Qual temperatura é febre? O que mudou?

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Em Maio desse ano (deixo o link abaixo) a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mudou o ponto de corte da temperatura para a definição da febre.

Alguns meses se passaram e vi que o assunto entrou à tona no noticiário, e então, vim falar um pouco sobre isso, por aqui.

1) Qual a temperatura é considerada como febre?

Atualmente, considera-se febre a temperatura AXILAR a partir de 37,5C.

2) Porque você destacou AXILAR?

Em um texto anterior sobre a febre (Segue o link: https://clinicagoncalves.com/2021/01/12/o-medo-da-febre/), destaquei que a temperatura corpórea é diferente em cada parte do corpo. Por exemplo, na medida retal, se considera febre acima de 38C.

Mais do que isso, nesse novo texto, a SBP reitera a medida da temperatura axilar e, até contra-indica, a utilização de termômetros de infra-vermelho, fora do ambiente hospitalar e também em menores de 1 ano!!!

a SBP contra-indica, a utilização de termômetros de infra-vermelho, fora do ambiente hospitalar e também em menores de 1 ano!!!

3) Então, como o “corte” da febre abaixou, eu devo medicar meu filho o quanto antes? Ou melhor, ir correndo ao médico ou ao PS?

NÃO!

As orientações são as mesmas e recomendo MUITO que leia o texto sobre o medo da febre: https://clinicagoncalves.com/2021/01/12/o-medo-da-febre/ .

Principalmente, a parte final.

Como disse, as orientações são as mesmas: se o seu filho estiver com febre, mas confortável, não é preciso e nem recomendado medicar (ou hipermedicar).

Tente dar um banho, ofertar líquidos e retirar um pouco da roupa e levá-lo para um ambiente mais arejado.

Sinais de alerta:

– Febre acima de 39,5 ºC com tremores de frio

– Abatimento acentuado ou forte indisposição (sonolência e irritabilidade, choro inconsolável ou choramingas, gemência) que não melhoram após o efeito da dose de antitérmico

– Aparecimento de sintomas diferentes

– Febre que ultrapassa três dias completos (em crianças maiores de 3 meses)

4) Mas a febre não controlada, principalmente, alta não aumenta a chance de convulsão?

Não.

A convulsão febril ocorre apenas em crianças com histórico pessoal ou familiar de convulsão febril, em crianças de 6 meses a 5 anos de idade.

E, além disso, mais do que a temperatura absoluta, é ascensão rápida da temperatura que pode causar a convulsão.

A novidade nesse novo texto da SBP (link abaixo) foi que o uso de antitérmico profilático para crianças com histórico de convulsão febril, não mostrou ser efetivo.

Sendo assim, mesmo em crianças com histórico de convulsão febril, o uso do antitérmico profilático não mostrou ser efetivo e, portanto, não há evidência na sua recomendação.

4) E para as vacinas?

A recomendação é a mesma!!!

As vacinas que mais causam reação como a Pentavelante e/ou DTP sofrem forte influência negativa do uso do antitérmico profilático, reduzindo a resposta vacinal.

Costumo dizer para os pais: “digitem no Google Paracetamol e vacina Pentavalente e vejam o resultado”.

Existem vacinas, como a Meningo B, que não sofrem essa influência. Mas são exceções.

5) Qual o melhor antitérmico?

Na realidade, não há um melhor.

Mas sim aquele que a família e a criança se adaptem melhor.

A tríade da Pediatria continua sendo:

  • Paracetamol, desde 0 dias de vida
  • Dipirona, a partir de 3 meses de vida.
  • Ibuprofeno, a partir de 6 meses de vida.

O AAS infantil entrou em desuso devido à possibilidade da Síndrome de Reye. Uma reação grave quando ele é utilizado durante quadros febris infeciosos virais.

6) Entretanto, muito cuidado!!!

Os antitérmicos são absorvidos após 30-60 minutos da ingestão.

Tendo um pico de ação após 2-3h.

Cuidado com a hipermedicação, uso inferior a 4-6 horas, pois pode ocorrer superdosagem (verifique que há uma dose máxima diária, na tabela acima).

Além do uso prolongado ou associado com outras medicações.

A Paracetamol pode causar lesão hepática (no fígado), a Dipirona pode causar reações alérgicas e agranulocitose e o Ibuprofeno, dispepsia, sangramentos gástricos e lesões renais.

A diferença entre o medicamento e o veneno esta justamente na dose.

Lembre-se disso!

Embora pareça controversa, essa nova recomendação surgiu justamente para tranquilizar as famílias.

Vamos lembrar que a temperatura corpórea oscila ao longo do dia em mais de 1C e que a febre, não necessariamente, indica doença em si, mas sim que o corpo está combatendo algo.

Tenha tranquilidade!!!

E não esqueça de ver esse texto sobre o “Medo da Febre”: https://clinicagoncalves.com/2021/01/12/o-medo-da-febre/

Vejo vocês numa próxima.

Até lá!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

1. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses- Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Infectologia (gestão 2022-2024). Nº 206, 15 de Maio de 2025. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf

2. O Medo da Febre. Clínica Gonçalves. Link: https://clinicagoncalves.com/2021/01/12/o-medo-da-febre/

Como fazer o bebê dormir?

Olá, tudo bem com vocês? Espero que sim!

Hoje vim tentar responder a essa pergunta de mais de um milhão de dólares– hahaha.

Mas antes, eu já havia falado sobre o sono dos bebês e crianças nessa publicação:

Dicas de Sono

Vale muito a leitura!

Então chega de papo e vamos falar mais sobre o sono das crianças e bebês, no velho estilo bate-bola.

1) O que é a Melatonina? Onde produzimos?

A Melatonina é um hormônio produzido a partir de um aminoácido, o Triptofano. E esse, é convertido em Serotonina (já ouviram falar nela? O hormônio do prazer?), para então virar a Melatonina.

Ela é produzida, principalmente, no nosso cérebro, em uma glândula chamada Pineal. Mas também na retina, nas plaquetas e pelo intestino.

Confira a imagem:

2) O que a Melatonina faz e quem controla a sua produção?

A Melatonina é o famoso “hormônio do sono”.

Ela é quem controla nosso ciclo cicardiano (noite-dia) ou relógio biológico.

A sua produção é EXTREMAMENTE prejudicada pela exposição à luz, principalmente a AZUL (presente em dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets e telas).

Esse hormônio é produzido exclusivamente à noite, requerendo um ambiente estritamente escuro. Mesmo uma luz fraca pode inibir a sua produção.

Veja a imagem acima, novamente.

Vale destacar que, em estados de forte estresse físico ou psicológico, há a liberação de hormônios no nosso corpo, como o Cortisol e a Adrenalina, que inibem a produção da Melatonina também.

3) A Melatonina só regula o Sono?

Não!

Ela também é responsável pelo controle do apetite (jejum noturno)/ secreção da insulina, redução da temperatura corporal, da frequência cardíaca e da pressão arterial, além da inibição da micção noturna.

Veja só, muitas crianças com problemas de sono também tem: sobrepeso/obesidade, resistência insulínica ou diabetes, pressão alta e enurese noturna (fazem xixi na cama).

Uma boa rotina de sono pode regular vários sistemas do nosso corpo.

4) Um bebê produz Melatonina? A partir de quando?

Os bebês já recebem Melatonina durante toda a gestação, via placenta.

E continuam a recebê-la até 12-20 semanas (3 a 5 meses), após o nascimento, pelo leite materno.

Entretanto, um bebê só começa a produzir Melatonina, de fato, aos 3 meses de vida.

Ainda assim, veja como o leite materno é importante para consolidar o ciclo sono-vigília dos bebês até que o próprio organismo dê conta da sua produção.

5) Quanto dorme um bebê/ uma criança?

A cada ano de vida, dormimos menos.

Entretanto, as sonecas durante o dia, são importantes e cruciais ao sono noturno até os 3-5 anos de idade.

Confira a tabela:

Veja que, os adolescentes dormem menos, e a Melatonina também controla a produção de hormônios sexuais.

Após a pandemia, observou-se um aumento do número de casos de puberdade precoce em crianças e muito provavelmente, isso ocorreu pelo excesso/abuso de telas, nesse período.

6) Está certo. Muito blábláblá, mas vamos ao que interessa… Quanto de Melatonina eu preciso dar para meu filho dormir?

Aí que está o “X” da questão.

A ANVISA proibiu a venda de produtos que contenham Melatonina para crianças. Estando liberada apenas para adultos (acima de 19 anos).

Embora, ela possa ser utilizada em alguns casos específicos, na pediatria, é importante frisar que em ambulatórios que acompanham o sono, mais de 50% dos casos são tratados com a correção dos hábitos de sono não saudáveis.

Essa deve ser a primeira linha de tratamento.


Hey, mas não vá embora ainda!!!🙏🏻

Tem muita informação legal, que pode ajudar no sono do seu filho:

  • Rotina é crucial!

Mesmo que seja um final de semana, feriado, viagem… É muito importante que seu filho tenha um horário para dormir e acordar.

Pode reparar que, após as férias ou em um final de semana muito atribulado, o sono do seu filho sofrerá um impacto até se ajustar ao longo da semana novamente.

Acredite, as crianças gostam de rotina.

  • Escuro

Acho que deixei bem claro no texto que a LUZ, mesmo que mínima, impacta e MUITO na produção da Melatonina.

O quarto deve ser escuro e silencioso.

O blecaute é uma ótima opção!

  • Eletrônicos

Como também mencionei, os dispositivos eletrônicos (tablets, TVs e celulares) emitem muita luz, principalmente, a AZUL, que é a que mais impacta na produção de Melatonina!!!

Evite o uso deles, ao menos, 1h antes da hora de dormir. Preferencialmente, até 2-3h antes.

  • Relaxamento

Tem pais que imaginam que gastar a energia antes de dormir vai ajudar no sono e… NÃO!

Próximo do horário de dormir, reduza a atividade da casa, as luzes e os ruídos.

Prepare o ambiente com o mínimo de estímulos.

Abaixe a luz, ou utilize cores quentes e fracas (vermelha). E na hora do sono, evite qualquer tipo de luz.

Reduza o som ou utilize músicas instrumentais, canções de ninar tranquilas e em baixo volume. O ruído branco pode acalmar os bebês.

Leia um livro antes de dormir e, como disse antes, evite celulares, tablets e vídeos na cama.

  • Refeição

Evite alimentos pesados próximo do horário de dormir.

Bebidas com cafeína como: café, chá preto ou mate, refrigerantes e chocolates , podem impactar negativamente no sono.

Sabia que existem alguns alimentos que ajudam na síntese da Melatonina?

Como disse no início desse texto, a Melatonina é convertida do Triptofano, um aminoácido que é presente em alguns alimentos.

E segue aqui, uma tabela de alimentos, que podem ajudar no sono do seu filho (dica de ouro):

  • Atividade física

Realizar atividades físicas, ao longo do dia, ajudam na rotina de sono.

No entanto, evite que seu filho faça atividades intensas, próximo do horário de dormir.

Crianças que passam longos períodos nas telas, não apenas pela LUZ AZUL, mas também pelo baixo gasto energético, costumam a apresentar mais problemas de sono.

  • Conforto

Nada mais gostoso do que nossa casa, nosso quarto, nossa cama, não é?

Bom, pelo menos deveria ser.

E também deve ser para as crianças!

Prepare um ambiente com lençóis, mantas e colchões confortáveis.

Retire objetos que causem distração ou causem desconforto da cama ou do berço.

Ps.: Lembrem-se que, ao falarmos de bebês menores de 4-6 meses (que ainda não rolam) o berço deve ser o mais simples possível! Evitem travesseiros, almofadas, pelúcias ou protetores de berço, devido ao risco de sufocamento.

  • Consistência e Paciência (MUITA)

Não espere resultados rápidos.

A rotina de sono depende de uma: ROTINA. E desde pequeno.

Se seu filho despertar ao longo da noite, evite acender as luzes, realizar barulho e retirá-lo da cama ou berço, ou ainda, trazê-lo para a sua cama (solução mais fácil, mas que pode ter um impacto grande e difícil de ser contornado).

Tente acalmá-lo na própria cama ou berço, e se não for possível, no colo, mas sempre tente colocá-lo de volta no seu local de dormir.

Segue o resumo das dicas:

Todas as Sociedades de Pediatria desaconselham que os pais durmam na mesma cama que seus filhos, principalmente, os bebês.

Após 4-6 meses, após o rolamento e o sustento do pescoço, os bebês já tem autonomia para dormirem sozinhos, no próprio quarto.

Como pediatra, mas principalmente como pai, eu vejo e presencio momentos que são desafiadores.

Muitas vezes, a solução mais fácil, para aquele momento, seria tirar a criança do berço, trazer para a cama e passar a noite toda dormindo…

Para aquele momento!

Os resultados, a longo prazo, são menos promissores. E essa associação, mais difícil de se desfazer, no futuro.

O sono depende de rotina, consistência e paciência.

Acreditem, com um pouco de tudo isso, o resultado vem. Acreditem!!!

Se seu filho não estiver dormindo, reveja como foi o dia dele, ou melhor, os últimos dias dele.

Veja como foi a rotina de exercícios, se houve muita exposição à tela (principalmente antes de dormir), se vocês tiveram um momento de relaxamento antes do sono, como foi a alimentação e se não há nenhuma mudança drástica na rotina dele como: brigas em casa, mudança de casa ou escola, nascimento de um irmãozinho, óbito de algum familiar, nascimento de dentes, doença aguda ou, até mesmo, um salto de desenvolvimento.

Releia as dicas acima.

Pratique.

Tenho certeza que dará certo!

Sigam firmes!!!

Nos vemos, em breve.

Dr. Vinícius F.Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

Fontes:

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria- Distúrbios da melatonina: o que o pediatra precisa saber.
    Documento Científico Departamento Científico de Endocrinologia (gestão 2022-2024)Nº 209, 27 de Maio de 2025. Link:https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/27/24834c-DC_-_Dist_melatonina_o_que_pediatra_precisa_saber.pdf

O Novo Calendário Vacinal 2025

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Hoje, venho falar do novo Calendário Vacinal proposto pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e comentar as novidades e diferenças dos anos anteriores.

Bora lá?!?

Mas, antes de começarmos, vale dizer que o Calendário realizado pela SBP não é o mesmo que o utilizado pelas UBSs (Postos de Saúde).

Deixo aqui o Novo Calendário 2025:


Se você bateu o olho rapidamente, já notou algumas novidades, como a presença da Vacina contra a COVID-19, contra a Dengue e a Nirsevimabe.

  • COVID-19

Desde 2024, a vacina contra a COVID-19 entrou oficialmente para o Calendário Vacinal das crianças a partir dos 6 meses até os 5 anos de idade.

De forma resumida, a vacina que foi utilizada até o final de 2024 era a XBB (Moderna/Spykevax).

Atualmente, a vacina utilizada é Pfizer Baby em 3 doses.

Ela é encontrada, exclusivamente, nos Postos de Saúde.

Crianças que receberam uma dose da XBB, podem completar o seu esquema vacinal com doses adicionais da Pfizer (2 doses).

Falei mais sobre ela aqui: https://clinicagoncalves.com/2024/06/19/voce-ja-ouviu-falar-da-xbb-a-nova-vacina-da-covid/ .

  • Dengue

Em 2024, tivemos uma escalada dos casos de Dengue.

Nesse ano, a previsão também não é boa.

Desde 2023, temos uma nova Vacina contra a Dengue, a QDenga, que pode ser administrada em crianças, a partir dos 4 anos, em duas doses.

As UBSs chegaram a realizá-la em grupos de risco, como adolescentes, no ano passado.

Mas você consegue realizá-la em Clínicas Particulares. Adultos até 60 anos podem recebê-la.

Falei mais sobre ela aqui: https://clinicagoncalves.com/2023/09/11/a-nova-vacina-da-dengue/.

  • Nirsevimabe

Apesar de chamarmos todas as medicações aplicadas com injeções de vacinas, formalmente, a Nirsevimabe é um anticorpo pronto e não, uma vacina propriamente dita.

“Prima” da Palivizumabe (Synagis), que é realizada pelo SUS em prematuros menores de 29 semanas, cardiopatas e pneumopatas em 5 aplicações, nos meses de outono/inverno, a Nirsevimabe é recomendada a TODAS as crianças no primeiro ano de vida, independentemente da sazonalidade, para a prevenção da Bronquiolite. Realizada em dose ÚNICA.

No final de 2024, houve uma Consulta Pública (Conitec/SECTICS nº 96/2024) para a sua incorporação no Calendário Vacinal Público.

Portanto, ainda com certa dificuldade, ela só é encontrada em Clínicas Particulares.


  • HPV

Gostaria de gastar algumas linhas para falar sobre a Vacina contra o HPV. Ela previne cânceres, como o Câncer de Colo de Útero, e as verrugas genitais (crista de galo).

O SUS fornece a vacina HPV4 (previne contra os vírus 6-11-16-18) para crianças/adolescentes, em dose única, a partir de 9 anos.

A SBP preconiza, sempre que possível, realizar a vacina HPV9 (que protege contra nove vírus) em duas doses, com intervalo de 6 meses.

Mesmo quando realizada a HPV4, sugere-se uma segunda dose de reforço para crianças/adolescentes de 9-19 anos.


*BÔNUS

Muitas gestantes e futuras mamães acompanham a nossa Página, dessa forma, dedico aqui também um espaço para falar sobre a vacina das Gestantes.

São recomendadas:

  • Covid-19 (em qualquer momento da gestação)
  • dTpa (a partir de 20 semanas de idade gestacional)
  • Influenza (de acordo com a sazonalidade do vírus, em qualquer momento da gestação)
  • Vacina contra o VSR: Abrysvo (preferencialmente entre 32 a 36 semanas de gestação sendo que a vacina está licenciada a partir de 24 semanas de idade gestacional)
  • Hepatite B Completa (3 doses)

Acho que por hoje é só!

Nos vemos em breve.

Até lá!!!

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves– Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

  1. Calendário de Vacinação da SBP – Atualização 2024/2025 – Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia (gestão 2022-2024)- Nº 184, 05 de Dezembro de 2024 (atualização).

Fimose

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!!!

Ultimamente, venho recebendo muitas perguntas sobre o tema “Fimose”.

Vejo muita apreensão dos pais e muuuitas dúvidas- algumas em virtude das opiniões de terceiros- e que, nem sempre são corretas…

Vamos então tentar saná-las?

1) É normal os meninos terem fimose?

SIM!!!

Para não dizer que todos os meninos nascem com fimose, a estatística real ao nascimento é de 96%.

Ou seja, quase todos.

2) Mas a fimose é algo “normal” ou é uma doença?

Depende.

Como vocês podem observar acima, a fimose pode ser algo “normal”.

Grande parte dos meninos nascem com fimose, também chamada de fimose fisiológica ou primária. E, ao longo do tempo, a quase totalidade deles (90%) terão resolução espontânea da fimose até os 3 anos de idade.

Entretanto, existem casos de fimose secundária

E isso abre espaço para a próxima pergunta:

3) Eu preciso fazer as “massagens” ou “manobras” para abrir a fimose do meu filho?

A resposta é um categórico NÃO!!!

Culturalmente orientada e disseminada, infelizmente, até mesmo por profissionais de saúde, as ditas “manobras” ou “massagens” NÃO DEVEM SER REALIZADAS. ELAS podem causar traumas físicos e, até mesmo psicológicos.

Esses pequenos traumas ao cicatrizar, podem levar ao estreitamento do canal (fibrose), a chamada fimose secundária, cuja resolução é apenas cirúrgica.

Culturalmente orientada e disseminada, infelizmente, até mesmo por profissionais de saúde, as ditas “manobras” ou “massagens” NÃO DEVEM SER REALIZADAS.

4) O que fazer então?

O que é recomendado, atualmente, seria realizar uma ligeira tração, sem machucar, durante o banho apenas, para a higiene local.

5) Qual o tratamento?

É importante ressaltar para os pais e cuidadores que, na imensa maioria das vezes, a abertura da fimose é um processo natural e que haverá resolução espontânea nos primeiros anos de vida.

E que, portanto, não requer nenhum tipo de tratamento.

A depender do grau e idade do paciente (persistência), veja a tabela:

Graus de Fimose

O médico poderá escolher entre o tratamento conservador x cirúrgico.

6) Quando a cirurgia deve ser indicada?

A cirurgia é indicada formalmente nos casos de:

  1. Presença de afecções do trato urinário (refluxo vesico uretral, válvula de uretra
    posterior, síndrome de Prune Belly, megaureter)
  2. Balanite xerótica obliterante

Embora, existam indicações realizadas pela maioria dos cirurgiões pediátricos

  1. Impossibilidade de exposição da glande em criança acima de 3 anos de idade
    (tratamento conservador refratário)
  2. Episódio prévio de para-fimose
  3. Balanopostites ou infecções urinárias de repetição

Apesar disso, gostaria de endossar que a fimose tem um caráter de resolução espontânea, na maioria das vezes, e compartilhar esse estudo que acompanhou crianças por sete anos:

“Take Home Message”

Acho que é isso!

Ficaram dúvidas? Então, é só deixá-las abaixo que eu respondo.

Até a próxima!

Nós vemos em breve.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixa a nossa família cuidar da sua!

Fontes:

  1. Fimose: Tratamento Clínico X Tratamento Cirúrgico. Documento Científico- Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Grupo de Trabalho de Cirurgia Pediátrica (gestão 2022-2024). Sociedade Brasileira de Pediatria- 25 de Maio de 2023. Link:https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23978c-DC_-_Fimose_tratam_Clinico_x_Tratam_Cirurgico.pdf
  2. FIMOSE: QUANDO A CIRURGIA É INDICADA?- DEPARTAMENTO CIENTÍFICO DE CLÍNICA CIRÚRGICA EM PEDIATRIA DA SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO- 13 de Novembro de 2020. Link: https://www.spsp.org.br/PDF/SPSP-DC-Cirurgia%20Pedi%C3%A1trica-13.11.2020.pdf
  3. Manual de Uropediatria. Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Urologia. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_Uropediatria-Final.pdf

Como tratar Sinusite?

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Estamos num momento muito crítico para àquelas pessoas que têm problemas respiratórios.

Sim. Leia-se aqui todas as “ites”: rinites, sinusites, bronquites (asma)…

O clima frio e seco associado à amplitude térmica, dias que mudam rapidamente do quente para o frio e vice-versa, são nocivos para as nossas vias aéreas.

Então, decidi falar dessa vez sobre a Sinusite.

Bora lá?

1) É errado dizer: “Eu tenho Sinusite”?

Errado não, a depender do que você quer dizer com isso.

Existem as Rinossinusites Agudas Virais, o famoso resfriado comum.

Existem também as Rinossinusites Alérgicas, aquelas que popularmente chamamos de Rinite ou Sinusite.

Hoje preferimos utilizar o termo Rinossinusite, pois a via aérea, nariz e seios da face, são um continuum.

Logo, quando alguém diz que “tem” Sinusite, provavelmente está falando da Rinossinusite Alérgica.

E, por fim, existem as Sinusites, ou melhor, Rinossinusites Agudas Bacterianas.

E será sobre elas que falarei hoje!

2) Péra aí um pouquinho… Seios da face? Não estou entendo nada!

Quando falamos da Sinusite, estamos falando de uma inflamação/infecção dos seios da face.

Os ossos do crânio possuem pequenos espaços por onde o ar passa antes de ir para os pulmões.

Estes buraquinhos são os seios da face.

Ar passando pelos seios da face

O ar, ao passar pelos seios da face é filtrado, aquecido, muda seu fluxo e velocidade para então descer aos pulmões.

Costumo brincar que os seios da face são uma espécie de filtro e eles também têm a função de nos proteger de infecções.

Os seios da face

PARTE IMPORTANTE!!!

As crianças não nascem com todos os seios da face abertos. Eles vão se abrindo ao longo dos anos e terminam a sua pneumatização (abertura) no final da adolescência.

GRAVEM ISSO!

3) Como alguém adquire uma Sinusite?

A Sinusite Bacteriana costuma ser uma complicação de um resfriado em 80% das vezes e, em até 20 % delas, uma complicação de uma alergia.

Os seios da face com a inflamação/secreção acabam sendo um local propício para o crescimento e proliferação de bactérias.

A Sinusite Bacteriana, bem como a Otite Média Bacteriana e a Pneumonia Bacteriana são possíveis complicações de um resfriado comum.

São fatores de risco também:

Alerta: Uso prolongado de corticoide! Cuidado com o uso rotineiro de Prednisolona, Betametasona, Dexametasona e afins, sem a avaliação médica.

4) Como é feito o Diagnóstico?

O diagnóstico é eminentemente CLÍNICO!

Pensando em crianças, diante de um quadro de resfriado comum, o esperado é a melhora em 7-10 dias, eventualmente 2 semanas.

Quando uma criança apresenta um quadro de resfriado prolongado, que ao invés de melhorar, parece que piora depois da primeira semana, associado à presença de um novo quadro febril (lembrem-se resfriados comuns podem causar febre nas primeiras 48-72h), secreção amarela ou purulenta, tosse noturna (devido à descarga nasal posterior, ou seja, lá no fundo da boca quando se deita)… Devemos pensar em um quadro de Sinusite Bacteriana.

Pode haver mal-hálito também e dor referida em pressão nos ouvidos.

No entanto, a dor de cabeça, principalmente à compressão dos seios da face é mais comum em adultos. Nos adultos também, é menos comum (cerca de 50% das vezes apenas) a presença de febre.

Sintomas de Sinusite

5) E não precisa fazer Raio-X???

Não! Um categórico NÃO aqui!

Primeiramente, vamos lembrar que os seios da face não estão completamente abertos, nas crianças.

Logo, a radiografia não será um bom exame para conseguir avaliar uma estrutura que ainda nem está formada…

Formação dos seios da face

Segundo que, mesmo em adultos, a radiografia é controversa. Ela nem sempre tem a sensibilidade ou a especificidade adequada para a confirmação ou exclusão do diagnóstico.

O exame Padrão Ouro seria a Tomografia de Crânio. Mas obviamente que ela não é feita de rotina. Ela se destina para casos de complicações ou dúvida/resistência ao tratamento.

A Nasofibroscopia também é uma ótima opção. É um exame de imagem (câmera rígida ou flexível), mas só é encontrada em serviços especializados que disponham de Otorrinolaringologistas.

Mas acreditem, o diagnóstico continua sendo CLÍNICO, na imensa maioria das vezes, a partir da história clínica e exame físico do paciente.

6) E o tratamento?

O tratamento base e prevenção da Sinusite Bacteriana continua sendo a boa e velha lavagem nasal!

Sim!!! Acreditem nela 🙏🏻.

Tenho uma postagem apenas sobre isso, confira: https://clinicagoncalves.com/2023/12/11/como-fazer-lavagem-nasal/ .

Além disso, a umidificação do ar, inalações com soro fisiológico e evitar a exposição aos alérgenos ajudam e muito.

Perceberam que citei sobre os corticoides acima?

Sim, herói ou vilão?

Depende!

Diante de um quadro base alérgico, ele pode ser utilizado preferencialmente de forma tópica (spray nasal) e, eventualmente, em forma oral (xaropes, gotas e comprimidos).

Entretanto, seu uso rotineiro na apresentação oral (Prednisolona, Betametasona ou Dexametasona) pode ser um fator de risco para a Sinusite…

Cuidado com o seu uso rotineiro e sem prescrição médica!

7) E os antibióticos?

Sim, claro!

Diante de um caso de Sinusite Bacteriana o tratamento compreende o uso de antibióticos.

Assim como as Otites Médias e as Pneumonias Bacterianas, os principais agentes causadores são o Pneumococo e o Hemofílos do Tipo B, os quais já temos vacinas públicas e privadas para a prevenção (também falei delas aqui: https://clinicagoncalves.com/2023/10/26/a-nova-vacina-de-pneumococo/, confira).

“Tá e daí?!?”

Daí que o tratamento Padrão continua sendo o mesmo: as penicilinas!

A escolha número 1 é a boa e velha Amoxicilina.

Opções para crianças que receberam tratamento recente com ela, seria a própria medicação em dose dobrada (geralmente as bactérias que causam sinusite não possuem resistência), ou a associação com Clavulanato ou a Cefuroxima.

Tratamentos alternativos com a Azitromicina ou a Claritromicina não são a primeira escolha e só devem ser reservados para pacientes alérgicos às penicilinas.

8) Por quanto tempo?

O mínimo de tratamento para uma Sinusite Bacteriana são 10 dias.

Eventualmente, o tratamento pode ser extendido por 14-21 dias.

A escolha do antibiótico e o tempo de tratamento corretos são cruciais para a melhora clínico e, também, para se evitar resistência bacteriana e reinfecções.

Bem,

Acho que é isso!

Ficaram dúvidas? Então é só deixá-las abaixo que eu respondo.

Até a próxima!

Nós vemos em breve.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixa a nossa família cuidar da sua!

Fontes:

  1. Imagem 1 Ar e Seios da Face. Link: https://felippefelix.com.br/blog/cirurgia-dos-seios-da-face-sinusectomia/
  2. Imagem 2 Seios da Face. Link: https://felippefelix.com.br/blog/cirurgia-dos-seios-da-face-sinusectomia/
  3. Guideline IVAS- Infecções de Vias Aéreas Superiores- Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial. Link: https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2023/01/guidelines_completo_07.pdf
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria- Dezembro 2023. Link: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/doencas/sinusite-nas-criancas/

Pneumonia: TUDO o que você precisa saber

Olá! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim.

Depois de um longo e tenebroso inverno, cá estou. E venho trazer um dos temas que mais assusta os pais e que mais me perguntam também: a Pneumonia.

Bora no nosso tradicional bate-bola?

1) O que é Pneumonia?

A Pneumonia é uma doença inflamatória dos pulmões. Geralmente, causada por agentes infecciosos como vírus, fungos e bactérias.

2) É comum e também muito grave “pegar” Pneumonia?

A resposta é sim e depende, respectivamente.

A Pneumonia é a principal causa de morbidade (doença) e de mortalidade em crianças menores de cinco anos em todo o mundo!!! Ou seja, ela é comum.

No entanto, para tranquilizar aqui quem está lendo esse texto, eu sempre digo que é improvável/impossível que seu filho ou você acordem de um dia para o outro com Pneumonia.

Ela é uma doença arrastada- em muitos lugares que você for ler/procurar refere-se como um quadro de gripe ou resfriado “mal tratados”.

Portanto, a pneumonia PODE ser grave. A depender da sua evolução, da idade do seu filho e de possíveis comorbidades que ele possua.

E, apesar de não concordar muito com a parte do “mal tratado”, como se a culpa fosse dos pais por não cuidarem de forma adequada dos seus filhos; eu vou de encontro com opinião de que a Pneumonia é precedida de um quadro, geralmente viral, de gripes ou resfriados que se arrasta, cursa com febre, tosse produtiva muito cansaço.

Portanto, a pneumonia PODE ser grave. A depender da sua evolução, da idade do seu filho e de possíveis comorbidades que ele possua.

O tema é tão importante que desde 2018 a Sociedade Brasileira de Pediatria tem publicado anualmente atualizações sobre ele, as quais utilizo para escrever esse texto (Fontes abaixo).

3) Como é feito o Diagnóstico?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, com a Atenção Integrada às Doenças na Infância (AIDPI), criaram e disseminaram critérios exclusivamente clínicos para o diagnóstico de Pneumonias em crianças (de 2 meses a 5 anos), com alto grau de sensibilidade.

Basicamente, uma criança com febre persistente, tosse produtiva, sinais de desconforto respiratório- cansaço, como marcações abaixo das costelas, entre elas, na região do pescoço- e/ou taquipneia, respiração aumentada (veja tabela abaixo com os valores de corte para cada faixa etária), já teria critérios para se pensar em um quadro de Pneumonia.

Claro, a história clínica é muito importante.

Uma criança com um quadro arrastado de gripe ou resfriado, com um novo quadro de febre ou febre persistente, cansaço, prostração, sonolência, que não melhoram após o uso de antitérmicos, recusa alimentar extrema… Faz pensar na possibilidade de Pneumonia.

Ainda, no exame físico, a presença de estertores e não sibilos (chiado)- difícil de entender? Explico a diferença entre eles na Live de Maio no meu perfil do Instagram @drvinicius_goncalves– corroboram para o diagnóstico.

O cansaço e a saturação baixa também ajudam a pensar no quadro.

Confira o quadro abaixo:

4) E o Raio-X (radiografia de tórax), não é necessário?

Não!

Todos os artigos- deixo as referências abaixo- são UNÂNIMES: a radiografia de tórax não deve ser realizada em quadros simples como os de gripes/resfriados ou Pneumonias não complicadas, de tratamento ambulatorial (em casa).”

O Raio-x deve ser reservado para os casos graves, que demandem internação, ou nos casos em que não haja melhora a despeito do tratamento.

O exame não é capaz de diferenciar quadros virais de bacterianos. Inclusive, nem mesmo os exames de sangue, como o Hemograma ou PCR/VHS…

Além de tudo isso, cada vez mais é discutido o impacto do número elevado e repetitivo de exames de imagens em crianças, como radiografia e tomografias. Bem como, sua íntima relação no aumento da incidência de cânceres no futuro.

…a radiografia de tórax não deve se realizada em quadros simples como os de gripes/resfriados ou Pneumonias não complicadas, de tratamento ambulatorial (em casa).

5) Quem causa as Pneumonias?

Depende da faixa etária.

Mas observe o quadro abaixo:

Importante pontuar que, em crianças com de 2 meses até 5 anos de idade, os agentes mais relacionados são os VÍRUS!!!

Seguidos das bactérias: Streptococcus pneumoniae (Pneumococo), Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae do tipo B (Hemófilos do tipo B).

6) Como posso prevenir que meu filho “pegue” Pneumonia?

Ótima pergunta!

São fatores de risco:

  • Desmame precoce (antes de 6 meses de idade)
  • Início precoce em creche/escolinha
  • Desnutrição
  • Baixo nível de saneamento/ condições de higiene
  • Tabagismo passivo
  • Comorbidades (doenças pulmonares, cardíacas, anemia falciforme, doenças auto-imunes, imunodeficiência)
  • BAIXA COBERTURA VACINAL

Sim, manter as vacinas do seu filho em dia é um ótimo caminho!

Comentei sobre as vacinas do Pneumococo há uns meses, confira: https://clinicagoncalves.com/2023/10/26/a-nova-vacina-de-pneumococo/.

É possível complementar as vacinas públicas com as vacinas particulares de Pneumococo e Hemófilos, principais agentes que causam Pneumonia bacteriana em crianças.

Mas não se esqueçam, os VÍRUS são os principais agentes que causam Pneumonias e também são eles que geralmente predispõem a um quadro bacteriano.

Portanto, é importantíssimo manter atualizadas as vacinas de Gripe (Influenza) e COVID. E quem sabe, num futuro próximo, a de Bronquiolite (contra o VSR)???

7) E Pneumonia Silenciosa? Morro de medo!!!

Não sei ao certo porque houve esse “BOOM”de anseios, dúvidas e perguntas sobre a chamada “Pneumonia Silenciosa”.

A Pneumonia Silenciosa ou Assintomática, como o nome indica, não cursa com TODOS os sintomas típicos de uma Pneumonia comum.

Entretanto, ALGUM SINTOMA TÍPICO DE PNEUMONIA HÁ DE HAVER.

Sendo assim, pode não haver febre alta ou constante, mas deve haver cansaço, prostração, tosse…

Sinceramente, não encontrei documentos da Sociedade de Pediatria Brasileira abordando sobre o tema.

Quando se faz uma busca na internet, é mais provável que se encontre uma página de notícias comentando sobre a Pneumonia Silenciosa do que uma página médica.

Então para tranquilizar o coração de pais e mães, mesmo que não seja típico, em um caso de Pneumonia, o seu filho terá sintomas mais arrastados, que diferenciem de uma gripe ou de um resfriado. Algum grau de prostração ou cansaço mais persistentes.

E sim, num caso como esse, a avaliação médica de seu Pediatra é crucial!

Então é isso.

Espero que tenha elucidado mais essa.

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Nos vemos em breve.

Até lá!!!

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves– Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Documento Científico- Departamento Científico de Pneumologia- Pneumonia adquirida na Comunidade na Infância. Julho 2018. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Pneumologia_-20981d-DC-_Pneumonia_adquirida_na_comunidade-ok.pdf

2) Documento Científico- Departamento Científico de Pneumologia-Abordagem Diagnóstica e Terapêutica das Pneumonias Adquiridas
na Comunidade Não Complicadas. Maio 2021. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23054d-DC-Pneumonias_Adquiridas_Nao_Complicadas.pdf

3) Documento Científico- Departamento Científico de Pneumologia- Pneumonia adquirida na Comunidade na Infância- Fevereiro 2022. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23053i-DC-Pneumonias_Adquiridas_Complicadas.pdf

4) Documento Científico- Departamento Científico de Pneumologia- Pneumonias Adquiridas na Comunidade Complicadas: Atualização 2024- Abril 2024- Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24347d-DC_PneumoniaAdquiridas_ComunidadeComplicada-Atualiza2024.pdf

5) Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde e Fudo das Nações Unidas para a Infância- Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI- Brasília 2017- Link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_quadros_procedimentos_aidpi_crianca_2meses_5anos.pdf

Como fazer lavagem nasal?

Olá, tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Aproveitando o lançamento do Guia Prático de Atualização da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre Lavagem Nasal, no final do mês de Outubro, vim aqui falar sobre o tema e dar minha interpretação sobre ele.

Bora lá?!?

1) Para quem está indicado fazer lavagem nasal e a partir de qual idade?

A resposta é: para TODOS!!!

Desde bebês até os vovôs.

E indicado, principalmente, para:

  • Rinossinusites virais (resfriados)
  • Rinites alérgicas agudas e crônicas
  • Sangramento nasal (Epistaxe)
  • Pós-operatório (desvio de septo, retirada de cornetos nasais, cistos…)

2) E como prevenção?

Na realidade, não existe ainda algum estudo que endosse a lavagem como mecanismo de prevenção contra sintomas/ queixas nasais

Entretanto também, nenhum se mostrou contrário ou deletério.

Valendo a velha máxima: “Você deve lavar o nariz todos os dias, assim como escova os dentes”.

3) Existem contra-indicações?

Sim.

Na presença de corpos estranhos, defeitos de base de crânio ou trauma nessa região e quando há chance aumentada de aspiração.

4) Existem tipos de soros diferentes? E apresentações diferentes?

Sim.

Pensando em Pediatria, deveríamos fazer a lavagem SEMPRE com Soro Fisiológico 0,9%. Evitando soluções mais concentradas como as de 2-3%, que podem causar mais desconforto e ardência.

O Soro Fisiológico 0,9% pode ser comprado em ampolas, frascos ou dispositivos como os demonstrados abaixo:

Inclusive, você pode fabricar o seu próprio soro fisiológico, sabia?!?

Como faz???

Vou explicar: Dilua 9g de Cloreto de Sódio (sal de cozinha) em 1 Litro de água filtrada e fervida. E pronto!

Para melhorar o pH da solução, pode ser acrescentada uma colher de café de Bicarbonato de Sódio (cerca de 1,59g) a cada 250 ml de soro caseiro.

Independentemente, se caseiras ou industrializadas, as soluções podem e devem ser mantidas refrigeradas.

Maaaas,

IMPORTANTE: a lavagem sempre deve ser feita com o soro à temperatura ambiente (25C) ou aquecido- pode ser aquecido em microondas- e NUNCA gelado!

5) Qual a melhor forma de realizar a lavagem nasal?

Independentemente do dispositivo, sempre:

  • Aponte-o para a LATERAL do nariz. NUNCA para o septo.
  • Aplique de forma contínua e suave. Não faça em “soquinhos” ou de uma forma brusca (alta pressão).
  • Posicione bem a ponta do dispositivo com a narina
  • Forme um ângulo de 45 graus em relação ao palato.

Aponte sempre para a Lateral do Nariz

Faça um ângulo de 45 grau com o palato (céu da boca)

6) Existem volumes e/ou tipos específicos de apresentações para cada idade?

Sim!!!

E essa foi a parte mais inovadora dessa Recomendação da SBP! Até então, não tínhamos nenhum Guia para uma recomendação formal.

E agora temos!

Bora conferir?

  • Menores de 6 meses

  • De 6 meses a 2 anos

  • Maiores de 2 anos

7) Dicas de Ouro!!!

Aqui vão algumas dicas que eu separei para vocês e que podem ajudar no processo todo:

  • Pratique a lavagem nasal no seu filho desde pequeno (bebê) e mesmo se ele não estiver doente. Será muito mais fácil realizá-la futuramente, em um quadro de resfriado ou alergia.
  • NUNCA faça com seu filho deitado (no reto)! Fator de risco para engasgos e otites!!!
  • Em crianças pequenas, faça sempre com uma inclinação de 30 graus ou sentado.
  • Em crianças maiores, sentado ou em pé com uma inclinação para frente.
  • Peça para seu filho, se for maior, gritar: “Ahhhhh”durante a lavagem. Isso impede com que o soro caia lá atrás, no fundo da boca, e provoque engasgo.


Eu acho que é isso

Por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões? É só deixá-las abaixo.

Aguardo vocês numa próxima postagem.

Até lá!!!

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES– Deixe a nossa família cuidar da sua.

Fontes:

1) Guia Prático de Atualização- Lavagem Nasal- Sociedade Brasileira de Pediatria. 30 de Outubro de 2023. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24053f-GPA_ISBN_-_Lavagem_Nasal.pdf

2) Imagem Corneto nasal: https://www.clinicamarcondes.com.br/post/corneto-nasal-o-que-é-e-para-que-serve

3) Imagem Rinofaringe: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/faringe.htm

A nova vacina de Pneumococo

Olá! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim.

Hoje vim falar sobre a nova vacina Pneumo 15-valente (Pneumo 15V) e sobre suas irmãs Pneumo 10V e Pneumo 13V.

Mas antes de começar a falar sobre vacinas, vou falar sobre o Pneumococo, agente que essas vacinas previnem.

Bora lá?

1) O que é Pneumococo?

O pneumococo é uma bactéria. Seu nome científico é Streptococcus pneumoniae.

Existem mais de 90 tipos de Pneumococo, no entanto, alguns deles são os mais relevantes para causar doença invasiva em crianças.

2) Que doenças ele pode causar?

O Pneumococo é um dos principais agentes que causa otites, sinusites, bacteremia, sepse e meningites nas crianças.

3) Quais são os fatores de risco para infecção pelo Pneumococo?

Ele é transmitido por gotículas, geralmente, ou por contato direto por superfícies contaminadas.

Dentre os fatores de risco, destaco:

– Desmame precoce (antes dos 6 meses)

– Tabagismo passivo

– Frequentar escola ou creche (menores de 2 anos principalmente) e/ou bebês que tenham irmãos que frequentam escola/creche.

4) Ele é um agente resistente a antibióticos?

Depende!

O PRINCIPAL:

“Uso recorrente de antibióticos (por isso a importância de utilizar apenas com indicação correta e pelo tempo correto)”.

Geralmente, o Pneumococo é sensível a grande parte dos antibióticos como Penicilinas (Amoxicilina).

Alternativamente, para pessoas alérgicas, pode ser utilizado macrolídeos (Claritromicina, Azitromicina ou Eritromicina).

No entanto, para crianças com infecções recorrentes e uso de Penicilinas em menos de 30 dias e/ou que não utilizaram o antibiótico pelo tempo correto pode haver a seleção de bactérias resistentes ou parcialmente resistentes.

Nesses casos, há indicação de doses mais altas da classe de Penicilinas ou grupos de antibióticos mais potentes.

5) Pneumo 10v: quem fornece, qual a proteção, quantas doses meu filho deve receber?

A Pneumo 10V é fornecida pelo SUS gratuitamente.

Ela confere uma proteção de cerca de 70% contra doenças invasivas graves pelo Pneumococo.

Geralmente ela é feita com: 4 meses e 6 meses. Reforço após 1 ano de idade.

6) Pneumo 13v: quem fornece, qual a proteção e quantas doses meu filho deve receber?

A Pneumo 13V costuma ser encontrada em clínicas privadas, eventualmente, em UBSs.

Ela confere uma proteção de cerca de 90% contra doenças invasivas graves pelo Pneumococo.

MUITO IMPORTANTE: ELA CONFERE PROTEÇÃO CONTRA OS TIPOS 3 e 19A do Pneumoco. Que são os principais tipos que causam doenças invasivas graves no Brasil e no Mundo!”

* Posologia:

Nas crianças com menos de 6 meses:

3 doses: 2-4-6 meses

Após 1 ano (12-15 meses): 1 dose de reforço.

Nas crianças de 7 meses a 1 ano:

2 doses: com intervalo de 2 meses

Apos 1 ano (12-15 meses): 1 dose de reforço.

Nas crianças entre 1-2 anos:

2 doses com intervalo de 2 meses

Criancas entre 2-5 anos:

Apenas uma dose

MUITO IMPORTANTE: ELA CONFERE PROTEÇÃO CONTRA O TIPO 3 e 19A do Pneumoco. Que são os principais tipos que causam doenças invasivas graves no Brasil e no Mundo!”

7) A nova vacina Pneumo 15V: quem fornece, qual a proteção e quantas doses meu filho deve receber?

Fornecida por clínicas privadas.

Ela confere 1% a mais de proteção do que a Pneumo 13v.

E principalmente: continua protegendo contra os tipos 3 e 19A de Pneumoco.

Seu esquema posológico (doses) é o mesmo da Pneumo 13V acima.

8) Posso intercambiar, ou seja, mudar de uma vacina para outra? Pode-se contabilizar as doses anteriores já administradas?

Se o esquema vacinal foi iniciado com Pneumo 10V a resposta é sim!

Deve-se desconsiderar as doses anteriores e iniciar o esquema com Pneumo 13V ou Pneumo 15 “do zero”. Como se nenhuma vacina tivesse sido feita.

Entretanto, se foi iniciado o esquema vacinal com Pneumo 13V pode-se intercambiar para a vacina Pneumo 15V sem problemas.

PERGUNTA BÔNUS:

* Ouvi falar sobre a vacina Pneumo 23V. O que se sabe sobre ela?

A Pneumo 23V é uma vacina que não fornece imunidade duradoura.

Ela é indicada para pessoas com imunodeficiência e problemas respiratórios crônicos.

Encontrada no SUS nos CRIES (Centros de Referência) e em clínicas particulares.

Ela pode ser ofertada para crianças com mais de 2 anos e adultos com mais de 60 anos.

Uma segunda dose dela pode ser feita 5 anos após a primeira.

E por hoje é só!

Dúvidas ou sugestões?

Só deixar abaixo.

Até mais.

Dr Vinícius F. Z. Gonçalves- Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)- Outubro 2023- https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-pneumococicas-conjugadas

A Nova Vacina da Dengue

Olá! Como estão vocês? Eu espero que bem!

Hoje, venho aqui para falar da Nova Vacina da Dengue, a QDENGA.

Ouviram falar dela nos noticiários?

Pois bem, caso não conheçam, trago aqui os highlights no nosso jogo de perguntas e respostas.

Maaaas…

Antes de começar, como o verão está aí e junto com ele os mosquitos e as suas picadas, deixo a seguir o link sobre Repelentes (sim, precisa de atualização que deve sair em breve…):

https://clinicagoncalves.com/2017/11/23/nao-deixe-ele-tirar-o-sono-do-seu-filho/

Agora sim! Bora lá?

1) Já não existia uma Vacina de Dengue?

Sim. Antes da QDENGA (Laboratório Takeda) já havia a vacina Dengvaxia (Laboratório Sanofi).

2) Então qual a diferença entre elas?

A vacina anterior, Dengvaxia, é recomendada para pessoas de 6 anos até no máximo 45 anos de idade que JÁ TIVERAM infecção prévia confirmada laboratorialmente pela Dengue. no esquema de 3 doses (0,6 e 12 meses).

Já, a nova vacina recentemente aprovada pela ANVISA, a QDENGA, pode ser realizada em pessoas de 4 a 60 anos de idade INDEPENDENTEMENTE de infecção prévia. No esquema de apenas 2 doses (0 e 3 meses).

3) Quem não pode receber a vacina?

Ambas são contra-indicadas para:

– Gestantes

– Mulheres que amamentam

– Imucomprometidos

– Pacientes em uso de corticoides em doses altas ou imunossupressores

Além é claro da ressalva da idade e status sorológico citados antes.

4) A nova vacina é segura?

Sim. A QDENGA foi testada em mais de 28.000 crianças e adultos de 1,5 a 60 anos de 13 países do mundo, incluindo o Brasil.

Ela é uma vacina de vírus vivos atenuados, baseada no sorotipo 2 da Dengue e com três vírus quiméricos (“modificados”) contendo os genes das proteínas dos sorotipos 1,3 e 4 da Dengue.

Portanto, ela previne a doença causada pelos quatro tipos de Dengue, sem a incidência de eventos adversos graves, até o momento.

5) Quem teve Dengue atualmente pode tomar a vacina?

Recomenda-se um intervalo de 6 meses após a infecção pelo vírus da Dengue para a aplicação da nova vacina, QDENGA.

6) Se eu tomei uma dose da vacina anterior, Dengvaxia, eu posso continuar o esquema com a nova vacina, QDENGA?

Não há dados de intercambialidade entre as vacinas.

Portanto, não.

Deve-se iniciar o esquema do zero, desconsiderando as doses da vacina anterior.

7) A recomendação é dar essa vacina para as crianças?

Sim!

A SBP, Sociedade Brasileira de Pediatria, recomenda a vacinação de TODAS as crianças com mais de 4 anos de idade, independentemente da infecção prévia pela Dengue documentada.

Pelo menor número de doses (apenas 2) e menor intervalo de tempo (3 meses), a sugestão é que seja realizada preferencialmente a nova vacina, A QDENGA.

Deixo nas fontes o texto integral.

Acho que por hoje é só!

Vamos manter em dia as vacinas dos pequenos.

Nos vemos em breve.

Até lá!!!

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves– Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Nova Vacina Dengue: Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria- Documento Científico de Imunizações. No. 89, 11 Agosto de 2023. Link: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24154d-DC_-_Nova_Vacina_Dengue-Recomendacoes_SBP.pdf

Como tratar conjuntivite?

Olá! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim!

Hoje vou falar sobre as conjuntivites nas crianças.

Como diagnosticar? Como tratar? Precisa afastar da escola em todos os casos?

Mas antes de começarmos, é importante conceituar o que é conjuntivite.

1) O que é conjuntivite?

Tudo o que termina com o sufixo “ite”, em medicina, significa inflamação.

A Conjuntiva é uma membrana transparente que fica sobre a esclera, a parte branca do olho, e a sua função é a de proteger os olhos de agentes externos.

Imagem 1- Conjuntiva

Logo, a conjuntivite é a inflamação de uma parte do olho.

Reitero: inflamação.

Não obrigatoriamente infecção.

2) Quais as causas de conjuntivites?

As conjuntivites podem ser causadas por agentes infecciosos, como vírus, fungos e bactérias, corpos estranhos, alérgenos e agentes irritantes.

3) Todo olho vermelho é conjuntivite?

A resposta é não.

No entanto, toda conjuntivite costuma cursar com o olho vermelho.

4) Quais são os sintomas?

As conjuntivites, independentemente da causa, geram:

  • Olhos vermelhos
  • Prurido (coceira)
  • Sensação de areia nos olhos
  • Fotofobia (incômodo com a luz)
  • Lacrimejamento
  • Secreção nos olhos

5) Como diferenciar uma conjuntivite viral de uma bacteriana?

Essa, de fato, não é uma tarefa fácil…

Entretanto, a história clínica ajuda e MUITO!

  • Conjuntivite Viral

É comum haver uma história de resfriado associado ao quadro ou de pessoas próximas resfriadas.

Portanto, febre por 2 a 3 dias, coriza hialina (clara) e tosse são sintomas comuns.

Falando especificamente sobre a conjuntivite:

– Pode acometer um olho, apenas. Mas geralmente acomete ambos os olhos em 48h.

– A secreção é mais mucosa (aquosa).

– Presença de linfonodos pré-auriculares (ínguas).

Imagem 2- Linfonodos pré-auriculares (à frente da orelha)

  • Conjuntivite bacteriana

Começa de forma aguda, sem história prévia de resfriado.

A irritação e a vermelhidão são importantes. Mas também:

– Acomete, normalmente, apenas um dos olhos. Pode haver o acometimento de ambos os olhos através do ato de coçar.

– A secreção é abundante. Mais espessa. Podendo ser amarelada ou esverdeada.

– Geralmente, sem linfonodos (ínguas) aumentados durante o quadro.

6) Qual o tratamento?

Seja qual for a causa, realizar higienize com soro fisiológico 0,9% e aplicar compressas com água fria sobre os olhos já pode ajudar bastante e até ser o suficiente para o tratamento de uma conjuntivite.

No caso de conjuntivite viral, não há um tratamento específico. O uso de colírios de lubrificação pode auxiliar na resolução dos sintomas.

Já num caso de conjuntivite bacteriana, pode ser necessário o uso de colírios com antibióticos. Eventualmente, antibiótico sistêmico (por boca).

7) É necessário o afastamento escolar?

Sim!

Em se tratando de um quadro de conjuntivite infecciosa (viral ou bacteriana) é necessário o afastamento escolar.

A transmissão se dá pelo contato direto com as secreções ou compartilhamento de objetos.

Geralmente em 7-10 dias já costuma haver melhora dos sintomas.

*** FAIXA BÔNUS ***

a conjuntivite infecciosa é rara em bebês

É bastante comum, na primeira ou nas primeiras consultas de um recém-nascido, eu receber a seguinte queixa:

“Meu filho acorda com os olhos com muita secreção, quase grudados. Será que ele está com conjuntivite?”

Imagem 3- Secreção abundante SEM olho vermelho

E, na grande maioria das vezes, a resposta é não.

Tirando a possibilidade de conjuntivite química causada pelo colírio de Nitrato de Prata aplicado na maternidade e que, costuma haver resolução espontânea em 48h, e das conjuntivites neonatais provocadas por agentes infecciosos que podem estar presentes no canal de parto, como N. gonorrhoeae (gonorreia) e C. trachomatis (clamidíase), a conjuntivite infecciosa é bastante rara em bebês.

O que pode estar acontecendo então?

Possivelmente, um dos principais motivos de secreção abundante nos olhos dos recém-nascidos advém da obstrução do ducto nasolacrimal.

Imagem 4- Obstrução de ducto nasolacrimal

O ducto nasolacrimal é uma estrutura que liga os olhos ao nariz e que auxilia na drenagem das lágrimas.

Devido ao seu tamanho diminuto em bebês, não é incomum que haja obstrução.

Nesses casos, pode haver o acúmulo de secreções no canto dos olhos, principalmente, pela manhã. A vermelhidão não é tão comum, entretanto.

Realizar higiene com soro, compressas com água fria e, principalmente, a massagem de Crigler costuma ser suficiente para a resolução do problema.

Imagem 5- Massagem de Crigler

Bem, por hoje é só!

Espero ter elucidado mais essa.

Nos vemos em breve em mais uma publicação.

Espero vocês.

Até lá!

Dr. Vinícius F. Z. Gonçalves– Pediatra e Neonatologista

CLÍNICA GONÇALVES- Deixe a nossa família cuidar da sua

Fontes:

1) Nem todo olho vermelho é conjuntivite- Sociedade Paulista de Pediatria- Atualização de Condutas em Pediatria- Maio 2018.

2) Profilaxia da Oftalmia Neonatal por Transmissão Vertical- Sociedade Brasileira de Pediatria- Documento Científico- Dezembro de 2020.

Imagens:

Imagem 1- https://www.allaboutvision.com/pt-br/anatomia-ocular/conjuntiva/

Imagem 2- https://www.passeidireto.com/arquivo/59864626/linfonodos

Imagem 3- https://eyekids.med.br/obstrucao-congenita-das-vias-lacrimais-2/

Imagem 4- https://www.saudeocular.com.br/vias-lacrimais/

Imagem 5- https://www.nationwidechildrens.org/family-resources-education/health-wellness-and-safety-resources/helping-hands/eye-tear-duct-massage