Vitaminas para quê?

Vitaminas para quê_

Olá, antes de tudo, Feliz 2020!!!

Já começamos o ano falando sobre um tema muito importante: a suplementação de vitaminas na infância.

É muito comum os pais solicitarem a prescrição de vitaminas para os filhos. No outro extremo, vemos pais que não aderem à suplementação por não acreditarem que ela seja necessária.

Então resta a dúvida: Quais crianças tem indicação de suplementação? Até que idade? Por quê???

Isto tudo explicaremos a seguir.

Mas antes de falarmos de Vitaminas,  vamos falar de aleitamento materno.

O Leite Materno é a melhor maneira de prover a nutrição adequada para o crescimento e desenvolvimento da criança. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) preconizam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Após os seis meses, devemos iniciar a introdução alimentar e manter o aleitamento materno até os dois anos de vida (ou mais).

O I Consenso Brasileiro da Associação Brasileira de Nutrologia recomenda a ingestão de 200 mg de DHA (ácido docosahexaenoico), oriundo do famoso ômega 3, para as mães que estão amamentando.

Os filhos de mães que não estejam recebendo leite materno, devem receber fórmulas lácteas que contenham a quantidade adequada de DHA. Este ácido graxo, é indispensável para o desenvolvimento cerebral e da visão do bebê.

 

1) Vitamina D

A vitamina D ficou muito famosa nos últimos anos, sendo a sua carência relacionada a várias doenças como diabetes, asma, rinite alérgica, alergia alimentar, artrites, esquizofrenia, depressão, problemas cardíacos e canceres.

Como vivemos em um país tropical, há uma chance reduzida de termos carência desta vitamina em adultos, visto que ela é convertida na sua forma ativa após a exposição da pele ao sol.

PONTO IMPORTANTE: Os consensos nacionais e internacionais são UNÂNIMES em recomendar a triagem de hipovitaminose D (deficiência de vitamina D) apenas para grupos de risco, NÃO RECOMENDANDO COMO EXAME DE ROTINA.

No entanto, para crianças de até um ano de idade, a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a SBP recomendam a reposição de 400 UI de Vitamina D por dia. Do primeiro ao segundo ano de idade, preconizam a reposição de 600 UI.

Crianças maiores e adultos com uma dieta adequada e com a exposição solar de 10-15 minutos por dia devem atingir as suas necessidades diárias de Vitamina D, sem necessidade de reposição.

Outro ponto importante, é recomendada a prescrição da Vitamina D isoladamente para a titulação da dose. Apenas em regiões de comprovada deficiência de vitamina A é que se recomenda a sua suplementação.

 

2) Ferro

A anemia por deficiência de ferro é a mais comum das carências nutricionais.  Ela pode ocorrer principalmente nas crianças entre 6-24 meses de idade, as quais apresentam risco duas vezes maior de desenvolver a doença.

A SBP indica a suplementação de 1 mg de ferro elementar/Kg/dia, a partir do 3º até o 24º mês de vida para as crianças nascidas a termo e com peso adequado, independentemente do tipo de leite recebido (materno ou fórmula) e quantidade.

A AAP recomenda a triagem para deficiência de ferro e anemia aos 12 meses de idade com a coleta de exames de sangue. Caso se constate a anemia, o tratamento deve ser iniciado e a dose de ferro aumentada 3 a 5 vezes. Uma nova coleta de exames deve ser realizada de 3-6 meses após esse aporte.

 

3) E outros micronutrientes?

Excetuando-se os prematuros que necessitam de reposição de micronutrientes e outras vitaminas, os bebês de termo e com peso adequado não necessitam de reposição de outras vitaminas além da Vitamina D e o Ferro, se apresentarem uma dieta adequada.

 

4) E crianças maiores?

Crianças acima de 2 anos também não necessitam de reposição de vitaminas e do uso de polivitamínicos, caso uma dieta adequada e equilibrada esteja sendo realizada.

O uso de polivitamínicos NÃO se destina e não causa aumento do apetite da criança.

 

Espero que tenha elucidado parte das dúvidas de vocês.

Dúvidas adicionais? É só deixá-las abaixo

Até a próxima!

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

FONTE: “Pediatra Atualize-se “- Boletim da Sociedade Paulista de Pediatria de São Paulo- Ano 4- No. 5- Set/Out 2019

Novembro Roxo

novembro da prematuridade

Olá!

Depois de algum tempo eu retorno. E não poderia deixar de falar sobre o Novembro Roxo, o mês da prematuridade.

Em Março falei um pouco sobre o tema e a importância do Neonatologista, na recepção em sala de parto do prematuro, no cuidado durante a internação e no acompanhamento pós-natal.

Se quiser saber um pouquinho mais, deixo aqui o link do Março Lilás: https://clinicagoncalves.com/2019/03/14/marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/.

Hoje , no entanto, gostaria de destacar a oportunidade e o imenso prazer que tive em ministrar a aula sobre a Neuropreservação e Seus Cuidados, na Semana da Prematuridade do Hospital Unimed São Roque.

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Nesta aula, pude destacar que os cuidados com o recém-nascido prematuro já se iniciam no pré-natal, na boa assistência à saúde da mulher, sobretudo; e do papel preponderante na assistência peri e pós-natal realizada pelo Neonatologista.

No entanto, mais do que isso, hoje gostaria de destacar “os meus prematuros”- neste mês a comemoração é deles.

E quando digo “os meus prematuros”, me refiro àqueles que o destino me presenteou.

Alguns deles pude cuidar desde o início, na Unidade de Terapia Intensiva. Outros conheci na maternidade ou apenas no consultório.  Mas agradeço imensamente à confiança dos papais e me alegro em ver a boa evolução de todos. Gostaria de dividir alguns casos com vocês:

 

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Parabéns a todos vocês!!!

Agradeço pelo privilégio de poder acompanhá-los, desde o chorinho à primeira palavra.

Muito obrigado.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Dor de garganta, de novo? NÃO!

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Olá, hoje falaremos sobre “Dor de Garganta”.

Antes de iniciarmos, vale a pena gastar algumas linhas falando um pouco sobre as Rinofaringites Virais ou sobre o Resfriado Comum.

O Resfriado Comum, como o nome já diz, é MUITO COMUM! Ainda mais nesta época do ano- do outono ao inverno.

Estudos demonstram que crianças pequenas podem ter em média de 6-8 episódios de Resfriados Comuns ao ano e, PASMEM, cerca de 10-15% delas podem chegar a ter até 12 resfriados/ano.

Lembrando que em média, os sintomas do Resfriado, como coriza, tosse, dor de garganta, obstrução nasal, espirros…- duram cerca de 7-10 dias,  algumas vezes estendendo-se até a 14 dias, é possível que durante quase todos os meses do ano e por cerca de metade dos dias de cada mês, seu filho esteja Resfriado, e que isso seja ABSOLUTAMENTE NORMAL.

Vale destacar que, o fato da criança frequentar creche ou ter um irmão mais velho que frequenta e, o contato com o tabagismo passivo,  favorece para que a criança tenha mais episódios de rinofaringites virais por ano.

Por outro lado, a partir do terceiro ano de vida é comum a melhora na incidência dos Resfriados. Para se ter ideia, um adulto tem em média cerca de 3 resfriados por ano.


UFA! Depois deste textão, vocês devem estar se perguntando: ” Tá legal, Doutor. Mas porque você está falando tanto de resfriados, já que você ia falar sobre “Dor de Garganta”???

Justamente, por isso!!! Porque A MAIORIA dos episódios de “dor de garganta” são VIRAIS!!!  Cerca de 75% dos casos.

Me intriga e entristece escutar dos pais, quando vêm ao consultório, que seus filhos, principalmente aqueles menores de 3 anos, já trataram VÁRIOS episódios de “dor de garganta” com antibiótico ou então a famosa frase: “ele só melhora do resfriado depois de tomar uma Benzetacil…”

Então a partir daqui vou fazer nosso famoso jogo dinâmico de perguntas e respostas tentando elucidar um pouco sobre a “dor de garganta”.

1) Quem causa a “dor de garganta” e por que você disse que é pouco provável que uma criança com menos de 3 anos tenha a doença?

A “dor de garganta” (amigdalite) que as pessoas costumam dizer é conhecida como Faringite Estreptocóccica, no meio médico. Ou seja, esse nome já indica o seu principal agente causador: o Estreptococo, que é uma bactéria.

Crianças menores de 3 anos, não costumam ter infecção por esse agente, pois não costumam ter receptor, nem carregá-lo em suas faringes (região entre a boca e garganta).

Geralmente, ela acomete crianças e adolescentes entre 5-15 anos de idade.

2) Como é possível fazer o diagnóstico, saber então se ela é viral ou bacteriana?

Destaco que a história clínica e os sintomas são primordiais.

FARINGITE VIRAL

Crianças- principalmente as menores de 3 anos de idade- que estejam apresentando febre (geralmente baixa e nos primeiros dias da doença), coriza, congestão nasal, tosse, espirros e “dor de garganta”, possivelmente estão com Faringite viral.

Os agentes possíveis são vários, como os que causam o Resfriado Comum: rinovírus, coronavírus, parainfluenza, vírus sincicial respiratório…

No exame, a garganta costuma estar avermelhada e inchada. Podem existir linfonodos (“ínguas”) palpáveis em todo pescoço.

A criança pode ter diminuição do apetite, abatimento e  estar com muita saliva ou babando muito.

viral

FARINGITE BACTERIANA (AMIGDALITE)

Esta possui uma história típica: febre ALTA, dor de cabeça, barriga e no corpo, mal-estar, vômitos, náuseas e “dor de garganta”.

Veja, que não costumam haver sintomas de Resfriado associados a ela como: coriza, tosse, espirros, obstrução, nasal…

Como já dito, ela costuma acometer crianças mais velhas e adolescentes, entre 5-15 anos de idade.

Ao exame, é comum notar a amígdala vermelha, inchada, com pus- algumas vezes não presente nos primeiros dias da doença- pintinhas no céu da boca e aumento dos gânglios (“ínguas”) no pescoço.

amigdalite

viral bacte

Além disso, alguns estabelecimentos possuem o teste rápido, o qual pode apontar se a infecção é bacteriana ou não.

Os exames de cultura, colhendo amostras da secreção da garganta, geralmente são dispensáveis, já que demoram alguns dias para identificação do agente causador e podem dar resultados falseados.

Os exames de sangue também dificilmente conseguem distinguir se a infecção é viral ou bacteriana.

O médico deve, portanto, associar a histórica clínica, a idade e o exame físico do paciente para diagnosticar corretamente o agente causador da doença.

3) Qual o tratamento?

Se estivermos diante de um infecção VIRAL, o tratamento é de suporte com o uso de analgésicos e anti-térmicos, hidratação e, em criança maiores, é possível a aplicação de soluções tópicas (“sprays”) com anestésicos locais para amenizar a dor.

No entanto, se o caso for de infecção BACTERIANA, aí sim o tratamento deve ser feito com antibióticos, geralmente as penicilinas.

A famosa Benzetacil- já em desuso devido à dor local na aplicação e a sua indisponibilidade no mercado- e a Amoxicilina. Em pacientes ALÉRGICOS o uso de outras classes de antibióticos é possível.

O Estreptoco NÃO tem resistência à Amoxicilina e este antibiótico ainda é o de escolha para as amigdalites.

Não se incomode se o tratamento de todo caso de amigdalite do seu filho for feito com a Amoxicilina, porque está realmente correto!!!


VÁ AGORA TOMAR UM CAFÉ, ÁGUA E VOLTE DAQUI 5 MINUTOS OU ATÉ EM OUTRO DIA.

Eu sei que o texto está grande!  Mas esta é uma parte crucial.

4) Qual o tempo de tratamento da Faringite Bacteriana (amigdalite)?

O tempo de tratamento deve ser feito por DEZ DIAS!!!

Mesmo que não seja iniciado o uso de antibiótico ou que se faça o seu uso de forma irregular, normalmente a criança apresenta melhora da “dor de garganta”.

No entanto, cerca de 3% das crianças podem ter complicações futuras gravíssimas de um tratamento feito de forma errada.

Apenas o uso pelo tempo correto pode ERRADICAR o Estreptococo da garganta da criança e evitar uma das principais complicações de uma faringite bacteriana não-tratada ou tratada de forma irregular, que é a FEBRE REUMÁTICA.

5) E o que é FEBRE REUMÁTICA???

A febre reumática é uma doença auto-imune, que tem como uma das suas complicações principais, a cardite reumática- doença do coração.

Ainda não se sabe exatamente porque apenas algumas pessoas desenvolvem essa complicação, mas sabe-se que elas já nascem com uma predisposição genética para a doença.

No entanto, ela costuma ocorrer após uma infecção de garganta ou de pele causada pelo Estreptococo, as quais não foram corretamente tratadas.

Sendo imperativo, portanto, que ao se diagnosticar a Faringite Bacteriana (amigdalite), os pais façam o tratamento correto, respeitando o antibiótico e tempos prescritos pelo médico, para que sejam evitadas tais complicações.

Então, por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões?

É só deixá-las abaixo ou no página do Facebook da Clinica Gonçalves:  https://www.facebook.com/clinicagoncalvessr/

Nos vemos em breve. Até lá!

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Créditos:

Imagens Retiradas da Internet

Vídeo- Canal Dr. Paulo Mendes Jr – Otorrino em Curitiba (acesso em 10/07/2019)

Vídeos explicando um pouco mais sobre o assunto:

Diarreia? Vamos vencê-la!

diarreia_ e agora_

 

Olá, hoje falaremos sobre as doenças diarreicas.

O que é, como diagnosticá-las e tratá-las. Vamos nessa?

Mas antes…

Um pouco de história…

Segundo à Organização Mundial da Saúde (OMS) ocorreu uma redução drástica na mortalidade infantil causada por diarreia, nos últimos anos.

Para exemplificar, na década de 80, a diarreia ocupava o segundo lugar como causa de mortalidade infantil, sendo responsável por quase 25% dos óbitos.

Entretanto, já em 2005, ela passou para a quarta posição e foi responsável por menos de 5% das mortes, apenas.

 

1) Como sei que meu filho tem diarreia?

A diarreia é definida como o aumento do número de evacuações (mais de três episódios em 24 horas) e/ou alteração da consistência das fezes.

 

2) Até quanto tempo é “normal” meu filho ter diarreia?

A diarreia aquosa aguda costuma ter até 14 dias de duração, embora normalmente não ultrapasse sete dias.

Diferentemente da disenteria, ela não cursa com evacuações com sangue ou muco (pus) e nem persiste por mais de 14 dias, como na diarreia persistente.

 

3) O que causa a diarreia e como posso adquiri-la?

Já ouviu falar na famigerada virose?

Pois bem, a GRANDE MAIORIA dos episódios diarreicos são causados por vírus, como o Rotavírus, o Norovírus,  o Adenovírus, dentre outros.

Nos casos de diarreia com sangue, devemos pensar em infecções bacterianas causadas pela Shigella, Salmonella, vírus da Cólera ou E. coli.

Ainda podem haver episódios diarreicos causados por parasitas ou fungos.

A infecção é transmitida pela secreção das vias aéreas, gotículas, objetos, água e alimentos contaminados, além da via fecal-oral. A lavagem de mãos e higiene é o melhor método de combatê-la.

 

4) Tá certo, mas o governo não dá a vacina contra o Rotavírus. Porque meu filho está com diarreia?

A vacinação contra o Rotavírus no Brasil iniciou-se em 2006, pelo Programa Nacional de Imunizações.

Após esse período, além de uma grande redução nos casos de diarreia grave e, por conseguinte, da mortalidade infantil;  vimos um redução nas hospitalizações por desidratação e outras complicações dessas infecções.

No entanto, como citado, o Rotavírus não é o único agente causador possível.

Além do que, vale lembrar, que a vacina em âmbito particular é pentavalente, enquanto que a pública é monovalente.

 

5) Como é possível fazer o diagnóstico? É necessário colher exames?

O diagnóstico é clínico!

Toda criança com o aumento do número de evacuações e/ou com alteração do padrão das fezes (mais líquidas ou pastosas), sem episódio de sangramento, deve estar com um quadro diarreico agudo e , muito provavelmente, de origem VIRAL.

Desta forma, a coleta de exames faz-se desnecessária, principalmente, nos casos de desidratação leve.

A técnica de PCR para identificação do agente causador só é realizada em caráter de estudo e não é necessária, na totalidade dos casos.

 

6) Além da mudança das fezes, o que mais meu filho pode sentir? Ele pode ter febre?

A resposta é SIM.

Além de febre, a criança pode apresentar náuseas, vômitos, dor no abdome, distensão abdominal, aumento dos gases , redução do apetite e até manchinhas no corpo.

No entanto, deve-se atentar para os sinais de desidratação.

 

7) Quando devo levar meu filho ao Pronto-Socorro?

Os pais devem observar os sinais de desidratação: olhos encovados e sem lágrimas, moleira mais rebaixada, boca sem saliva, diminuição do xixi e hipoatividade.

Observe a tabela abaixo:

planos

Caso o seu filho apresente um sinal de desidratação mais grave (coluna B ou C), você deve levá-lo ao Pronto-Socorro para reidratação.

 

8) Tá certo! Meu filho não possui nenhum sinal de gravidade, mas está apresentando muitos episódios de diarreia. O que posso fazer em casa?

Reitero, que grande parte das diarreias são causadas por vírus. Portanto, o próprio organismo é que precisa “dar conta” da infecção e o uso de antibióticos fica restrito aos casos de disenteria.

Ainda assim, podemos e devemos hidratar a criança com o Soro de Reidratação Oral.

Lembram-se desta colher?

soro

Então, NÃO RECOMENDAMOS mais que seja feito o soro caseiro. Devido aos vários erros de preparação/diluição, hoje temos soluções prontas ou em forma de pó para diluir.

 

A quantidade a ser dada a cada episódio diarreico está descrita na tabela abaixo:

qunatidade

O leite materno deve ser mantido e encorajado.

Todos os líquidos podem e devem ser dados, como água, chá (não adoçado), sucos naturais e água de coco.

No entanto, os refrigerantes e sucos industrializados devem ser evitados. O excesso de açúcar pode piorar a diarreia.

O excesso de alimentos com fibras/bagaço, condimento e gordura também pode piorar o quadro.

Estimule a alimentação mais leve e natural possível.

 

9) E não há mais nada??? O que mais posso fazer?

  • Zinco:  A OMS recomenda a reposição de Zinco, micronutriente envolvido em várias reações enzimáticas do corpo e no crescimento celular, já no início do quadro diarreico podendo ser mantido até a melhora do quadro, cerca de 10-14 dias. Existem “soros” com acréscimo de Zinco e medicações que podem aumentar a oferta dele para a criança e que, assim, reduzem o tempo da diarreia e a chance de recorrência nos próximos três meses da infecção atual.
  • Probióticos: Eles ajudam na restauração da “flora intestinal” e podem reduzir a duração dos episódios diarreicos. Podendo ser ofertados na primeira semana de tratamento.
  • Antieméticos: A OMS não recomendo o uso de antieméticos, medicações para o tratamento dos vômitos, devido à possibilidade de sedação e redução da ingesta de líquidos, o que pode piorar a desidratação. No entanto, a diretriz íbero-latinoamericana e a ESPHGAN acreditam que o uso da ondansetrona pode reduzir o número de vômitos e a chance de internação hospitalar, já que é um antiemético que não produz sedação.
  • Racecadotrila: Medicação muito utilizada em adultos para redução dos episódios diarreicos. Nas crianças, apesar de liberado, seu uso deve ser restrito. Devemos lembrar que apesar de incômoda, a diarreia é um mecanismo de defesa do corpo e que ela deve ser tolerada o máximo possível.

 

10) Tentei tudo isso e meu filho continua tendo muitos episódios diarreicos e não consegue tomar o Soro. O que eu faço?

Caso a criança apresente muitos episódios de diarreia e/ou vômito, não consiga tomar o soro de reidratação oral e apresente sinais de desidratação, você deve procurar o Pronto-Socorro.

sinais de perigo

 

Por fim, apesar de ocorrem muitos episódios de diarreia no verão, é agora no outono/inverno que ocorre a circulação do Rotavírus e de outros vírus responsáveis por este tipo de infecções. Portanto, devemos redobrar os cuidados nesta época do ano.

Espero que tenha ajudado vocês com estas dicas!

Dúvidas ou sugestões? É só deixar abaixo.

Até mais!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Referências:

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)- Diarreia Aguda- Diagnóstico de Tratamento- Março de 2017.

Março Lilás-Atenção ao cuidado do bebê prematuro

Design sem nome

 

Chegou o Março Lilás! Mês de atenção ao cuidado do bebê prematuro!

Atualmente no Brasil, nascem cerca de 3 milhões de crianças por ano, sendo que ao redor de 11% delas são prematuras.

Em São Paulo, nascem por volta de 600 mil crianças anualmente e a proporção de prematuros é idêntica.

Inclusive já temos um dia próprio e específico só para o prematuro que é o dia 17 de Novembro, Dia Mundial do Prematuro e o Novembro Roxo, mês da prematuridade.

 

novembro da prematuridade

 

Além disso, em 2009 foi aprovado o Projeto de lei nº 146, que instituiu o Dia da Atenção ao Cuidado do Bebê Prematuro, comemorado todo o dia 14 de março, no âmbito do Estado de São Paulo.

Mas por que toda essa preocupação???

Além do aumento do número de prematuros em todo o país- crianças que nascem com menos de 37 semanas de idade gestacional-  é necessário um cuidado especial com esta população.

O bebê prematuro necessita de uma equipe treinada e bem capacitada para a sua recepção na sala de parto, após o nascimento, estabilização e encaminhamento à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para a redução da mortalidade e das morbidades inerentes à sua condição.

Quem é o Neonatologista? O que ele faz?

O Neonatologista é o médico formado em Pediatria e que fez a sua especialização em Neonatologia, área da pediatria que visa ao cuidado das crianças prematuras.

É o Neonatologista o profissional mais capacitado para realizar os primeiros cuidados do bebê logo após o nascimento na sala de parto, na UTI e o seu seguimento após a alta hospitalar.

O bebê prematuro possui uma série de particularidades que devem ser supervisionadas:  o crescimento, o desenvolvimento psico-motor, a sua vacinação específica, o desenvolvimento visual, o controle de seu metabolismo ósseo e da anemia… dentre muitas outras características.

Ainda, estas são crianças com fator de risco aumentado para a obesidade, dislipidemia, hipertensão, diabetes e síndrome metabólica.

É preciso do cuidado rigoroso e pormenorizado para que se tornem adultos saudáveis.

 

Qual objetivo da campanha?

No período da campanha, deve-se intensificar a capacitação das equipes multiprofissionais, constituídas por neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoterapeutas, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, na prestação dos cuidados especializados que o bebê prematuro e sua família necessitam, não só durante a internação, mas também durante o acompanhamento após a alta hospitalar.

Temos que alertar não só os profissionais que cuidam deste bebês, mas também toda a sociedade sobe a importância e a necessidade deste cuidado específico feito pelo Neonatologista.

Feliz 14 de Março! Parabéns a todos bebês prematuros e aos papais e mamães que cuidam deles!

 

Dr. Vinicius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Fonte : Sociedade de Pediatria de São Paulo. http://www.spsp.org.br/2019/02/28/campanha-marco-lilas-atencao-ao-cuidado-do-bebe-prematuro/- acesso em 14/03/19

 

 

 

 

 

Meningite ACWY?!?

Dive Into the Ocean

Olá! Hoje falaremos sobre um tema que tem preocupado muitos pais nos últimos dias, a meningite.

1) Mas enfim, o que é Meningite?

A meningite é uma doença infecciosa que acomete a meninge, que é a membrana que reveste todo o sistema nervoso- o cérebro e a medula espinhal.

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2) Quem causa a Meningite?

A meningite pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e outros parasitas. Os vírus são os principais agentes causadores de meningite, no entanto devido à elevada mortalidade e morbidade, as infecções bacterianas ganham grande destaque, além da possibilidade de prevenção com as vacinas.

As principais bactérias que causam a meningite são o Meningococo, o Pneumococo e o Hemófilos do Tipo B, principalmente em crianças maiores de 3 meses de idades.

O Meningococo possui 12 sorogrupos (subtipos), mas destacamos os: C, B, W-135, Y e A.

3) Quem são os grupos de risco para a doença?

Em crianças, os menores de 5 anos, em especial os menores de 1 ano de idade, e adolescentes entre 15 e 24 anos.

Além de idosos, gestantes e pessoas com doenças que reduzam a imunidade, como transplantados, pessoas que fazem uso crônico de corticoides, diabéticos graves e indivíduos com AIDS.

4) Como posso pegar a meningite?

A transmissão da meningite é de pessoa a pessoa, por via respiratória, através de gotículas e secreções do nariz e garganta, ao tossir, falar ou espirrar havendo necessidade de contato íntimo e PROLONGADO.

Cerca de 50% da população pode ser portador deste patógeno em algum momento da vida. A infecção se inicia pela colonização da nasofaringe e a partir deste evento se dissemina pela corrente sanguínea. Os fatores que fazem com que ocorra a invasão da corrente sanguínea e consequentemente a doença clinica incluem algumas inter-relações como predisposição genética, estado clinico do hospedeiro, condições ambientais e virulência da bactéria.

5) Quais os sintomas da meningite?

O quadro clínico apresenta um espectro variado, dependendo da idade e duração da doença.

O diagnóstico nos bebês é baseado na suspeita clínica diante de um quadro inespecífico, como febre e irritabilidade. Manifestações como hipotermia, letargia ou hipoatividade, recusa alimentar, vômitos, diarreia, dificuldade respiratória, fontanela abaulada, convulsões e alterações do nível de consciência fazem parte do diagnóstico clínico.

Em crianças maiores ocorre febre, prostração, anorexia, fotofobia, cefaleia, vômitos, convulsões, alterações do nível de consciência. Sinais de irritação meníngea, como rigidez de nuca e dor lombar, podem estar presentes.

O quadro mais insidioso de febre por alguns dias, sintomas respiratórios ou gastrointestinais inespecíficos, letargia e irritabilidade é menos comum.

6) O governo não dá vacina contra a meningite, por isso estão acontecendo estas infecções atualmente, é verdade?

MENTIRA!

Em 1999, foi iniciada a vacina contra o Hemófilos do Tipo B, o que praticamente erradicou a meningite por este agente no Brasil. Atualmente, a vacina é dada aos 2, 4 e 6 meses de idade, estando incluída na Vacina Pentavalente pública e particular, além da Hexavalente particular.

No ano de 2010 iniciou-se a vacinação contra o Pneumococo e o Meningococo do Tipo C, no Brasil. O que reduziu drasticamente o número de casos da doença no país.

7) Então por que ainda temos casos de meningite no Brasil?

A partir da introdução da vacina contra o Meningo C no calendário público , no ano de 2010, observamos uma grande redução dos casos de meningite bacteriana por este agente, isto por outro lado, fez com ocorresse uma seleção e um aumento do número de casos de infecção pelo Meningococo do Tipo B.

Hoje temos o Meningo B como principal agente causador das meningites bacterianas, seguido pelo Meningo C, W-135 e Y.

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8) Certo! Não entendo nada dessa sopa de letrinhas ACWXYZKJ… Quais vacinas posso fazer para meu filho, no âmbito particular?

 

  • Hemófilos do Tipo B (Hib)

O governo dá 3 doses de vacina contra o hemófilos: com 2,4 e 6 meses de idade, estando inclusa na vacina Pentavalente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam um reforço para todas as crianças com 15 meses de idade, não fornecido pelo calendário público.

A vacina Pentavalente (particular) e Hexavalente (particular) também conferem proteção contra o Hemófilos do tipo B.

 

  • Pneumococo

Pelo calendário público é fornecida a Vacina Pneumo 10 (PNM 10) , a qual fornece proteção contra 10 tipos de pneumococo que podem provocar pneumonia, otites, sinusites e meningite .

Em 2016, foi retirada a dose de 6 meses; portanto atualmente as crianças recebem duas doses da vacina com 2 e 4 meses e um reforço, após 1 ano de idade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam 3 doses da vacina (com 2, 4 e 6 meses) e um reforço após um ano, preferivelmente com a vacina 13 valente – disponível apenas em clínicas privadas.

Aquelas crianças que completaram o esquema todo de vacinação com a vacina 10- valente (pública), podem receber um reforço posteriormente com a vacina 13 valente , até os cinco anos de idade.

Existe uma vacina 23-valente, que pode ser dada em crianças maiores de 2 anos de idade, mas com indicações precisas.

 

  • Meningococo

 

Meningococo C

Vacina fornecida pelo governo aos 3 e 5 meses de idade com um reforço após 1 ano de vida.

Há um ano a vacinação de adolescentes entre 11 a 14 anos também foi iniciada pelo programa nacional de imunizações.

 

Meningococo B

A vacina contra o Meningococo B- hoje o principal agente que causa a meningite no Brasil- só está disponível em caráter privado.

A vacina conhecida como Bexsero, está liberada a partir dos 2 meses de idade. O número de doses depende da idade do início do esquema vacinal.

Em fevereiro deste ano, está chegando uma nova vacina contra o Meningo B- a Trumenba. Ela será indicada para pessoas entre 10 e 25 anos de idade.

 

Meningococo ACWY

Existem quatro tipos de vacina ACWY disponíveis no Brasil, sendo as mais conhecidas a Menveo e a Nimenrix.

Cada uma tem um esquema de aplicação, dependendo da idade do início do esquema vacinal- conforme o quadro abaixo.

acwy

Se optado pela realização desta vacina, a criança não necessitará da vacina Meningo C fornecida pelo posto de saúde.

 

9) Doutor, eu já dei a vacina do Posto de Saúde, a Meningo C, para o meu filho e quero dar a ACWY. Ele pode tomar? Tenho que dar o esquema todo novamente?

A resposta da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Não existem dados de estudos sobre intercambialidade entre as diferentes vacinas meningocócicas conjugadas ACWY nas doses realizadas na primovacinação. Entretanto, se houver necessidade de intercambiá-las, quando não se conhece o produto utilizado na dose anterior ou não se dispõe do mesmo, deve-se adotar o esquema com maior número de doses. Crianças e adolescentes vacinados com a vacina MenC podem se beneficiar com o uso da MenACWY, com o objetivo de ampliar a proteção, respeitando-se um intervalo mínimo de um mês da última MenC

Sendo assim, o mais adequado seria vacinar a criança novamente, respeitando o número de doses fornecidas pelo fabricante, como se a criança não tivesse recebido nenhuma vacina antes.

 

Espero que tenha solucionado as dúvidas de vocês.

Caso ainda restem questões não abordadas e/ou mais dúvidas é só deixá-las aqui abaixo.

Nos vemos no próximo mês, até lá!

 

 

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

Fontes:

Epidemiologia da Infecção Meningocócica- Prof. Dr Eitan Naaman Berezin- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningites- Sociedade Brasileira de Infectologia- Acesso em 08/03/19- https://www.infectologia.org.br/pg/962/meningites

Vacinas Meningocócicas Conjugadas no Brasil em 2018: Intercambialidade e diferentes esquemas de doses. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES- Departamento Científico de Imunizações- Nota Técnica

Calendário Vacinal de 2018- Sociedade Brasileira de Pediatria

Meningite Bacteriana Aguda – Revista de Pediatria SOPERJ – v. 13, no 2, p72-76 dez 2012

Secretaria da Saúde o Estado de São Paulo- Dados epidemiológicos- acesso em 08/03/2019– http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/meningites/dados/doenca_meningococica.pdf

Dicas de Sono

bicho-papÃo (1)

Olá!

Hoje falarei sobre o Sono das crianças. Abordarei as possíveis causas de anormalidades e darei dicas sobre a Higiene do Sono. Vamos lá?

Mas o que viria ser a Higiene do Sono? Ela nada mais é do que uma associação de fatores comportamentais, ambientais, sociais, culturais, dentre outros que podem afetar o início ou a duração do sono.

Mas como posso realizar uma boa Higiene do Sono para meu filho? Veja algumas dicas na tabela abaixo:

higiene

No entanto, a Higiene de Sono não é fixa e igual a todas crianças, visto que possuímos hábitos e padrões diferentes em cada família/cultura.

O importante é tentar criar uma rotina de sono desde pequeno. O bebê, devido a sua imaturidade neurológica e social, necessita da segurança e da ajuda dos pais para conseguir, desde os primeiros dias de vida, dormir sozinho.

Somente após os dois meses de idade é que o bebê passa a criar uma rotina de sono, apresentando um ciclo de sono/vigília mais ordenado, necessitando cada vez menos dos cochilos durante o período diurno- característica esta que se estende até os cinco anos de idade, em média.

1.Ritual do Sono

Desde pequenas, as crianças devem ser estimuladas a perceber que está chegando o momento de dormir- o chamado ritual do sono.

Próximo ao momento de dormir, evite sons altos, ruídos bruscos, abaixe a intensidade da luz e evite alimentos ou medicações estimulantes. Quando a criança já for maior, peça a ela que guarde os seus brinquedos, coloque os pijamas, escove os dentes e que vá para a cama- uma música calma ou historinha antes de dormir, com a criança já na cama, também ajuda bastante.

A hora de dormir pode significar o momento de separação dos pais, o que pode causar angústia e medo. Mas devemos encorajar as crianças a ficarem sozinhas e que caso aconteça qualquer coisa durante o sono, digam a elas que estarão próximos para ajudá-las.

Este ritual do sono não deve se estender mais do que 30 minutos. As crianças gostam de barganhar bastante, portanto, sejam firmes e imponham limites para uma nova historinha antes de dormir, por exemplo.

Outra coisa muito comum são os despertares noturnos. Caso a criança acorde, ela deve estar apta a voltar a dormir sozinha. Caso necessite da ajuda dos pais, evite acender a luz, fale baixo e , se possível, não retire a criança do berço ou da cama.

O hábito de dormir com a criança no colo, embalando, na cama dos pais ou na frente da televisão ou tablet/celular cria uma dependência na criança e deve ser desencorajado.

Quando ocorre um despertar noturno e a criança se vê em outro lugar que não aquele o qual ela adormeceu cria-se o medo e a apreensão, além do fato dela estar sozinha. Por este motivo, ao perceber sinais de sono, como o bocejar ou coçar os olhos, a criança deve ser levada ao berço ou à cama e assim, dormir em seu próprio ambiente.

Os pais podem e devem ficar próximos até o adormecer, mas devem deixar claro que não dormirão próximos da criança- isto vale a partir dos 4-6 meses de idade, antes disso, a criança deve dormir no quarto dos pais.

Mesmo que seja difícil, inclusive para os pais, é de extrema importância a existência destes limites. O fato de ceder, que seja por uma única vez, mesmo que por manha pode reforçar o comportamento na criança.

Caso a criança crie o hábito de dormir no colo ou cama dos pais, diante de televisão, tablet/celular, ao ocorrer um despertar noturno, ela necessitará dos mesmos artifícios para voltar a dormir e isto prejudicará a rotina da casa e a própria rotina do sono.

Evite filmes de terror ou histórias assustadoras antes de dormir. Caso a criança acorde e não consiga voltar a dormir, vá até o quarto e tente acalmá-la sem tirá-la da cama ou berço, mostrando-se sempre de forma acolhedora. Viagens, doenças, preocupações- como o nascimento de um irmãozinho, medo do escuro ou do “bicho-papão” podem fazer com que a criança acorde e não consiga voltar a dormir. Tente conversar com ela sobre assuntos agradáveis, como o que ela fez no dia ou sobre alguma atividade futura que ela irá fazer, retirando assim os pensamentos ruins da cabeça.

Em casos mais graves, como separação dos pais, óbitos de familiares ou conhecidos, ou em ambientes em que há muitas brigas e discussões (que não devem ocorrer na frente da criança) um profissional, como o psicólogo ou psiquiatra, pode ser de grande valia.

2. Rotina do Sono

É imprescindível que se crie uma rotina para o sono, incluindo os finais de semana e feriados.

Como dito acima, viagens ou doenças/internação hospitalar podem desestruturar uma rotina já criada e que, assim que possível, deve ser restaurada.

O sono regular libera melatonina, hormônio indispensável para o ciclo circadiano, ou seja, para o corpo entender que é dia e que precisará de mobilizar toda a sua energia naquele período até a noite. Crianças que não tem uma rotina de sono adequada apresentam sonolência durante o dia e baixo aproveitamento escolar, além de dificuldade de concentração e memória.

Além disso, é durante o sono que é liberado o hormônio de crescimento também.

Os bebês em especial, necessitam de vários cochilos diurnos e eles devem ser encorajados. Não devemos limitar esses períodos de descanso.  Já, crianças maiores e até mesmo adolescentes, podem realizar cochilos no período vespertino, no entanto, estes não devem ultrapassar mais do que 30 minutos.

3. Alimentação

A criança deve estar bem alimentada e também ter uma rotina de alimentação. Não deve ter fome e nem estar superalimentada.

O jantar deve ser mais cedo, podendo haver uma ceia próxima do horário de dormir, evitando assim uma alimentação copiosa próximo dele.

Evite também o café, chá preto ou mate, chocolate, refrigerantes, pois estes alimentos contém cafeína.

Dê preferência a um lanche leve, acompanhado de leite, pão e queijo branco.

Os bebês podem dormir durante a amamentação ou acordar durante a noite para mamar. Este é um hábito comum nos primeiros meses de vida, mas que deve ser desencorajado conforme a criança cresce.

Não é incomum escutarmos que o bebê acorda durante a noite e os pais, ao ofertar a mamadeira ou o seio materno, percebem que ele adormece em poucos minutos… Será que o motivo que fez o bebê acordar foi realmente fome ou será que criamos essa rotina de sono?

4. Hábitos

Dormir com um objeto transicional como um ursinho, “naninha” ou paninho não configura um problema.

Este tipo de objeto ajuda na separação dos pais no horário de dormir, mas não deve se  tornar indispensável ao sono com o tempo.

Dormir com os pais na cama, ocasionalmente, pode ser prazeroso, mas não deve se tornar um hábito. O bebê , como dito, deve dormir em berço próprio e de barriga para cima, pois esta posição evita a morte súbita do lactente:

col24dormir-de-barriga-para-cima-e-mais-seguro

5. Atividade Física

Evite realizar atividade física até três horas antes do horário de dormir, pois isto pode prejudicar o sono.

Evite que a criança brinque de correr ou pular antes do sono. Como já citado, prepare o ambiente de dormir, reduzindo a atividade física, os ruídos e a luz.

Espero que com essas dicas a hora do sono se torne mais prazerosa aos pequenos e a vocês!

Por hoje é só.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo ou na página de Facebook da Clínica Gonçalves.

Até a próxima.

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves-  Pediatra e Neonatologista

Baseado em: Higiene do Sono- Sociedade Brasileira de Pediatria- Setembro de 2017.

 

 

 

O Sarampo voltou???

Olá!!!

Hoje falaremos sobre o Sarampo. Você já ouviu falar dele?

 

SARAMPO

Sim, o Sarampo era bem comum há alguns anos -muito provavelmente você ou alguém que você conheça já o adquiriu- e estava extinto desde 2016 do Brasil e de todas as Américas.

No entanto, só nos primeiros meses deste ano ocorreram 1864 casos no Mundo, sendo que 1427 originaram-se na Venezuela.

O Brasil desde fevereiro de 2018 enfrenta um surto com mais de três mil casos suspeitos e 527 casos confirmados, sendo que 517 correram nos estados do Amazonas e de Roraima- regiões vizinhas à Venezuela- e apenas um caso ocorreu em São Paulo.

Por conta disso, vamos tentar esclarecer algumas dúvidas referentes à doença.

1) Como posso adquirir o Sarampo?

O Sarampo é uma doença viral, a qual é transmitida pelo contato com as secreções das vias aéreas de uma pessoa contaminada, principalmente, dois dias antes e dois dias após o surgimento do “vermelhão” característico da doença, que explicaremos abaixo.

2) Quais são os sintomas da doença?

O Sarampo, por ser uma doença viral, costuma abrir o quadro com sintomas gripais como febre, tosse, coriza e conjuntivite.

Sarampo-Conjutevite-Dr-Joseph-El-Mann

Após cerca de cinco dias, podem aparecer lesões pelo corpo- um “vermelhão” que se inicia da cabeça e que vai até os pés e não poupa as palmas das mãos e/ou a planta dos pés.

 

Alguns dias depois do aparecimento do vermelhão é que ocorre a redução ou fim da febre- exceto se houver infecção bacteriana secundária.

O “vermelhão” some após uma semana, em média, com a descoloração e a descamação da pele.

Podem surgir também, manchas brancas na mucosa da boca, conhecidas como sinal de Koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas.

3) Quais as possíveis complicações? 

Como toda doença viral, as principais complicações são bacterianas.

Após o quadro podem ocorrer otites, pneumonias, laringites e diarreia.

No entanto, a encefalite é o quadro mais preocupante, que embora raro, pode ser letal.

4) Quais os grupos de risco para as complicações?

Em geral, as pessoas com baixa imunidade. Dentre elas: as crianças menores de cinco anos, adultos com mais de 20 anos, gestantes e pacientes com condições de imunossupressão, como por exemplo, portadores de leucemia e pacientes que vivem com HIV/AIDS.

5) Existe tratamento para a doença?

Como toda a doença viral, não há tratamento específico para ela. A pessoa deve fazer repouso e receber hidratação adequada e anti-térmicos, se houver febre.

O uso da Vitamina A por via oral, por dois dias consecutivos, tem demonstrado melhora nas taxas de morbimortalidade e seu uso tem sido preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

6) Quem deve receber a vacina ?

O Ministério da Saúde recomenda para crianças o esquema vacinal com uma dose (tríplice viral-Sarampo, Caxumba e Rubéola) aos 12 meses e outra dose (tetra viral- Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varicela[Catapora]) aos 15 meses de idade.

Para adolescentes e adultos até 49 anos:

• Até os 29 anos – duas doses, podendo ser doses da vacina tríplice ou da tetra viral

• Dos 30 aos 49 anos – dose única, podendo ser da vacina tríplice ou tetra viral.

Aqueles indivíduos que já receberam duas doses da vacina tríplice ou da vacina tetra viral, durante a vida, não precisam mais receber novas doses da vacina.

 

7) Quem não deve receber a vacina?

  • Casos suspeitos de sarampo
  • Gestantes – devem esperar para serem vacinadas após o parto. Caso esteja planejando engravidar, assegure-se que você está protegida. Um exame de sangue pode dizer se você já está imune à doença. Se não estiver, deve ser vacinada um mês, antes da gravidez. Espere pelo menos quatro semanas antes de engravidar.
  • Menores de 6 meses de idade
  • Imunocomprometidos

 

8) E quem não se lembra ou não tem registro de ter recebido a vacina?

Na dúvida, quando não houver o registro das doses aplicadas previamente, deve-se considerar o indivíduo como não vacinado e ele deve receber o esquema para a idade. Eventuais doses adicionais não trazem maior risco.

9) Mas a vacina não está disponível há muitos anos? Porque houve este surto então?

No Brasil, desde 1982 o Instituto FioCruz fabrica a vacina. E desde 1984 existem campanhas de vacinação contra o Sarampo.

No entanto, a meta de vacinação do Ministério da Saúde é de no mínimo 95% e só em 2017 a meta alcançada foi de 84,9% e de 71,5%, para a primeira e segunda dose da vacina, respectivamente.

Demonstrando, portanto, uma queda considerável na adesão à vacinação.

10) Ouvi falar que haverá uma Campanha de Sarampo? Quando será? 

A vacinação contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença.

Neste ano, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo será realizada entre 6 e 31 de agosto, sendo o dia 18 de agosto o dia de mobilização nacional – o ‘Dia D’.

SARAMPO

11)  E para quem vai viajar para áreas com o Surto de Sarampo , qual a recomendação?

Recomenda-se uma dose precoce de vacina tríplice viral para crianças de seis a 12 meses de idade que viajem internacionalmente para áreas de risco ou nas localidades onde estejam ocorrendo surtos.

A dose administrada, nesta faixa etária, não será considerada válida para o calendário de
vacinação, devendo ser agendada a administração de dose da vacina tríplice viral para os 12 meses e da tetra-viral para os 15 meses de vida.

 

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só escrever aqui embaixo ou na página do Facebook da Clínica Gonçalves: http://www.facebook.com/clinicagoncalvessr

Até Breve,

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

Fontes:

Atualização sobre Sarampo- Sociedade Brasileira de Pediatria ( Julho/2018)

Ministério da Saude- Site: http://portalms.saude.gov.br/component/tags/tag/sarampo

Imagens:

Site Central Diseases Control (CDC)

Site Ministério da Saúde

Site http://www.elmann.com/sarampo-sintomas-tratamento-prevencao/

 

 

 

 

É Cólica?

Olá! O assunto da semana de hoje será a “Cólica do Lactente”, distúrbio que deixa mães e bebês de cabelo em pé.

 

Vamos entender um pouco mais sobre ele?

 

COLICA

 

1) O que é “Cólica do Lactente”?

Costumo frisar sempre para os pais que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO que costuma afetar bebês a partir dos 15 dias de vida até os 3 meses de idade.

 

2) Porque ele acontece?

O motivo é multifatorial, mas costumo destacar 3  grandes causas: os gases e a dificuldade em digerir o leite, a microbiota intestinal em formação e a dismotilidade intestinal. Esse tripé de causas será a base do tratamento das cólicas.

 

3) Como sei que o meu bebê tem “Cólica do Lactente”? Como faço o diagnóstico?

O diagnóstico é CLÍNICO. Devemos antes excluir outros motivos de choro:

colic

Ou seja, será que o bebê não está com fome, com gases, irritado, com sono, com a fralda cheia, com os dentes em erupção, solto física ou emocionalmente? Antes de dizer que é cólica, devemos excluir isso tudo.

Veja o vídeo a seguir, que mostra um “truque” para tentar acalmar seu bebê, se o caso  dele não for de cólica:

 

Excluídas outras causas de choro, a “Cólica do Lactente” é provável e deve seguir a famosa regra dos 3:

  • 3 horas de choro diários
  • Por , pelo menos, 3 vezes na semana
  • Durante 3 semanas

 

4) Tá certo, meu bebê tem a famigerada “Cólica do Lactente” . Como eu consigo tratá-la?

Insisto em dizer  que a “Cólica do Lactente” é um distúrbio BENIGNO e TEMPORÁRIO, visto que, nenhum tratamento é 100% eficaz e que a única coisa que parece findá-lo é justamente o tempo- ou seja, o passar dos 3 meses.

Ainda, que cada criança responde de um jeito diferente e parece “preferir” um tratamento ao outro.

Além do que, costumo dizer que as próprias mães e os pais vão começar a entender melhor o seu bebê após 3 a 4 semanas de vida; diferenciando cada choro para cada exigência dele.

Como havia citado quando falei das causas, o tratamento baseia-se naquele tripé :

 

  • Dismotilidade

Parece que até o quarto mês de vida, o bebê; em especial o prematuro, possui um certo grau de dismotilidade intestinal.

O que isso quer dizer? Parece que ele não sabe conduzir bem seus gases e fezes num único sentido; sendo assim, eles ficam indo e voltando, de lá para cá, o que pode gerar tanto a cólica quanto um certo grau de refluxo gastroesofágico.

Sendo assim, uma coisa fácil e barata que pode ajudar nas cólicas são as massagens e o aquecimento da barriga do bebê.

E não, você não precisa ser massoterapeuta ou  especialista em Shantala!!! Segue um vídeo e um link ensinando técnicas básicas de massagens:

 

https://www.johnsonsbaby.com.br/massagem-no-bebe/guia-de-massagem-recem-nascido

O aquecimento pode ser feito com compressas mornas, bolsas de água quente (existem algumas no mercado com cheirinho de ervas e que acalmam o bebê), banho morno ou ofurô.

 

  • Gases e dificuldade em digerir o leite

O leite não é um alimento de fácil digestão, definitivamente. As fórmulas, ainda mais que o leite materno.

Além disso, o bebê parece apresentar um certo grau de intolerância ao leite, como se as enzimas necessárias para sua digestão ainda não estivessem totalmente formadas ou  efetivas.

Desta forma, pode ocorrer a digestão incompleta/ fermentação do leite, gerando a formação de gases e desconforto.

Já existem formulações com enzimas que ajudam na digestão do leite e medicamentos para ajudar na eliminação dos gases, além das massagens explicadas acima.

 

  • Microbiota Intestinal

O bebê nasce com o intestino sem nenhuma Flora ou Microbiota intestinal e ele começa a ser colonizado a partir do momento que nasce.

A nossa Flora ajuda na digestão do alimento e é indispensável para o bebê.

Sendo assim, muitos bebês apresentam cólica por não conseguirem digerir o leite completamente, parecido com o que foi explicado acima.

Já temos também medicações que ajudam na formação desta Microbiota e que podem ajudar a combater a cólica, reduzindo o tempo do choro – em especial, as crianças que recebem seio materno exclusivo.

 

5) E os chás e a Funcho-chicoria? Minha Vó usava e dizia que era muito bom!

Pois é, nem tudo que usávamos e fazíamos antes, nós usamos e fazemos hoje- que bom!!!

Como preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a criança deve receber exclusivamente Leite Materno ou Fórmula Láctea específica até os 6 meses de vida.

Os chás podem fazer com que a criança diminua a quantidade de leite ingerido e assim, perca peso. Além do que, não devemos dar açúcares ou adoçantes para crianças, nesta idade.

A Funcho-chicoria (extrato de erva-doce e chicoria) foi retirada do mercado em 2012 pela ANVISA. E apesar de ser um medicamento fitoterápico, não existem doses seguras recomendadas em bula (nem pelo fabricante).

Ela vem em pó e muitos pais dissolvem-na no leite ou na água (o que pode resultar no mesmo problema do chá) e ofertam para as crianças.

Outros, molham a chupeta no pó e ofertam para os bebês, o que pode acarretar em microaspirações, pneumonias aspirativas e problemas respiratórios futuros.

Infelizmente, a empresa que produz a funcho-chicoria conseguiu vencer a liminar que retirou a medicação das prateleiras e hoje vemos ela sendo vendida, sem bula e sem nada, em todas as farmácias…

Eu formalmente CONTRA-INDICO o seu uso.

Por outro lado, temos outros extratos de plantas , que também contém a funcho-chicoria, que são aprovados pela FDA (órgão americano que fiscaliza alimentos e medicações) e que são vendidos pela internet. Contém a inconveniência do preço e da necessidade de importação.

 

6) E a alimentação da mãe, pode causar e/ou piorar a cólica?

A resposta é…. SIM!

De certa forma, parte daquilo que a mãe ingere pode passar ao leite materno e, assim, para o bebê.

Já temos alguns vilões conhecidos, que são basicamente os mesmos alimentos que causam o refluxo gastroesofágico no adulto: café, chá preto, refrigerantes, energéticos, embutidos e alimentos processados, frituras, molho de tomate, pimenta ou molhos condimentados, chocolate…

Dica básica? É só a mãe comer o mais naturalmente possível e sempre que for sair da dieta, não exagerar nas besteiras.

Ainda assim ,segue uma lista abaixo dos alimentos associados à colica:

 

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7) O que fazer então?

Por fim, como sempre digo, toda doença que possui inúmeros tratamentos é porque nenhum deles é realmente efetivo.

Na minha vivência, observo que cada caso é um caso.

Que cada bebê responde de uma forma aos diversos tratamentos e medicações.

O que vale sempre a pena é os pais tentarem entender se aquele desconforto do bebê é realmente cólica. Se sim, qual parte do tripé deve ser o causador do desconforto? Gases, dismotilidade ou microbiota? E só então tentar tratá-lo.

Meu único e último alento é que a cólica VAI PASSAR! E o seu pediatra sempre estará ao lado para tentar ajudá-los nesta fase.

Hoje vou ficando por aqui.

Uma ótima semana a todos e até a próxima.

 

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

 

 

 

O Outono está chegando!

Outono

O Outono está chegando!!! Março está chegando!!! Muito cuidado porque a Bronquiolite também está chegando!

Mas afinal, o que é Bronquiolite?

Bem, o que eu gosto de destacar sempre é que Bronquiolite não tem nada a ver com a Bronquite, além do nome parecido e o fato de poder provocar um quadro respiratório importante e grave com reação inflamatória dos pulmões e sibilos.

Enquanto a Bronquite ou a Asma é uma doença respiratória crônica, com um componente genético bem definido, a Bronquiolite é uma infecção respiratória aguda causada por vírus- também chamada de Bronquiolite Viral Aguda (BVA).

 

Então ela não deixa de ser uma “virose”?

De certa forma sim. A Bronquiolite é mais uma das doenças virais que acometem os pequenos.

O seu grande vilão é o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), responsável por cerca de 90% dos casos de BVA. Mas, sabemos que muitos outros vírus também podem causá-la como o Influenza A e B, Parainfluenza 1 e 3, Rinovírus, Coronavírus, Adenovírus….

E porque devo temer tanto o início do Outono e a chegada do mês de Março?

O VSR possui uma característica sazonal, com picos de incidência nos meses de Fevereiro a Julho, nas regiões de clima subtropical como o Estado de São Paulo. Portanto, devemos redobrar os cuidados com os pequenos nesses meses- até o final de Agosto/Setembro.

Quem são as crianças mais acometidas?

A BVA costuma acometer as crianças menores de dois anos, principalmente os menores de 3 meses, prematuros, pacientes com doenças respiratórias crônicas e com cardiopatia congênita.

Os filhos de mães tabagistas, jovens, com baixo nível socioeconômico e aqueles com mais de 2 irmãos ou  que frequentam creche têm um risco maior para desenvolver a doença grave.

Como se dá a infecção e como posso tentar evitá-la então?

A infecção se dá pelo contato direto das secreções respiratórias contaminadas. As mãos e objetos contaminados, como brinquedos, podem funcionar como meio de disseminação importantes.

Geralmente, a transmissão se dá por um parente próximo- pais, avós ou irmãozinho- que esteja apresentando um quadro de resfriado atual ou não, mas que esteja incubando o vírus no momento.

Sendo assim, devemos sempre lembrar de lavar as mãos ou utilizar o álcool em gel, antes de manipular um recém-nascido, por qualquer motivo.

Como posso desconfiar que o meu bebê está com Bronquiolite?

O quadro começa como um quadro de resfriado comum, com sintomas inespecíficos como coriza clara, congestão nasal, espirros e febre baixa; os quais costumam durar cerca de 3 dias.

Após as crianças podem apresentar uma piora progressiva com sintomas que incluem a tosse, sibilos e cansaço importante.

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Caso apresente algum destes sinais, a criança deve ser avaliada por um médico prontamente.

Qual o tempo de evolução da doença?

Cerca de 7 a 10 dias. Sendo que apenas 2-3% das crianças necessitam de Hospitalização.

Qual o tratamento?

Por se tratar de uma doença viral, o tratamento é de suporte com anti-térmicos, lavagem nasal e inalação com soro fisiológico. Não existe um tratamento específico aprovado ou antibiótico, exceto se houver doença bacteriana associada.

Dependendo da gravidade, é possível tratar a BVA em casa; no entanto, em alguns casos, a criança necessita de internação Hospitalar e até mesmo suporte de UTI, devido ao intenso grau de desconforto respiratório.

E a vacina? Ela existe e funciona?

Até existiu uma vacina de verdade contra o VSR, mas por várias desvantagens ela não tem sido utilizada.

O que temos disponível e em uso é a Pavilizumabe.

Um anticorpo pronto contra o VSR que é dado para crianças, como as prematuras, broncodisplásicas e portadoras de cardiopatia congênita, nos meses de risco aumentado para a infecção.

Ela não confere imunidade permanente, mas reduz em 50% as hospitalizações, o tempo de internação e a necessidade de admissão em UTI.

MEU DEUS!!! Já que não existe um tratamento específico, o que eu posso fazer então para preveni-la?

Como já falado, o básico:

  1. HIGIENE nas mãos antes de manipular os recém-nascidos.
  2. EVITAR o contato do bebê com pessoas com resfriado.
  3. EVITAR o início da creche ou escolinha nessa época e com as crianças mais susceptíveis.
  4. EVITAR levar o bebê a lugares fechados e com muitas pessoas -NÃO SÓ NESSA ÉPOCA DO ANO- como cultos religiosos, supermercados, cinemas, shows e HOSPITAIS!!!

**** NOTA EXTREMAMENTE IMPORTANTE: o pior lugar para se levar um recém-nascido (VEJA, A NÃO SER QUE NÃO HAJA OUTRA ALTERNATIVA E REALMENTE HAJA A NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO MÉDICA) é o pronto-socorro, ainda mais neste período citado. O ideal é que a criança seja avaliada por seu Pediatra e caso ele julgue necessário, ela seja atendida em um Pronto-Socorro.

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Créditos da imagem: @fisioterapiadacrianca (Link: http://www.pictame.com/user/fisioterapiadacrianca/3935307476)