê se movimente, pois se o mesmo estiver em uma posição ruim pode-se obter uma imagem não satisfatória.

Importante!!! Os exames 3D e 4D não substituem os exames morfológicos, sendo estes os exames padrão ouro para avaliação da morfologia fetal.

 

Espero ter elucidado parte das dúvidas que nossos leitores possam ter.

Nos vemos em breve!

Dr. José Francisco Gonçalves Filho– Ginecologista e Obstetra. Fundador da Clínica Gonçalves.

 

PS.:  Na Clínica Gonçalves, os exames são documentados com imagens impressas em papel foto, e gravação em DVD para reprodução em aparelho convencional, podendo o mesmo ser agendado após as 12:00 horas no telefone: (11) 4712-5175. O exame demora cerca de trinta minutos e se o feto não se apresentar em posição satisfatória para obtenção das imagens um segundo exame é agendado. Quando não possível a obtenção de imagens satisfatórias, o relatório do exame bidimensional é emitido.    

É Cólica?

Olá! O assunto da semana de hoje será a “Cólica do Lactente”, distúrbio que deixa mães e bebês de cabelo em pé.

 

Vamos entender um pouco mais sobre ele?

 

COLICA

 

1) O que é “Cólica do Lactente”?

Costumo frisar sempre para os pais que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO que costuma afetar bebês a partir dos 15 dias de vida até os 3 meses de idade.

 

2) Porque ele acontece?

O motivo é multifatorial, mas costumo destacar 3  grandes causas: os gases e a dificuldade em digerir o leite, a microbiota intestinal em formação e a dismotilidade intestinal. Esse tripé de causas será a base do tratamento das cólicas.

 

3) Como sei que o meu bebê tem “Cólica do Lactente”? Como faço o diagnóstico?

O diagnóstico é CLÍNICO. Devemos antes excluir outros motivos de choro:

colic

Ou seja, será que o bebê não está com fome, com gases, irritado, com sono, com a fralda cheia, com os dentes em erupção, solto física ou emocionalmente? Antes de dizer que é cólica, devemos excluir isso tudo.

Veja o vídeo a seguir, que mostra um “truque” para tentar acalmar seu bebê, se o caso  dele não for de cólica:

 

Excluídas outras causas de choro, a “Cólica do Lactente” é provável e deve seguir a famosa regra dos 3:

  • 3 horas de choro diários
  • Por , pelo menos, 3 vezes na semana
  • Durante 3 semanas

 

4) Tá certo, meu bebê tem a famigerada “Cólica do Lactente” . Como eu consigo tratá-la?

Insisto em dizer  que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO, visto que, nenhum tratamento é 100% eficaz e que a única coisa que parece findá-lo é justamente o tempo- ou seja, o passar dos 3 meses.

Ainda, que cada criança responde de um jeito diferente e parece “preferir” um tratamento ao outro.

Além do que, costumo dizer que as próprias mães e os pais vão começar a entender melhor o seu bebê após 3 a 4 semanas de vida; diferenciando cada choro para cada exigência dele.

Como havia citado quando falei das causas, o tratamento baseia-se naquele tripé :

 

  • Dismotilidade

Parece que até o quarto mês de vida, o bebê; em especial o prematuro, possui um certo grau de dismotilidade intestinal.

O que isso quer dizer? Parece que ele não sabe conduzir bem seus gases e fezes num único sentido; sendo assim, eles ficam indo e voltando, de lá para cá, o que pode gerar tanto a cólica quanto um certo grau de refluxo gastroesofágico.

Sendo assim, uma coisa fácil e barata que pode ajudar nas cólicas são as massagens e o aquecimento da barriga do bebê.

E não, você não precisa ser massoterapeuta ou  especialista em Shantala!!! Segue um vídeo e um link ensinando técnicas básicas de massagens:

 

https://www.johnsonsbaby.com.br/massagem-no-bebe/guia-de-massagem-recem-nascido

O aquecimento pode ser feito com compressas mornas, bolsas de água quente (existem algumas no mercado com cheirinho de ervas e que acalmam o bebê), banho morno ou ofurô.

 

  • Gases e dificuldade em digerir o leite

O leite não é um alimento de fácil digestão, definitivamente. As fórmulas, ainda mais que o leite materno.

Além disso, o bebê parece apresentar um certo grau de intolerância ao leite, como se as enzimas necessárias para sua digestão ainda não estivessem totalmente formadas ou  efetivas.

Desta forma, pode ocorrer a digestão incompleta/ fermentação do leite, gerando a formação de gases e desconforto.

Já existem formulações com enzimas que ajudam na digestão do leite e medicamentos para ajudar na eliminação dos gases, além das massagens explicadas acima.

 

  • Microbiota Intestinal

O bebê nasce com o intestino sem nenhuma Flora ou Microbiota intestinal e ele começa a ser colonizado a partir do momento que nasce.

A nossa Flora ajuda na digestão do alimento e é indispensável para o bebê.

Sendo assim, muitos bebês apresentam cólica por não conseguirem digerir o leite completamente, parecido com o que foi explicado acima.

Já temos também medicações que ajudam na formação desta Microbiota e que podem ajudar a combater a cólica, reduzindo o tempo do choro – em especial, as crianças que recebem seio materno exclusivo.

 

5) E os chás e a Funcho-chicoria? Minha Vó usava e dizia que era muito bom!

Pois é, nem tudo que usávamos e fazíamos antes, nós usamos e fazemos hoje- que bom!!!

Como preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a criança deve receber exclusivamente Leite Materno ou Fórmula Láctea específica até os 6 meses de vida.

Os chás podem fazer com que a criança diminua a quantidade de leite ingerido e assim, perca peso. Além do que, não devemos dar açúcares ou adoçantes para crianças, nesta idade.

A Funcho-chicoria (extrato de erva-doce e chicoria) foi retirada do mercado em 2012 pela ANVISA. E apesar de ser um medicamento fitoterápico, não existem doses seguras recomendadas em bula (nem pelo fabricante).

Ela vem em pó e muitos pais dissolvem-na no leite ou na água (o que pode resultar no mesmo problema do chá) e ofertam para as crianças.

Outros, molham a chupeta no pó e ofertam para os bebês, o que pode acarretar em microaspirações, pneumonias aspirativas e problemas respiratórios futuros.

Infelizmente, a empresa que produz a funcho-chicoria conseguiu vencer a liminar que retirou a medicação das prateleiras e hoje vemos ela sendo vendida, sem bula e sem nada, em todas as farmácias…

Eu formalmente CONTRA-INDICO o seu uso.

Por outro lado, temos outros extratos de plantas , que também contém a funcho-chicoria, que são aprovados pela FDA (órgão americano que fiscaliza alimentos e medicações) e que são vendidos pela internet. Contém a inconveniência do preço e da necessidade de importação.

 

6) E a alimentação da mãe, pode causar e/ou piorar a cólica?

A resposta é…. SIM!

De certa forma, parte daquilo que a mãe ingere pode passar ao leite materno e, assim, para o bebê.

Já temos alguns vilões conhecidos, que são basicamente os mesmos alimentos que causam o refluxo gastroesofágico no adulto: café, chá preto, refrigerantes, energéticos, embutidos e alimentos processados, frituras, molho de tomate, pimenta ou molhos condimentados, chocolate…

Dica básica? É só a mãe comer o mais naturalmente possível e sempre que for sair da dieta, não exagerar nas besteiras.

Ainda assim ,segue uma lista abaixo dos alimentos associados à colica:

 

restore_anti-colic_v1.jpg

 

 

7) O que fazer então?

Por fim, como sempre digo, toda doença que possui inúmeros tratamentos é porque nenhum deles é realmente efetivo.

Na minha vivência, observo que cada caso é um caso.

Que cada bebê responde de uma forma aos diversos tratamentos e medicações.

O que vale sempre a pena é os pais tentarem entender se aquele desconforto do bebê é realmente cólica. Se sim, qual parte do tripé deve ser o causador do desconforto? Gases, dismotilidade ou microbiota? E só então tentar tratá-lo.

Meu único e último alento é que a cólica VAI PASSAR! E o seu pediatra sempre estará ao lado para tentar ajudá-los nesta fase.

Hoje vou ficando por aqui.

Uma ótima semana a todos e até a próxima.

 

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

 

Por que comigo?!?

thumbnail_Por que comigo

Vamos tecer alguns comentários sobre abortamentos, para tentar dirimir a ansiedade dos casais que passam por esta situação.

O aborto é uma situação muito mais frequente do que se pode imaginar e, na maioria das vezes, está associado à uma patologia fetal com chances mínimas de se repetir em uma gestação futura.

O aborto espontâneo acomete de 15 a 20 % das gestações e pode trazer transtornos de ordem física e psíquica para o casal. Pode ser primário quando acontece na primeira gestação ou secundário quando acontece após gestações anteriores bem sucedidas.

Ele pode ser precoce quando ocorre antes de 12 semanas de gestação ou tardio quando ocorre entre 12 e 22 semanas, com feto com peso inferior a 500 gramas. O aborto precoce habitualmente está associado à patologia fetal, muitas vezes associado a causas gênicas ou cromossômicas, endocrinopatias ou síndrome fosfolípide. Quando ocorre de modo isolado não necessita de investigação.

Já no abortamento tardio, as causas mais comuns são as malformações uterinas, a incompetência istmo cervical e as trombofilias.

O abortamento de repetição ou recorrente (dois ou mais abortos consecutivos) acomete de 0,5 a 2% das gestações. Na ocorrência de abortamentos consecutivos, o casal necessita de investigação para tentar elucidar a sua etiologia.

A investigação necessita de exames para afastar malformações uterinas; causas endócrinas; causas infecciosas como a sífilis, a toxoplasmose, o citomegalovírus, a vaginose bacteriana; trombofilias (doenças relacionadas com a coagulação do sangue) de causas adquiridas ou hereditárias e, mais raramente, a investigação do cariótipo do casal.

Nas mulheres acima de 35 anos, 40% dos óvulos apresentam alterações cromossômicas, sendo que as principais são: alteração nos cromossomos sexuais, cromossomos 13, 18, 21, o que pode acarretar em síndromes tais como Síndrome de Turner, Síndrome de Patau, Síndrome de Edwards e Síndrome de Down, sendo que tais doenças cromossômicas estão associadas à maior incidência de abortamentos e óbitos intrauterino e neonatal.

Portanto, as mulheres com idade acima de 35 anos habitualmente apresentam uma incidência um pouco maior de abortamento, assim como risco maior de complicação durante a gestação com o aumento da incidência de malformações fetais.

A perda de um bebê é uma situação bastante delicada e, quando recorrente, traz mais aflição para o casal.

Porém, mesmo quando a investigação não consegue demonstrar a causa do aborto; o prognóstico é bom, sendo que a chance de se obter uma gestação de termo e viável encontra-se na faixa de 65 a 70%, mesmo após três perdas consecutivas sem causa evidente.

Portanto, tenha em mente que o aborto é geralmente uma ocorrência única. A maioria das mulheres que abortam podem ter uma gravidez saudável posteriormente.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo ou pelo Facebook da Clínica http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr.

Até Breve!

Dr. José Francisco Gonçalves Filho– Ginecologista e Obstetra. Fundador da Clínica Gonçalves.

 

O Outono está chegando!

Outono

O Outono está chegando!!! Março está chegando!!! Muito cuidado porque a Bronquiolite também está chegando!

Mas afinal, o que é Bronquiolite?

Bem, o que eu gosto de destacar sempre é que Bronquiolite não tem nada a ver com a Bronquite, além do nome parecido e o fato de poder provocar um quadro respiratório importante e grave com reação inflamatória dos pulmões e sibilos.

Enquanto a Bronquite ou a Asma é uma doença respiratória crônica, com um componente genético bem definido, a Bronquiolite é uma infecção respiratória aguda causada por vírus- também chamada de Bronquiolite Viral Aguda (BVA).

 

Então ela não deixa de ser uma “virose”?

De certa forma sim. A Bronquiolite é mais uma das doenças virais que acometem os pequenos.

O seu grande vilão é o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), responsável por cerca de 90% dos casos de BVA. Mas, sabemos que muitos outros vírus também podem causá-la como o Influenza A e B, Parainfluenza 1 e 3, Rinovírus, Coronavírus, Adenovírus….

E porque devo temer tanto o início do Outono e a chegada do mês de Março?

O VSR possui uma característica sazonal, com picos de incidência nos meses de Fevereiro a Julho, nas regiões de clima subtropical como o Estado de São Paulo. Portanto, devemos redobrar os cuidados com os pequenos nesses meses- até o final de Agosto/Setembro.

Quem são as crianças mais acometidas?

A BVA costuma acometer as crianças menores de dois anos, principalmente os menores de 3 meses, prematuros, pacientes com doenças respiratórias crônicas e com cardiopatia congênita.

Os filhos de mães tabagistas, jovens, com baixo nível socioeconômico e aqueles com mais de 2 irmãos ou  que frequentam creche têm um risco maior para desenvolver a doença grave.

Como se dá a infecção e como posso tentar evitá-la então?

A infecção se dá pelo contato direto das secreções respiratórias contaminadas. As mãos e objetos contaminados, como brinquedos, podem funcionar como meio de disseminação importantes.

Geralmente, a transmissão se dá por um parente próximo- pais, avós ou irmãozinho- que esteja apresentando um quadro de resfriado atual ou não, mas que esteja incubando o vírus no momento.

Sendo assim, devemos sempre lembrar de lavar as mãos ou utilizar o álcool em gel, antes de manipular um recém-nascido, por qualquer motivo.

Como posso desconfiar que o meu bebê está com Bronquiolite?

O quadro começa como um quadro de resfriado comum, com sintomas inespecíficos como coriza clara, congestão nasal, espirros e febre baixa; os quais costumam durar cerca de 3 dias.

Após as crianças podem apresentar uma piora progressiva com sintomas que incluem a tosse, sibilos e cansaço importante.

desc

Caso apresente algum destes sinais, a criança deve ser avaliada por um médico prontamente.

Qual o tempo de evolução da doença?

Cerca de 7 a 10 dias. Sendo que apenas 2-3% das crianças necessitam de Hospitalização.

Qual o tratamento?

Por se tratar de uma doença viral, o tratamento é de suporte com anti-térmicos, lavagem nasal e inalação com soro fisiológico. Não existe um tratamento específico aprovado ou antibiótico, exceto se houver doença bacteriana associada.

Dependendo da gravidade, é possível tratar a BVA em casa; no entanto, em alguns casos, a criança necessita de internação Hospitalar e até mesmo suporte de UTI, devido ao intenso grau de desconforto respiratório.

E a vacina? Ela existe e funciona?

Até existiu uma vacina de verdade contra o VSR, mas por várias desvantagens ela não tem sido utilizada.

O que temos disponível e em uso é a Pavilizumabe.

Um anticorpo pronto contra o VSR que é dado para crianças, como as prematuras, broncodisplásicas e portadoras de cardiopatia congênita, nos meses de risco aumentado para a infecção.

Ela não confere imunidade permanente, mas reduz em 50% as hospitalizações, o tempo de internação e a necessidade de admissão em UTI.

MEU DEUS!!! Já que não existe um tratamento específico, o que eu posso fazer então para preveni-la?

Como já falado, o básico:

  1. HIGIENE nas mãos antes de manipular os recém-nascidos.
  2. EVITAR o contato do bebê com pessoas com resfriado.
  3. EVITAR o início da creche ou escolinha nessa época e com as crianças mais susceptíveis.
  4. EVITAR levar o bebê a lugares fechados e com muitas pessoas -NÃO SÓ NESSA ÉPOCA DO ANO- como cultos religiosos, supermercados, cinemas, shows e HOSPITAIS!!!

**** NOTA EXTREMAMENTE IMPORTANTE: o pior lugar para se levar um recém-nascido (VEJA, A NÃO SER QUE NÃO HAJA OUTRA ALTERNATIVA E REALMENTE HAJA A NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO MÉDICA) é o pronto-socorro, ainda mais neste período citado. O ideal é que a criança seja avaliada por seu Pediatra e caso ele julgue necessário, ela seja atendida em um Pronto-Socorro.

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Créditos da imagem: @fisioterapiadacrianca (Link: http://www.pictame.com/user/fisioterapiadacrianca/3935307476)

 

 

Apenas TUDO o que você precisa saber sobre a Febre Amarela

FEBRE AMARELA

Olá!!!

Hoje faremos um bate-bola rápido com as maiores dúvidas sobre a Febre Amarela, no esquema de perguntas e respostas.

Prontos?!? Vamos lá, então!

a) Como posso contrair a doença?

A doença é causada por um vírus e transmitida pela picada de um mosquito silvestre (o Haemagogus ou o Sabethes). O mosquito transmite a doença após picar um macaco infectado, que é o hospedeiro PRINCIPAL. O homem é um hospedeiro acidental.

b) E o mosquito da Dengue, o Aedes aegipty, onde entra nessa história?

O Aedes é o vetor da doença no Ciclo Urbano, transmitindo a doença entre humanos. A última vez que isso aconteceu no Brasil foi em 1942.

c) Então, se eu não moro em áreas rurais, de matas ou em zonas de risco eu não preciso me preocupar?

Exato! Apenas moradores ou pessoas que irão visitar essas áreas que devem receber a vacina. Para saber se você mora em uma zona de risco acesse: http://www.saude.gov.br/febreamarela.

d) E o macaco? Transmite a doença?

Não! Nem o macaco, nem uma pessoa contaminada podem transmitir a doença diretamente.

e) Se eu pegar a doença o que eu vou sentir?

Como toda infecção por vírus, a famigerada virose! Os sintomas inicias são inespecíficos como febre, dor no corpo, dor muscular, dor de cabeça e vômitos, os quais duram cerca de três dias e cessam. Após 24h, pode ocorrer febre alta, icterícia (pele amarelada), sangramentos, lesão no fígado e até morte.

f) Muitas pessoas morrem após contrair a doença?

Cerca de 15% das pessoas que contraem a doença desenvolvem a forma grave. Destas, 20 a 50% morrem.

g) Existe tratamento?

Não! Como a maioria das doenças virais, não há um tratamento específico. Apenas tratamento de suporte para as possíveis complicações.

h) O que mudou sobre a vacinação?

Atualmente, o governo está usando a dose fracionada da vacina, com um quinto da dose habitual. A sua segurança e proteção são iguais (cerca de 99% de eficácia), mas a pessoa que recebeu a dose fracionada deve ser revacinada em oito anos.

Caso tenha recebido uma dose da vacina habitual (não fracionada), esta vale para toda a vida.

i) E se eu for viajar para algum país do exterior que exige a vacinação?

Você deve tomar a vacina, pelo menos, 10 dias antes da viagem. A Anvisa não concede o Certificado Internacional para quem tomou a dose fracionada.

A dose fracionada vem discriminada na Carteira de Vacinação.

j) As mulheres têm que ter algum cuidado especial?

As mulheres em idade fértil e que desejam engravidar podem tomar a vacina, mas devem evitar a gravidez até 30 dias após a vacina.

k) E quanto as mulheres que amamentam? Quais os cuidados?

Se a criança tiver menos de 6 meses de idade, o ideal é parar a amamentação por 10 dias. Mesmo que a criança tenha tomado a vacina.

l) E as crianças??? Quem pode receber a vacina?

Geralmente, as crianças com mais de 9 meses podem receber uma dose da vacina PADRÃO! (as crianças NÃO devem receber a dose fracionada).

Aquelas com mais de 6 meses, que moram em áreas de risco, podem receber uma dose da vacina, no entanto, devem ser revacinadas posteriormente.

m) Existe algum cuidado especial com a administração desta vacina associada a outras?

As crianças que vão receber a tríplice viral SCR (sarampo,caxumba e rubéola) ou a tetra viral (SCR+ varicela) devem aguardar 30 dias, caso tenham sido vacinadas contra a febre amarela.

n) Quais cuidados devo ter se não puder vacinar meu filho?

Crianças que não se enquadram nas recomendações do Ministério da Saúde para receber a vacina ou que, por sua indisponibilidade, não foram vacinadas devem evitar visitas nas áreas de risco e se precaver das picadas dos insetos- abordamos este tema há alguns meses.

Saiba mais aqui:

http://www.clinicagoncalves.com/2017/11/23/nao-deixe-ele-tirar-o-sono-do-seu-filho/

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só escrever aqui embaixo ou na página do Facebook da Clínica Gonçalves: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Até Breve,

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

Usar ou não usar a chupeta? Eis a questão!!!

Usar ou não usar a chupeta

 

A questão está lançada!

Devemos ou não dar chupeta para os bebês???

Eu vou mostrar os prós e contras referentes ao seu uso e, no final, VOCÊ DECIDE!

 

ARGUMENTOS CONTRA:

1)Sucção: a sucção não-nutritiva por longos períodos (sugar sem receber alimento) faz com que o bebê tenha uma alteração na sua percepção de saciedade, além de provocar a fadiga da musculatura da boca/mandíbula. Isto influencia negativamente, encurtando a duração da mamada e aumentando os períodos entre as mamadas.  (Crianças que usam chupeta mamam com menos frequência, determinando menor produção de leite materno e, consequentemente, necessidade de suplementação com fórmula).

2) “Confusão de bicos”: o bebê que usa chupeta, principalmente antes de 3-4 semanas de vida, tem mais dificuldade para realizar a pega/sucção do seio materno e acaba preferindo o bico artificial.

3) Mastigação: o recém-nascido, desde antes do nascimento, exercita a mastigação deglutindo o líquido amniótico. E ele continua a aprender a usar toda a sua musculatura após o nascimento, sugando o seio materno. Aqueles que usam chupeta tendem a apresentar a mastigação utilizando apenas um lado da boca, causando problemas nas articulações e na deglutição, devido ao posicionamento errado da língua.

4) Respiração: crianças que mamam o seio materno exclusivamente apresentam a respiração APENAS pelo nariz, o que é desejável nesta fase. Já aquelas que usam chupeta, apresentam a respiração bucal ou mista, o que altera o desenvolvimento craniofacial da criança.

5) Fala e linguagem: o uso de chupeta altera a articulação dos sons e da fala, limitando o balbucio e a emissão de palavras.

6) Dentição: crianças que usam chupeta têm chance aumentada de apresentar alterações dentárias, como a mordida cruzada.

7) Otite média: crianças com menos de 18 meses que usam chupeta têm uma chance maior de 33% de apresentar um episódio de otite do que aquelas que não usam.

8) Infecções: o uso de chupeta está associado com maior incidência de diarreia e de mortalidade infantil, com o aumento da probabilidade de hospitalização e de eventos de respiração ruidosa, asma, dor de ouvido, vômitos, febre, diarreia, cólicas, aftas e candidíase oral (sapinho). Além disso, algumas chupetas possuem n-nitrosamina (substância que dá mais elasticidade à borracha) que ao entrar em contato com a saliva pode ser nociva à saúde do bebê.

9) Inteligência: acredita que até nisso a danada da chupeta pode influenciar? As crianças que usam chupeta solicitam menos a atenção dos pais e, por isso, são também menos estimuladas. Um estudo mostrou que na vida adulta, estas crianças tem um desempenho intelectual 16% menor.

10) Vícios: crianças que usaram chupeta tendem a ser mais ansiosas e a apresentar um comportamento mais compulsivo na vida adulta, seja para comida, seja para cigarro ou drogas.

 

ARGUMENTOS A FAVOR:

1)Sucção não-nutritiva: a chupeta pode ser usada para treinamento da sucção de bebês que fizeram uso da sonda oral, enquanto internados, para a alimentação. Apesar de ser apenas uma das opções para este treinamento.

2) Manejo da dor: a sucção para o bebê é um mecanismo de redução da dor já comprovado cientificamente. A chupeta pode ser usada como um auxiliar no manejo da dor do recém-nascido. No entanto, vale lembrar que a amamentação provê contato pele a pele, calor, balanço, cheiro, voz materna e, possivelmente, opiáceos endógenos (substâncias que reduzem a dor) presentes no leite materno, os quais são superiores à chupeta.

3) Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL): atribuída às mortes de crianças que não podem ser explicadas após a completa investigação do caso. Tem muita relação ao fato da criança DORMIR DE BRUÇOS- POR ISSO LEMBREM-SE: A CRIANÇA DEVE DORMIR EM BERÇO PRÓPRIO, DE BARRIGA PARA CIMA E SEM MUITOS CACARECOS, COMO ALMOFADAS E BICHOS-DE-PELÚCIA!!!,  estar superaquecida e ser submetida ao tabagismo passivo. Segundo estudos, o uso de chupeta DURANTE O SONO, ATÉ UM ANO DE IDADE E APÓS O ESTABELECIMENTO DO ALEITAMENTO MATERNO reduziu o número dos casos de SMSL. Lembrando que o aleitamento materno é também um dos principais fatores de proteção contra ela.

 

barriga

 

Entre os benefícios citados do uso de chupeta está seu efeito tranquilizante sobre o comportamento agitado do bebê, especialmente em crianças irritadas e com cólicas, tranquilizando e diminuindo os episódios de choro da criança. (A tradução literal de chupeta do inglês “pacifier” é pacificador, calmante).

Entretanto, é importante enfatizar que existem outras estratégias para acalmar bebês e manejar o seu choro, como organizar globalmente o bebê, aconchegá-lo, cantar, praticar contato pele-a-pele, banhá-lo, usar o ofurô…

Mais do que isso, os pais precisam entender que os padrões de choro dos bebês são diferentes e podem significar coisas distintas.

Ao dar a chupeta, você inibe sim o choro, mas também inibe a conexão com o seu filho, quebra um vínculo em formação e reduz a sua estimulação.

Os prós e contras referentes ao uso da chupeta estão apresentados acima.

Cabe agora você escolher!!!

Escolha sabiamente e até a próxima semana.

(PS.: venhamos e convenhamos que foi uma lavada de 10 3 à la Alemanha).

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves-Pediatra e Neonatologista

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria- Uso de Chupetas em Crianças amamentadas: prós e contras- Agosto de 2017.