Diarreia? Vamos vencê-la!

diarreia_ e agora_

 

Olá, hoje falaremos sobre as doenças diarreicas.

O que é, como diagnosticá-las e tratá-las. Vamos nessa?

Mas antes…

Um pouco de história…

Segundo à Organização Mundial da Saúde (OMS) ocorreu uma redução drástica na mortalidade infantil causada por diarreia, nos últimos anos.

Para exemplificar, na década de 80, a diarreia ocupava o segundo lugar como causa de mortalidade infantil, sendo responsável por quase 25% dos óbitos.

Entretanto, já em 2005, ela passou para a quarta posição e foi responsável por menos de 5% das mortes, apenas.

 

1) Como sei que meu filho tem diarreia?

A diarreia é definida como o aumento do número de evacuações (mais de três episódios em 24 horas) e/ou alteração da consistência das fezes.

 

2) Até quanto tempo é “normal” meu filho ter diarreia?

A diarreia aquosa aguda costuma ter até 14 dias de duração, embora normalmente não ultrapasse sete dias.

Diferentemente da disenteria, ela não cursa com evacuações com sangue ou muco (pus) e nem persiste por mais de 14 dias, como na diarreia persistente.

 

3) O que causa a diarreia e como posso adquiri-la?

Já ouviu falar na famigerada virose?

Pois bem, a GRANDE MAIORIA dos episódios diarreicos são causados por vírus, como o Rotavírus, o Norovírus,  o Adenovírus, dentre outros.

Nos casos de diarreia com sangue, devemos pensar em infecções bacterianas causadas pela Shigella, Salmonella, vírus da Cólera ou E. coli.

Ainda podem haver episódios diarreicos causados por parasitas ou fungos.

A infecção é transmitida pela secreção das vias aéreas, gotículas, objetos, água e alimentos contaminados, além da via fecal-oral. A lavagem de mãos e higiene é o melhor método de combatê-la.

 

4) Tá certo, mas o governo não dá a vacina contra o Rotavírus. Porque meu filho está com diarreia?

A vacinação contra o Rotavírus no Brasil iniciou-se em 2006, pelo Programa Nacional de Imunizações.

Após esse período, além de uma grande redução nos casos de diarreia grave e, por conseguinte, da mortalidade infantil;  vimos um redução nas hospitalizações por desidratação e outras complicações dessas infecções.

No entanto, como citado, o Rotavírus não é o único agente causador possível.

Além do que, vale lembrar, que a vacina em âmbito particular é pentavalente, enquanto que a pública é monovalente.

 

5) Como é possível fazer o diagnóstico? É necessário colher exames?

O diagnóstico é clínico!

Toda criança com o aumento do número de evacuações e/ou com alteração do padrão das fezes (mais líquidas ou pastosas), sem episódio de sangramento, deve estar com um quadro diarreico agudo e , muito provavelmente, de origem VIRAL.

Desta forma, a coleta de exames faz-se desnecessária, principalmente, nos casos de desidratação leve.

A técnica de PCR para identificação do agente causador só é realizada em caráter de estudo e não é necessária, na totalidade dos casos.

 

6) Além da mudança das fezes, o que mais meu filho pode sentir? Ele pode ter febre?

A resposta é SIM.

Além de febre, a criança pode apresentar náuseas, vômitos, dor no abdome, distensão abdominal, aumento dos gases , redução do apetite e até manchinhas no corpo.

No entanto, deve-se atentar para os sinais de desidratação.

 

7) Quando devo levar meu filho ao Pronto-Socorro?

Os pais devem observar os sinais de desidratação: olhos encovados e sem lágrimas, moleira mais rebaixada, boca sem saliva, diminuição do xixi e hipoatividade.

Observe a tabela abaixo:

planos

Caso o seu filho apresente um sinal de desidratação mais grave (coluna B ou C), você deve levá-lo ao Pronto-Socorro para reidratação.

 

8) Tá certo! Meu filho não possui nenhum sinal de gravidade, mas está apresentando muitos episódios de diarreia. O que posso fazer em casa?

Reitero, que grande parte das diarreias são causadas por vírus. Portanto, o próprio organismo é que precisa “dar conta” da infecção e o uso de antibióticos fica restrito aos casos de disenteria.

Ainda assim, podemos e devemos hidratar a criança com o Soro de Reidratação Oral.

Lembram-se desta colher?

soro

Então, NÃO RECOMENDAMOS mais que seja feito o soro caseiro. Devido aos vários erros de preparação/diluição, hoje temos soluções prontas ou em forma de pó para diluir.

 

A quantidade a ser dada a cada episódio diarreico está descrita na tabela abaixo:

qunatidade

O leite materno deve ser mantido e encorajado.

Todos os líquidos podem e devem ser dados, como água, chá (não adoçado), sucos naturais e água de coco.

No entanto, os refrigerantes e sucos industrializados devem ser evitados. O excesso de açúcar pode piorar a diarreia.

O excesso de alimentos com fibras/bagaço, condimento e gordura também pode piorar o quadro.

Estimule a alimentação mais leve e natural possível.

 

9) E não há mais nada??? O que mais posso fazer?

  • Zinco:  A OMS recomenda a reposição de Zinco, micronutriente envolvido em várias reações enzimáticas do corpo e no crescimento celular, já no início do quadro diarreico podendo ser mantido até a melhora do quadro, cerca de 10-14 dias. Existem “soros” com acréscimo de Zinco e medicações que podem aumentar a oferta dele para a criança e que, assim, reduzem o tempo da diarreia e a chance de recorrência nos próximos três meses da infecção atual.
  • Probióticos: Eles ajudam na restauração da “flora intestinal” e podem reduzir a duração dos episódios diarreicos. Podendo ser ofertados na primeira semana de tratamento.
  • Antieméticos: A OMS não recomendo o uso de antieméticos, medicações para o tratamento dos vômitos, devido à possibilidade de sedação e redução da ingesta de líquidos, o que pode piorar a desidratação. No entanto, a diretriz íbero-latinoamericana e a ESPHGAN acreditam que o uso da ondansetrona pode reduzir o número de vômitos e a chance de internação hospitalar, já que é um antiemético que não produz sedação.
  • Racecadotrila: Medicação muito utilizada em adultos para redução dos episódios diarreicos. Nas crianças, apesar de liberado, seu uso deve ser restrito. Devemos lembrar que apesar de incômoda, a diarreia é um mecanismo de defesa do corpo e que ela deve ser tolerada o máximo possível.

 

10) Tentei tudo isso e meu filho continua tendo muitos episódios diarreicos e não consegue tomar o Soro. O que eu faço?

Caso a criança apresente muitos episódios de diarreia e/ou vômito, não consiga tomar o soro de reidratação oral e apresente sinais de desidratação, você deve procurar o Pronto-Socorro.

sinais de perigo

 

Por fim, apesar de ocorrem muitos episódios de diarreia no verão, é agora no outono/inverno que ocorre a circulação do Rotavírus e de outros vírus responsáveis por este tipo de infecções. Portanto, devemos redobrar os cuidados nesta época do ano.

Espero que tenha ajudado vocês com estas dicas!

Dúvidas ou sugestões? É só deixar abaixo.

Até mais!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Referências:

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)- Diarreia Aguda- Diagnóstico de Tratamento- Março de 2017.

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